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do poder legislativo, deputados e senadores, que inicialmente desempenhariam funções na Assembleia Nacional Constituinte51 para elaborar o novo texto constitucional, em substituição

ao de 1937. As eleições foram realizadas em dezembro de 1945, paralelamente à eleição presidencial, na qual foi eleito o novo presidente da República, General Eurico Gaspar Dutra. (LOPES, 2002, p. 171).

A bancada de Mato Grosso, na Assembleia, era composta por sete constituintes, sendo três do PSD (Partido Social Democrático) e quatro da UDN (União Democrática Nacional). Mato Grosso foi o único estado fora da região nordeste onde a UDN ganhou as eleições, elegendo quatro Constituintes de uma bancada de sete parlamentares. (BRAGA, 1998, p. 350). A bancada “udenista” em Mato Grosso era composta pelos senadores João Villas Boas, antigo político mato-grossense com várias legislaturas em órgãos parlamentares, um dos principais dirigentes da Aliança Mato-Grossense, partido político que apoiava Filinto Müller em nível estadual (1936), tornando-se, durante o Estado Novo, membro do Conselho Nacional do Trabalho (1940), e Vespasiano Barbosa Martins, descendente de tradicional família pecuarista em Mato Grosso, apoiou o movimento constitucionalista paulista, foi Senador estadual entre 1935 e 1937 e prefeito nomeado de Campo Grande durante o Estado Novo (1941- 1945). (BRAGA, 1998, p. 350-356).

Já a bancada de Deputados era composta dos seguintes nomes: Agrícola de Barros, membro da Associação de Imprensa mato-grossense, ex-vereador entre 1929 e 1930 e ex- Deputado Estadual Constituinte de MT entre 1935 e 1937; Dolor Ferreira de Andrade, proprietário de terras, líder dos pecuaristas do Brasil Central, com intensa militância em diversas associações de classe de pecuaristas. (BRAGA, 1998, p. 350-356).

A bancada do PSD era composta de três Deputados: Argemiro de Arruda Fialho, advogado mato-grossense em sua primeira legislatura em órgãos parlamentares; Gabriel Martiniano de Araújo, que durante o Estado Novo foi Presidente do Conselho da Caixa Econômica Federal, em Mato Grosso e Vice-Presidente do Conselho Administrativo de Mato Grosso (1943-1944); João Ponce de Arruda, engenheiro civil, Diretor do Departamento de Viação e Obras Públicas de Mato Grosso (1930-1931), Diretor do Departamento de Terras, Minas e Colonização, em Mato Grosso (1932-1933), Prefeito nomeado de Cuiabá (1933-1935)e Deputado Estadual Constituinte (1935-1937). Durante o Estado Novo, foi Secretário de

51 Os poderes da Assembleia Nacional Constituinte foram atribuídos aos deputados e senadores eleitos em

02/12/1945 através da Lei Constitucional nº13, de 12/11/1945: “Art 1º Os representantes eleitos a 2 de dezembro de 1945 para a câmara dos deputados e o senado federal reunir-se-ão no Distrito Federal, sessenta dias após as eleições, em Assembleia Constituinte, para votar, com poderes ilimitados, a Constituição do Brasil”.

Agricultura, Viação e Obras Públicas, e Secretário-Geral do Estado de MT (1937-1945). (BRAGA, 1998, p.357-360).

4.13.2. O processo de extinção do Território Federal de Ponta Porã na Assembleia Nacional Constituinte: Breves apontamentos

A proposta de emenda que resultaria, depois de aprovada pela Comissão Constituinte e votada no Plenário, no artigo 8º do “Ato das Disposições Transitórias” da Constituinte de 1946, responsável pela supressão do Território de Ponta Porã e do Iguaçu, foi de autoria da bancada paranaense.

Tratava-se da emenda de nº 325, resultante de uma mobilização das forças políticas paranaenses pela “reconquista” territorial da parcela do Paraná, que havia sido desmembrada com a criação do Território do Iguaçu. Segundo Sérgio Lopes, esse movimento, que num primeiro momento nasceu tibiamente, tornou-se depois unânime dentro do Estado, sendo, inclusive, propagado fora dele. De acordo com o autor, a mobilização ganhou força significativa a partir das eleições para Presidente, Deputados e Senadores e do estabelecimento da Assembleia Nacional Constituinte.52 (LOPES, 2002, p. 172).

A partir daí, esse movimento pró-integração, articulado com os representantes da bancada de constituintes paranaenses, utilizou a estratégia de apresentar uma emenda constitucional, que resultou na emenda nº 325, no capítulo do “Ato das disposições constitucionais transitórias” da Constituição Federal, a favor da supressão do Território Federal do Iguaçu. Tratava-se, pois, de uma emenda ao Anteprojeto da Constituição, que estava sendo redigido pela Comissão Constituinte.

Entretanto, originalmente, a emenda nº 325 sugeria apenas a extinção do Território Federal do Iguaçu, tendo o Território Federal de Ponta Porã pegado carona no decorrer do processo. Segundo Sérgio Lopes, em relação à emenda original, “Nenhum dos constituintes mato-grossenses assinou a proposta para a extinção do Território do Iguaçu”. (LOPES, 2002, p.175).

Isso não significa que os representantes da bancada de constituintes mato-grossenses

52 A simples apresentação de um projeto de reintegração do Território do Iguaçu não garantiria o retorno ao Paraná

da área que havia sido desmembrada. Para tal fim, foram traçadas outras estratégias de atuação, que se desenvolveram em duas frentes: a primeira junto a população do Território e a segunda junto ao próprio Congresso Constituinte. (LOPES, 2002, p.175). Porém, sendo a maioria da população desfavorável a reintegração, criou-se uma Comissão, com pessoas importantes ligadas ao estado paranaense, com o objetivo de conversar com a população do TFI e convencê-la a se manifestar, junto ao Governo Federal e à Assembleia Constituinte, a favor da reintegração do Território. (LOPES, 2002, p.177).

não apresentaram emendas propondo a extinção do Território Federal de Ponta Porã. Ao contrário, Agrícola Paes de Barros (UDN-MT) e João Ponce de Arruda (PSD-MT) apresentaram propostas de emendas ao projeto da Constituição que extinguiam não só o Território de Ponta Porã, mas também todos os Territórios criados, com ele, em 1943.

João Ponce Arruda teria apresentado a emenda de nº 768, que propunha a extinção de todos os Territórios Federais, exceto o do Acre, e a emenda de nº 832, que determinava a extinção dos Territórios de Ponta Porã e do Território de Guaporé, além da devolução ao Estado de Mato Grosso das glebas de terra que lhe foram desmembradas para a criação daquelas unidades da Federação53. (BRAGA, 1998, p. 360). Agrícola Paes de Barros (UDN-MT)

apresentou a emenda de nº 1.197, que propunha a extinção de todos os Territórios criados durante o Estado Novo, propondo ainda a transformação do Território do Acre em Estado. (BRAGA, 1998, p.354).

Porém, somente a emenda paranaense (nº325) foi aprovada pela Comissão Constituinte e levada à votação no Plenário. Isso aconteceu porque, segundo Sergio Lopes, houve um acordo prévio entre os políticos paranaenses – os que participavam da Constituinte e o Interventor do Estado – e o Governo Federal no sentido de que somente os Territórios de Iguaçu e de Ponta Porã seriam objeto da emenda de supressão. “Observou-se que a preocupação do novo Presidente da República era de que o projeto de emenda não atingisse os demais territórios que tinham sido criados juntamente com o de Iguaçu e de Ponta Porã”. (LOPES, 2002, p. 173).

Além de acertarem com o Governo Federal, os políticos paranaenses que se mobilizaram para a reintegração do Iguaçu também fizeram um acordo prévio com os políticos de Santa Catarina e Mato Grosso, o que resultou na aprovação da emenda na Comissão Constitucional, sendo, assim, incluída no artigo 8º do “Ato das disposições transitórias” da Constituição de 1946. Tal proposta recebeu a assinatura de 119 constituintes, tendo sido apresentada no dia 10/06/1946.

Em relação à adição do Território Federal de Ponta Porã na emenda paranaense, intuiu- se que houve algum tipo de acordo entre os políticos paranaenses e os mato-grossenses, uma vez que estes, em sua maioria, mostraram-se a favor da extinção do TFPP, quando não por meio de discursos na tribuna54, apenas silenciando em relação a tal possibilidade, o que não deixa de

ser uma forma de anuência. Porém, reconhece-se que se fazem necessárias investigações mais

53 Nessa Emenda, João Ponce de Arruda também propunha a indenização dos bens (mato-grossenses), que

passaram aos poderes da União com a criação dos Territórios Federais de Ponta Porã e Mato Grosso.

54 Foram quatro os representantes mato-grossenses que subiram à tribuna para defender a extinção do Território

Federal de Ponta Porã. Foram eles, o Senador João Villas Boas (UDN-MT), Agrícola Paes de Barros (UDN-MT), Dolor Ferreira de Andrade (UDN-MT) e João Ponce de Arruda (PSD-MT).

profundas acerca desse processo, bem como dos motivos pelos quais o Governo Federal exigiu que a emenda de supressão se restringisse somente aos Territórios de Ponta Porã e do Iguaçu.

Benzer Belgeler