SAĞLIK HİZMETLERİNİN PAZARLANMASI VE HASTA TATMİNİ 2.1 Hastane Yönetiminde Pazarlamanın Önem
4. Proje Geliştirme
2.2. Çağdaş Pazarlama Anlayışının Hastane Yönetimine Uygulanması
2.2.1. Hastaneler İçin Pazarlama Stratejiler
2.2.1.1. Dışsal Pazarlama
ou espírito mudos) mostra a recusa do dualismo ou binarismo como incessante dominação do invisível inaudível em relação à subordinação do visível audível.
O nono aparecimento da relação entre invisível e inaudível está presente no quinto parágrafo do primeiro capítulo, “Arqueologia e história das ideias”, da quarta parte, “A descrição arqueológica”, de A arqueologia do saber. Seu contexto é a crítica da história das ideias como análise histórica que privilegia os temas da gênese, da continuidade e da totalização (ver AS, p. 158-9).
A história das ideias é caracterizada da seguinte forma: “Gênese, continuidade, totalização: eis os grandes temas da história das ideias, através dos quais ela se liga a uma certa forma, hoje [1969] tradicional, de análise histórica.” (AS, p. 158) Esta análise histórica mostra a dominação do invisível (cegueira) inaudível (surdez) em relação à subordinação do visível (aparência):
Ela [história das ideias] é a análise dos nascimentos surdos [gênese], das correspondências longínquas, das permanências que se obstinam sob mudanças aparentes, das lentas formações que se beneficiam de um sem- número de cumplicidades cegas [continuidade], dessas figuras globais que se ligam pouco a pouco e, de repente, se condensam na agudeza da obra [totalização]. (AS, p. 158, grifo nosso)
O décimo aparecimento da relação entre invisível e inaudível está localizado no vigésimo parágrafo da “Conclusão” de A arqueologia do saber. Seu contexto é a análise da função crítica do livro (ver AS, p. 238-9)79.
A “ingratidão” das pesquisas anteriores de Foucault, notadamente História da
loucura, Nascimento da clínica e As palavras e as coisas, faz com que A arqueologia do saber seja um livro de “afastamento de dificuldades preliminares”80: “Sei o que pode haver de árido no fato de tratar os discursos não a partir da doce, muda e íntima consciência que aí se exprime, mas de um obscuro conjunto de regras anônimas.” (AS, p. 238, grifo nosso) Há uma crítica ao visível audível (os discursos) subordinado devido à dominação do invisível inaudível (muda e íntima consciência)81.
Relação entre invisível e audível
79 Ver infra comparativamente o décimo-sétimo aparecimento da relação entre visível e audível.
80 Este “afastamento de dificuldades preliminares” tem caráter metodológico e é um componente da estratégia de
guerra de A arqueologia do saber próximo da “marcação da singularidade pela exterioridade das vizinhanças”. Neste sentido, ver, comparativamente, o vigésimo-terceiro parágrafo da “Introdução” e este vigésimo parágrafo da “Conclusão”: AS, p. 19-20, p. 238-9, respectivamente.
Os dois aparecimentos da relação entre invisível e audível que destacaremos mostram um contato como conflito em relação ao visível inaudível: há uma dominação da aliança entre invisível e audível em relação à subordinação da união entre visível e inaudível como constante remissão do segundo ao primeiro82.
O primeiro aparecimento da relação entre invisível e audível está localizado no sexto e no sétimo parágrafos da “Introdução” de A arqueologia do saber. Seu contexto é a descrição crítica do documento em sua forma tradicional e da história como memória (ver AS, p. 7-8).
O documento, como rastro decifrável, remete o visível inaudível ao invisível audível:
(...) claro que, desde que existe uma disciplina como a História, temo-nos servido de documentos, interrogamo-los, interrogamo-nos a seu respeito; indagamos-lhes não apenas o que eles queriam dizer, mas se eles diziam a verdade, e com que direito podiam pretendê-lo, se eram sinceros ou falsificadores, bem informados ou ignorantes, autênticos ou alterados. Mas cada uma dessas questões e toda essa grande inquietude crítica apontavam para um mesmo fim: reconstituir, a partir do que dizem estes documentos – às vezes com meias-palavras -, o passado de onde emanam e que se dilui, agora, bem distante deles; o documento sempre era tratado como a linguagem de uma voz agora reduzida ao silêncio: seu rastro frágil mas, por sorte, decifrável. (AS, p. 7, grifo nosso)
A história como memória é a lembrança desta audição originária: “... a de uma memória milenar e coletiva que se servia de documentos materiais para reencontrar o frescor de suas lembranças...” (AS, p. 7-8) Ou ainda: “... a história, em sua forma tradicional, se dispunha a ‘memorizar’ os monumentos do passado, transformá-los em documentos e fazer falarem estes rastros que, por si mesmos, raramente são verbais, ou que dizem em silêncio coisa diversa do que dizem...” (AS, p. 8)83 A visão (do documento) é comandada pela busca da audição (como origem): o documento seria a tradução incerta de sua origem perdida, mas recuperável pela volta à fala esquecida. O visível inaudível (documento silencioso) deve remeter ao invisível audível (memória de uma voz).
O segundo aparecimento da relação entre invisível e audível está situado no sexto parágrafo do primeiro capítulo, “As unidades do discurso”, da segunda parte, “As regularidades discursivas”, de A arqueologia do saber. Seu contexto é a crítica ao uso dos temas do já-dito jamais-dito e da origem secreta como busca da continuidade para a análise do discurso (ver AS, p. 27-8).
O invisível aparece como a origem secreta: “... além de qualquer começo aparente, há sempre uma origem secreta – tão secreta e tão originária que dela jamais poderemos nos reapoderar inteiramente.” (AS, p. 28, grifo nosso) O audível surge como sopro:
82 Ver também infra o décimo-quinto e o décimo-sétimo aparecimento da relação entre visível e audível.
83 Sobre a diferença entre monumento e documento, ver especialmente o sétimo parágrafo da “Introdução”: AS,
A esse tema [da origem secreta] se liga um outro, segundo o qual todo discurso manifesto repousaria secretamente sobre um já-dito; e que este já- dito não seria simplesmente uma frase já pronunciada, um texto já escrito, mas um “jamais-dito”, um discurso sem corpo, uma voz tão silenciosa quanto um sopro, uma escrita que não é senão o vazio de seu próprio rastro. (AS, p. 28, grifo nosso)
A aliança de invisível e audível é a escuta do não-dito:
O primeiro motivo [origem secreta] condena a análise histórica do discurso a ser busca e repetição de uma origem que escapa a toda determinação histórica; o outro [já-dito jamais-dito] a destina a ser interpretação ou escuta de um já-dito que seria, ao mesmo tempo, um não-dito. (AS, p. 28, grifo nosso)
E a tarefa do invisível audível é a busca da continuidade do discurso: “É preciso renunciar a todos esses temas que têm por função garantir a infinita continuidade do discurso e sua secreta presença no jogo de uma ausência sempre reconduzida.” (AS, p. 28, grifo nosso) Existe a dominação do invisível audível (ausência como escuta do secreto) em relação à subordinação do visível inaudível (presença do discurso manifesto como escrita aparente).