4. PERFORMANS DEĞERLENDİRME SÜRECİ
4.1. Değerlendirmecilerin Seçimi
Receio é uma palavra oportuna para explicar o que senti ao decidir fazer a pesquisa de campo no meu local de trabalho e junto aos colegas. É quando o sujeito mais acha que sabe de algo que ele se engana. Estabelecer um equilíbrio entre familiaridade e exotismo foi o meu desafio, como propõe Roberto DaMatta (1981), ou seja relativizar a minha aparente compreensão daquele cenário e dos problemas que são inerentes.
Assim busquei manter a minha proximidade com as situações de trabalho para facilitar a compreensão e empatia com os problemas da pesquisa, mas também tentei me situar de forma mais externa ás minhas próprias impressões, preconceitos, pre-noções, todos esses pressupostos que o sujeito carrega consigo nas suas investidas de pesquisa. Por isso ausentar-se do local para pensar sobre ele é importante. O campo na pesquisa é algo de certo modo assustador, dada a sua abertura e imprevisibilidade. Estas características na pesquisa qualitativa também parecem ser úteis ao pesquisador. Estar com o espírito aberto para sentir o campo, para tomar decisões, para dar pausas e investidas no trajeto da investigação, tudo isso torna o pesquisar algo próximo de uma aventura, tantas vezes solitária mas ao tempo em que se opta por estudar com colegas esse cenário muda, se transforma porque o pesquisador sente, observa, conversa com outros.
Desde o início é preciso dizer a pesquisa contou com a colaboração dos colegas, muito embora se saiba o quanto é novo investigar neste espaço de trabalho que é a universidade. É assim que clareza e confiança precisam ser base do trabalho do investigador, buscar ser claro, direto, explicar os seus entendimentos prévios, solicitar apoio, enfim, buscar a adesão dos colegas, o compartilhamento. Sabendo do tempo curto dos colegas (motivo para alguns justificarem não ter entregado sequer o questionário inicial) e da falta de uma tradição colaborativa, busquei respeitar os tempos tanto do professor quanto do contexto. È assim que alguns buscaram oferecer sugestões, doaram textos, enviaram mensagens de celular sobre o assunto, e-mails, estiveram dispostos e abertos á conversarem. Neste trajeto não senti restrições por parte dos colegas, contei com aqueles que se animaram a colaborar.
Alguns constrangimentos ocorreram é claro, o que foi aliviado pelo fato de eu conhecer de perto certas situações. Por exemplo, em 2009.2 antes de duas apresentações de orientandos de um dos professores, este foi chamado pelos examinadores para reavaliar os
trabalhos. No primeiro caso, um dos professores que leu o texto afirmava que o aluno não tinha condições de concluí-lo daquela forma. Segundo ele o texto carecia de aprofundamento, era muito frágil na produção de pesquisa, queixava-se o professor dos pressupostos do aluno frente ao problema, que não teriam sido alterados ao longo da pesquisa. Nesta situação, se reuniram os membros da banca e a coordenação. A pesquisadora pôde assistir àquela discussão. Então o professor entendia que era preciso reprova-lo na monografia para que ele tivesse mais tempo para refletir o problema e melhorar o texto. O orientador e os outros professores chamaram atenção para o perfil do aluno, das suas dificuldades cognitivas ao longo do curso, entendendo que ele havia superado limites até ali. Aquela era a produção que ele estava em condições de fazer, esta foi a apreciação final. A banca decidiu então autorizar a defesa. Durante a apresentação do aluno este afirmou reconhecer dificuldades no curso e na produção do trabalho, contou sua trajetória na qual havia conhecido a escola aos 13 anos de idade e só bem depois aprendido a ler. Mencionou ter pensado várias vezes em desistir da faculdade, mas não o fez por incentivo de amigos. Agora desejava cursar uma especialização. Esta situação comoveu aos professores que não o conheciam, levando-os a relativizarem a qualidade da sua produção.
A outra situação também dizia respeito à uma orientanda do mesmo professor, o que o desapontou e causou um certo constrangimento diante da pesquisadora. Um dos membros da segunda banca afirmou reconhecer aquele texto que seria apresentado, como já produzido em outra monografia que ele orientou em semestre anterior. Ele comparou as duas monografias e era visível a cópia em alguns trechos. Reunidos com a aluna, os dois professores a questionaram. Ela afirmou não ser plágio porque a colega á emprestou porque o tema era o mesmo, a pesquisa tratou de pontos comuns (sendo uma na escola pública e outra em escola privada) e como o trabalho da amiga havia sido bem avaliado ela desejava melhorar, embelezar o dela. Esta situação revoltou o orientador que havia avisado muitas vezes, “prefiro que faça alguma coisa mais simples, mas que seja você. Se um aluno copia eu não aprovo”. E assim o professor desistiu da orientação, mas sentiu-se mal, questionando o apoio oferecido á aluna durante a orientação, mas tinha clareza do trabalho realizado. A coordenação então interveio e ela foi encaminhada a um segundo orientador para proceder as correções no texto e apresentar em momento posterior.
Em todos os semestres os professores questionam as produções e afirmam ter dificuldade em lidar com a falta de autoria. O professor 7, por exemplo, afirmou também constrangido que um aluno o havia procurado porque todos os demais não aprovaram o texto (ela havia tido orientação inicial com outro professor, sumido e voltado com o texto pronto) e
ele sabia que este professor o aceitaria, porque “afinal professor quem faz a monografia não é o professor?”. Outro professor também relatou, desta vez zangado que um aluno havia chegado com a monografia pronta e teria lhe dito: “vou ficar com você porque você foi aluno daqui, é colega e sabe o que a gente passa. Vai aceitar a minha dificuldade”. Ele contrariou o colega ao dizer não. Situações desse tipo aconteceram e foram compartilhadas sem impedimentos. A responsabilidade que se cria com o compartilhamento é estabelecer as distâncias necessárias entre a pesquisadora, a colega, a professora. Este desafio é grande, muito embora exigisse ser exercitado. A responsabilidade ética também é necessária para transitar entre diferentes pontos de vista dos colegas, necessitando desligar o gravador ás vezes e respeitar quando o colega dizia: “não anote isso aí”. Sigo ciente dessas palavras e das mãos estendidas durante essa travessia de pesquisa.
O espaço virtual da FACEDI-GRUPOS representou outra tentativa de comunicação com os professores. Há por meio deste a socialização mais direta e rápida das informações na Faculdade e no curso. Por outro lado, nem todos os assuntos são discutidos ou problematizados tanto quanto acontece nas reuniões do colegiado. Obviamente a discussão da monografia reproduz a mesma lógica das reuniões, centradas na agenda de defesa, calendários sendo que há na comunicação virtual a presença maior dos alunos que ativamente participam dos assuntos. Os assuntos envolvidos na monografia foram por vezes objeto de comunicação e intervenção da pesquisadora na rede, no espaço virtual, mas não encontrou retorno ás provocações ao debate. Neste sentido parece haver uma restrição por parte de alguns professores em se posicionarem dentro de todos os temas, não sendo útil aquela comunicação, aqui para efeito desta investigação.
Feita a descrição do percurso investigativo o capítulo seguinte trata de contar aonde chegou a pesquisa. Traz a descrição e análise dos saberes relativos á pesquisa e ao ensino produzidos na formação e no trabalho dos professores.