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Darwin de Mesnevi’de Olduğu Gibi Kadınları –Haşa-

Como venho salientando ao longo desse capítulo, no fluxo da história humana a mão-de-obra infantil foi freqüentemente utilizada como um agregado de valor, em diversas culturas, assim como se fez com o trabalho feminino e, numa

98 Quando era comum, até o início do século XX as pessoas casarem antes dos 20 anos e as mulheres

óptica de total dominação, com os escravos. Criando suas regras de convivência e produção, o homem utilizou-se do trabalho infantil desde a Antiguidade.

Em diversas culturas contemporâneas, o trabalho infantil ainda é considerado necessário. Para algumas, como meio de formação do caráter; em todas, como instrumento de socialização. No entanto, sem dúvida, tais usos estão muito mais focados no preconceito (pois fruto do senso comum) do que em qualquer experimento acadêmico (visto que, inclusive, representa um contra-senso aos estudos contemporâneos – das humanidades e das ciências médicas).

No caso brasileiro, pode-se notar que a Constituição de 1946 foi a primeira a apresentar, embora timidamente, alguma garantia ao adolescente trabalhador. Isso fica expresso em seu Art.157, inc. II, que proibia a diferença de salário para o mesmo trabalho por motivo de idade. Por outro lado ela também fixava em quatorze anos a idade mínima para o ingresso do adolescente no mercado de trabalho (Art.157, inc. 9o).

No século passado tínhamos, basicamente, duas grandes estratégias de “combate” ao trabalho infanto-juvenil no Brasil:

I. capacitar crianças e adolescentes pobres para o mercado de trabalho, através dos sistemas nacionais de formação de mão-de-obra (sistema “S”);

II. desenvolver uma espécie de alternativa de vida para crianças e adolescentes em conflito com a Lei.

De qualquer sorte, essas atividades terminavam por introduzir os adolescentes – em alguns casos, do ponto de vista psicosocial, prematuramente no mercado de trabalho, mas foi o que norteou, como política pública, a maioria dos projetos sociais para as populações pobres, dos anos 60 ao início dos anos 90 no Brasil.

Entre o final dos anos 1980 e o início da última década do século recém-findo, começam as campanhas públicas e de organizações não-governamentais

– inclusive por meio da mobilização das próprias crianças e adolescentes e da ação de parcelas do segmento empresarial – propugnando pela conscientização da população em geral em favor da superação da visão social cristalizada – de naturalização acerca do trabalho infanto-juvenil das camadas proletárias de baixa renda – em prol da educação obrigatória de 0 a 14 anos de idade e da profissionalização para os adolescentes (de 14 a 18 anos).

Notadamente, com a promulgação da Constituição de 1988 visualiza- se um redimensionamento das ações afetas à infância e ao trabalho infantil no Brasil. Um relevante exemplo do empenho pela inclusão dos temas relativos à infância e à adolescência nas agendas de políticas públicas e ações sociais por parte do Estado, ONGs, e empresariado é a edição do ECA – uma das poucas regulamentações do texto constitucional editadas com brevidade.

Entre vários temas afetos à área social, a questão da criança encontra, na Constituição Federal de 1988 respaldo sem precedentes se comparada ao tratamento dado à temática infanto-juvenil pelas Cartas anteriores. Sob a esfera da proteção do trabalho infanto-juvenil, em nível macro, a Constituição Federal de 1988, trata dessa temática nos três momentos abaixo descritos:

a) estabelece a idade mínima para o trabalho e suas condições (Art. 7º, XXXIII, da Constituição Federal, com a redação conferida pela Emenda nº 20, de 15 de dezembro de 1998)99;

b) estabelece proibição a qualquer discriminação por conta da idade (Art. 7º, XXX, da Constituição Federal)100; c) estabelece proteção especial ao trabalho do adolescente

(Art. 227, § 3o, II e III, da Constituição Federal)101

99proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito anos e de qualquer

trabalho a menores de dezeseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos

100proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de

sexo, idade, cor ou estado civil. ...

101II- garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;

Vários dispositivos da Constituição Federal enunciam a obrigatoriedade de proteger os direitos da criança e do adolescente, destacando-se o

caput do Art. 227, que define:

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Entretanto, a expressão concreta do compromisso do Estado, como promotor dos direitos infanto-juvenis, está prevista no parágrafo 1o, do Art. 227, ao dispor que o

Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança e do adolescente, admitida a participação de entidades não-governamentais [...]. Esta

assistência é reafirmada no artigo 203, II, que prevê a sua prestação a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, com ênfase no

amparo às crianças e adolescentes carentes.

Como a educação constitui um ponto nodal de toda e qualquer política infanto-juvenil, a Constituição Federal detalha, no artigo 228, os deveres próprios do Estado nesse mister:

I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria;

II - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;

III - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade;

IV - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;

V - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.

No que diz respeito ao trabalho do adolescente de baixa renda, observou-se o surgimento de programas de geração de emprego e renda voltados à sua formação – o que não representa novidade na história nacional –, aliados ao estímulo do protagonismo juvenil – isso sim, inovador.

Sob a pressão de organismos internacionais (UNESCO/OIT/UNICEF), instituições sociais (como o Conselho Federal da OAB, a Associação Brasileira de Pediatria e o Conselho Federal de Psicologia), Estado (Ministério da Trabalho, Ministério Público do Trabalho, Justiça do Trabalho), ONGs e setores do empresariado, os governos brasileiros, a partir do final dos anos 1990, passaram a priorizar a substituição de trabalhos perigosos, penosos ou insalubres por atividades mais adequadas ao desenvolvimento do adolescente trabalhador. Assim, integrando a defesa da erradicação do trabalho infantil, o Estado brasileiro tem participado de conferências internacionais que abordam a temática sobre as mais diversas perspectivas.

3.7 Exceções à regra do não trabalho infanto-juvenil ou instrumentos de

Benzer Belgeler