ANG II: Anjiyotensin II; KISS: Kisspeptin; NO: Nitrik oksit;
P- değeri Ort ± SD Ort ± SD
Os flavonóides são substâncias fenólicas isoladas de uma série de plantas vasculares, com aproximadamente 8000 compostos individuais conhecidos. Pertencem ao mais comum e amplamente distribuído grupo de compostos fenólicos de plantas, principalmente na forma glicosilada, ou seja, ligados a moléculas de açúcares, sendo normalmente o-glicosídeos. As moléculas desprovidas de açúcares são denominadas agliconas. Os flavonóides ocorrem praticamente em todas as partes da planta, particularmente nas células que participam da fotossíntese [80], embora, até o momento, não haja clara evidência do envolvimento direto destes compostos na fotossíntese [81]. Por outro lado, o papel dos flavonóides na regulação do gene e do metabolismo de crescimento é conhecido, atuando também nas plantas como antioxidantes, antimicrobianos, fotorreceptores, atrativos visuais e também como repelentes. Além de sua relevância em plantas, fazem parte da alimentação humana e animal e, sendo fitoquímicos, os flavonóides não são sintetizados por seres humanos e animais.
Os flavonóides são compostos de baixo peso molecular com uma estrutura base C6- C3-C6 (dois anéis fenil - A e B - ligados por meio de um anel pirano - C), conforme Figura 5. Dependendo da substituição e do nível de oxidação do carbono 3 do anel C, os flavonóides podem ser divididos em 14 classes, entre elas, flavonóis, flavonas, antocianidinas, isoflavonóides e flavononas [82].
O 2 3 4 5 6 7 8 2' 3' 4' 5' 6' A C B
Figura 5: Núcleo fundamental dos flavonóides constituído pelos anéis A, B, C e posições de substituições.
Os flavonóides estão presentes em alimentos e bebidas de origem vegetal, tais como frutas, legumes, chá e vinho. As principais fontes brasileiras de flavonóides incluem as frutas como acerola, maçã, pitanga; hortaliças como alface, couve, cebola, rúcula; e os chás, entre eles chá preto, chá verde e camomila [83,84]. Dentro dos subgrupos dos flavonóis e das flavonas, a quercetina é o composto que ocorre mais frequentemente em alimentos. Também são comuns o a miricetina, kaempferol, a luteolina e a apigenina [78] cujas suas estruturas são mostradas na Figura 6. A diferença entre flavonóis e flavonas é que as flavonas não possuem um grupamento hidroxila no C3.
Há vários desafios associados com a determinação da quantidade ingerida de flavonóides na dieta humana. A formação dos flavonóides nas plantas é influenciada por inúmeros fatores, incluindo luz, genética vegetal, condições ambientais, germinação, grau de maturação bem como variedade de espécies [78]. Outro fator é que, embora sejam estáveis ao calor, podem perder suas propriedades ao cozinhar e fritar os alimentos. Levando tais questões em consideração, estima-se que a ingestão de flavonóides varie de 100 a 1000 mg / dia [80]. No Brasil, no entanto, o consumo de flavonóides pela população com idade entre 17- 88 anos é, em média, 79 mg / dia para mulheres e 86 mg / dia para homens [85].
O HO OH OH OH O miricetina OH OH O HO OH OH OH O kaempferol O HO OH OH O luteolina OH O HO OH OH O apigenina
Figura 6: Estrutura química dos flavonóides miricetina e kaempferol (flavonóis) e luteolina e apigenina (flavonas).
Os mecanismos precisos pelos quais os flavonóides exercem seus efeitos benéficos à saúde ainda não estão totalmente elucidados. Estudos têm relatado que alguns flavonóides possuem uma variedade de atividades biológicas, incluindo atuação como antialérgicos, anti- inflamatórios, antivirais, antidiabéticos, antiestrogênicos, entre outras [80,86]. Podem agir como antioxidante por sequestrar os radicais livres envolvidos nos processos oxidativos por meio de hidrogenação ou complexação com espécies oxidantes [80,87]. Essa capacidade pode estar relacionada com a facilidade com que um átomo de hidrogênio de um grupo hidroxila ser doado a um radical livre e com a capacidade de um composto aromático para suportar um elétron desemparelhado, como resultado de deslocalização. Além da capacidade antioxidante, alguns flavonóides podem quelar os metais de transição responsáveis pela geração de espécies reativas de oxigênio [78,87], protegendo assim o DNA de danos oxidativos. Podem inibir a
carcinogênese, afetando os eventos moleculares na iniciação, promoção e estágios de evolução, o mecanismo pelo qual os flavonóides podem exercer seus efeitos in vivo é por meio da inibição de enzimas de fase I, por exemplo, citocromo P450, evitando a ativação metabólica de xenobióticos que levaria a formação de intermediários reativos que provocam carcinogênese [88]. Podem também interferir em outras etapas, como induzir a apoptose (morte programada) de células malignas e induzir a ação de enzimas pelas quais compostos carcinogênicos são detoxificados e, portanto, mais prontamente eliminados do organismo [88].
Embora os flavonóides exerçam uma grande variedade de efeitos benéficos, a ingestão de tais compostos deve ser conduzida com cautela. Estudos têm demonstrado que as atividades biológicas de alguns flavonóides podem desempenhar um papel duplo na mutagênese e carcinogênese. Eles podem agir como antimutagênicos / pró-mutagênicos e antioxidantes / pró-oxidantes, dependendo dos níveis consumidos, bem como das condições fisiológicas no corpo [89]. Por exemplo, flavonóides com substituinte –OH no anel B, como apigenina e naringenina, aumentaram a formação de espécies oxidantes reativas em 30-50 vezes, quando incubados na presença de glutationa e enzimas como peroxidases, podendo gerar um aumento da peroxidação lipídica e atuar como pró-oxidantes em concentrações nas quais outros flavonóides ainda apresentavam atividade antioxidante [90].
A avaliação in vitro da capacidade antioxidante de diferentes substâncias (flavonóides e outros compostos fenólicos, extratos de plantas, entre outras) têm sido realizada por métodos cromatográficos [91,92], espectroscopia de infravermelho [93], métodos espectrofotométricos e flourimétricos [94,95], quimiluminescência [96], ensaios FRAP (poder antioxidante pela redução do ferro) [97,98], ensaios TEAC (capacidade antioxidante equivalente ao trolox) [98,99] e também utilizando eletrodos modificados com enzimas [100- 102], citocromo c [103] e nanotubos de carbono [104].
Uma alternativa viável para avaliar tanto as lesões causadas ao DNA com a capacidade antioxidante de diferentes compostos é o uso de biossensores. Tais biossensores são altamente sensíveis, de baixo custo, fáceis de usar e compatíveis com tecnologias de microfabricação [105]. Métodos eletroquímicos são muito promissores para estudos de lesões no DNA [106-110]. Em particular, biossensores a base de DNA, também chamados de genossensores [111-113], têm sido excelentes ferramentas para se investigar o efeito de fontes endógenas e exógenas no material genético, permitindo uma determinação rápida e de baixo custo da lesão [114] e proteção [115] ao DNA.