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DAVRANIŞSALÇILIK

a) Forma de expressão ou forma de veicular a propaganda

Propriedade intelectual. Proteção do invento, obra literária ou qualquer obra intelectual. Forma ou expressão da ideia pura. A ideia em si, ou uma simples concepção ideal, não constitui trabalho intelectual protegível. Fundamentação da sentença com base na informação ou na opinião do perito em matéria de Direito Autoral. Prova insuficiente da violação de obra intelectual154.

O conflito em questão discutiu a repercussão da ideia na produção de uma obra publicitária. Tratava-se de saber se uma simples concepção ideal ou a ideia em si representa um trabalho ou obra intelectual protegível a ponto de gerar reparação por outrem que dela fizer uso. Com base na lei, opinou o perito em sentido negativo, e essa opinião foi acolhida nos fundamentos e dispositivos da sentença.

150LIPSZYC, Delia. op. cit., p. 63.

151CHINELLATO, Silmara Juny de Abreu. Notas sobre plágio e autoplágio, cit., p. 306. 152LIPSZYC, Delia. op. cit.

153Id. Ibid., p. 64.

154Acórdão(TJ-RJ). Ap. Cív. 949/91. Relator: JD. Subs. Des. Décio Xavier Gama. Reg. em 10-4-92. Vistos, relatados e discutidos estes autos da Apelação Cível 949/91, em que é apelante José Maria Adami da Silva e apelado 1 – EMI-Odeon Fonográfica, Industrial e Eletrônica Ltda. e 2 – Fonobrás Distribuidora Fonográfica Brasileira Ltda. Acordam os Des. da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro em negar provimento ao recurso. Unânime. (ADCOAS 137479/92).

A sentença aceitou a interpretação da lei que o perito expendeu, mas a questão emanante da controvérsia dos autos consiste em se saber se há nos autos violação de trabalho intelectual do autor da ação, sustentando o réu que a simples concepção ideal ou a ideia em si, de que se valeu na edição de fitas gravadas, não constitui violação do direito do autor.

O registro efetuado pelo apelante foi de uma ideia que poderia ser utilizada, de propaganda intercalada na gravação de uma música em disco ou fita. Houve a edição de música, assim gravada, em 1969, em disco e em fita.

O que fez a ré foi promover a gravação de música inteiramente diversa e de intercalar na gravação propaganda de outra espécie tantos anos depois. A simples ideia ou forma de veicular a propaganda é que o que autor deseja proteger, não propriamente a obra que gravou.

A lei, no entanto, não estende a proteção às simples concepções ideais. Como se comprovou, inclusive com a perícia, o trabalho do autor consistiu em conceber uma ideia, sem lhe dar forma ou expressão. O registro que efetuou foi de uma música gravada na qual se ouvia também a propaganda. A ideia pura é que veio a ser utilizada pela ré, não consistindo tal fato violação de direito autoral.

O laudo, embora singelo na cautelar de busca e apreensão, já afirmara que nenhuma música ou trabalho intelectual do autor fora violado pela ré. Havia mesmo propaganda das músicas ou do conjunto musical do disco, não, porém, das músicas ou propaganda de outrem. Na ação, também a perícia elaborada por advogados adiantou que a legislação não amparava uma simples concepção ideal para lhe dar direito autoral sobre ela.

O conflito judicial155 discute se a ideia utilizada em campanha publicitária intitulada "SAP GUY", na qual aparece uma tecla SAP na testa de um homem, teria sido usada em campanha posterior. Alegou-se que a ideia da tecla SAP não era original nem o uso de uma cabeça raspada, de forma que ambas as campanhas não foram originais. Defendeu-se que o próprio CONAR reconheceu que o uso da tecla SAP para propaganda de curso de inglês é óbvio.

155Cf. BRASIL, Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Apelação Cívil nº 578.694.4/1-00, 4º Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Relator: Des. Ênio Santarelli Zuliani. São Paulo, 03 de setembro de 2009. “[...] Direito autoral - Trabalho publicitário que repete a essência de mensagem anterior marcada por ineditismo da associação da sigla SAP, indicativa da tradução de idiomas, ao serviço de escolas de aprendizado de línguas estrangeiras, criando coincidências no contexto - Violação dos direito morais e materiais do publicitário e do anunciante original, [...]”

O relator do acórdão prolatado argumenta que caberia à ré demonstrar que já existiam trabalhos anteriores iguais ou suficientemente similares, e, assim, poderia romper com a presunção de originalidade e anterioridade trazidas pelo autor da ação. A simples alegação de que a tecla SAP já havia sido utilizada anteriormente pela ré em campanha em 1995 ou por terceiros, não torna a publicidade dos autores da ação comum, pois essa é protegida no todo e não apenas por um de seus elementos isoladamente. Ainda, constata o perito que na publicidade anterior não fora empregada a tecla SAP. Interessa-nos destacar da decisão:

De fato as ideias não são protegidas pelo direito autoral [artigo 8o, I, da LDA]. É de difícil compreensão essa afirmação quando as criações intelectuais são frutos exatamente de ideias (sic). Porém, se torna mais fácil a visualização de como é possível afirmar que ideias não são protegidas, mas a obra publicitária sim, através de próprio caso em concreto ora analisado. A simples ideia de utilizar uma tecla SAP para criar a analogia de que o que o curso de inglês pode fazer com que o aluno possa dispensar dublagens e legendas de filmes e programas estrangeiros que são transmitidos na língua original, não é, enquanto inspiração, protegida pelo direito autoral. Com a transformação da ideia em peça publicitária, como a de fl.40, o que era abstrato adquire o status de obra protegida. Após ter a ideia em si, o publicitário autor criou a obra com a composição de diversos elementos, entre eles a tecla SAP, a figura masculina, a colocação específica da tecla SAP no lugar dos cabelos, a composição gráfica na qual a cabeça é o elemento central e principal da propaganda, o isolamento desta no cartaz, entre outros. Vale o conjunto e não um elemento específico, ainda que comum.

A conclusão do desembargador relator foi de que a semelhança das peças não se resume a utilização do conceito de “tecla SAP”, mas que a comparação entre as duas propagandas denota sua gritante semelhança.

Benzer Belgeler