BÖLÜM 2: ÇOKLU ZEKÂ KURAMI İLE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.1. Yurt Dışında Yapılan Araştırmalar
Os objetos da fiscalização, o fluxo de informações e a fiscalização in loco são direcionadores e norteiam as ações tomadas pela Aneel que os utiliza para exercer o controle da atividade regulada, com vistas à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro da concessão. Nesse sentido, podemos visualizar em alguns casos tal atuação.
41 Importante debate sobre as estratégias usadas pelas distribuidoras nas mudanças de controle acionário pode ser visto em Costa (2006).
3.2.1.1 Caso da Companhia Energética de Roraima – CER
O caso da companhia energética de Roraima-CER ocorreu em 2005, quando a Aneel decidiu sugerir ao Ministério de Minas e Energia que viabilizasse a federalização da empresa, tornando a concessão extinta, visando garantir a prestação do serviço à população.
Segundo o relatório de voto do processo 48.500000888/00-12, de 22 de dezembro de 2005, a Aneel argumentou que a empresa descumpriu determinações de fiscalizações realizadas entre 1998 e 2001 em prejuízo do serviço público de distribuição de energia elétrica. Entre os problemas apontados pela Aneel estavam o desequilíbrio patrimonial, capital de giro insuficiente, perdas elevadas, inadimplência alta principalmente por parte do poder público, alto nível de endividamento de curto prazo, desempenho operacional afetado pelos prejuízos contínuos e crescentes, entre outros.
Com base no monitoramento da gestão econômico-financeira e nos resultados de 2003, foram extraídos indicadores que não asseguravam a continuidade das operações e, ao contrário, indicavam que a empresa caminhava para situação falimentar (Processo 48.500888/00-12).
Esse ato demonstrou a credibilidade por parte da Agência nos demonstrativos financeiros para a análise de viabilidade econômico-financeira, que apontaram no sentido da situação degradante da distribuidora, servindo de suporte para a tomada de decisão.
3.2.1.2 Caso da Companhia Energética do Maranhão – CEMAR
Outro exemplo da utilização das demonstrações financeiras para a adoção de providências pelo órgão regulador ocorreu na apuração da situação econômico-financeira da Companhia Energética do Maranhão – Cemar, que embasou uma intervenção na administração da distribuidora em 2002.
Segundo a Resolução Aneel 408/2003, que publicou a intervenção, os motivos que levaram a tal ato foram os dados que constaram dos relatórios de fiscalização executados pela Aneel, aliados à análise das demonstrações financeiras desde a privatização do controle acionário da empresa.
A Agência nomeou um interventor que ficou na administração da empresa até 2004, quando, então, encerrou a intervenção considerando que as motivações determinantes não subsistiam mais, tendo em vista as ações adotadas ao longo do período de intervenção que
asseguravam o cumprimento das obrigações legais e contratuais vinculadas ao contrato de concessão.
3.2.1.3 Caso da Empresa Energética do Mato Grosso do Sul – ENERSUL
Recentemente, em abril de 2008, na revisão tarifária da Empresa Energética do Mato Grosso do Sul – Enersul, foi detectado que a empresa deveria devolver aos consumidores, no período de 12 meses, um passivo financeiro calculado erroneamente na revisão de 2003, estimado em R$ 183 milhões.
Segundo publicado pela Nota Técnica n.º 340/2007-SRE/ANEEL, a Aneel, baseou-se na análise dos demonstrativos financeiros da empresa e verificou que ela não tinha capacidade financeira para fazer frente ao tratamento desse passivo no curto prazo. Além disso, constatou que a redução de receita provocada pelo aprovisionamento integral desse passivo levaria a empresa ao descumprimento de cláusulas de cobertura de endividamento (covenants) que possibilitaria aos credores requererem o vencimento antecipado de debêntures no valor total de R$ 388 milhões. Isso traria um “desequilíbrio financeiro” para a distribuidora.
Diante dessa análise, foi autorizado que o passivo financeiro fosse diluído com correção para os próximos 5 anos, baseado no princípio de que a Agência deve zelar pelo equilíbrio econômico-financeiro da concessão (Processo de Revisão Tarifária da Enersul 48500.004310/2006-30, Voto do Diretor).
3.2.1.4 Caso da Centrais Elétricas de Santa Catarina - CELESC
Em 2007, a Aneel/SFF aplicou multa para a Centrais Elétricas de Santa Catarina – CELESC de 0,006% da receita de faturamento através do Auto de Infração n. 044/2007 em função da distribuidora não ter prestado informações e esclarecimentos solicitados pela equipe de fiscalização, o que caracterizou o descumprimento da subcláusula 2ª da Cláusula 8ª do Contrato de Concessão nº 056/9942.
No relatório de voto do Processo 48500.001408/2007-15, a distribuidora pleiteou a desconstituição da penalidade, sustentando ter prestado as informações dentro do prazo
42 Contrato de Concessão no 56/1999 – CELESC: Segunda Subcláusula da Cláusula Oitava: Subcláusula Segunda - Os servidores da ANEEL ou seus prepostos, especialmente designados, terão livre acesso, em qualquer época,
a pessoas, obras, instalações e equipamentos vinculados ao serviço público de distribuição de energia elétrica, inclusive seus registros contábeis, podendo requisitar, de qualquer setor ou pessoa da DISTRIBUIDORA, informações e esclarecimentos que permitam aferir a correta execução deste Contrato, bem como os dados considerados necessários para o controle estatístico e planejamento do sistema elétrico nacional.
estipulado pela SFF/ANEEL. Por meio do Despacho nº 2.950/2007 a Aneel rejeitou as justificativas apresentadas pela distribuidora e manteve a penalidade. Posteriormente, por meio do Despacho nº 3.433/2008, a penalidade foi reduzida para multa de 0,005% da receita de faturamento da CELESC.
De modo geral, observa-se a utilização das demonstrações financeiras pelo regulador como instrumento de evidenciação do desempenho econômico-financeiro das distribuidoras e, por conseguinte, do equilíbrio econômico-financeiro previsto no contrato de concessão.
Nota-se também a importância da contabilidade regulatória para os atos do regulador, dando segurança e confiabilidade ao processo de tomada de decisão. Nesse sentido, a atuação do regulador é direcionada para proteger a saúde financeira do negócio e induzir comportamentos que otimizem a eficiência na atividade concedida.
Tanto as transações com partes relacionadas como as operações com bens em garantia, ao serem objetos de aprovação da Aneel, nada mais são que instrumentos de controle utilizados para resguardar a concessão de estratégias direcionadas ao lucro imediato.
A sinalização emitida pela Aneel ao monitorar os atos dos administradores e acionistas, ao aprovar balanços e demonstrativos financeiros e, principalmente, ao punir via Auto de Infração é de que o interesse público está sendo preservado tanto no que se refere ao patrimônio como à prestação do serviço com qualidade, fiscalizando se o gestor da concessão adota comportamentos compatíveis com a geração de valor do negócio e não cria desvios que possam favorecer outras partes interessadas.
Nesse contexto, a contabilidade, com destaque para a área regulatória, apresenta-se como ferramenta essencial para que se obtenha êxito no objetivo buscado.