1. BÖLÜM: GİRİŞ
3.3. Veri Toplama Araçları
3.3.2 Okul müdürlerinin performans değerlendirmelerine İlişkin objektif algı
3.2.2.1 Geçerlik ve güvenirlik çalışması
Mas, afinal, como nos livrar do miasma evocado pelos espectros da aparência que turvam a visão do ser. Para o feitiço do encobrimento é necessário o antídoto específico que seja capaz de desvendar o que se encontra velado, o que se esconde por detrás. E não seria diferente no caso dos fenômenos. Ao contrário do que se pensa habitualmente, o desvelar do ser não está em definições abstratas, em enunciados lógicos denominados juízos, os quais, por sua vez, tenham por obrigação afirmar ou negar atributos a um ente qualquer. A fala por mais que exerça a função de fazer-ver76
(Sehenlassen) não encerra no discurso que é fruto de um cálculo racional responsável por discriminar essência de aparência, o descobrir do ser-verdadeiro77 (Wahrsein) que subjaz ao ente que o encobre. Diz Heidegger:
Em sentido grego, "verdadeira" e sem dúvida mais originária do que o referido λόγος, é a αϊζϑηζις, a simples percepção sensível de algo. Na medida em que uma αϊζϑηζις visa cada vez os seus ϊδια, isto é, o ente que só genuinamente acessível
por ela e para ela, por exemplo, o ver para as cores, então o perceber é sempre verdadeiro. Isso significa: ver descobre sempre cores, ouvir descobre sempre sons. "Verdadeiro", no sentido mais puro e mais originário - isto é, no sentido de que somente descobre e jamais pode encobrir - é o puro υοεηυ, o perceber simples que vê as mais simples determinações-de-ser do ente como tal. Essa υοεηυ nunca pode encobrir, nunca pode ser falso, pode permanecer no máximo um não-perceber, άγυοεηυ, insuficiente para um acesso simples e adequado.78
Comunicar por meio da fala articulada o que de fato é verdadeiro, a respeito do ente, deve antes estar submetido ao crivo da percepção sensível e, ademais, retirar dela a validade de sua veracidade. No perceber revela-se o autêntico, pois em tal ato abre-se o descobrimento dos variados modos de ser que o ente pode desempenhar na existência. Isso ocorre porque o perceber além de ser o que há de mais simples - para a compreensão - sua imediatez é tamanha que se torna impossível ludibriá-lo. Não se pode dizer à visão que o enxergado não é exatamente o que de fato ela vê, nem a qualquer percepção postular que todo sentir seja um engano. As possibilidades de erro são da parte do sujeito. O erro é apenas fruto de um mal perceber, de um apressar-se para conhecer onde acaba-se por tomar a parte pelo
76 HEIDEGGER, 2012, p. 115. 77 Ibidem, loc. Cit.
todo. Geralmente, o erro é cometido devido a um não demorar-se junto à coisa que se percebe, tão acometidos pela fugacidade do tempo não temos paciência para mantermo-nos diante as infindáveis possibilidades de vivenciar o mesmo evento perceptivo, não deixamos vir de encontro as mais diversas facetas dos fenômenos. Abandonamos nossa ingenuidade que nos torna tão principiantes na vida e que nos concede a vantagem de aperceber nas vivências novas percepções, transfigurando o que antes achávamos o mesmo fato em algo totalmente inusitado. Para perceber não basta realizar a ação somente uma vez, é preciso repeti-la continuamente e cada novo perceber será outro revelar. A simplicidade do ser é árdua de se conceber, esconde-se na complexidade do ente anunciante. São tantas as variações que o ente assume para esboçar sua ação fugidia, realizada em relação ao ser, que este se recobre de qualidades, quantidades, relações, ações, estados e dentre outras categorias mais para aparentar a impressão de que há muito mais para ser conhecido nele, antes que se possa investigá-lo o ser. Mas nada escapa à percepção. Mutações aparentes são os símbolos de que há um ser que existe junto ao ente que se anuncia de diversas formas e a sensibilidade de captá-lo está resguardada na percepção. Nela o ser se descobre.
Objetivar o ato perceptivo reside na dificuldade em extrair das sensações as vivências inauditas do descobrimento e em transpô-las para o discurso instituído do dever de fazer-ver79, através da fala, o que sempre estava velado nas atitudes cotidianas do ente.
Mesmo quando a significação fundamental é reduzida ao discurso, logos não é explicado, em seu sentido radical, a não ser pela determinação do que se entende por discurso. "O logos, pelo fato de fazer ver, pode ser verdadeiro e falso. O verdadeiro elemento original da aletheia não se encontra na adequação."80O termo grego alétheia, na verdade, quer aqui significar verdade. Mas a significação aqui sugerida não desempenha o mesmo sentido da verdade como veritas. Eis o que nos diz Comte-Sponville em relação a essa diferença:
Com frequência, desde Heidegger, é colocado em oposição a veritas, que é seu nome latino e escolástico. A alétheia é do ser: é seu desvendamento, ou antes, é o próprio ser, como ser não velado. A veritas é do espírito ou do discurso: é a correspondência, a conformidade entre o que é pensado ou dito e o que é. Distinção cômoda e legítima.81
79 Heidegger quer utilizar o termo logos de acordo com o seu sentido próprio, assim co mo nos relata Huneman e Ku lich
na passagem seguinte: "Celui-ci exp licite la signification de la phénoménologie dés le début d'Être et temps (cf. ET, §4). Il utilize pour cela la référence au x termes grecs que composent le mot, phainomenon et logos, débarrassés de leur acception courante. Il distingue le phénoméne de son apparition au sens propre." (HUNEMA N; KULICH, 1997, p. 47)
80 STEIN, 2004, p. 166.
Note-se entretanto que nem os gregos nem os latinos a faziam nesses termos. E que fazê-la não autorizaria rejeitar uma dessas duas acepções, que remetem uma a outra. A alétheia é a verdade da apresentação; a veritas demonstra a verdade como representação. Assim, a
alétheia é que é primeira e, por isso, já nos encontramos em meio ao que é verdadeiro a respeito do ser. Stein com a afirmação acima mostra que certo é que, para os gregos, o verdadeiro reside na aisthesis mais originalmente, enquanto apreensão sensível de alguma coisa. É nela, no noein, incapaz de encobrir, que se dá o verdadeiro descobrimento.82