patients with cleft lip and/or palate
8.3. Daimi dişlerin oluşum ve erüpsiyonları
Pode-se constatar que uma fonte da divergência existente entre as conclusões dos argumentos apresentados nos capítulos anteriores são as diferentes definições de pensamento adotadas pelos autores. Esta seção se ocupará de esclarecer os conceitos, identificar suas diferenças e explicar como levam a
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Ibid. P. 6. No original: “[...] there is nothing specifically mental about the so-called mental states.
Mental states consist entirely in their causal relations to each other and to the inputs and outputs of the system of which they are a part.” (grifos no original)
conclusões distintas.
Sendo fiel à sequência adotada nos capítulos, é coerente começar pela definição adotada por Davidson. Conforme elaborado no capítulo sobre sua tese, o conceito de pensamento é elaborado com fundamento na noção de atitudes proposicionais; isto é, proposições ligadas a um sujeito através de um verbo psicológico.
Foi visto também que Davidson toma a crença com a atitude proposicional mais fundamental, sem a qual não faria sentido falar de outras. Também fica claro que, nesta concepção, crenças só são possíveis quando a criatura que as possui é capaz de distinguir entre crença verdadeira e crença falsa. O passo final de Davidson consiste em argumentar que essa distinção só é possível com a linguagem, o que nos leva ao próximo ponto importante.
É necessário salientar por enquanto que o conceito que Davidson dá para pensamento não possui nenhum elemento behaviorista, algo que, aliado à linguagem, permite uma realização peculiar da argumentação de Davidson. Ao fazer com que a atribuição de pensamentos ocorra por meio da linguagem, Davidson reduz a necessidade de evidência comportamental para que essa seja realizada a um único elemento: a atitude de tomar uma sentença como verdadeira.
Ainda assim, é possível defender a ausência de behaviorismo em Davidson argumentando que a atitude de tomar algo como verdadeiro só funciona se for considerado previamente que a criatura capaz dessa atitude é capaz também de compreender linguagem, o que faz com que a asserção seja um evento mental e não somente comportamental.
Desta maneira, se preserva a existência de eventos mentais em um sentido não behaviorista, porém com o preço de atrelá-los à linguagem compartilhada. Ademais, há um custo mais elevado exigido por essa teoria. Davidson não fornece um relato sobre aquisição da primeira linguagem, tal como foi colocado no último tópico do capítulo dedicado à sua tese.
Davidson explica a triangulação a partir de como alguém, já dotado de linguagem, seria capaz de vir a compreender outra linguagem seguindo o modelo de
um interpretador radical. Esse modelo de argumentação não explica como a linguagem pode ter surgido ou evoluído mas, segundo sua conclusão, é suficiente para defender que não existe pensamento sem linguagem.
Searle, por sua vez, adota uma definição mais frouxa de pensamento. Tal como já foi visto, em Consciousness and Language, Searle separa o problema em três elementos: consciência, intencionalidade e processos de pensamento, sendo os dois últimos de maior relevância à nossa discussão.
A intencionalidade, definida por Searle como “o aspecto da mente pelo qual a mesma se direciona a objetos e estados de coisas no mundo” 96, é mínima em
relação à noção de atitude proposicional a que Davidson se reporta, visto que este último associa a intencionalidade ao pensamento e às suas interações, por isso a noção de “crenças entrelaçadas” trabalhada anteriormente.
Searle assume que é possível possuir estados subjetivos intencionais sem as exigências de Davidson. Os “processos de pensamento”, na sua interpretação, constituem também uma versão mínima de racionalidade: a sucessão de estados intencionais.
A abordagem de Searle, contudo, é sucinta. Ele se ocupa de ressaltar que a linguagem é logicamente necessária para certos tipos de estado mental, mas que há outros estados independentes da linguagem que merecem ser chamados de pensamento. A questão se torna mais problemática quando se reconhece que Davidson não nega competências mentais a criaturas sem linguagem, visto que admite que muitos animais são capazes de fazer “distinções precisas” 97. A pergunta
que um partidário da tese de Searle faria a um daquela de Davidson poderia ser: por que essas distinções precisas não são pensamentos?
A partir do estudo realizado neste trabalho, é possível dizer que a resposta oferecida pelos argumentos analisados de Davidson é tão curta quanto controversa. Para ele, as distinções de que os animais são capazes não se qualificam como
96 SEARLE, John. Consciousness and Language. Endinburgh: Cambridge University Press, 2002.
P. 61
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pensamentos pois não apresentam conteúdo proposicional nos moldes exigidos por sua teoria. Na ausência de linguagem não se poderia possuir inúmeras crenças entrelaçadas nem o conceito de verdade objetiva. E é neste ponto que reside uma importante distinção entre o argumento de Davidson e o de Bermúdez.
Sobre a definição de pensamento deste terceiro autor, é possível encontrar em Thinking Without Words duas abordagens. Há uma abordagem minimalista, não proposicional, do pensamento não linguístico que ele considera explicar muito do comportamento dessa natureza, mas que seria insuficiente para comportamentos mais complexos. 98
Como explicitado no capítulo anterior, o argumento de Bermúdez parte da consideração de dados de comportamentos não linguísticos (seja de crianças ou animais). Para ele, há comportamentos que requerem explicações psicológicas mais refinadas que simples processos de resposta a estímulos, requerendo que seja atribuída a criatura em questão algum tipo de representação com conteúdo proposicional. Bermúdez aceita, portanto, a definição de pensamento a partir de atitudes proposicionais, mas não acompanha o argumento de Davidson no que diz respeito às crenças entrelaçadas, optando seguir por outro caminho.
O percurso adotado por Bermúdez passa pela atribuição de uma ontologia básica à criatura a ser interpretada, partindo do seu comportamento. Deve-se relembrar que esse comportamento pode ser estudado cientificamente, de modo que é possível alcançar um grau de certeza sobre as atribuições realizadas.
Evidentemente, pode-se buscar criticar a postura de Bermúdez apontando-a como behaviorista, colocando que seu modelo de interpretação estaria reduzindo pensamentos a disposições de comportamento, porém isso é algo que será discutido na seção seguinte. Por enquanto, é necessário notar que Bermúdez aponta um caminho pelo qual é possível atribuir pensamentos proposicionais a criaturas não linguísticas, admitindo também que nem todos os pensamentos requerem conteúdo proposicional.
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BERMÚDEZ, José Luis. Thinking Without Words. New York : Oxford University Press, 2003. P. 62.
A partir do que foi trabalhado até o momento, percebe-se que o problema principal da discussão empreendida nesta dissertação gira em torno do pensamento proposicional. De fato, Davidson não toca em outros tipos de estados mentais, negando a qualquer forma não proposicional o status de pensamento. Assim, é possível introduzir a seção seguinte como a análise dos argumentos quanto à possibilidade de pensamento proposicional na ausência de linguagem.