2. DÜYÛN-I UMÛMİYE İDARESİ’ NİN KURULMASI VE TUZ TEKELİNİN
2.2. RÜSUM-I SITTE İDARESI’NIN KURULMASI (13 OCAK 1880)
2.3.1. Düyûn-ı Umûmiye İdaresi’nin İşleyişi
Alexiadou, Anagnostopolou e Schaefer, doravante AAS, apresentam uma abordagem parecida com a que encerramos a seção passada. Para os autores, as sentenças causativas e anticausativas são derivações independentes e, comparando sentenças anticausativas com passivas, os autores pretendem mostrar a plausibilidade dessa ideia. Consideremos, primeiramente, o trabalho de 2006 dos autores.
Um dos primeiros argumentos dos autores é o de que há tanto línguas em que anticausativas são marcadas, quanto línguas em que causativas são marcadas. Nos exemplos em (29) e (30), da língua Warlpiri, vimos que, na mesma língua, os dois tipos de sentenças podem ser marcados. Então, se assumirmos que a construção desses eventos é uniforme nas línguas que os apresentam, como os autores que tratam desse fenômeno geralmente assumem, não há evidência translinguística para a dependência da sentença causativa em relação à anticausativa, ou vice-versa.
Ademais, as duas visões devem enfrentar o problema de que há sentenças causativas sem uma contraparte anticausativa em várias línguas e sentenças anticausativas sem contraparte causativa.
Outro problema apontado é o de restrições selecionais. Alguns verbos, em algumas línguas, só alternam com determinada classe de objetos. Observe os exemplos abaixo, de AAS (2006):
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(35) He broke his promise / the contract / the world record. Ele quebrou sua promessa/o contrato/ o recorde mundial. ‘Ele quebrou a sua promessa/ o contrato/ o recorde mundial.’ (36) *His promise / the contract / the world record broke.11 *Sua promessa/*seu contrato/ *o recorde mundial quebrou. (37) He broke the vase.
Ele quebrou o vaso. ‘Ele quebrou o vaso.’ (38) The vase broke. O vaso quebrou.
‘O vaso quebrou.’ (AAS, 2006:180)
Em seguida, para trazer mais evidências contra as abordagens lexicalistas,12 em especial,
para a de detransitivização, os autores discutem a distribuição de PPs. Como se sabe a partir da discussão presente na literatura, anticausativas aceitam PPs que expressam Causa ou Instrumento13, enquanto as sentenças passivas aceitam PPs com qualquer papel temático. Um
argumento interessante trazido pelos autores é o de que, se sentenças anticausativas são fruto de detransitivização, os PPs deveriam corresponder aos argumentos externos das sentenças causativas que foram detransitivizadas. Explicando de outra forma: se o fato de detransitivizar uma sentença deixa disponível um operador, que remete ao argumento externo suprimido, esse operador deveria poder ser recuperado por PPs com qualquer tipo de papel temático, não só com Causas. Assim, se assumimos que (40) vem de (39), o PP from Mary na primeira sentença deveria ser possível, mas não é.
(39) Mary opened the door. Maria abriu a porta. ‘Maria abriu a porta.’
(40) *The door opened from Mary.
*A porta abriu de Maria (AAS, 2006:182)
11 Na sentença (36) acima, o asterisco está só no primeiro DP no texto original dos autores, mas os três DPs seriam agramaticais nessa estrutura.
12AAS (2006) se referem a abordagens lexicalistas como ‘derivacionais’ porque uma sentença é derivada da outra. 13 Translinguisticamente, observa-se que adjuntos causais são sempre aceitos em sentenças anticausativas. A aceitação de adjuntos instrumentais varia de língua para língua.
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A agramaticalidade de (40) sugere que a sentença anticausativa tem uma estrutura própria, independente da sentença causativa. Ligada a essa sugestão, está a possibilidade de alternância para verbos que só possuem argumentos externos Agentes, quando em sentenças transitivas, como ocorre com os dados do grego em (41) (compare esses dados com (35) e (36), do inglês):
(41) a. O athlitis espase to simvolaio / to pagkosmio record the athlete broke the contract / the world record ‘O atleta quebrou o contrato/ o recorde mundial.’ b. To simvolaio / to pagkosmio record espase
the contract / the world record broke-Act
‘O contrato/* O recorde mundial quebrou’ (AAS, 2006:188)
Para Levin & Rapapport (1995) e Reinhart (2003), essas sentenças não deveriam alternar porque o papel temático do argumento externo não pode ser variável. O fato de alternarem em grego reforça que a alternância não deve estar ligada estritamente ao argumento externo, desfavorecendo a proposta de detransitivização das duas autoras supracitadas.
A distribuição de PPs em anticausativas e passivas no grego e no alemão também é investigada e os autores chegam ao seguinte quadro final: anticausativas licenciam PPs que são Causas, em todas as línguas estudadas, ou Instrumentos, em algumas, enquanto passivas licenciam PPs com variados papéis temáticos, inclusive o de Agente. Isso leva a três conclusões: a) há uma camada causal nas anticausativas; b) a diferença entre passivas e anticausativas não está relacionada à presença do argumento externo nas passivas e sua falta nas anticausativas; c) a real diferença entre anticausativas e passivas se dá em virtude da presença de traços agentivos somente no último tipo de evento.
Após levantarem essa série de problemas para as abordagens de detransitivização e de transitivização, os autores apresentam sua própria proposta. A estrutura dos verbos de mudança de estado seria como a seguir: [Voice [CAUS/v [Root ]]], em que CAUS é um tipo de vezinho. O núcleo de Voice introduz argumentos externos e está ligado a duas noções temáticas: Agente e Causa. Os autores entendem como Causa o DP que nomeia um evento causador14 e, como Agente, a propriedade de um DP que inicia o evento. O núcleo Voice pode estar ativo e, assim,
14 Para mais detalhes da proposta de que Causa não é um papel temático que possa ser igualado à Agente, consultar Pylkkänen (2002).
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o papel temático relevante será realizado em seu especificador; se é passivo, o papel temático relevante será implícito. As estruturas para as anticausativas possíveis nas línguas naturais são as que se encontram abaixo15:
(42) vP 3 DP v’ 3 v √ (ALEXIADOU, 2006:16) (43) VoiceP 3 -ext.arg. Voice’ 3 Voice vP -AG 3 DP v’ 3 v √ (ALEXIADOU, 2006:16)
A estrutura anticausativa em (42) é para verbos anticausativos sem morfologia (os do inglês, por exemplo) e a estrutura em (43), para verbos anticausativos com morfologia. A morfologia é concatenada no especificador de VoiceP e os traços –AG e –ext.arg. representam, respectivamente, que esse tipo de Voice não é temático e o que é concatenado no especificador de VoiceP não é um argumento externo. No trabalho de Schäfer (2008), fica claro que o fato de essa morfologia não ser argumento externo não significa que, em anticausativas, VoiceP seja outra categoria, mas que a morfologia concatenada no especificador dessa projeção funcional não tem referência, por isso não pode ser interpretada com um papel temático.
Finalmente, a última implementação desse trabalho é uma tipologia de raízes de verbos de mudança de estado. Todos esses tipos se combinam com vezinho, mas a ideia é que suas diferenças vão influenciar as combinações com Voice. São quatro os tipos discriminados abaixo:
15 Embora eu esteja apresentando a abordagem de AAS, as estruturas apresentadas não estão em um artigo, mas em um hand-out de um curso dado por Artemis Alexiadou no Ealing 2006:
http://www.diffusion.ens.fr/bonus/2006_09_22_alexiadou.pdf. Apresentamos as estruturas aqui porque elas são representações fidedignas da proposta e para facilitar o entendimento.
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(44) √ agentiva (murder, assassinate) – não alternam geralmente, portanto só aparecem em contextos em que Voice [+AG], ou seja, só aparecem em sentenças transitivas. (45) √ causada internamente (blossom, wilt) – não alternam; só podem expressar
causação indireta, então não terão combinação de v+Voice para formar causativas. (46) √ causada externamente (destroy, kill) – alternam em algumas línguas, então,
parametricamente, podem entrar em uma configuração com Voice [-AG] ou com vezinho, se não houver morfologia envolvida.
(47) √ causa não especificada (quebrar, abrir) – alternam em todas as línguas, então entram em uma configuração estrutural em que haja Voice [-AG] ou vezinho, a depender da língua.