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1.ORTAÖĞRETİM PROGRAMLARININ ETİK BİLİNCİ UYANDIRMA YETERLİLİĞİ

1.1. İnsan Bilincinin Evrimi ve Değer-Norm-Ahlak-Etik Olgusu

1.1.2. Değer-Norm-Ahlak-Etik Olguları / Kavramları

intermediário

O bem jurídico direito à informação nas relações de consumo é titularizado pela coletividade. Como foi desenvolvido no item precedente deste trabalho, é compreendido como forma de assegurar a incolumidade do consumidor individual. Nesse aspecto, o direito à informação é um reforço de tutela a bens individuais, particularidade que lhe confere o status de bem jurídico intermediário, cujo conceito será debatido a seguir.

O professor português Augusto Silva Dias279 considera que há duas concepções de bem

jurídico intermediário:

1) no sentido fraco, que o identifica como bem jurídico prévio e autônomo em relação a bens jurídicos individuais280; e

2) no sentido forte, que o identifica como “bem colectivo ou supra individual, dotado de referente individual, isto é, que se encontra numa relação de complementariedade com bens jurídicos individuais, funcionando como sua câmara protectora”.281

279 DIAS, Entre ‘Comes e Bebes’:..., in: Revista Portuguesa de..., p. 528-9.

280 O autor atribui esse sentido aos bens jurídicos intermediários como fraco, porque discorda que a a essência

dos crimes que o ofendem seja o desvalor de ação. Augusto Silva Dias cita Roxin, Zielinski, Jakobs e Tiedemann são nomeados como representantes do acolhimento dessa noção, respeitadas as suas abordagens diferentes. Nota- se que Roxin, em seu Derecho penal, Parte general, parág. 11, número 126, refere-se a bem jurídico intermédio espiritualizado, apontando a sua existência nos crimes de falso testemunho e contra a adminsitração pública praticado pelo agente público. Nessa sede, conforme Roxin, não seria necessária a criação de um perigo para os bens jurídicos intermediários, nele identificados como a “obrigação de de falar a verdade em juízo” e a “confiança da comunidade no bom desempenho dos cargos públicos” (ROXIN, Derecho penal, p. 410-411). A respeito das posições de Zielinski e Tiedemann, remete-se à exposição sobre as características do direito penal econômico, precisamente o item 3.7, capítulo 3, onde a questão é introduzida.

A posição acolhida pelo mencionado autor português expressa o bem intermediário no sentido forte (2) e corresponde às lições de Mata y Martín sobre as características do bem jurídico intermediário, deduzidas do modo seguinte:

a) bens intermediários ou de referente pessoal como interesses supraindividuais;

b) vinculação a um bem pessoal;

c) bem jurídico intermediário como decisão legislativa;

d) bens coletivos (intermediário) e pessoais como interesses homogênos ou situados na mesma linha de ataque;

e) relação de complementariedade do bem coletivo (intermediário) com o pessoal; e

f) risco potencial para uma pluralidade de vítimas.282

Quanto às características expostas por Mata y Martín, a vinculação a um bem pessoal (b) conduz ao entendimento de que não seriam bens intermediários aqueles que não incorporam no tipo o perigo aos bens individuais. Verifica-se que o autor espanhol em referência situa os bens intermediários na categoria dos bens coletivos, na conhecida classificação “bens individuais” e “bens coletivos”, o que explicita a característica retro exposta (a).

Para Mata y Martín, a vinculação do bem intermediário ao bem individual é observada na simultaneidade com que esses bens são protegidos em cada figura típica. Daí porque o bem intermediário depende de uma decisão legislativa (c). Especificamente sobre o direito penal econômico, o autor pondera:

Efetivamente, a regulação das infrações económicas tem evidenciado as distintas possibilidades com as quais conta o legislador no momento da incriminação de novos comportamentos. Ante a aparição de novos interesses e modalidades de ataque o legislador pode viabilizar uma adaptação do tipo já existente às novas situações. Mas também é possível regular novas condutas puníveis que tomem como referência tanto interesses particulares como de caráter geral e, por último, tipificar condutas que unicamente se vinculem ao bem jurídico coletivo283.

282 MATA Y MARTÍN, Bienes jurídicos intermedios y delitos de peligro:..., p. 23-34. 283 MATA Y MARTÍN, Bienes jurídicos intermedios y delitos de peligro:..., p. 27.

Sobre a homogeneidade que deve haver entre o bem intermediário e o bem pessoal (d), Mata y Martín explica que os bens, qualitativamente, não podem ser isolados ou contraditórios. Por exemplo, para o autor, apresentam-se homogêneos a saúde pública e a saúde pessoal em determinadas fraudes alimentares. Senão homogêneos, então os bens intermediário e individual estão numa mesma linha de ataque, como, v.g., encontram-se a pureza do meio ambiente e a vida ou saúde individual em alguns delitos ambientais, conforme ainda o autor.284

Já a relação de complementariedade entre o bem coletivo (intermediário) e o individual (e) significa considerar o primeiro como meio e o segundo como bem jurídico-fim, uma vez que se está levando em consideração bens homogêneos ou situados numa mesma linha de ataque.285

O risco potencial para uma pluralidade de vítimas (f) é a outra característica da ofensa aos bens jurídicos intermediários. Frequentemente, muitos dos crimes que apresentam esses bens jurídicos estão situados entre os crimes de perigo comum, de acordo com Mata y Martín.286

Feitas essas caracterizações sobre o bem intermediário (coletivo), pode-se concluir que o bem jurídico nos crimes de informação inidônea pertence a tal classe. Verifica- se a presença dos atributos expostos por Mata y Martín no bem jurídico: “direito à informação veraz e completa”. Afinal, apresenta-se de modo homogêneo e na mesma linha de ataque dos bens individuais vida, saúde, incolumidade física e patrimônio dos consumidores considerados individualmente. Ademais, pode-se afirmar que pertence a um número indeterminado de pessoas, sendo bem jurídico supraindividual e a sua tutela complementa a dos bens individuais de cada um dos consumidores.

284 MATA Y MARTÍN, Bienes jurídicos intermedios y delitos de peligro:..., p. 30-1. 285 MATA Y MARTÍN, Bienes jurídicos intermedios y delitos de peligro:..., p. 32. 286 MATA Y MARTÍN, Bienes jurídicos intermedios y delitos de peligro:..., p. 33.

4 A TUTELA PENAL DO CONSUMIDOR E OS PRINCÍPIOS