A spin-off Verdetec é uma empresa de biotecnologia especializada em pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços para controle de pragas urbanas e agropecuárias. Neste caso, três pessoas6 exerceram o papel de empreendedor: um pesquisador da área de biologia, Dr. Aloisio Campos, e dois consultores de empresas, Pedro Assis e André Leal. Dr. Campos dedicou o início de sua carreira acadêmica à pesquisa de alternativas para o controle de pragas agrícolas. Posteriormente, a partir de 1998, já atuando em um laboratório da área de biologia da UFMG, dedicou-se ao estudo do comportamento de um inseto causador de uma doença tropical, considerada uma epidemia no país. Os resultados de suas pesquisas originaram dois dispositivos: um componente bioativo para atrair o inseto e outro para capturá-lo.
O consultor Pedro Assis possuía experiência na gestão de pequenas empresas e gerenciava uma incubadora tecnológica. Já estava desenvolvendo a idéia de criar um novo empreendimento que desse apoio gerencial e financeiro a spin-offs acadêmicas.
Já o consultor André Leal prestava serviços na mesma incubadora tecnológica e já havia acumulado experiência na gestão de empreendedorismo como consultor do Serviço Brasileiro de Apoio a Pequenas Empresas (SEBRAE).
Em 2000, Dr. Campos já havia vislumbrado a oportunidade de negócio nos resultados de pesquisa que havia feito. Dr. Campos procurou informações em vários órgãos, como
Ministério da Ciência e Tecnologia e o SEBRAE, além de incubadoras tecnológicas e da própria universidade sobre como desenvolver sua pesquisa e transformá-la em um produto aplicável ao mercado. Neste período, começou a estudar o mercado de controle de pragas urbanas, quando identificou que os dispositivos que havia inventado não possuíam similares no mercado. Em 2002, foi a uma incubadora tecnológica que havia sido fundada por alguns professores no Instituto de Ciências Exatas da UFMG. Na época, esta incubadora era independente da Coordenadoria de Transferência de Inovação e Tecnologia – CT&IT. Lá, Dr. Campos conheceu os consultores André Leal e Pedro Assis, futuros sócios.
Dr. Campos descreveu para os consultores as tecnologias que havia desenvolvido e o potencial que elas tinham para combater a doença tropical. Eles perceberam que esta idéia tinha de ser aperfeiçoada tecnicamente para que realmente fosse comercialmente viável. Identificaram que o empreendimento precisaria de uma estrutura de apoio dinâmica que permitisse que o novo empreendimento fosse gerido por profissionais qualificados.
Pedro Assis e André Leal propuseram ao Dr. Campos a abertura de uma spin-off para desenvolver e explorar as tecnologias desenvolvidas. Concomitantemente, os consultores criaram o Instituto de Aceleração de Spin-offs (IAS), empresa de suporte gerencial a empresas de base tecnológica e participação acionária nas empresas que acelera. Em 2002, é lançada a Verdetec, com a licença de exploração das tecnologias desenvolvidas na universidade por Dr. Campos.
Com a transferência das tecnologias de atração e captura dos vetores da doença, procederam à prototipagem das tecnologias e ao scale up. Identificaram que o público alvo para tal produto era aquele constituído por instituições governamentais responsáveis pela saúde pública. Foi
feita a adequação do conceito do produto, uma vez que os dispositivos de atração e captura dos vetores, por si só, não eram suficientes para satisfazer ao mercado. Aos dispositivos de atração e captura foi adicionado um sistema de informação georreferenciado que informa a concentração aproximada de vetores em determinada área. Com este serviço, a Verdetec esclarece a seu cliente as áreas com maior risco de contaminação. Os usuários acessam as informações pela internet.
Com conceito do serviço definido, iniciou-se uma série de táticas para oferecer os produtos ao público alvo. Nesta fase, a empresa deparou-se com a dificuldade de apresentar uma idéia nova para gestores públicos, que, além de serem conservadores, não dispunham de autonomia financeira para investir na referida solução inovadora.
Diante dessa circunstância, os gestores da Verdetec fizeram um segundo planejamento do negócio para abordar o mercado privado. Neste planejamento, perceberam que há grandes empresas, tais como aeroportos e grandes hotéis, que demandariam o serviço oferecido pela Verdetec. Com esta decisão, a empresa conseguiu prospectar clientes privados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.
Atualmente, a spin-off tem outros dois sócios, alemães, com os quais os pesquisadores da Verdetec mantém constante intercâmbio comercial e científico para novas pesquisas. Por intermédio do IAS, a Verdetec conseguiu ampliar em quatro vezes sua captação de recursos públicos para pesquisa e desenvolvimento. O laboratório no qual Dr. Campos atuava entre 1998 e 2000 captou aproximadamente 230 mil reais para pesquisa. Entre 2003 e 2006, sob a gestão do IAS, a Verdetec recebeu 862 mil reis de fontes como Finep, CNPq, Fapemig e Sebrae.
A empresa mantém constantemente ativas suas atividades de pesquisa e desenvolvimento no laboratório universitário, com uma equipe de 13 pesquisadores. Conta, ainda, também com uma equipe gerencial composta por um gestor/sócio do IAS e um profissional de TI, um gerente de marketing, um biólogo, um profissional que cuida da logística de monitoramento.
Uma questão que atualmente entrava o desenvolvimento da Verdetec refere-se à regulamentação e ao aval, de seu serviço junto ao Ministério da Saúde. Com este aval o serviço prestado pela Verdetec terá respaldo governamental e possibilitará às prefeituras municipais acessarem verbas oficiais para adquirirem o serviço. No mercado público, a Verdetec fechou contrato de instalação do serviço em três cidades, Congonhas (MG), Frutal (MG) e Vitória (ES).