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E. Boşanma, Ayrılık veya Birlikte Yaşamaya Ara Verilmesi Durumunda Velâyetin Düzenlenmes

4. Durumun Değişmes

“Talvez eu tenha me livrado dos programas, mas não sei se poderei, algum dia, deixar de ser uma ‘personagem’...”. Bruna

“[...] eu poderia ter tido uma vida bem cheia de aventuras também sem os programas. Meu aprendizado poderia vir também da leitura de um diário de uma garota de programa que resolveu passar adiante os seus ensinamentos e as experiências adquiridas. Eu só fico na dúvida sobre se me contentaria apenas em lê- los, pois sempre me baseio na experiência vivida por mim”. Marise

“No relato desses porões, percebo que meus dedos, dançando pelo teclado da máquina de escrever, ora obedecem Otília, ora escutam Gabriela. Otília descreve dias de loucura, inquietude. Gabriela conta dias de amor, esperança e luta”. Gabriela

Qual o motivo do fenômeno de vendas dos diários de prostitutas? A resposta parece óbvia: é a demanda da sociedade para suprir suas fantasias sexuais através do conhecimento das aventuras sexuais alheias. Uma oferta de voyeurismo mercadológico. O fato de serem escritos na forma de diário sugere autenticidade aos seus discursos, onde expõem pensamentos e intimidades.

Podemos observar nos livros das brasileiras Bruna e Marise, como também no da espanhola Virgínia17, certos elementos de romantismo. Detalhe: o livro de Gabriela apresenta um conteúdo que difere dos demais, não só por ter sido escrito em 1992, bem antes dos outros diários desenvolvidos por volta de 2005, mas principalmente porque apresenta uma visão de caráter político e militante, ao buscar uma melhoria das condições da prostituição na sociedade brasileira. Gabriela não descreve nenhum ato sexual em detalhes, como as demais.

Os diários de Bruna, Marise e Virgínia encontram similaridades que abordam certos clichês literários, possibilitando críticas contundentes, como nesta reportagem18 onde Eliane Robert Moraes diz que:

O livro de Bruna Surfistinha e seus similares não são eróticos, porque a literatura erótica mobiliza a fantasia, o que não ocorre com esses diários das ex-prostitutas. Esses livros são moralistas, não têm nada de transgressão, reafirmam os lugares sociais. O fato de todas deixarem a prostituição segue o modelo da “auto-ajuda”, de Paulo Coelho, do herói que passa pelas provas e que no final é recompensado [...] Paulo Coelho é a banalização do misticismo, Surfistinha e Cia são do erotismo. O misticismo de Coelho e o erotismo de Surfistinha são “light”, perdem o que é mais importante: a capacidade de perturbar lugares sociais, de transcender. Ao contrário, são normalizadores, reafirmam os lugares sociais.

No que diz respeito à utilização de clichês literários que abordam a felicidade e retomam a idéia do sonhado amor romântico feminino. Uma análise de Roland Barthes disseca fatores condizentes aos romances destinados a um público especialmente feminino. Quando entra em questão o mito do amor, condensando a superação que as prostitutas Bruna, Marise e Virgínia tentam alcançar com suas revelações (BARTHES 2004, p. 15):

17 O lançamento do livro da prostituta espanhola Virgínia acompanhou o sucesso editorial de Bruna

Surfistinha por volta de 2005 no Brasil. Entretanto, o seu diário é só brevemente citado neste estudo.

[...] o final feliz da história é a simples restauração de uma natureza humana inocente, momentaneamente esmagada por uma série de circunstâncias desventuradas; nos romances tipo Torrents, o final feliz não restitui uma inocência integral: é “dissipação” de um pecado que deixa a heroína “amadurecida”, ou seja, levando consigo, a partir de então, as marcas de uma experiência de vida.

Bruna reflete sobre a escolha de ter se prostituído e de como isso fez com que ela amadurecesse para respeitar a si mesma e aos outros. “Se não fosse o meu passado, acho que não teria me tornado a pessoa que sou, não a puta que sou, mas o meu outro lado que poucas pessoas conhecem”. Quando pára para pensar na vida, relembra tudo o que fez e sente-se orgulhosa: “Depois que fiquei um tempão assistindo ao ‘filme’ do meu passado, que passou apenas pelos pensamentos, limpei as lágrimas e levantei a cabeça”. Ela fala em superar esse momento de sua vida e ressalta o desejo de abandonar a vida fácil; fazendo uma sentença (SURFISTINHA 2005, p. 133-134):

Quando este livro estiver lançado não estarei mais fazendo programas [...] Tive a sorte de encontrar o homem da minha vida fazendo programas. Sei que não são todas as garotas de programa que têm o mesmo final feliz [...] O importante na vida é nunca desistir de buscar a felicidade.

Assim como Marise que faz “mentalizações e meditações” para ver se encontra uma saída para o mundo em que se meteu. “Em que trecho da estrada eu me perdi? Tentei acertar a estrada, através dos trechos errados”. Deixando claro seus planos para depois de sua publicação (OLIVEIRA 2006, p. 410):

Quero uma vida nova. Quero começar hoje a minha tentativa de mudar de vida. Não gosto de ser uma garota de programa. Não gosto de tanta adrenalina. Eu comecei por necessidade, mas, depois foram vindo as mudanças de valores, as mágoas quanto aos homens e o dinheiro, que é considerável. Eu prefiro a Luana que existe dentro de mim. Quero a mim, a Vanessa, de volta. Ela ria à toa, e isso é muito bom. A Luana é muito doce. Os tempos de programa fizeram nascer em mim a Severa, e, se ela dominar a maior parte da minha vida, como tem sido, tudo perderá a graça. Tenho conversado com a minha irmã e com um amigo virtual, o Dalton, e eles me dizem a mesma coisa, sem se conhecerem, inclusive: isso não pode ser mais forte que você! Se você quiser, será melhor que isso: tudo poderá ser diferente. A mente é poderosa.

E também Virgínia coloca no seu diário, quando conta em detalhes sua aproximação com Antonio Sallas que foi o organizador de seu livro, uma explicação

para resumir o ponto em comum que elas têm sobre a publicação de suas histórias e a conseqüente mudança de vida (DUQUE 2006, p. 51):

Enquanto rememorava minha carta inicial, e antes de ler a resposta de Antonio, recordei o dia em que tudo começou. Esse dia que sem dúvida marcou um antes e um depois para mim, determinando por sua vez o caminho que havia escolhido e que, evidentemente, representava uma espécie de morte para voltar a nascer, sem possibilidade de dar marcha a ré e regressar desse destino futuro que já havia se transformado no meu presente. Ocorreu numa noite de primavera que jamais pude esquecer...

O fato de utilizarem pseudônimos e as intenções de revelarem suas vidas através dos seus escritos têm no fundo uma observação salutar; como na reportagem feita por Laura Mattos e Rafael Cariello, onde é ressaltado por Joel Birman19 o fato de que tais diários:

São utilizados pelas autoras para “matar” o lado da prostituta. É como se fosse um enterro. A própria escrita deve servir como ritual de purificação. Tem peso simbólico de retomada de sua “verdadeira” condição [...] Tanto em “O Doce Veneno” de Bruna Surfistinha, como em “O Diário de Marise” e “A Agenda de Virgínia”, as autoras se dividem em duas personalidades, com nomes reais e de “guerra” [...] isso faz parte do reconhecimento da condição de prostituta na sociedade. É uma figura muito vilipendiada.

Raquel Pacheco saiu para a viagem mais longa de sua vida. Como conta Doria (2006, p. 17): Em outubro de 2002 colocou na mochila algumas roupas, “fumou um baseado, deixou o quarto”. Brigou com os pais por ser rebelde e não aceitar as suas imposições. Deixou a casa dos pais sem dinheiro no bolso, com medo pelo que ia enfrentar. Ligou para um amigo e lhe disse que se por acaso os pais ligassem dissesse que estava tudo bem, que ia para a casa de uma amiga. Chegou a andar menos de uma hora até chegar a Alameda Franca, região sofisticada nas regiões dos Jardins em São Paulo, onde se internou num clube privê e começou a sua vida de Bruna Surfistinha.

19 Ibid.

3.1 BRUNA

“Ter vivido a minha vida me mostrou bem onde está a maioria das armadilhas do mundo. Eu caí em todas elas”.

Raquel Pacheco, popularmente conhecida como Bruna Surfistinha, é a figura dessas Prostitutas Letradas de maior destaque20. Bruna ganhou notoriedade ao tornar públicas suas confidências sobre os comportamentos dos seus clientes na prostituição, primeiramente através de um blog21 na internet, e depois com a publicação do seu diário. Surfistinha tem o pacote completo para ser uma celebridade: é jovem, carismática e tem boa expressão.

Doria (2006, p. 123-126) investigou a trajetória de Bruna Surfistinha desde 2004, no momento em que seu blog despontou na internet, até sua aparição na primeira página do site No Mínimo, e posteriormente numa matéria da revista Época, de 13 de setembro, que reproduziu com mais profundidade a matéria feita pelo site. Ela chamava a atenção pela maneira de contar suas histórias, como descreve Doria quando começou a pesquisar sobre o perfil de uma garota de programa, afinal, “quaisquer pessoas que vivam situações extremas têm boas histórias para contar”, apesar de que “uma prostituta poderia ter uma boa história. Ou poderia mentir. Inventar. Mitificar. Poderia até simplesmente não ser uma pessoa interessante”.

O jornalista pesquisou na internet atrás de uma prostituta para fazer um perfil, até encontrar o site GP Guia22, um fórum que reúne informações sobre garotas de programa, e se deparou com muitas histórias parecidas. “Os comentários sobre todas as moças eram muito iguais”. Até que no meio de “tanta coisa escrita num loop infinito de repetições”, que deixa “o leitor num estado de atenção suspensa, uma distração atenta que, se algo muda, este algo brilha”, encontrou Bruna. Em suas resenhas, “uma após a outra, algo mudava. Ela era carinhosa. Era ‘do tipo namoradinha’”. Doria que fez algumas entrevistas com Bruna, disse que ela falava “com um certo orgulho” de suas aparições nas mídias e seus “15 minutos” de fama. “Eu tenho coisas para contar”, ela dizia. E sempre “deixava a impressão de que cada entrevista era uma sessão de análise, uma tentativa de recontar sua história para compreendê-la melhor”. Fala que depois de terminar a primeira reportagem, “havia lá um quê dos clichês, havia um quê do drama e havia uma menina que parecia feliz com o que era”. Ainda chamava atenção pela naturalidade com que falava sobre sua bissexualidade e dizia gostar de sexo. Por fim,

20 Nesse momento um filme sobre a vida de Bruna inspirado em O Doce veneno do escorpião, com data

de lançamento prevista para 2008, é produzido por Karin Aïnouz, diretor de O céu de Suely, que coincidentemente retrata uma história envolvendo prostituição; detalhes sobre a produção na Folha de

São Paulo, Ilustrada, de 3 de setembro de 2006.

21 http://www.brunasurfistinha.com/blogs/ Acesso em 30/05/2008. 22 http://www.gpguia.net/phpbb/phpbb2/index.php Acesso em 30/05/2008.

viu Bruna como uma “figura ambígua. Nem uma personagem de Dickens, nem uma de Sade”. Doria (2006, p.20) descreve a trajetória do sucesso:

Vieram Sexy, Private, Playboy, VIP, Vogue, jornais de grande circulação e alguns de pequena, programas de auditório –todos pareciam querê-la. No humorístico Casseta e Planeta da Rede Globo, virou Bruna Chupetinha encarnada pela atriz Maria Paula. Foi escolhida pela grife paulista de óculos escuros Chilli Beans como uma de suas garotas-propaganda. Multiplicaram-se comunidades no Orkut. Em agosto de 2004, Bruna tinha alguns limites. Não queria que seu rosto fosse publicado. Não faria filmes pornográficos. Até novembro, quebrou-os todos. Queria aparecer, queria se expor. A pulsão já estava ali quando começou o blog. Agora queria mais. No livro O doce veneno do escorpião somos apresentados a uma menina chamada Raquel, adolescente irrequieta e complexada por ser adotada. E sua briga com os pais por causa de sua rebeldia e a conseqüente fuga para a vida independente como garota de programa. Antes ficamos sabendo sobre a descoberta de Raquel do poder de sua sexualidade nas baladas paulistas, e também no colégio Bandeirantes onde estudava e já atraía alguns garotos, quando tinha quase quatorze anos; e de como a vontade de saber sobre os prazeres da vida transformou a vida dessa menina Raquel na mulher Bruna.

Do ponto de vista literário, o livro da Bruna Surfistinha é simplório. O doce

veneno do escorpião é entremeado com os pensamentos da menina Raquel e os da mulher Bruna. Há que ressaltar o fato que seus escritos receberam o auxílio do jornalista Jorge Tarquini, tornando-os um relato para um profissional.

As partes do diário que escreve como Raquel (SURFISTINHA 2005, p. 21), destacados por uma diagramação e uma narrativa diferente, onde conta seu passado, servem para mostrar os traços de sua personalidade, a rebeldia com os pais e a desculpa pelo fato de ter sido adotada: “Mesmo um tio meu jamais me tratou como sobrinha [...] Quanta inveja eu senti das minhas amiguinhas que se pareciam com seus pais, com sua família de verdade!” Em outras partes narra as brigas com os pais, por motivos que vão de pequenos furtos efetuados na carteira do pai, a outros relacionados ao uso de bebidas e drogas; além de algumas confusões nos colégios onde estudou. Conta a briga que teve com o pai e o incentivo final que precisava para sair de casa quando contou para ele a idéia de trabalhar numa casa de massagem (SURFISTINHA 2005, p. 82-83):

Eu insistia, sinceramente, na ingenuidade: “Mas pai, é só massagem, não é sexo. Eu não vou fazer sexo, só vou fazer a massagem”. Tudo o que ele não havia falado comigo a vida inteira, e especialmente desde que foi estabelecido o “voto de silêncio” em nossa casa, vomitou naquela noite. O que ele queria, de verdade, era me fazer desistir de ir embora. Ouvi tudo calada. Meu silêncio alimentava sua verve. Puta... Vagabunda... Piranha... As frases sucediam, como se ele nem parasse para respirar. Abatido, terminou a conversa deixando escapar um desejo (será?), uma quase sentença de morte: “Toda puta tem Aids. Eu lamento muito que vá morrer sozinha, aidética, no Emílio Ribas”. Então tá: se para ser livre tivesse de ser puta, era o que eu seria. E se tivesse que morrer, que assim fosse.

Bruna apresenta sua narrativa sem meias palavras. De início esmiúça a preparação para receber o primeiro cliente do dia no seu apartamento: “Interfone. Ele chegou! Deixei subir. Enquanto ele pega o elevador, checo os últimos detalhes: cabelos escovados, pele cheirosa, boca pronta para o que der e vier”. Coloca uma música para “completar o clima”, e descreve: “se ele for chato, toco baladinhas, techno, para agitar um pouco; se for legal, prefiro Jota Quest, Emerson Nogueira, uma coisa mais romântica”, e veste uma saia bem curta e provocante, com um top para valorizar seus seios. Em seguida conta em detalhes como se dava a sua prática na profissão (SURFISTINHA 2005, p.5 - 7):

Primeiro, montei de frente e, com ele todinho dentro de mim, me virei de bumbum para ele. Não demorou muito até que ele saísse de mim e me pedisse para retribuir com a boca a gentileza. Chupei até ele gozar, com ele agarrando com delicadeza meus cabelos longos. Explica o “ritual de chegada” de seus clientes no apartamento. O cuidado com o corpo é o mesmo para todos. Descreve o segundo cliente como um tipo tímido, “que você tem que pegar pela mão e com quem tem que conduzir a transa”. E fala sobre esse caso ser “mecânico”, o que não a fez gozar, “pois a trepada é tensa –para os dois”. Já o terceiro é “moleque de tudo, tem fôlego (e rapidez) para me comer três vezes”. Um “coelhinho” como ela o batiza. E fala que na “base da rapidinha, quem não tem tempo de gozar sou eu. Não faz mal: rola afinidade e a gente conversa bastante”. O quarto cliente traz uma mulher para uma prática à três, e Bruna fala o que acontece na relação entre ela, a mulher e seu cliente: “quase que ele fica ‘na mão’, literalmente. Claro que não ia deixar isso acontecer [...] Enquanto ela me chupava, com ele me comendo, cavalguei gostoso e gozei. Não pela cavalgada, mas pela língua”. O quinto cliente fazia o estilo “homem para casar”, um “quarentão”, que fez uma coisa inédita para ela:

“gozou sem nem tocar no p... enquanto eu chupava o saco dele”. O sexto e último do dia a levou para um clube de swing, e foi sua primeira vez num lugar desses. Bruna conclui a apresentação de seu diário falando sobre a sua rotina (SURFISTINHA 2005, p.8 -11):

Transas enlouquecidas, surubas, muitos homens (e mulheres) diferentes por dia, noites quase sem fim. O que pode ser excitante para muitas garotas como eu, na efervescência dos vinte anos, para mim é rotina. É meu dia-a-dia de labuta já faz três anos. Trabalhando cinco dias por semana, com uma média de cinco programas por dia – é só fazer as contas para saber quantas vezes já transei por dinheiro. Por mais que eu chegue a curtir, a gozar de verdade, ainda assim é trabalho. Trabalho que escolhi por não ter outra escolha quando...Bem, é uma longa história. A minha, pessoal, e a da Bruna. Sim, somos duas. Com duas histórias diferentes numa mesma garota: eu.

Raquel começou a fazer programas quando tinha 17 anos, mentindo sobre a idade e nervosa ao se preparar para estrear na profissão. Sabia que tinha de disfarçar a idade e não queria se mostrar inexperiente para seu cliente, logo após deixar a casa dos pais (SURFISTINHA 2005, p. 15):

Não diria àquele estranho que nunca tinha feito sexo por dinheiro. Ele me escolheu, de cara. Eu queria sumir, sair correndo e voltar para a casa dos meus pais. Em vez disso, subimos para o quarto. Penso na minha mãe. Um estranho me toca e quer transar comigo sem camisinha. “ela deve estar sofrendo”. Não deixo ele me tocar. Depois de ele brincar de ginecologista comigo, enfiando seu dedo e cheirando para saber se estava “tudo bem”, me penetrou com camisinha. Eu só pensava: “Vou pegar o dinheiro desse cara e voltar para casa. Ainda dá tempo de desistir e ir embora”. Acabei fazendo seis programas naquela tarde. Nunca mais voltei para casa. Nunca mais vi meus pais. Bruna nasceu para o sexo.

Bruna conta como surgiu o apelido de Surfistinha através de um cliente; quando perguntado por qual das Brunas ele queria, já que no momento ela trabalhava em uma casa de prostituição que tinha duas, e o cliente respondeu: - A surfistinha. Ela decidiu perguntar para ele a razão do apelido, e ele disse que era por causa de seu estilo. “Taí gostei”. Fala com prazer de ter iniciado a vida de muitos menores de idade que estudavam no colégio Dante Alighieri, e ficava perto de uma casa onde trabalhava. Todo um esquema precisava ser montado para os meninos chegarem por lá; como o fato de ligar para saber se não tinha risco de aparecer polícia naquela hora; a ironia: Bruna ainda era menor de idade. “Eles vinham num bando enorme, embora fosse tudo com

muito respeito, sem zona.” Vestidos ainda com a farda do colégio, tal como numa “excursão gigante” que os faziam parecer “ainda mais criança”. E relembra com carinho a maneira como cuidava dos garotos inexperientes sexualmente (SURFISTINHA 2005, p. 32-33):

Eu, com 17 anos, subindo com moleques de 12, 13 ou 14 anos. Muitos eram clientes freqüentes, a maioria era virgem. Que estranho: eu, que era inexperiente, estar na cama com alguém ainda mais inexperiente! Mas acabava sendo natural. Nessa idade os meninos são afoitos. No começo foi estranho, difícil até. Mas eu me acostumei. E descobri como fazer eles relaxarem e irem até o fim. “Devagar”. “Tá machucando?” “sim, faz assim, ó.” Não há cartilha que substitua uma boa professora...

Acabava sendo quase sempre a escolhida. Afinal, não parecia tão mais velha do que as meninas por quem eles já tinham batido muitas punhetas, suspirando de paixão. Subia com o garoto. Só quando chegávamos ao quarto alguns deles confessavam ser virgens. “Você não conta para meus amigos que é minha primeira vez?” “Não tenho por que contar” respondia. Nunca ri de nenhum deles. Eu, rir da inexperiência? Ensinava com pegar nos meus seios, deixava que me despissem, que me tocassem, me cheirassem, que vissem de perto como era a “diferença”. Ensinava como abrir o primeiro sutiã da vida

Benzer Belgeler