5.6. KOROZYON TEST SONUÇLARI
5.6.2. Daldırma Korozyon Testi Sonuçları
Embora o teor de umidade relativa do ar seja menor dentro do tecido urbano, especialmente em áreas desprovidas de vegetação ou lâminas d’água, alguns estudos apontaram para um aumento nos totais pluviométricos em cidades de porte metropolitano (AZEVEDO, 2002; LANDSBERG, 1981; LOWRY, 1998; THIELEN e GADIAN, 1997). Porém, nem sempre é possível estabelecer uma relação direta entre urbanização e aumento nas chuvas, pois
fatores como topografia e sistemas sinóticos influenciam esse parâmetro a ponto de minimizar, ou mesmo anular, os efeitos antrópicos.
No meio científico há um consenso de que sobre as cidades são criados padrões de circulação atmosférica específicos, responsáveis por alterações nas características das precipitações, tanto nos totais acumulados como na distribuição espacial. Essas mudanças variam muito, de acordo com o porte da cidade, das funções urbanas desempenhadas e dos ritmos atmosféricos associados a estas transformações.
De acordo com Monteiro (1980), Landsberg (1981), Hidore e Oliver (2002) e Barry e Chorley (2003), o aumento nos totais pluviométricos em áreas urbanas está relacionado aos seguintes fatores:
• Presença constante de particulados e aerossóis, assegurando uma abundância de
núcleos de condensação;
• Convecção térmica desencadeada pela ilha de calor, induzindo uma maior
flutuabilidade na parcela de ar;
• Turbulência mecânica criada pelo efeito de fricção das edificações sobre o fluxo de
ar, auxiliada pela rugosidade da superfície urbana;
• Acréscimo de vapor d’água devido aos vários processos de combustão.
Estudos realizados em cidades de latitudes médias têm registrado elevações nos totais
pluviométricos nas áreas urbanas (YOSHINO17,171975, citado em THIELEN e GADIAN,
1997), principalmente na relação volume/hora. Essas características estariam associadas, em grande parte, à elevação do nível de material particulado e aumento das atividades convectivas.
Thielen e Gadian (1997) demonstraram num estudo numérico que a combinação de brisa marítima, topografia e ilha de calor, tem influência no início e desenvolvimento das tempestades convectivas. Analisando a topografia e a distribuição espacial dos bolsões de calor, constataram um aumento e prolongação da convecção sobre áreas urbanizadas.
O estudo dos impactos pluviais concentrados nas cidades tropicais tem se destacado pela importância das consequências sociais e econômicas, decorrentes da precariedade ou mesmo da falta de adequação da infra-estrutura urbana ao ambiente natural onde está
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YOSHINO, M. M. Climate in a small area. In: An introduction to local meteorology. University of Tokyo, Press, Tokyo, 1975.
localizado o sítio urbano. A maioria deles refere-se à ocorrência de enchentes e deslizamentos de massa sob situações de eventos meteorológicos extremos.
As anomalias na precipitação foram verificadas na cidade do México por Jauregui e Romales (1996), relacionando o efeito urbano com as instabilidades convectivas. Os autores analisaram os totais pluviométricos mensais e observaram que a intensidade da chuva aumentou de forma significativa nas últimas décadas. Concluíram que esse acréscimo no acumulado de chuvas deve-se à existência da ilha de calor urbana.
No Brasil, o trabalho de Monteiro (1980) foi um dos primeiros a avaliar qualitativamente os impactos das precipitações no ambiente urbano. O autor selecionou dezessete episódios de chuva no período de 1961 a 1970, com sensível produção de inundações na Região Metropolitana de São Paulo. A partir da apreciação de dez casos mais significativos, escolhidos entre aqueles que maiores prejuízos trouxeram para a vida da cidade, o autor põe em evidência o aumento de inundações em função do processo de urbanização. A área central da cidade é uma das mais afetadas, em decorrência da crescente impermeabilização do solo e deficiência da drenagem urbana.
Costa e Mattos (1998) estudaram a influência da estrutura urbana sobre o comportamento da ilha de calor urbana durante épocas chuvosas e menos chuvosas na cidade de Belém (PA), indicando a existência de ilhas de calor com intensidade de até 4,5ºC. A grande variação térmica sazonal apresentada nos experimentos deve-se basicamente ao aumento da nebulosidade e das precipitações durante a estação chuvosa, tornando os contrastes térmicos entre os diferentes locais estudados praticamente desprezíveis.
Pereira Filho (2000), analisando os totais horários de precipitação no mês de fevereiro de 1998, entre as 15h e 20h, na área de abrangência do radar meteorológico de São Paulo, observou quantidades até quatro vezes superiores sobre a região metropolitana. Este comportamento foi atribuído ao aquecimento urbano e à injeção de umidade pela brisa marítima.
Azevedo (2002) efetuou mapeamentos da distribuição dos totais diários de precipitação na região metropolitana de São Paulo e arredores, colhendo evidências indiretas de que há intensificação da precipitação nos dias úteis devido às atividades urbanas. Segundo o autor, a freqüência das precipitações acima de 20mm seria da ordem de 40% maior nos dias úteis, em relação aos feriados e fins de semana. Porém, este aumento não ocorreria exatamente sobre o centro da metrópole, pois as isoietas representativas de tal variação positiva estariam mais evidenciadas à sudoeste da área metropolitana.
Filho e Ribeiro (2007) trabalhando com mapeamentos de núcleos de precipitação em diferentes intervalos de tempo na Região Metropolitana de São Paulo, realizados a partir de dados do radar meteorológico e de dados de superfície, verificaram que, a despeito da configuração aparentemente caótica da distribuição das chuvas, sobretudo nos episódios convectivos, predominou um padrão de circulação local que privilegiou a concentração pluvial sobre a porção mais urbanizada da Região Metropolitana. Constatou-se uma forte interação entre a ilha de calor urbana e a brisa oceânica na dinâmica pluvial da RMSP.