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Penápolis localiza-se na região noroeste do estado de São Paulo, a 480 km da capital paulista. Sua origem se inscreve no contexto mais amplo de ocupação e colonização das terras brasileiras, especialmente das regiões oeste e norte do Brasil. Estas terras eram denominadas nos primeiros mapas cartográficos das Índias Ocidentais como “Terras Desconhecidas” ou “Sertões Desconhecidos”.

As primeiras expedições, já em 1518, ao adentrarem o Rio Tietê com o objetivo de fazer o reconhecimento desta região, localizaram na altura do médio Tietê o Salto do Goanhadava (Avanhandava), que lhes chamou a atenção pelas belas cachoeiras que possuía e pela força de suas correntezas. Porém, ocupada pelos índios Kaingangues e marcada pelo citado “acidente geográfico” do médio Tietê, a região era considerada perigosa. Isso provavelmente retardou sua ocupação.

De acordo com Barros44 (1992), identificam-se quatro etapas de povoamento desta região. A primeira etapa ocorreu a partir de 1767, quando o governador da Província de São

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Fausto Ribeiro de Barros foi professor de geografia na Escola Estadual “Dr. Carlos Sampaio Filho”, em Penápolis.

Paulo, com o objetivo de auxiliar as monções, mandou assentar à margem direita do salto do Avanhandava uma espécie de colônia agrícola.

A segunda etapa começou no segundo semestre de 1842 com a chegada de um grupo de pessoas provenientes de Minas Gerais por livre iniciativa para ocupar e tomar posse das terras devolutas dos Campos de Avanhandava para a criação de gado bovino e cultura de subsistência. Essas famílias conviveram tranqüilamente com os temíveis índios kaingangues, já que usavam somente as clareiras e descampados naturais para suas atividades, não adentrando as florestas – território indígena – nem as derrubando para o cultivo agrícola.

Em 1858, criou-se a Colônia Militar do Salto do Avanhandava, resultado de uma viagem de inspeção pelo Rio Tietê – de Itu até a foz do Rio Paraná – e da preocupação de D. Pedro II com a segurança e a defesa do território em caso de ataque inimigo.

A criação da colônia militar atraiu mais pessoas para a região. Em 1861, os antigos fazendeiros da região solicitaram ao presidente da Província a criação de um Distrito de Paz na vila do Carmo do Avanhandava. Em 1863, surgiu a idéia da criação de um povoado urbano. Foi esta a primeira tentativa de criação de um núcleo urbano nos sertões da zona noroeste de São Paulo.

Entretanto, o fluxo contínuo de pessoas para a região gerou conflitos entre grileiros, índios e posseiros. Esses conflitos resultaram no abandono das terras por parte dos fazendeiros em 1886, após um confronto com os índios Kaingangues.

A terceira etapa ocorreu em 1904, ao chegarem a essa região Fernando Ribeiro de Barros e João Antônio de Castilho, adquirindo extensos latifúndios nas terras abandonadas em 1861. Esse período ficou marcado por um grande projeto federal, que foi a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil com o objetivo de ligar o Estado de Mato Grosso a São Paulo, além de fazer parte do acordo com a Bolívia para garantir a este país uma saída para o mar.

Mais uma vez, a promessa de desenvolvimento da região atraiu para esses campos um grande número de pessoas. Entre elas encontra-se Manoel Bento da Cruz, advogado provisionado que, ao oferecer seus serviços para legalizar a posse das terras das antigas famílias, foi apropriando-se de uma vasta área de terras, como forma de pagamento dos honorários e ou através da compra das terras dos antigos posseiros.

Com estaca zero em Bauru, a ferrovia seguia em direção aos Campos do Avanhandava, e a pedido do advogado e grande proprietário de terras da região, Manoel Bento da Cruz, os engenheiros da ferrovia localizaram, em 1907, uma estação junto a sua

propriedade rural nos campos de Maria Chica, pois Manoel Bento da Cruz pretendia fundar uma cidade, neste local, o que valorizaria suas terras.

A quarta etapa começou em fevereiro de 1908, quando foi inaugurada a ferrovia Estrada de Ferro Noroeste do Brasil com a presença do Presidente da República Afonso Augusto Moreira Pena, que percorreu toda a sua extensão. Em 25 de outubro do mesmo ano foi fundada a cidade de Santa Cruz do Avanhandava com a celebração de uma missa solene, realizada pelo diretor da Ordem dos Capuchinhos, o padre Frei Bernardino de Lavale.

Em 17 de novembro de 1909, Santa Cruz do Avanhandava foi elevada a Distrito de Paz, com o nome de Penápolis, homenagem ao presidente Afonso Augusto Moreira Pena, que faleceu em junho de 1909.

O município de Penápolis foi criado em 22 de dezembro de 1913 e em 10 de outubro de 1917 a Comarca de Penápolis, que contava com as seguintes cidades: Araçatuba, Birigüi, Glicério, Braúna, Alto Alegre, Avanhandava, Luiziânia e Barbosa, sendo, então, uma das maiores comarcas da região.

Entretanto, já no ano de 1906, Bento da Cruz convidou os frades da Ordem dos Capuchinhos de São Francisco para fundarem a cidade beneficiado-os pela doação de 100 alqueires à Ordem, “sendo cinqüenta alqueires destinados para a fundação de uma povoação

nos campos de Maria Chica e nos outros cinqüenta alqueires a criação de uma escola primária gratuita de primeiras letras” (BRANDÃO, 1996, p.37). Tal cláusula, lavrada na

escritura de doação, demonstrava uma preocupação desde o início da criação da cidade com a alfabetização das crianças.

A primeira classe – com doze alunos (meninos) – formou-se semanas depois da solenidade da missa, quando os padres percorreram o povoado urbano e começaram a organizar uma escola, na casa de tábuas construída por Bento da Cruz para abrigar os frades, sendo frei Sigismundo de Canazzei o primeiro professor a ministrar as aulas. A classe para meninas formou-se em 1909 e a primeira professora leiga foi Ana Maria Feleciano Rosa.

Em 1912 começou a funcionar, em Penápolis, a primeira classe urbana num pequeno barracão de madeira, abaixo da ferrovia. Foi nomeada para ministrar aulas em dois períodos, um para meninas e outro para mocinhas, a professora Ismênia Aymbiré, diplomada em 1908 pela Escola Normal de Campinas.

Em 1913, Penápolis elevou-se à categoria de Município pela Lei Estadual n°. 1397. O primeiro prefeito da cidade foi Dr. James Mellor, em cuja administração regulamentou o Ensino Municipal, criando as escolas primárias: Masculinas (uma na sede do município; uma

na sede de Miguel Calmon; uma na povoação de Birigüi; uma em Araçatuba) e mistas (uma no bairro Lajeado - Penápolis; uma no bairro Bela Vista - Penápolis; uma em Glicério).

Cabia, ainda, ao prefeito a nomeação de professores para lecionarem nas escolas municipais. A legislação local definia o currículo para o ensino nas escolas municipais. Assim estavam instituídas as seguintes disciplinas:

Leitura, Escrita, Caligrafia, Aritmética, as operações, inclusive frações e problemas e Sistema Métrico Decimal, Desenho à mão livre, Educação Cívica, Noções de Geografia Geral, Cosmografia, Geografia do Estado de São Paulo, Noções de Física, de Química, de História natural e higiene, História do Brasil, leituras sobre a vida dos grandes homens, leitura de música e canto, exercícios ginásticos e militares, trabalhos manuais apropriados à idade e ao sexo. (BRANDÃO, 1996, p. 135).

Em 1919, o governo estadual agrupou num só prédio as classes urbanas da cidade criando as Escolas Reunidas de Penápolis que, pelo decreto de 7 de abril de 1920, passaram a chamar-se Grupo Escolar.

Sob a gestão de Manoel Bento da Cruz (1920-1921) iniciou-se a construção da rede estadual de ensino de Penápolis com a edificação do prédio para o primeiro Grupo Escolar de Penápolis (hoje E.E “Luiz Chrisóstomo de Oliveira”), com verba do governo estadual.

Sucessivamente criaram-se as seguintes escolas estaduais: Ginásio do Estado (1935) - hoje E.E “Dr. Carlos Sampaio Filho”; O Segundo Grupo Escolar (1945) - hoje E.E “Augusto Pereira de Moraes”; Escola Estadual Adelino Peters (1951); Escola Estadual Marcos Trench (1958) – hoje municipalizada; Escola Estadual “Profa. Yone Dias de Aguiar” (1965); Escola Estadual “Casa da Amizade” (1965) – hoje municipalizada; Escola Estadual “João Jorge Gerassait” – Colégio Agrícola – (1970)- hoje vinculado à Secretaria de Ciência e Tecnologia; Escola “Profa. Éster Eunice A. F. de Oliveira” (1979); Escola Estadual “Profa. Luiza B. Nory” (1989); Escola Estadual “Profa. Joana Helena de Castilho Marques” (2005).

Além da rede urbana foram criadas também as escolas rurais municipais, ficando a cargo dos frades franciscanos a criação da escola particular Colégio São Francisco de Assis em 1915, que contava com duas salas de aulas e um palco para representação de teatro. A escola foi ampliada posteriormente criando diversos cursos destacando-se a Escola Normal do Comércio, que tinha sua matriz no Rio de Janeiro.

Em 1925, foi inaugurado o Colégio Santa Clara com curso primário, internato e seminternato, atraindo jovens de diversos pontos da região. Em 1929 as irmãs franciscanas instalaram a Escola Normal livre para a formação de professores das escolas primárias,

fechada em 1930 pelo governo ditatorial de Getúlio Vargas. O Colégio Santa Clara passou a chama-se Educandário Coração de Maria e criou em 1944 a Escola Normal para formação de professores.

Em 1965 através da Lei Municipal nº. 490 instituiu-se a Fundação Educacional de Penápolis – FUNEPE – que, através da Portaria nº. 8/67, baixada pelo Conselho Estadual de Educação, instalou a Faculdade de Ciências e Letras de Penápolis com funcionamento dos cursos de licenciatura em Desenho, Matemática, Letras (Língua Vernácula) e Pedagogia no mesmo ano e, em 1968, Ciências. Segundo Brandão (1990), esses cursos atraíram centenas de jovens estudantes de diversas localidades tornando a cidade, no início da década de 70, referência educacional na região noroeste.

Além de marcada pela referencia educacional, de acordo com autora, Penápolis também ganhou destaque como pólo cultural da região, pois “sempre se revelou muito

sensível a qualquer iniciativa de cunho cultural” (BRANDÃO, 1990, p.200).

Penápolis possui quatro museus: 1- Museu Histórico e Pedagógico “Fernão Dias Paes”, que pertence ao Departamento de Museus e Arquivos da Secretária de Estado da Cultura (DEMA), criado em 19 de novembro de 1958 pelo Decreto nº. 33.980; 2- Museu do Folclore, criado em 1974; 3- Museu do Sol ou Museu de Arte Primitiva e Ingênua, único gênero na América Latina e o segundo no mundo e 4- Museu de São Francisco de Assis, criado em 1982 para homenagear o padroeiro da cidade. Foi criada, em 1979, a Fundação de Arte de Penápolis (FUNARPE) com o objetivo de interiorizar a cultura e promover o intercâmbio artístico na região.

Ainda no campo cultural, Penápolis conta com o Teatro Municipal “Maria Tereza Alves Viana” criado em 1970 para abrigar o Grupo TAE (Teatro Amador dos Estudantes). Esse grupo foi formado, em 1964, pelos alunos do curso de Letras, incentivados pela professora de Letras Clássicas Maria Tereza Viana a montar a peça “O auto da Compadecida”, de Ariano Suassuma.

Outro aspecto que sempre caracterizou Penápolis foi a política, “esta sempre quente,

influente e que muitas vezes tem atrasado o crescimento da cidade. Porém, por outro lado tem trazido boas conquistas para Penápolis” (BRANDÃO, 1990, p. 197).

Em decorrência do Decreto nº. 7.510, de 29 de janeiro de 1976, que, conforme visto na seção anterior, reorganizou a SEE, Penápolis abrigou a instalação da Delegacia de Ensino de Penápolis (DE de Penápolis) que abrangia, além do próprio município, mais oito municípios da região: Alto Alegre, Avanhandava, Barbosa, Braúna, Clementina, Luiziânia, Glicério e Santópolis do Aguapeí.

A Delegacia de Ensino de Penápolis funcionou até o ano de 1999, quando a Secretaria de Estado da Educação, dando continuidade ao Programa de Reformas Educacionais, iniciado no primeiro mandato do governador Mário Covas, anunciou o fechamento de várias Delegacias de Ensino como parte da segunda etapa da reestruturação administrativa de SEE. Entre elas encontrava-se a Delegacia de Ensino de Penápolis.

Tal medida surpreendeu os munícipes de Penápolis e região, que procuraram reverter a situação com ampla mobilização local através de

[...] passeatas de protesto pelas ruas da cidade, abaixo-assinados e envio de faixas ao Palácio dos Bandeirantes, para sensibilizar o Governador do Estado [...], pois a população entendia que este era um desfecho injusto para uma repartição educacional prestadora de serviços à comunidade. (ROSSI, 2000, p. 116).

Acompanharemos, agora, a luta dos penapolenses pelo retorno do funcionamento da DE em Penápolis, o que somente ocorreu em 2006.

3.2 Fechamento da DE Penápolis: uma leitura do decreto nº. 43.948/99 na perspectiva da