Um breve histórico
A Fundação Torino foi criada em 1974, pela empresa Fiat, em parceria com o governo italiano, para atender filhos de seus funcionários italianos residentes temporariamente no Brasil. Algumas exceções eram abertas aos filhos de funcionários de pequenas empresas que trabalhavam para a Fiat, sempre italianos.
A escola já surgiu atendendo alunos nos níveis infantil, fundamental e médio e teve, em seu início, turmas cheias, salas com 20 alunos ou mais e, ocasionalmente, duas turmas de uma mesma série.
A consolidação da empresa no Brasil, ao longo dos anos, substitui paulatinamente a mão-de-obra estrangeira por trabalhadores brasileiros. Os funcionários italianos retornam a seu país de origem, processo que reduz progressivamente o número de alunos da instituição até chegar a uma situação financeira insustentável. Toda uma estrutura escolar montada passa a ser excessiva e onerosa para o atendimento de um grupo exíguo de estudantes italianos.
Diretores e professores, à época, discutem e formulam a alternativa de abertura da escola a estudantes brasileiros, filhos ou netos de italianos, ou mesmo aos interessados em uma educação no estilo europeu, tornando-a assim uma escola ítalo-brasileira, o que aconteceu a partir de 1992. Os ensinos infantil e fundamental foram reconhecidos pelo Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, em 1992, e o ensino médio, em 1995. No âmbito do ensino médio a escola obtém, mais tarde, o reconhecimento de duas outras opções, O ITC- Instituto técnico comercial e ITT – Instituto técnico de turismo17, o que se dá respectivamente em 1998 e 2002.
Entre seus objetivos a Fundação Torino destaca: o preparo de alunos para uma
formação intelectual, civil, ética e qualificada, que respeite e valorize a identidade de cada um. Ela se apresenta como uma instituição voltada para o futuro, preocupada com a
formação intelectual e profissional adequada à evolução dos conhecimentos e à inserção
na vida ativa: uma escola que forma cidadãos do mundo.18
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Uma mudança recente alterou os nomes dos cursos “ITC” e “ITT” para Gerencial Administração e Gerencial Turismo, respectivamente.
A estrutura e o funcionamento
Tendo funcionado inicialmente em um bairro de classe média de Belo Horizonte, o Sion e, mais tarde, com um anexo no bairro São Francisco, a Fundação Torino constrói sua nova e atual sede, concluída no ano de 1992, no bairro Belvedere, área nobre da cidade.
Em uma construção com instalações modernas a escola dispõe de laboratórios, biblioteca, quadra poliesportiva, cozinha e cantina (nem todos os alunos almoçam diariamente). O prédio do ensino infantil, anexo ao principal da escola, é igualmente equipado por biblioteca, ateliês e laboratórios, um palco para representações, cozinha dimensionada para crianças e horta.
Atualmente, a Fundação Torino oferece desde a educação infantil até a conclusão do ensino médio. A escolarização completa é composta de 12 séries: de 1ª à 5ª, a chamada “escola elementar”; de 6ª à 8ª, a chamada “escola média”; e o ensino médio, com quatro anos de duração, que oferece três opções de formação: o “Liceo” Científico, o ITC (Gerencial Administração) e ITT (Gerencial Turismo). O estabelecimento confere, além do certificado de formação em nível médio no sistema brasileiro, o certificado de conclusão desse mesmo nível de estudos válido no sistema de ensino italiano, o que possibilita a entrada em universidades européias.
À época das entrevistas a Fundação Torino contava com cerca de 800 alunos e sua mensalidade girava em torno de 700 a 800 reais. A escola segue o calendário boreal com algumas adaptações à realidade brasileira: o período letivo inicia-se em agosto do ano civil e termina em junho do ano seguinte. As férias dividem-se em duas etapas, as mais longas do final do mês de junho ao início de agosto e as mais curtas de meados de dezembro a meados de janeiro. O horário de funcionamento das aulas é integral (7h e 45min às 15h e 40min) para alunos das opções “ITT” e “ITC”, diferentemente daqueles do ensino fundamental e opção “Liceo”, que alternam meia jornada (7h e 45min às 13h) com dois dias de horário integral na semana. O ensino infantil oferecia, à época da realização das entrevistas, as duas alternativas de horário, ou seja, meia jornada ou horário integral, nesse caso, de 7h e 45min às 17h e 30min.
O horário integral é uma característica diferenciadora da instituição em relação à meia jornada comum às escolas da rede privada de Belo Horizonte, nos níveis fundamental e médio.
Processos seletivos, avaliação e grade curricular
O recrutamento dos estudantes é feito mediante processo seletivo, que ocorre em períodos determinados para alunos com idade superior a sete anos. A entrada no ensino médio só é possível no primeiro ano e se dá igualmente por meio de processo seletivo. Os alunos ingressantes que não têm conhecimento da língua italiana devem fazer o “curso preparatório”, que recebe o nome de “Processo de integração escolar”, com duração de seis meses, de janeiro a junho, e que e teria como objetivos: 1) o nivelamento dos
conhecimentos básicos da língua italiana, de modo que o estudante possa assistir às aulas
em italiano; 2) a integração à metodologia da escola italiana; 3) a integração aos
conteúdos curriculares.19
Além da grade curricular brasileira, a Fundação Torino oferece, para alunos das 6ª à 8ª séries do ensino fundamental, as disciplinas: Italiano, História e Geografia italianas; Educação Técnica, Educação Artística e Educação Musical (com o ensino da flauta). Quanto às opções do ensino médio, o “Liceo” científico, nos termos da escola, propõe uma
ligação entre a ciência e a tradição humanística do saber e oferece as seguintes
disciplinas: Língua e Literatura portuguesa e brasileira, Língua e Literatura italiana, Língua e Literatura latina, Língua e Literatura inglesa e norte-americana, Filosofia, História, Geografia Astronômica, História da Arte, Desenho Artístico e Técnico, Matemática, Física, Química, Biologia e Educação Física. O ITC (gerencial administração) é de natureza jurídico - econômico-administrativa, nas palavras da escola. Sua grade é composta pelas disciplinas: Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira, Língua e Literatura italiana, Língua inglesa, Língua espanhola, História, Matemática, Física, Química, Biologia, Geografia econômica, Direito Econômico e Político, Economia Empresarial, Ciências das Finanças, Tratamento de textos e dados e Educação Física. O ITT (gerencial turismo), enfim, prepara o aluno para administrar empresas turísticas ou
ser gerente operador e oferece as disciplinas: Língua e Literatura portuguesa e brasileira,
Língua e Literatura Italiana, Língua Inglesa, Língua Espanhola, História, Elementos de Filosofia e disciplina da Comunicação, Arte e Território, Matemática, Física, Química, Biologia, Geografia do Turismo, Direito e Economia, Economia empresarial, Técnica de Turismo, Direito e Legislação Turística, Tratamento de textos e dados e Educação Física.
19 As informações em itálico estavam disponíveis na Homepage da escola,
As aulas são ministradas em português e italiano. O material didático é composto tanto de livros utilizados no sistema de ensino da Itália como de livros em português, adotados por professores brasileiros.
O processo de avaliação da aprendizagem é baseado em provas orais e escritas, além de trabalhos realizados ao longo de todo o ano escolar. A avaliação oral é uma característica particular dessa instituição ante as formas mais correntes no sistema brasileiro de ensino. Ao final de cada uma das duas etapas dos ensinos fundamental e médio os alunos devem se submeter a um exame, avaliado por banca mista, composta de membros internos à escola e de um presidente externo, designado pelo estado italiano. O exame de Estado, que conclui o ensino médio, é reconhecido pelas universidades européias.
Os professores e a direção da escola
Os professores são italianos e brasileiros, com salários e estatutos diferenciados. Os professores italianos podem ser : 1) ministeriais, ou seja, funcionários do Ministério Italiano do Exterior, concursados na Itália, que cumprem um período temporário no Brasil ou em outros países. Eles são diretamente remunerados pelo governo italiano, com salário bem mais alto que os demais; 2) professores italianos residentes na Itália e que são contratados temporariamente pela escola. Eles recebem auxílio moradia, além de um bilhete aéreo anual de retorno de férias ao país; 3) professores italianos residentes no Brasil.
A escola contava com um diretor pedagógico italiano, um diretor pedagógico brasileiro e um diretor administrativo também brasileiro (à época das entrevistas). O diretor italiano falava português fluentemente, assim como todos os professores italianos entrevistados.