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DAVA AÇTI

A Igreja tem o direito e o dever de catequizar aqueles que solicitam o Batismo. Pois é missão da Igreja anunciar o Evangelho da Boa Nova aos povos. Somente pelo anúncio e proclamação das Escrituras será possível novos filhos acolherem e aderirem ao Senhor. Esta catequese, porém, deve contemplar nossa perspectiva da deificação para que produza os devidos frutos na vida da pessoa.

A catequese batismal, sempre esteve presente na Tradição da Igreja, segundo a nossa perspectiva. Já no NT, a pregação querigmática dos apóstolos não tinha outra função senão catequizar os ouvintes quanto à pessoa de Jesus Cristo. Mas, sobretudo, no período dos Padres se desenvolveu ainda mais a catequese batismal. Assim encontramos, em Etéria, em sua Peregrinação ou Diário de Viagem279, uma verdadeira catequese batismal que se desenvolvia na Igreja de

Jerusalém. O texto desta autora, mostrar-nos a importância que se dava à catequese e recepção do Batismo, bem como o valor a toda a liturgia desta igreja local. Na mesma linha encontramos Cirilo de Jerusalém que, em breves palavras, nos deixa a idéia desta catequese batismal. “Tudo isto se passou no edifício exterior. Se Deus quiser, quando, nas catequeses mistagógicas seguintes, entrarmos no Santo dos Santos, conheceremos, então, os símbolos das coisas que lá se

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“Na verdade, quem conduz a celebração é o rito que, como binário de um trem, estabelece a rota, não permitindo o desvio. O rito pelo rito não tem vida, mas a vida necessita do rito para sobreviver”. COSTA, V. S. Viver a ritualidade litúrgica como momento histórico da salvação. Op. cit. p. 52.

279 PEREGRINAÇÃO DE ETÉRIA: Liturgia e catequese em Jerusalém no século IV. 2ªed. Petrópolis:

realizam”.280 Também Ambrósio de Milão menciona a idéia de que pelo batismo se entra na realidade sagrada: “[...] abriram-se para ti as portas do Santo dos Santos e entraste no santuário da regeneração”281. E, ainda, Cipriano282 confirma que só dentro da Igreja é possível receber o Batismo: portanto, ser catequizado.

Todo cuidado é pouco quando se trata de garantir a intenção de quem busca o Batismo, inspirado por Deus, para que não haja simulação e banalização. A Igreja, pela catequese, quer assegurar que não se aproxime do Batismo pessoas que não acolheram ainda a verdade do Evangelho283. “Tem cuidado para não te aproximares do ministro do batismo simulando, a exemplo de Simão, sem procurares a verdade com o teu coração. O nosso dever é chamar a atenção e o vosso é terdes cuidado”284. O cuidado da catequese deve ser em vista da vida deificada pela qual o batizado corresponde à graça sacramental.

Quanto à celebração do Batismo, a Igreja também nos orienta para que haja coerência com o tempo litúrgico. Embora encontremos expressões, em Basílio, que mostra o Batismo sendo celebrado em qualquer tempo e idade é importante notar que a Páscoa seja o Tempo por excelência para mergulhar o catecúmeno na vida nova. “[...] para o Batismo, toda a vida humana é tempo próprio; qualquer momento é indicado para obter a salvação pelo batismo”285. Encontramos também descrições com fundamentação nas Escrituras e com base teológica que justificam a noite da Páscoa como noite Batismal286.

O Papa Sirício diz que o privilégio de se batizar multidões inumeráveis “é especialmente reservado para a Páscoa de Cristo e para seu Pentecostes”.287 Esta orientação é para se evitar abusos e não se fazer de qualquer tempo e festa ocasião de Batismo, embora possa ser concedido para crianças e pessoas em qualquer

280 CIRILO DE JERUSALÉM. Catequeses Mistagógicas. In Antologia Litúrgica. Op. cit. p. 485. 281 AMBRÓSIO DE MILÃO. Os Mistérios. In Antologia Litúrgica. Op. cit. p. 529.

282 CIPRIANO. Carta 73, 11. In Antologia Litúrgica. Op. cit. p. 308.

283 Cf. CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. Diretório Geral para a Catequese. 4ªed. São Paulo:

Loyola, 2003, p. 87-91.

284 CIRILO DE JERUSALÉM. Catequeses pré-batismais. In Antologia Litúrgica. Op. cit. p. 481. 285 BASÍLIO DE CESARÉIA. Sobre o Batismo. In Antologia Litúrgica. Op. cit. p. 404.

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“Israel foi mergulhado no mar a meio [sic] da noite, nesta noite de Páscoa, o dia da salvação; nosso Senhor, na noite de Páscoa, lavou os pés dos seus discípulos, em mistério do batismo. Deves saber, meu amigo, que foi durante essa noite que o nosso Salvador nos deu o verdadeiro batismo. Enquanto Ele ia e vinha com os seus discípulos, tinha o batismo da Lei com que os sacerdotes batizavam, o batismo de que fala João: Convertei-vos dos vossos pecados. Mas, nessa noite, mostrou-lhes o mistério do batismo, que é a paixão da sua morte, como diz o Apóstolo: Fomos sepultados com Ele pelo batismo para a morte, e ressuscitamos com Ele para a força de Deus”. AFRAATES, o sábio persa. Exposição 12. In Antologia Litúrgica. Op. cit. p. 362.

necessidade. A Páscoa e o ciclo Pascal serão valorizados como tempo batismal, já afirmara Tertuliano288. Quando se celebra o Batismo na Páscoa, os regenerados celebram a Oitava da Páscoa. “Esta é a razão principal de todos os regenerados pelo Batismo de Cristo celebrarem, com grande devoção, a solenidade desta Oitava”289. Oitava prefigura o século futuro. Simboliza sempre o “Hoje”.290 Então pelo Batismo vive antecipadamente, em nosso hoje, as realidades celestes.

Tudo leva a concluir que a importância de se celebrar o Batismo na Páscoa está em vista da participação das celebrações solenes291. Sendo a própria celebração da vigília, por exemplo, fonte de catequese mistagógica292. Sendo também o tempo quaresmal um verdadeiro itinerário de catequese batismal para a renovação batizados e acolhida dos catecúmenos.

Benzer Belgeler