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Dados do entrevistado:

Nome: Tenente Coutinho Local da missão: Afeganistão

Posto desempenhado na missão: Comandante de Pelotão/Grupo

Período em que decorreu a missão: de 15 de Fevereiro a 30 de Agosto de 2008 Data: 14/07/09

Pergunta 1 – Durante a missão que realizou, com que frequência teve de tomar decisões não programadas?

Resposta: Todos os dias, havia decisões que tinha de tomar quer a nível dos homens quer

a nível de uma tarefa táctica que esteja a comandar, como sair numa patrulha e acontecia uma situação inopinada e obrigava a alterar o planeamento e a tomar uma decisão. Comandante de Grupo obriga a que se tomem varias decisões, quer planeadas quer inopinadas.

Pergunta 2 - Quais eram os tipos de problemas inopinados que normalmente surgiam durante a missão?

Resposta: Aconteceram diversos problemas. A nível pessoal dos homens que provocava

com que tivesse de decidir se os levava nessa patrulha ou não, a motivação dos homens, a distribuição de tarefas pelos homens, a população, problemas em certos itinerários, situações em patrulhamento, etc.

Pergunta 3 – Qual era, em média, o tempo disponível que tinha para dar uma solução a um problema inopinado?

Resposta: O tempo era curto. As situações inopinadas normalmente exigiam uma resposta

imediata e eu tinha de decidir. Raras foram as situações inopinadas em que tinha tempo para pensar melhor no assunto.

Pergunta 4 – Antes de tomar qualquer decisão, procurava ajuda ou conselhos: dos pares, ou dos superiores, ou dos inferiores hierárquicos?

Resposta: Se tivesse tempo gostava de ouvir as opiniões dos meus Sargentos. Primeiro

expunha a minha ideia e depois ouvia a opiniões deles, a seguir reflectia sobre o assunto ou até mesmo na hora dizia como queria que fosse feito, umas vezes acrescentando alterações à minha ideia inicial, outras não, porque queria que a tarefa fosse efectuada daquela maneira e era como eu dizia que a tarefa era executada.

Pergunta 5 – Se afirmativo consulta, o porquê de os consultar?

Resposta: Eu consultava-os porque queria saber aquilo que eles pensavam. É muito

importante ser claro para os homens e não restringir informações importantes para eles para não criar um mau ambiente. A experiência dos meus subordinados também era um motivo que me levava a consultá-los porque muitos deles já tinham realizado uma missão no Afeganistão.

Pergunta 6 – No seu ponto de vista, quais eram os factores que mais o influenciavam antes de tomar uma decisão?

Resposta: O tempo e o bom senso. Caso tivesse tempo conseguia analisar melhor a

situação, caso não tivesse uma coisa que poderia colmatar esse factor era o treino da força e o planeamento da acção. A preparação é sempre muito importante e ajuda na tomada de decisão em situações inopinadas. O cumprir a missão e a segurança da força, também nunca poderiam ser descurados porque nos estávamos no Afeganistão com uma missão que tinha de ser cumprida e a segurança dos homens era essencial quer para o cumprimento da missão quer para cumprir um dos meus objectivos que me tinha imposto.

Pergunta 7 – E quais os factores que menos o influenciavam na sua tomada de decisão?

Resposta: Todos os factores eram importantes. Num teatro como o Afeganistão todos os

factores eram importantes e apesar de em determinadas situações não serem muito importantes, noutras decisões esses factores já eram os mais importantes, por isso dependia sempre da situação, mas descurar algum factor poderia ser fatal logo isso era uma coisa que não poderia acontecer nunca.

Pergunta 8 – Quando tinha de tomar uma decisão, optava por ser só você a decidir, ou recolhia opiniões e só depois decidia, ou reunia um grupo de indivíduos e em grupo tomavam a decisão?

Resposta: Dependia da situação. Se tivesse algum tempo tentava ouvir opiniões do meu

Sargento de Grupo e Comandantes de equipa, mas quem decidia era eu, caso não tivesse tempo e tivesse que tomar uma decisão naquele momento decidia sozinho e era praticamente sempre isso que se passava. Como as decisões eram sempre tomadas por mim e os meus homens cumpriam-nas como eu tinha determinado levava a que não houvesse confusões nem desordens e assim todos estavam a trabalhar da mesma forma para o mesmo objectivo.

Pergunta 9 – Neste momento e tendo em conta a experiência acumulada, quais os principais erros que se verificaram nas situações que não se desenvolveram da melhor forma?

Resposta: Todas as situações decorreram da melhor forma porque os objectivos foram

cumpridos e sem baixas. Se voltasse a ter de tomar as mesmas decisões nas mesmas situações tomava e sem me arrepender porque na altura foi o que me pareceu ser a melhor maneira de realizar e como as missões foram cumpridas essas foram as melhores decisões.

2ª PARTE

Nas tomadas de decisão existem critérios de decisão ética, ordene por ordem de importância (1- muito importante; 2- importante; 3- menos importante)

Critérios Descrição Classificação

Utilitarismo A meta é fornecer o maior bem para o maior número 3

Direitos Decisões compatíveis com liberdades e privilégios fundamentais 2

Justiça Distribuição equivalente de benefícios e custos 1

A tomada de decisão em termos teóricos compreende três fases:

Fases Descrição Factores importantes

Preparação Identificado o problema passa-se à pesquisa e recolha de dados considerando todos os factores influentes

Factores de decisão

Planeamento

Informação

Treino

Decisão Inclui o desenvolvimento de M/A, a sua análise e selecção daquela que melhor resolve o problema. Desenvolvidas as M/A, passa-se à apreciação de cada uma com o objectivo de determinar as vulnerabilidades e potencialidades

Cumprimento da missão

Máxima protecção da força

Resolução do problema

Eficácia

Acção Após a decisão passamos à execução e vamos verificar se os resultados pretendidos estão a ser alcançados

Supervisionar

3ª PARTE Modelo Utilizado Identificar o problema Recolha da informação Analisar a missão Implementação da decisão Supervisionar