B. ÇİN PAZAR BİLGİLERİ
1. Dış Ticaret Politikası ve Uygulamaları
A Rádio Comunitária Heliópolis FM, foi criada pela UNAS em 08 de maio de 1992, com o objetivo de transmitir para os moradores as convocações das reuniões que a UNAS organizava. Até este momento era preciso bater de porta em porta para convidar os moradores para participar das reuniões para discussão de mutirões, para o programa de distribuição de leite e cestas básicas, e outros problemas da comunidade.
Foi o vice-presidente da UNAS na época, Delmiro Monteiro Farias, que decidiu instalar 13 alto-falantes nas ruas da favela incentivados por padres e freiras da Pastoral da Moradia. Sendo batizada de Rádio Popular de Heliópolis, a emissora ficou conhecida, na época, como “rádio corneta”. (AFONSO, 2007). Na época, era comandada por uma equipe de voluntários, tendo três horas diárias de programação, das 9h às 12h, a qual veiculava informes, músicas, e em casos esporádicos transmitia fora de seu horário normal, notícias urgentes, como por exemplo, o desaparecimento de pessoas.
A criação da rádio é bem ilustrada pelo radialista Carlos, conforme abaixo: [...] Era tudo mato ali, era cheio de campo de futebol, não tinha casa aqui, não tinha nada, e na época eu fui um dos primeiros ali, então eu acompanhei todo trabalho da rádio, quando fez o prédio da UNAS, era um barracão. E a rádio surgiu porque o pessoal precisava fazer reunião, e o seu Delmiro que inventou como fazer essa rádio. Só que no começo foi duro, a gente não sabia se ia ficar aqui, teve uma revolução que queriam tirar agente porque era terreno invadido, que não tinha dono. Mas era um terreno que ficou muito abandonado, ninguém sabia quem era o dono, ai apareceu uns caras falando que era dono, mas não era, era tudo aproveitador que queria pegar o dinheiro do povo. Diziam que pra fazer um barraco aqui tinha que pagar pra eles, que eram eles que tomavam conta. Ai o pessoal ficava com medo e pagava. Ai foi quando surgiu a associação da UNAS pra organizar o pessoal. E logo o Governo Federal descobriu quem era o dono, e não tinha pago nenhum
imposto, então o governo comprou essa área e logo agente começou a construir e surgiu mais pessoas.
[...] e todo mês tinha reunião pra gente ver como ia ficar a área aqui. Foi ai quando surgiu essas cornetas que foram distribuídas colocando nos postes, puxando fios, com o Studio lá, e chamando: Atenção moradores, nós fomos falar com o Governo Federal e com a Prefeitura e precisamos ver como vai ficar a situação dos moradores, então vamos ter reunião tal dia, e precisam comparecer todo mundo. Ai virou a Rádio Corneta. Quem falava era o seu Delmiro, o fundador.
Em 1995, um grupo de ativistas alemães formado por jornalistas, sindicalistas e religiosos visitou a comunidade para conhecer as obras da Pastoral da Moradia, conhecendo também o projeto da rádio corneta. E decidiu viabilizar a instalação de uma emissora de baixa potência para atingir todas as casas de Heliópolis, enviando dois anos depois uma quantia financeira para implantação da emissora da UNAS. (DETONI, 2004b, p. 80). Tornando-se em 27 de agosto de 1997 uma emissora Frequência Modulada (FM) 102,3 MHz, na qual adquiriu e instalou um transmissor de 25 Watts e uma antena de 30 metros, que permitiu alcançar assim quase todo bairro de Heliópolis, além de parte de alguns bairros em torno da Vila Carioca, São João Clímaco, Vila das Mercês, Sacomã, Ipiranga, Vila Bela, Vila Alpina, e também parte de São Caetano do Sul, município da grande São Paulo. A emissora foi instalada na sala do subsolo da sede central da UNAS, na época localizada na rua da Mina, nº 38. E a partir deste apoio financeiro incidiu a reivindicação pela autorização de funcionamento ao Ministério das Comunicações.
Em 1999, devido a interferência do sistema nas emissoras comerciais próximas e por força da lei a frequência passa a ser FM 98,3 MHz, e em 2002, pelo mesmo motivo, obrigam uma nova mudança de frequência para FM 97,9 MHz.
A emissora recebeu o prêmio "Ação Social pela Promoção da Cidadania" da Associação Paulista dos Críticos de Arte de São Paulo (APCA), em 2003. Consistindo em um reconhecimento à luta pelo direito à comunicação promovida pela RCH.
Porém, no ano seguinte, em 2004 a Agencia Nacional de Telecomunicações (ANATEL) decreta o fechamento da emissora por transmitir o sinal sem autorização, gerando grande mobilização da comunidade local. Tal mobilização ocasionou no comprometimento do Governo Federal em dar encaminhamento na mudança de "Rádio Comunitária" para "Rádio Educativa".
Em 20 de julho de 2006, a emissora foi fechada novamente. E desta vez além de levar os equipamentos da rádio (transmissor, CPU, microfones, e aparelhos de CD) prenderam João Miranda responsável pela rádio, e Gerô Barbosa diretor geral da rádio
na época. Naquele momento a noticia se espalhou pela comunidade e pela cidade de São Paulo através da grande imprensa. Iniciou-se ali uma grande corrente de manifestação de apoio, ligaram para o gabinete do Suplicy e do Marcadante, o representante do Oboré (Projetos Especiais em Comunicações e Artes), entre outros, repercutindo e fazendo com que vários simpatizantes da emissora enviassem milhares de e-mails e ligações manifestando-se. Logo comunicaram-se com a advogada Ana Cláudia, que esteve em mesas de debates juntamente com a RCH pedindo a legalização das rádios comunitárias para pedir apoio. E no dia seguinte, ligou para a UNAS o Gilberto de Carvalho, assessor direto do Presidente Lula, e o Dr. Lapi Morota, superintendente Nacional da ANATEL, informando que encontraram uma solução para a emissora voltar ao ar, explicando que era necessário que uma Universidade seja responsável pela emissora, que houvesse uma avaliação da função comunitária, um estudo de frequência para avaliar se havia interferência, entre outras exigências. (Revista Q Fita é Essa?, 2014). E assim, em 27 de outubro de 2006, foi publicada a permissão provisória de funcionamento no Diário Oficial. Fato que motivou a mudança de endereço do estúdio da emissora, transferindo- se para sede própria na Rua Paraíba, nº 76. Endereço que permanece até hoje.
No ano seguinte, em 11 de agosto de 2007, mediante uma parceria com a Universidade Metodista, a rádio voltou a funcionar. Neste mesmo ano o Ministério das Comunicações abriu um edital de pedidos de licitações para funcionamento, no qual 288 rádios, entre elas a Rádio Popular Heliópolis, enviam pedido de licença definitiva para funcionarem como rádios comunitárias. E somente em 13 de março de 2008 recebe autorização oficial e definitiva para funcionamento, chamando-se oficialmente de Rádio Comunitária Heliópolis, e sendo a primeira Radio Comunitária a receber autorização da ANATEL.
O momento do recebimento é descrito com muitos detalhes por João em entrevista, pois qualifica-o como um reconhecimento pelo seu trabalho realizado na emissora ate o momento, como demonstra em sua fala:
A outorga da rádio, o documento que a gente tanto batalhou, tanto lutou, tanto sofreu para ter... O Lula começou a falar que estava aqui por causa da rádio, por causa do trabalho da UNAS que desenvolve aqui em Heliópolis. Ele falou assim: em relação a rádio eu queria falar um coisa pra equipe da rádio, pra vocês que fazem a rádio... Na época não sei se era o Serra, não sei se era o Geraldo Alkmim, o Governador do Estado, ou o prefeito, mas ele falou assim: falem mal de todos que estão comigo aqui, mas falem bem de vocês. No papel de vocês, podem falar mal de mim, pode falar... mas falem bem de vocês. Porque hoje a rádio está sendo legalizada pelo trabalho que ela
desenvolve, não pode mudar esse trabalho, vocês são exemplos, e vocês abriram portas pra outras rádios.
E... e isso me marcou muito né, porque foi a nossa vitória, o presidente da república falando do nosso trabalho, reconhecendo, referendando o que a gente faz aqui na comunidade.
No ano que se seguiu, em 15 de junho de 2009, mais uma vez por determinação da ANATEL e do Ministério das Comunicações, determinou-se que a RCH transmitisse em uma nova frequência, na FM 87,5 MHz.
Em 2011 a emissora foi contemplada com o 2º Prêmio Asas no valor de R$150.000,00, segundo participação do edital do Ministério da Cultura nº01/2010. Valor que foi utilizado para compra e instalação de equipamentos modernos para reestruturação da rádio.
A RCH esta instalada numa casa antiga com dois pisos, desde 2006. No primeiro andar há um estúdio para transmissão da programação, uma sala e recepção com sofás e uma estante com dois alto-falantes utilizados na antiga Rádio Corneta, uma pequena copa, um banheiro, e uma sala para armazenar equipamentos antigos, e equipamentos que podem ser utilizados em grandes eventos e outros para transmissão portátil. No segundo andar há um estúdio para a produção e gravação de vinhetas (spots), chamadas, jingles, etc.
A Rádio Heliópolis recebe com bastante frequência, visitantes de todos os lugares de São Paulo e até de outros países, assim como estudantes principalmente da área de comunicação.