BÖLÜM 4: DAHİLDE İŞLEME REJİMİNDE YAŞANAN
4.2 Dahilde İşleme Rejiminde Yaşanan Sorunlara Yönelik Alan Araştırması
A categoria “comerciantes e empresários” é composta por aqueles que desenvolvem algum tipo de atividade comercial ou de prestação de serviços, como os construtores (ou empreiteiros). Em outras palavras, seriam donos de estabelecimentos comerciais ou empresas de prestação de serviços.
Os dados sugerem que a participação de comerciantes e empresários na política local cresce ao longo dos anos, principalmente na década de 1990. A tabela 7 dá a dimensão deste crescimento. Além disso, constatamos que 55% deles se elegeram pela primeira vez ou nas eleições de 1992 ou na de 1996. O crescimento da participação dos comerciantes e empresários acompanha, portanto, o crescimento deste setor na economia local. Mas antes não haveria condições para uma maior participação política?
Verificamos que antes de 1990 alguns nomes ligados à associação comercial, como Amil Burihan ou Edson Mazzuca, chegaram a se candidatar à vereador (1976 e 1988 respectivamente) porém sem sucesso. O campo político, na década de 1970, era muito estreito e relativamente fechado, devido a existência de apenas um partido e pela dinâmica da política interna deste partido, polarizado entre duas facções que procuram controlar o diretório local de todas as formas. As disputas entre os bonequistas e adhemaristas não apenas impediram a entrada na política de novos agentes oriundos de outros grupos sociais como também marginalizaram antigos políticos que não se alinharam a uma das duas facções, como foi o caso, por exemplo, de Altamir Tibiriçá Pimenta, que mesmo tendo sido vereador, vice-prefeito e prefeito por duas vezes, não tinha mais o poder de influenciar as decisões. A formação de um diretório local do MDB ofereceu uma alternativa para esses novos agentes, sendo dois dos três comerciantes eleitos em 1976 membros deste partido. O fim do bipartidarismo representou justamente o alargamento do campo político local e o
aumento das possibilidades de atuação política, com os novos espaços sendo aos poucos ocupados por esses novos agentes.
Há também a questão do poder econômico dos comerciantes e empresários. Se considerarmos as dimensões dos negócios e as possibilidades de crescimento deles de acordo com os condicionantes econômicos locais, notaremos que aqueles da década de 1970 possuíam pequenos negócios e uma capacidade limitada para mobilizar recursos financeiros, contrastando com a maior dimensão dos negócios dos empresários e comerciantes sobretudo na década de 1990. A candidatura de Sílvio Luiz dos Santos para a prefeitura, nas eleições de 1969, nos dá um exemplo disso. Sendo dono de uma sorveteria, sua capacidade financeira não era maior que a de outros políticos funcionários públicos ou profissionais liberais. Sendo neófito em política, sua vitória foi resultado de uma combinação entre sua imagem de “bom moço”, conquistada principalmente por sua atuação no Esporte Clube XV de Novembro tanto como atleta em sua juventude quanto como dirigente depois, com as articulações feitas dentro do ARENA pelos membros do grupo adhemarista, com a participação do próprio Adhemar de Barros Filho, a fim de lançar uma chapa que se distanciasse do desgaste que os políticos sofreram durante a gestão conturbada de Boneca.
Já o empresário Ubaldo Gonçalves, vice-prefeito na primeira gestão de José Bourabeby (1977-1982), tinha os seus principais negócios em São Paulo, ficando inclusive mais tempo na capital que em Caraguatatuba. Mesmo sendo vice-prefeito e possuindo maiores recursos econômicos, o fato de não estar sempre presente no município fez com que seu nome não tivesse força política suficiente para ser lançado candidato à sucessão de Bourabeby, embora cogitado para tal. Voltou a ser candidato à vice-prefeito novamente em 1992, na chapa encabeçada por Antônio Carlos da Silva, porém sem sucesso. Outros nomes, como Arlindo Nakane e Mauri Diniz, ambos donos de empresas que atuam no ramo da construção civil, são exemplos da entrada de novos atores com poder econômico maior, haja visto o boom da construção civil a partir de meados da década de 1970 impulsionado por um tipo de turismo baseado na segunda residência, ou a “casa da praia”. Nakane foi muito atuante enquanto vereador na legislatura de 1983-1988, sendo inclusive presidente da Câmara. Porém não obteve sucesso nas eleições de 1988, quando se candidatou a prefeito e foi derrotado por Bourabeby, eleito pela segunda vez.
Portanto, o aumento da participação de comerciantes e empresários está relacionado, por um lado, ao alargamento do campo político, por outro, à maior capacidade de mobilização de recursos financeiros para o custeio das campanhas. Porém, sendo este um
fator significativo, não se pode desconsiderar outros fatores para a formação do capital político, principalmente a capacidade para se articular com líderes comunitários e de criar identificação com a crescente população dos bairros, já que a fisionomia populacional de Caraguatatuba não era mais aquela do início da década de 1970.
O caso mais significativo de atuação política de um empresário é a de Antônio Carlos da Silva, prefeito no período 1997-2000, reeleito para o período seguinte. Suas atividades empresariais envolvem venda de automóveis, hotéis e construção civil, nos municípios de Lorena, Guaratinguetá e Caraguatatuba. Sua militância política começou em 1985, em Lorena, como delegado do PMDB, mas sua primeira eleição foi em 1988, já em Caraguatatuba, para prefeito. Foi derrotado nesta e na seguinte até conseguir êxito em 1996, pelo PSDB, com apoios que incluíam os ex-vereadores Arlindo Nakane e Antônio Nepomuceno25 e do deputado estadual Paulo Julião (PSDB). As eleições em que saiu derrotado serviu para dar-lhe visibilidade política e proporcionar-lhe condições de ampliar suas bases de apoio, importantes para a campanha exitosa que teve em seguida. Porém, a sua legitimação como líder político envolveu também o reconhecimento pelo trabalho efetuado enquanto presidente da associação comercial, algo que nenhum outro membro desta associação que tenha disputado alguma eleição conseguira. Este reconhecimento era, de um lado, inerente ao próprio meio empresarial local, e de outro, um reconhecimento de suas “habilidades” e “competência” como administrador, utilizados como trunfo eleitoral. Além disso, utilizou-se de sua “juventude” no sentido de possuir disposição e determinação como também novas ideias e ideais necessárias para renovar o quadro político (segundo seu material de campanha). Como nenhum outro fizera antes, Antônio Carlos utilizou-se de seu sucesso empresarial para se legitimar como importante liderança política frente às demais lideranças políticas locais e regionais, como também frente aos eleitores, e dessa forma tornou-se o mais influente político da história recente de Caraguatatuba.