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3.1 Metodologia do estudo

Conforme Gil (2009, p.14-15) um Estudo de Caso pode ser desenvolvido com o propósito de formulação de problemas para uma investigação mais criteriosa e são caracterizados por não serem estudos definitivos, já que visam subsidiar a realização de pesquisas futuras.

A abordagem metodológica de estudo de caso foi utilizada para permitir a análise crítica do Relatório de Sustentabilidade do Banco Bradesco S/A. O estudo tem por objetivo trabalhar com um caso real tal como ocorre na realidade, permitindo expor seus aspectos mais significativos e um conhecimento mais profundo do relatório emitido pelos auditores sobre os Relatórios de Sustentabilidade.

As grandes empresas têm apresentado Relatórios de Sustentabilidade. Os auditores emitem relatório sobre essas informações que, por sua natureza, combinam informações históricas e não históricas, além de informações advindas de áreas diversas, não necessariamente preparadas pela contabilidade. Dessa forma, surgem os questionamentos:

• A estrutura conceitual adotada por uma das maiores instituições financeiras do Brasil atende à necessidade de informações dos usuários previstos?

• Como estão estruturados os relatórios emitidos pelos auditores sobre as informações de natureza social e ambiental (Relatórios de Sustentabilidade)?

• O tipo de relatório emitido é a resposta ideal dos auditores para a necessidade de conferir maior credibilidade às informações divulgadas?

Tendo por objetivo esclarecer parcialmente essas questões, apresentar um caminho para sua solução ou até mesmo gerar novos questionamentos para pesquisas futuras e, também, considerando que o problema central desta pesquisa é a comparação das práticas de elaboração e auditoria de informações e relatórios de sustentabilidade no Brasil e na Europa, o

Relatório de Sustentabilidade do Banco Bradesco S/A foi selecionado para análise, em função da representatividade dessa instituição no cenário nacional.

Com propósito qualitativo e exploratório, o objetivo do trabalho é a análise e discussão do Relatório dos Auditores Independentes. Para análise do Relatório de Asseguração foi feita a leitura integral do citado documento (ver Anexo ). Após cada parágrafo do Relatório de Asseguração, quando aplicável, foram feitos comentários ou questionamentos advindos da análise do respectivo parágrafo.

3.2 Análise do Relatório de Asseguração Limitada dos Auditores Independentes

O Relatório dos Auditores Independentes emitido em conexão com os Relatórios de Sustentabilidade do Banco Bradesco (ver Anexo 4) é um Relatório de Asseguração Limitada.

Este fato, por si só, conduz aos seguintes questionamentos:

• Até que ponto os usuários de um Relatório de Sustentabilidade compreendem o que significa “Asseguração” e sua diferença em relação a trabalhos de “Auditoria” e “Revisão”?

• E a diferença entre um relatório de asseguração “limitada” e outro de asseguração “razoável”?

O Relatório do auditor menciona que é responsabilidade da administração do Banco o desenho, implementação e manutenção de controles internos para adequada elaboração e apresentação do Relatório de Sustentabilidade. Nesse sentido, questiona-se:

• O Relatório de Sustentabilidade deveria ser apresentado separadamente ou como parte do Relatório Anual?

• A elaboração do Relatório de Sustentabilidade é tarefa de contadores ou de outros profissionais?

• Em função, principalmente, da necessidade de avaliação de controles internos por parte do auditor, o Relatório de Sustentabilidade poderia ser “auditado” por outros auditores independentes (que não sejam os auditores responsáveis pela auditoria das demonstrações contábeis)?

Com relação à responsabilidade dos auditores, explicitada em outro parágrafo, pode-se indagar:

• O uso da expressão “Asseguração Limitada” transmite uma ideia aceitável sobre o nível de segurança proporcionado pelo trabalho?

• O trabalho poderia ou deveria ser um trabalho de “Asseguração Razoável”? Com relação a esta pergunta cumpre acrescentar que se as informações sobre sustentabilidade fossem apresentadas, por exemplo, em notas explicativas, o auditor teria que examinar as divulgações efetuadas e o nível de asseguração seria o mesmo do exame das demonstrações contábeis (asseguração razoável).

Os critérios adotados para elaboração do Relatório de Sustentabilidade incluem as diretrizes do GRI.

• O auditor independente, na condição de contador, necessitaria do apoio de um especialista para emitir seu Relatório?

Os procedimentos aplicados pelo auditor permitem uma conclusão na forma negativa, isto é, o auditor afirma não haver questão que tenha chegado a seu conhecimento e leve a acreditar que o Relatório de Sustentabilidade não esteja adequado segundo os critérios descritos, nos aspectos “relevantes”.

• Quais os aspectos que podem ser considerados “relevantes” tendo em vista que as informações do relatório são, muitas vezes, de natureza qualitativa? Dependem exclusivamente do julgamento do auditor?

Os procedimentos aplicados são considerados suficientes para permitir um nível de segurança limitada e não contemplam aqueles requeridos para emissão de um relatório de asseguração mais ampla.

• Quais seriam os procedimentos aplicáveis para se obter um nível de asseguração mais ampla?

3.3 Conclusão

A preocupação crescente com aspectos de sustentabilidade é visível, está sendo gradativamente incorporada à estratégia das empresas e é um dos pilares da governança corporativa. O papel do auditor nesse contexto é relevante para dar credibilidade a essas informações, muitas vezes ainda consideradas mero instrumento de marketing.

A elaboração e divulgação de Relatórios de Sustentabilidade pelas empresas ainda é um processo relativamente novo. O trabalho dos auditores independentes sobre esse tipo de informações não é obrigatório, aspecto que deverá ser revisto no futuro.

O formato atual do Relatório de Asseguração emitido em conexão com a divulgação das informações e relatórios de sustentabilidade é genérico, utilizando o mesmo formato de outros serviços de asseguração. Em função da importância do tema para a sociedade e do crescimento do nível de divulgações de caráter socioambiental, o relatório dos auditores independentes poderia seguir outro modelo, preparado especialmente para contemplar as especificidades desse tipo de trabalho.

Os diversos questionamentos levantados e outros que poderiam ainda ser feitos, demonstram que embora algum caminho tenha sido percorrido, há ainda muito campo para desenvolvimento das questões relativas à sustentabilidade empresarial e ao trabalho dos auditores independentes sobre essas questões.

4. PRÁTICAS DE ELABORAÇÃO E AUDITORIA DE RELATÓRIOS DE

Benzer Belgeler