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DEĞER İLE İLGİLİ PAYLAŞIMLARDAKİ TUTARSIZLIKLAR,

BÖLÜM IV BULGULAR

4.3 DEĞER İLE İLGİLİ PAYLAŞIMLARDAKİ TUTARSIZLIKLAR,

A implantação de Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) e a obtenção de certificações ambientais são formas utilizadas pelas empresas para gerenciar e divulgar a busca de práticas ambientais.

Segundo a empresa certificadora BSI Brasil (2008), um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é uma estrutura que auxilia as empresas no controle de seus impactos ambientais. Florida e Davison (2001) argumentam que o SGA é uma ferramenta útil para gerenciar as relações com a comunidade e com outras partes interessadas (governo, consumidores, fornecedores, funcionários, entre outros), diminuindo, assim, a tensão normalmente existente no momento das discussões.

A ISO, Organização Internacional para Padronização, publicou, em 1996, a norma ISO 14001, reconhecida mundialmente, que apresenta os requisitos para o estabelecimento e operação de um SGA. Félix (2005) destaca que as empresas procuram a certificação de seus sistemas de gestão ambiental para divulgarem e manterem suas imagens ambientais positivas, visando, assim, ampliar os seus mercados.

O Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE) apresenta outras normas da série ISO 14000, que podem ser implementadas isoladamente. Elas são apresentadas no Quadro 3.3.

Série Identificação Objetivo

Série 14020 Selos e declarações ambientais

Informações sobre aspectos ambientais dos produtos.

Série 14030 Avaliação do desempenho

ambiental

Descrição do desempenho ambiental do SGA.

Série 14040 Análise do Ciclo de Vida Descrição do desempenho ambiental dos

produtos.

ISO 14062 Design Integração de aspectos ambientais no projeto de produto.

Série 14063 Comunicações ambientais Comunicação do desempenho ambiental Série 19011 Auditorias do Sistema de

Gestão Ambiental

Informações sobre o desempenho do SGA.

Quadro 3.3. Principais normas da série ISO 14000.

Fonte: adaptado de CEMPRE (2005).

Um exemplo de obtenção da certificação ISO 14001 é o do Banco Nossa Caixa. A instituição obteve a certificação do sistema de gestão ambiental de seu edifício sede, localizado na cidade de São Paulo. As práticas apresentadas no Quadro 3.4 contribuíram para a certificação do Banco.

Principais Práticas

Coleta seletiva de resíduos sólidos para reciclagem;

Programa especial de coleta de lâmpadas fluorescentes, com descontaminação do mercúrio e reaproveitamento dos seus componentes na fabricação de novos produtos; Programa especial de coleta de cartuchos de tonner;

Incorporação do uso de papel reciclado na impressão de documentos;

Programa de monitoramento e controle da qualidade do ar interno e prevenção de riscos ambientais;

Uso de indicadores ambientais relacionados às instalações, como o consumo de água, energia e papel impresso.

Quadro 3.4. Práticas adotadas pelo Banco Nossa Caixa que contribuíram para a obtenção da certificação ISO

14001.

Fonte: Banco Nossa Caixa (2008).

Para empresas processadoras de madeira, uma importante certificação ambiental existente é a certificação florestal FSC (Forest Stewardship Council), que identifica que os produtos da empresa são produzidos a partir de matérias-primas provenientes de florestas manejadas de forma ambientalmente, socialmente e economicamente responsável.

Segundo informações do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal – CBMF (2008), organização não governamental, sem fins lucrativos, que promove essa certificação no Brasil, o FSC (em português, Conselho de Manejo Florestal) foi fundado no Canadá, em 1993. Trata-se de uma organização independente, com o objetivo de conservar as florestas nativas e de estabelecer princípios e critérios para o bom manejo florestal. No Brasil, os princípios e critérios são aplicados em florestas nativas e/ou em florestas plantadas. Nas florestas plantadas, é ressaltada a necessidade de recuperação e conservação das florestas nativas ainda existentes.

De acordo com o CBMF (2008), recebe a certificação a empresa que, além de cumprir a legislação ambiental existente, também adotar os princípios e critérios do FSC, que garantem que a obtenção da matéria-prima foi realizada de forma ambientalmente correta (conservação dos recursos naturais), socialmente benéfica (respeito aos direitos dos trabalhadores e comunidades tradicionais) e economicamente viável (viabilidade econômica do empreendimento). No Quadro 3.5, são apresentados os 10 princípios do FSC.

Princípios do FSC

1 Obediência às leis e aos tratados internacionais e princípios do FSC.

2 Garantia sobre posse e uso da terra.

3 Respeito aos direitos dos Povos Indígenas e tradicionais.

4 Manutenção ou ampliação do bem-estar de comunidades e trabalhadores.

5 Uso múltiplo dos produtos e serviços da floresta.

6 Manutenção das funções ecológicas e integridade da floresta.

7 Elaboração de Plano de Manejo apropriado à escala e intensidade das operações propostas.

8 Monitoramento e Avaliação do manejo florestal e seus impactos.

9 Manutenção de áreas de alto valor de conservação.

10 Florestas plantadas devem complementar o manejo, reduzir a pressão e

promover a conservação de florestas naturais.

Quadro 3.5. Os 10 princípios do FSC.

Fonte: Conselho Brasileiro de Manejo Florestal – CBMF (2008).

Além da certificação do manejo florestal, o CBMF (2008) menciona que há, também, a certificação da cadeia de custódia. Trata-se de um sistema de controle que possibilita o rastreamento da matéria-prima certificada ao longo do processo de produção do produto. Toda empresa que participa do processamento do produto deve ser auditada e certificada. Por exemplo, um livro, para receber o selo FSC, deve possuir a certificação dos papéis e da indústria gráfica.

Outra maneira de gerenciar a busca de práticas ambientais, além da implantação de Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) e da obtenção de certificações ambientais, é a criação de mecanismos de auto-regulação. Segundo Sanches (2000), os mecanismos de auto-regulação são atitudes realizadas por empresas ou por alguns setores industriais com o objetivo de implantar e difundir práticas ambientais, através da determinação de padrões, monitorações, metas de redução da poluição, entre outros.

A autora apresenta algumas formas de auto-regulação. A primeira citada são os acordos voluntários, normalmente ocorridos em países desenvolvidos com a intenção de fortalecer as regulamentações já existentes. São contratos entre empresas (ou uma associação de empresas) e autoridades públicas (Secretaria do Meio Ambiente, por exemplo) ou associações de moradores, nos quais as empresas firmam compromissos de realizar melhorias ambientais.

Mais uma forma de auto-regulação mencionada são os princípios e códigos de condutas empresarias internacionais. Na indústria química, por exemplo, há o Programa Atuação Responsável (Responsible Care), criado no Canadá, em 1985, e difundido para outros países, inclusive para a indústria química brasileira.

As parcerias entre empresas são outro mecanismo de auto-regulação destacado pela autora. É citado o exemplo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), do qual são participantes empresas brasileiras e multinacionais com o objetivo de estimular a reciclagem no país. Corazza (2003) ressalta que é importante para as empresas organizarem parcerias para tratar das questões ambientais, compartilhando informações e recursos para o desenvolvimento de produtos e processos ambientalmente favoráveis. Além disso, a autora destaca que as parcerias entre as empresas podem fortalecer o poder de negociação no momento de discutir com as autoridades a criação de futuras leis ambientais. É citado o caso da legislação européia sobre pesticidas, no qual a união das empresas conseguiu influenciar os poderes públicos para a definição de leis ambientais menos rigorosas.