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1.2 Duygusal Zeka Kavramının Ortaya Çıkışı ve Önemi

1.2.3 Duygusal Zeka Modelleri

1.2.3.4 Daniel Goleman’ın Duygusal Zeka Modeli

Alves ( 2009) e Descham ps ( 2009) , em análises sobre as condições de vulnerabilidade, enfatizam a necessidade de observar essas condições a partir da interação dos problem as sociais e am bient ais. Para os aut ores, no cont ext o das cidades, sobret udo, das áreas m et ropolit anas, as condições de viver o urbano levam à sobreposição desses problem as, criando sit uações de vulnerabilidade socioespacial. Em term os conceit uais, essa form a de vulnerabilidade pode ser descrita como “a coexistência, cumulatividade ou sobreposição espacial de sit uações de pobreza e privação social e de sit uações de exposição a riscos/e ou degradação ambiental” (ALVES, 2009, p.76).

Os aut ores m encionados ressalt am que a sobreposição, a com binação e a int eração das dim ensões social e am bient al da vulnerabilidade ocorrem no nível espacial, ou sej a, coexistem espacialm ent e, sobret udo, em áreas urbanas que t ornam m ais graves as sit uações de pobreza e vulnerabilidade social frent e t am bém às sit uações de exposição a riscos e degradação am bient al.

Enfim , vive- se num a era de incertezas, na qual a capacidade de predição das ciências e o desenvolvim ent o tecnológico não oferecem respost as capazes de im pedir a crescent e vulnerabilidade de t odas as form as de relações, o que nos t orna suscetíveis aos riscos e am eaças, sej am elas concret as, invisíveis ou virt uais, pois, nunca fom os t ão vulneráveis e suscetíveis aos riscos com o na at ual fase da hist ória hum ana e social.

Por isso, na perspectiva propost a nest a tese, a vulnerabilidade vai ser abordada a part ir da interação das dim ensões sociais e am bient ais da vulnerabilidade e com o elas se apresent am no nível espacial no cont ext o de São Luís a partir do dest aque dado a t rês bairros periféricos.

5.1.1 Vila Cruzado

Na Vila Cruzado, foram selecionadas 3 ( t rês) residências para o m onit oram ento ( Figura 28) , denom inadas P1, P2 e P3. Caract eriza- se por ser um a área de ocupação irregular recente, sit uada ent re áreas residenciais de classe m édia em São Luís, que surgiu no processo de expansão im obiliária, e que sofre pela pressão exercida de grandes incorporadoras j ust am ente por ocupar esse espaço de alt o valor com ercial para o set or im obiliário da capit al.

O m ovim ent o que gera desigualdades no espaço acont ece de form a acelerada no Brasil por cont a dos incorporadores im obiliários, m uit as vezes financiados pelo Est ado e part ícipes do m ovim ent o do capit al, e que possuem um papel decisivo na consolidação das desigualdades socioespaciais.

Em São Luís, essa ação não é diferent e, pois os incorporadores m odificam a dinâm ica urbana expulsando cam adas populares ao selecionarem áreas para a const rução de condom ínios residenciais, edifícios com erciais, shoppings cent ers, galerias, ent re out ras, com a finalidade precípua de acum ular capit al.

O espaço urbano de São Luís vem assum indo nas últim as décadas um a diferenciação m uit o acent uada no que t ange à ocupação de classes sociais no t ecido urbano. Essa diferenciação é agravada pela form a com o a propriedade privada seleciona frações desse espaço.

Para Santos (2013, p. 74) São Luís está mergulhada em uma contradição social fundamental, de um lado se observa a concentração de serviços e equipamentos urbanos ideais, amparados pelo Estado, que dá suporte ao mercado imobiliário nos bairros ricos, símbolo de distinção social, status e segurança. De outro lado, se exercem pressões sobre as camadas sociais empobrecidas, onde a legislação urbanística não é aplicada em sua integralidade e que por causa da imposição de preços do mercado imobiliário, são classes espoliadas e segregadas no tecido urbano.

At ualm ent e, a área ocupada no ent orno da com unidade encont ra- se em fase de crescent e valorização, por est ar localizada próxim o a condom ínios de classe m édia ( Figura 28a e 28b) , o que t orna est e espaço viável a em preendim ent os im obiliários em decorrência do processo de expansão da cidade de São Luís. Essa condição de valorização do espaço t rouxe benefícios aos m oradores da Vila Cruzado pela proxim idade com t ais em preendim ent os que de cert a form a forçam o poder público a im plem ent ar a expansão de obras básicas para as áreas de ent orno desses condom ínios favorecendo assim áreas com o a Vila Cruzado.

A inst alação da infraest rutura básica ( asfalt o, água, energia elét rica) , e da própria casa ( alvenaria) , não refletiu, no entant o, num a m elhoria am pla nas condições de habit abilidade, pois out ros serviços, com o saneam ent o básico, por exem plo, não foram colocados com o prioridade na área.

Figura 28. Localização dos pont os na área de est udo da Vila Cruzado - São Luís/ MA.

Ent ret ant o, ressalt a- se que, em bora t enha a presença de alguns benefícios sociais com a alocação destes serviços públicos foi possível const at ar at ravés com os m oradores da área, que m uit as vezes não funcionam de form a satisfat ória, com o por exem plo, a água encanada, que abastece a população em dias alt ernados, a energia elét rica que em m uit as residências ainda é de forma clandestina (os chamados “gatos”) e a coleta de lixo (embora regular) são visíveis a deposição de resíduos sólidos em terrenos baldios ou entupindo as caixas colet oras de água pluvial, o que favorece a alagam ent os em algum as ruas durant e o período com chuvas m ais intensas. (Figura 28c)

Além disso, na ocupação da área, vem ocorrendo a subt ração da quase t ot alidade da veget ação ( sej a no int erior da Vila Cruzado ou no seu ent orno) , a alt a im perm eabilização dos lotes – um a vez que são totalm ente construídos – E o ordenam ento espont âneo e denso com ruas irregulares e m uit o est reit as ( Figura 28d) . Esses fat ores expõem a população residente a riscos, nem sem pre visível, com o a ausência de insolação e ventilação adequadas, e a precariedade das edificações e isolam ent o do am bient e ext erno, fat ores que est ão associados com alt as incidências de doenças nessas áreas.

Figura 28a. Condom ínio vert ical de classe m édia no ent orno da Vila Cruzado.

Fonte: ARAUJO, R. R. Regist ro fot ográfico de t rabalho de cam po ( jan./ 2012)

Figura 28b. Condom ínio vert ical de classe m édia no ent orno da Vila Cruzado (2) .

Fonte: ARAUJO, R. R. Regist ro fot ográfico de t rabalho de cam po ( jan./ 2012)

Figura 28c. Lixo deposit ado nas caixas de esgot o.

Fonte: ARAUJO, R. R. Regist ro fot ográfico de t rabalho de cam po ( jan./ 2012)

Figura 28d. Ruas est reit as da Vila Cruzado.

Fonte: ARAUJO, R. R. Regist ro fot ográfico de t rabalho de cam po ( jan./ 2012)

O padrão das residências se caract eriza em sua m aioria por ser de alvenaria e cobert ura de telhado de cerâm ica ou de fibrocim ent o, em geral, conj ugadas, não se perm itindo um livre espaço ent re um a ou out ra, o que dificult a a circulação do ar reduzindo a possibilidade de se am enizar a ventilação em dias m ais quent es.

As qualidades térmicas dos ambientes, especificamente das edificações, como o aquecimento, o frescor, o arejamento, a luminosidade, são importantes elementos que irão definir como a pessoa se sente em relação ao espaço. A sensação humana de conforto térmico traduz geralmente o desempenho térmico do ambiente construído, que por sua vez ocorre em função de suas variáveis tais como a forma e o volume da edificação, as características da implantação, orientação de fachadas e aberturas, propriedades termofísicas dos materiais de construção (resistência e capacidade térmica), entre outras que determinam as características construtivas e o decorrente desempenho térmico dos ambientes interiores das edificações. (ULTIMURA, 2010, p. 13)

Em São Luís, essa é a configuração de const rução e de dist ribuição de residências encont radas nas áreas de ocupação irregular que fazem o uso de m ateriais const rutivos de baixo cust o e de fraca condutibilidade t érm ica, em especial, nas residências que utilizam a cobert ura de fibrocim ent o. Essas caract erísticas serviram de base para a elaboração da cart a de Uso do Solo na área, com dest aque para quat ro elem ent os principais: a presença de veget ação, a exist ência de asfalt o, solo expost o e tipo de cobert ura das casas ( telhas de fibrocim ent o ou de cerâm ica) ( Figura 29) .

Com relação ao acesso a esses serviços básicos, é possível fazer um a represent ação visual a partir dos dados censit ários de 2010 que m ost ram j ustam ent e a fragilidade e vulnerabilidade socioespacial da população nessas áreas com relação a qualidade dos serviços a que est ão disponíveis e ofert ados pelo poder público.

Figura 29. Classificação do Uso e Cobert ura do solo da Vila Cruzado com os pont os de m onit oram ent o.

O que se pode observar é o quant o os serviços oferecidos pelo poder público são deficient es e precários que represent am de cert a form a um a generalização a ofert a desses serviços nas áreas periféricas de São Luís. O acesso a água encanada é um exem plo disso ao perceber que os set ores censit ários que delim it am o espaço da Vila Cruzado est ão caract erizados pela precariedade desse serviço para a população. Em bora um a part e dele sej a considerada com o bom , represent a m uit o m ais pela presença dos condom ínios fechados que est ão contíguos a área que propriam ent e represent em um a realidade de bom serviço para os seus m oradores.

Ressalt a- se, cont udo, que exist e nessa com unidade um a ação bast ant e presente nas áreas periféricas que t rat a do sist em a alt ernado de água nas residências durant e a sem ana e durant e poucas horas, m uit as vezes insuficient e para o abast ecim ent o com plet o das cist ernas e caixa d águas e para os serviços diários com o lim peza da casa e seus ut ensílios e m esm o higiene pessoal.

Out ro indicador relevant e é quant o ao sist em a de colet a da rede de esgot o, que, em bora a rede de abast ecim ent o de água t enha inclusive expandido no m unicípio de São Luís, não foi acom panhado no m esm o ritm o pela am pliação da rede de esgot o evidenciando assim a exposição superficial desse resíduo e t odas as im plicações sanit árias e de saúd e que podem advir com a falt a de colet a e de t rat am ent o do m esm o, considerando a insuficiência e pouca operacionalidade das Est ações de Trat am ent o de Esgot o no m unicípio de São Luís.

Na Vila Cruzado, esse descom passo é visível, considerando que t odo o setor censit ário o acesso a rede colet ora de esgot o é de péssim a qualidade e dessa form a expõe os seus m oradores a facilidades de proliferação de t odo o t ipo de vet ores que t ransm it em doenças das m ais diversas form as e at ravés da veiculação hídrica.

Em que pese os result ados positivos do sistem a de colet a de lixo na Vila Cruzado, em m édia colet ado 3 ( t rês) vezes na sem ana, ressalt a- se que at ravés de conversas com os m oradores, foi possível perceber que em m uit as ruas cuj o o acesso do cam inhão colet or é rest ringido pelas ruas est reit as, obst ruídas ou m esm o com deficiência asfáltica, os quint ais das residências e nos t errenos baldios exist e o acum ulo de lixo em que por diversas vezes os m oradores recorrem a queim a do m esm o com o form a de elim in ar a sua concent ração

Na avaliação da qualidade am bient al das respectivas áreas pesquisadas se avaliou às condições de dist ribuição de serviços de saneam ent o considerando as seguintes dim ensões: abastecim ent o de água, rede colet ora de esgot o e serviço de colet a de lixo. A dim ensão saneam ent o sem pre foi utilizada com o um indicador de qualidade am bient al urbana, visando identificar a quantidade de dom icílios atendidos e a qualidade do serviço oferecido.

O saneam ent o básico é regido pela Lei nº 11.445/ 2007, que est abelece as Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico, define saneamento básico “O conjunto de serviços, infraest rutura e inst alações que abrangem quat ro com ponentes: abastecim ent o de água, esgot am ent o sanit ário, lim peza urbana e m anej o de resíduos sólidos e drenagem e manejo de águas pluviais urbanas” (BRASIL, 2007).

Os dados utilizados para o indicador Saneamento Ambiental agruparam t odas as variáveis relacionadas às condições de saneam ent o indicado pelo I BGE ( rede de água, colet a de esgot o e colet a de lixo) . Assim , o agrupam ent o não hierárquico de clust er gerou quat ro clust ers relacionados às condições de saneam ent o am bient al para a área urbana de São Luís. Utilizando a escala de linkert , as quat ro áreas foram classificadas em bom - B; regular-RE; ruim - R e péssim o- P.

Segundo Pereira (2001, p. 65-66), essa escala, conhecida como “escala de Likert”, é adequada por reconhecer “[...] a oposição entre contrários; reconhece gradiente; e reconhece situação intermediária [...] após ter concluído qual o tipo de escala adequado para a representação do fenômeno em estudo, o pesquisador dever arbitrar que valores vão atribuir aos códigos numéricos, lembrando que esses valores devem refletir as propriedades da escala […]”.

O result ado apresent ado na Vila Cruzado foi insatisfat ório, considerando que o acesso a t odos os serviços básicos não ocorre de form a sat isfat ória, com o por exem plo, o acesso da água, cuj os m oradores t êm acesso lim it ado e com a colet a de lixo, em que áreas não são devidam ent e cont em pladas com o serviço adequado t en do em vist a a utilização da queim a ou a deposição indevida dos resíduos nas proxim idades das residências.

Dessa form a, o que se percebe é que a Vila Cruzado est á inserida, com o out ras localidades brasileiras em que o principal problem a dos núcleos urbanos m et ropolit anos em países em desenvolvim ent o se refere aos aspect os de saneam ent o, cujo carát er incom plet o cria sérios problem as am bient ais e de saúde. Quest ão há m uit o superada nos países desenvolvidos, a m et a de universalização dos sist em as de saneam ent o básico, com o o abast ecim ent o de água, colet a e t ratam ent o de esgot os e de resíduos sólidos, em bora apresent e visíveis avanços, ainda se faz present e em países com o o Brasil.

I sso só reforça o est reit o relacionam ent o ent re a carência de infraest rut ura de saneam ent o e im port ant es indicadores de saúde, com o a m ort alidade infantil. A ausência de abast ecim ent o de água e de colet a de esgot os é um a das principais responsáveis pela proliferação de doenças graves, sej a através do consum o de água não t rat ada, ou pelo cont at o físico com águas poluídas.

Out ras duas caract erísticas sociodem ográficas im port antes levadas em consideração nest a análise diz respeit o ao grau de escolaridade e de renda, pois são proxies de um a condição de poucos recursos físicos para enfrent ar os perigos am bient ais. Os pobres são m ais vulneráveis aos perigos am bient ais devido à carência de recursos, baixa qualidade da m oradia, e incapacidade de recuperarem - se rapidam ente dos danos.

O st at us socioeconôm ico influencia a habilidade dos indivíduos e com unidades em absorver os im pact os dos perigos. Em geral, as pessoas que vivem em situação de pobreza são m ais vulneráveis aos perigos am bient ais do que as m ais ricas, pois t êm m enos recursos financeiros para investir em m edidas preventivas e na própria recuperação pós- desast re. Em bora o valor m onet ário das perdas econôm icas e m at eriais dos ricos possam ser elevados, as perdas sofridas pelos pobres são relativam ent e m ais devast adoras.

Na realidade da m aioria das áreas periféricas de São Luís, com o na Vila Cruzado, se observa a prevalência de baixa renda dos m oradores. No que se refere aos rendim ent os específicos dos responsáveis pelos dom icílios, em bora não t enha sido levant ados dados quant o aos valores, at ravés de conversas inform ais se pode const at ar que originam - se predom inant em ente do t rabalho assalariado com cart eira assinada ou através de atividades com o aut ônom os. Um a parte do rendim ent o fam iliar t am bém é fort alecida at ravés de recursos advindos de aposent adorias e/ ou pelo recebim ent o de benefícios sociais, em especial, do Program a Bolsa Fam ília.

O indicador que m ensura o grau de escolaridade apresent a significativa correlação com a situação de renda, pois os reduzidos recursos disponíveis na renda fam iliar não perm it em investim ent os em escolas part iculares e que apresent am m elhor qualidade de ensino, dependendo, port ant o, das escolas da rede pública, que em bora apresent e um a unidade na Vila Cruzado e de out ras nas suas proxim idades, não represent a de im ediat o o acesso às m esm as e t am pouco possam ser um a garantia positiva de ensino, pois são escolas do ensino fundam ent al que na sua m aioria carecem de um a infraest rut ura pedagógica e física adequada para o aprendizado.

A figura 30 apresent a um a cart a síntese com a represent ação espacial dos indicadores socioeconôm icos que foram abordados nest e subcapít ulo.