3 DÜŞEYDE DÜZENSİZLİK TANIMLARININ DBYBHY-2007 VE DİĞER
3.3 EC-8’de Düşeyde Düzensizlik Durumları
Em que pese a contribuição de Tomás ao pensamento filosófico, o autor não pode ser considerado isoladamente. Os períodos que o precederam, bem como o contexto onde viveu foram importantes pontos de apoio, o húmus cultural onde pode nascer e vicejar o seu pensamento.
Segundo Jeauneau (1986, p. 23), o monge filosofa sozinho no silêncio de sua cela ou claustro na forma de “monólogo” ou “solilóquio”, enquanto que o mestre das escolas urbanas e, sobretudo, o das universidades tem diante de si alunos turbulentos e questionadores. Em base a isso, pode-se dizer que Tomás, tanto podia refletir em sua cela, como nutrir o seu pensamento como professor em contato com seus alunos nas discussões calorosas, o que lhe possibilitou desenvolver com propriedade os mais variados temas. O De magistro é um
exemplo disso, sendo um relatório muito bem ordenado de uma dessas discussões (MAYER- FITZPATRICK, 1935, p. 32). Porém, não só. Segundo Gilson (1995, p. 493), com exceção da
Summa contra Gentiles, não existe uma só das grandes obras de Tomás, que não provenha
diretamente de seu ensino ou que tenha sido expressamente pensada para o ensino.
Contenha ou não exageros essa afirmação, o fato é que o ambiente acadêmico encerra um forte estímulo à reflexão, já que o mestre aí se encontra diante de tantas questões que lhe são colocadas e que lhe exigem tomadas de posição. Mas não só. Fora isso, Tomás refletia bastante a ponto de se encontrar absorto em suas idéias mesmo em ambientes pouco favoráveis à reflexão.
Os séculos anteriores, por sua vez, foram-lhe preparando o terreno para que sua filosofia pudesse desabrochar com fluência. O importante fato do período patrístico se servir da filosofia platônica para o esclarecimento da fé, revelando com isso colocar a razão ao serviço da fé, tanto para inculturá-la num ambiente de saber mais exigente, como para combater as heresias pelas mesmas armas da filosofia, é uma verdadeira base para o que o autor fará depois com o aristotelismo. Aristóteles lhe fornece o grande suporte para sua reflexão, apenas corrigindo e harmonizando o seu pensamento com a fé.
E não só. Além de Aristóteles, há também a contribuição dos filósofos árabes Avicena e Averróis, que não somente lhe apresentam Aristóteles, como também seus próprios estudos de interpretação do mesmo, como no caso de Avicena que identifica em Deus a essência e a existência, o que também fará o Doutor Angélico13. Entra aqui também a doutrina do intelecto agente de que tratam quase todos os filósofos árabes, cada qual com suas próprias interpretações que desafiam Tomás.
Entram também em cena os filósofos judeus que também têm algo a lhe dizer. Só para citar um exemplo, a afirmação tomista da definição de verdade como “adequatio intellectus et rei” é uma frase tomada de empréstimo de Isaac Israeli14.
Pedro Abelardo vai lhe deixar o legado do método utilizado na obra Sim e não, onde se colocam as teses a favor e contra (GILSON, 1995, p. 342). Pode-se também falar de Santo Anselmo que lhe prepara o terreno da dialética com o “fides quaerens intellectum”, o que já se pode verificar em germe em Escoto Erígena.
Alberto Magno apresenta à cristandade a solução para o problema da relação entre sabedoria cristã e pagã, estabelecendo aí um princípio surpreendente para a época, a saber,
13 Após sua morte, Tomás entra para a História com o título de Doutor Angélico, o que lhe é conferido pela culminância espiritual a que chegou e por sua perfeição de vida.
14 Segundo Emílio Castro (1974, p. 16), Tomás atribui a este autor tal definição de verdade, sendo que ela provém da Metafísica de Avicena. Seja como for, Isaac Israeli contribuiu como divulgador desta definição.
que a filosofia e as ciências deveriam ter sua vida própria e não ser meras auxiliares da teologia (PONFERRADA, 1985, p. 29). Nessa questão, deixou para seu discípulo um terreno bem preparado. Mas não só. Segundo Vanni Rovighi (1986, p. 14), sua grande importância para a formação de Tomás foi não somente porque este podia usufruir da grande erudição do mestre, mas porque podia aprender com ele a atitude de abertura às novas correntes.
Assim, de forma direta ou indireta foi Tomás agraciado com a herança cultural de seus predecessores. A sua importância está em ele saber se servir de todas essas heranças e oferecer com o apoio delas toda a sua contribuição. De acordo com Emílio Castro (1974, p. 2), o que mais se destaca em Tomás é a integração e sistematização dos mais diversos elementos da filosofia antiga e medieval na síntese filosófico-teológica. Nesse sentido, é oportuna a afirmação de Celestino Pires:
S. Tomás comprometeu-se com a cultura de seu tempo e, inserindo-se numa tradição, assumiu-a e enriqueceu-a com a assimilação do pensamento platônico-aristotélico, configurando deste modo, em grande parte, o resto da Europa até a Idade moderna. (PIRES, 1974, p. 495).
Nesse importante trabalho de sistematização há que reconhecer também a utilização das fontes, o que hoje não deixa de ser significativo no papel da pesquisa. Sobre isso é bastante ilustradora a observação de Aniceto Fernandez:
[...] ele teve um conhecimento surpreendente das fontes. Pode-se verificar facilmente quanta riqueza de documentação bíblica, patrística e filosófica estão presentes em suas obras. Não se tinha ainda desenvolvido a história dos dogmas, não era fácil possuir e consultar as obras dos Padres, como nos tempos modernos, não havia cópia de livros e meios de comunicação como hoje, e encontramos uma riqueza de material documentário. (FERNANDEZ, 1967, p. 82).
Todas essas considerações, no entanto, devem levar em conta o elemento fundamental do autor: a sua matriz. Enquanto as correntes da mística e da dialética se opunham, na desconfiança e nos anátemas, parecendo não encontrar o seu ponto de união, Tomás realiza a importante síntese entre as duas. Nele, espiritualidade e estudo, santidade e saber se dão as mãos.
Para ele, o estudo é o caminho de santidade. Tomás o define como uma virtude. Porém, em seu estudo, diletantismos e curiosidades vãs ficam de fora, devendo-se aprender o que convém (OLIVEIRA, 1998, p. 48-50). Esta atitude fica bem traduzida nas seguintes palavras:
Por isso, na visão de Sto.Tomás, o estudo confraterniza com a oração, com o silêncio e com o diálogo, na busca da contemplação. Uma contemplação teológica – a que acrescentaríamos uma contemplação científica, filosófica, estética – que virá coroar o esforço bem-feito e bem-sucedido de busca diligente, amorosa da verdade, dentro das nossas capacidades humanas. No cimo da escalada, ergue-se a contemplação mística, dom mais alto, vindo levar a seu termo ditoso, o dom primeiro da fé. (OLIVEIRA, 1998, p. 50).
Sua herança se encontra também no que ele deixou para a educação em sua obra De
magistro, principalmente em certos aspectos que serão objeto de análise do presente trabalho