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DEĞERLEMEYE KONU TAŞINMAZLARIN KONUMU

Ao considerar os limites de qualquer análise no âmbito da educação, principalmente, no campo das imagens e do Ensino das Artes Visuais, assumo o desafio de inferir reflexões acerca do cartum a seguir. Analiso o cartum, considerando, em acordo com Charréu (2012, p. 47), um dos princípios da Educação da Cultura Visual que é o dever da educação “ser pensada a partir de posições inter e extradisciplinares, que permitam que a informação visual e estética que circula fora da escola possa estar ligada aos assuntos e aos temas da escola”.

Entre as propostas voltadas para um Ensino Médio integrado e integrador, as DCNEMs propõe abordagem interdisciplinar pela qual “ocorre a transversalidade do conhecimento de diferentes disciplinas”, estimulando para a mediação da pedagogia dos projetos temáticos (BRASIL, 2013(a), p. 184). A mediação da pedagogia dos projetos temáticos é também defendida por Hernández (2000), na perspectiva da Educação da Cultura Visual.

Considero necessário salientar que a interdisciplinaridade é entendida pelo MEC como “abordagem teórico-metodológica com ênfase no trabalho de integração das diferentes áreas do conhecimento” (BRASIL, 2013(a), p. 184). Em relação ao Ensino das Artes Visuais, Frange (2009, p.161), afirma que a interdisciplinaridade “é uma questão de mudança de atitude frente ao conhecimento, é uma concepção unitária e integral do ser humano”. Acrescento que o mais importante é ter como foco o estudante e o interesse do processo de aprendizagem, em uma “pedagogia do diálogo” (FREIRE, 1997).

Imagem 14: Cartum “Ensino Médio multi-pluri-trans-e-interdisciplinar”

Fonte: <https://osmurosdaescola.files.wordpress.com/2011/07/interdisciplinaridade.jpg>. Acesso em 20/04/2015. Este cartum apresenta uma provocação desde seu elemento tipográfico inserido na imagem e apresentado como título, pelo cartunista: “Ensino Médio, em crise”. Qual crise seria essa? Qual seu contexto? O restante do cartum parece responder a essas perguntas. A educação brasileira, enfrenta uma crise de legitimidade da escola do Ensino Médio, com um reflexo de profundas mutações da sociedade e uma reprodução de desigualdades e exclusão (CANÁRIO, 2008). Há um déficit entre o que os estudantes, pais, responsáveis, professores, funcionários e mercado de trabalho esperam da escola e o que ela pode oferecer.

O cartum em foco19 trata de questões relacionadas a inter, multi e transdisciplinaridade de forma irônica. Como afirma Petrini (2012, p. 15), a ironia é percebida

19 Não foi possível entrar em contato com o autor deste cartum, cuja identificação encontrada é apenas a assinatura.

pela intervisualidade e intertextualidade que compreende elementos visuais como cor, tamanho da letra, expressão dos personagens e som mental. Aparece como sarcasmo, depreciação, bizarrices, inversões, provocando estranhamento e relações contraditórias com os recursos visuais.

A materialidade da imagem apresenta personagens que, aliadas aos caracteres tipográficos, representam algumas disciplinas constituintes do currículo do Ensino Médio e, pelas vestimentas, possivelmente representam professores. As personagens exercem uma ação de “esquartejamento” em relação a personagem central, representando o aluno, identificado pela aparência física e das vestimentas, como sendo de um jovem. Esse discurso do “esquartejamento medieval” do aluno, reinterpretado como compartimentalização do ensino, é contrário ao que apregoa o MEC e os conceitos da multi, pluri, trans e interdisciplinaridade. No entanto, o discurso oficial denota que essa postura docente e de planos pedagógicos representada no cartum, perpassa diversas práticas de ensino nas escolas de Ensino Médio.

Além disso, o jogo de disputas entre disciplinas, ou de busca de culpados pelas falhas entre docentes, discentes, direção e demais elementos da comunidade escolar, poderia ser rompido pela “pedagogia do diálogo”. Esta pedagogia, segundo Freire (1997), possui a metodologia simples e possível da escuta, da consideração da opinião do outro e sua aceitação e realização, o debate respeitoso, a busca pelo protagonismo dos jovens estudantes, o dar voz e vez a todos como sujeitos de todo o processo.

As DCNEMs se aproximam dessa concepção quando falam do currículo, não como formado por disciplinas isoladas “com fronteiras demarcadas e preservadas, sem relações entre si”, mas, dando preferência a um conjunto de “saberes integrados e significativos para o prosseguimento dos estudos, para o entendimento e ação crítica acerca do mundo”, pelos princípios estruturadores da “identidade, diversidade e autonomia, da interdisciplinaridade e da contextualização” (BRASIL, 2013(a), p. 181).

Tal concepção encontra ressonância no Ensino das Artes Visuais, no Ensino Médio, ao considerar os artefatos do cotidiano que adentram a sala de aula, englobando as produzidas e veiculadas na internet (cartuns), na TV, na publicidade (logotipos) e nas ruas.

No cartum, uma névoa amarelada envolve as personagens, sujeitos do processo de ensino e de aprendizagem na escola. A névoa pode ser depreendida como a dificuldade de vivenciar experiências inter e transdisciplinares no contexto escolar. Algumas vezes, as referências teóricas, contidas nos Planos Políticos Pedagógicos das instituições de ensino, advogam essas experiências, mas não as executam no dia-a-dia. Essa incoerência na conjugação

entre teoria e prática, entre PPP e realidade cotidiana pedagógica, dificulta a visão e aplicação de práticas realmente “inovadoras”.

Encontra-se no blog de divulgação20, administrado por Esther Faria do Amaral, aluna de Letras Português pela UFSC, uma crítica avaliativa sobre a vivência de experiências inter e transdisciplinares no contexto escolar. O conteúdo crítico e irônico se apresenta no cartum, enquanto que no conteúdo escrito e os esquemas gráficos, a administradora do blog preocupa-se em explicar o que significam cada terminologia. Considero que o cartum é suficiente para expressar a avaliação crítica da autora sem a necessidade de outro complemento textual.

Os personagens, que representam as disciplinas ou matérias escolares, estão em preto e branco, com expressões faciais sisudas, de quem está acuado, inquieto, estabelecendo, possivelmente, uma analogia com a pressão sofrida pelos professores na atual situação educacional. Os profissionais docentes se sentem negligenciados em relação as condições de trabalho e de salários e, ao mesmo tempo, cobrados, pelo sistema educacional e pela sociedade, a alcançar os índices de aprovação dos jovens estudantes e qualidade de aprendizagem. O desenho em preto e branco, “sem cor”, pode ser relacionado a essa situação de sofrimento que acomete aos professores e, como consequência, se reflete no seu relacionamento com os jovens estudantes. Afetam as metodologias de mediação pedagógica aplicada.

Diante da situação de desespero, que se percebe pela expressão da face do “aluno”, a personagem parece gritar como quem está sofrendo a força e a pressão do conflito, que o puxa ou tensiona para quatro direções opostas. Estas forças podem dividi-lo ao invés de integrá-lo, conforme exclama: “GENTEEE!! Vamos tentar fazer algo juntos!”.

O imperativo do cartum exterioriza o desejo do jovem estudante do Ensino Médio. Será que isso pode ser comprovado em pesquisa? Como indagar o jovem estudante sobre o sentido das terminologias multi, pluri, trans e interdisciplinaridade para a sua formação escolar?

Benzer Belgeler