Este estudo teve a função de analisar o processo de elaboração do PDP de VGS com base na metodologia conveniada integrada a fim de verificar sua eficácia em termos da consecução de seus propósitos: organização das demandas coletivas e o comprometimento dos atores locais com o plano.
O projeto conveniado e a pesquisa iniciaram-se em janeiro de 2007, após um longo período de indefinição quanto ao vínculo empregatício que nós, agentes e o coordenador do projeto conveniado, teríamos em relação aos proponentes: FIESP e MDIC. Decidiu-se, após um período de aproximadamente nove meses de discussão, que seríamos registrados como funcionários temporários da FIESP.
Houve, então, um treinamento de dois dias na sede da FIESP em São Paulo, porém o do MDIC realizou-se, apenas, em abril de 2007; quatro meses após o início do convênio previsto para oito meses; portanto, após haver decorrido metade do tempo previsto para o projeto.
A fim de garantir a elaboração participativa do Plano, o APL de Vargem Grande do Sul e seus respectivos parceiros organizaram-se a partir de agenda sistemática com grupo gestor e grupo piloto a fim de construir e validar constantemente o Plano. As reuniões, item fundamental do projeto e da pesquisa-ação, entretanto, não aconteceram com a freqüência e presença necessárias para a consecução definitiva do plano de maneira a mais participativa possível.
Ocasionalmente podia-se perceber que as demandas cooperadas estavam um tanto quanto desacreditadas, até mesmo devido ao fato de uma série delas já haver sido planejadas e programadas, porém sem ter sua implantação efetiva. A ausência de um Agente Local é fato bastante desagregador de propostas e iniciativas que necessitem de acompanhamento sistemático a fim de não deixar que essas ações planejadas sejam descontinuadas ou, até mesmo, desacreditadas em seu nascedouro. Alguns exemplos dessas ações são: posto de vendas avançado, compras conjuntas de combustíveis, cadastro de clientes inadimplentes e outros; que nunca saíram do papel.
O fato de ter ocorrido visita de um representante do MDIC à localidade gerou a necessária segurança na perspectiva futura do arranjo. Segurança essa que foi esvanecendo ao longo do projeto. A inexistência da figura do Agente Local seria fundamental para a busca e coleta de informações e por manter a ‘chama acesa’ no tocante aos principais planos a serem seguidos pelos empresários do pólo. Seria dele, também, a cobrança pela realização de reuniões periódicas com vistas a posicionar os empresários sobre o planejamento das ações, sua execução e necessidades para as próximas etapas.
Outro fator desagregador, já mencionado anteriormente, foi a alternância da liderança do APL, pois o anterior – também presidente do SICOV – tinha um perfil mais dinâmico e
participativo; ao passo que seu sucessor possui um perfil mais individualista, menos associativista e, além disso, desacredita da função do agente local, em parte, devido a alguma falha na gestão do projeto pela FIESP – contratando mal uma pessoa para exercer essa função e mantendo-a por mais de um ano.
Uma prática importante utilizada para pesquisar as demandas do Arranjo em um contexto territorial mais amplo foi a agenda de visitas efetuada no ao longo do convênio MDIC/FIESP por este agente no pólo. Foram realizadas visitas às unidades produtivas e instituições locais, visando listar necessidades e possibilidades de ações e parcerias. Assim, foram organizados os pontos em comum do discurso dos empresários e das instituições locais em concordância com os materiais técnicos referentes ao pólo, a fim de definir estrutura dos desafios, demandas e ações de fato estruturantes para o APL.
A aplicação da pesquisa foi direcionada pelas quatro grandes fases a que Thiollent (1997) se refere – conforme exposto no capítulo anterior - e que são: a exploratória, da pesquisa aprofundada, de ação e de avaliação.
Thiollent (1997, p. 58) também informa que “no início da experiência, estas fases são seqüenciais, mas, na prática, existe entre as três últimas um tipo de vaivém ou mesmo de simultaneidade da pesquisa e da ação”. Fato esse que, naturalmente foi verificado na experiência deste estudo.
As etapas de investigação foram baseadas nas estratégicas para inserção deste autor na localidade, na qualidade de agente do convênio, de acordo com a sistemática de implantação da gestora FIESP, pois fundamentais para que pudesse integrar-se ao pólo para tentar compreende-lo e, assim, poder acompanhar e estimular o processo de elaboração do seu Plano
de Desenvolvimento:
1. Apresentação formal aos empresários do pólo, 2. Visitas às instituições de apoio,
3. Visitas às empresas,
4. Aplicação de questionário de satisfação aos empresários, 5. Participação em reuniões internas – no pólo,
6. Participação em reuniões articuladoras externas – em outros APL e em prefeituras, associações de classe, instituições de apoio: SEBRAE, SENAI, Universidades e outras,
7. Participação em atividades de consultoria e treinamento oferecidas ao pólo, 8. Presença constante no pólo; independente de agenda formal.
A participação em reuniões internas e externas foi a principal fonte de informações para a consecução da pesquisa-ação. As reuniões internas deram-se, principalmente, no recinto do SICOV e em algumas empresas do pólo; enquanto que as externas ocorreram em diversas instituições de apoio e de articulação como na própria FIESP, no Escritório Regional do SEBRAE/SP em São João da Boa Vista, no SESI em São Bernardo do Campo, nas prefeituras de Vargem Grande do Sul, de Santa Cruz das Palmeiras e de Porto Ferreira, em associações comerciais de Vargem Grande do Sul, de Tambaú, de Itu e de Tatuí.
Merece destaque o fato de que o APL recebeu a visita de um representante do MDIC, em 26 de abril de 2007, cujo objetivo foi o de reforçar o interesse do ministério nas ações do pólo e a necessidade de se elaborar um PDP real e de qualidade, pois este seria o documento norteador do GTP/APL para o direcionamento de seus esforços desenvolvimentistas; um documento
com a função similar à de um Plano de Negócios: demonstrar a viabilidade de determinada ação ou empresa, do ponto de vista financeiro – via fluxo estimado de caixa - e comercial; listando seus pontos fortes e fracos e suas ameaças e oportunidades. O vaivém das etapas da pesquisa-ação a que Thiollent (1997, p. 58) se refere e que na prática é factível, é necessário, pois é a partir dessa simultaneidade que se possibilita a construção da imagem do arranjo, no caso deste estudo, com sua nuances, peculiares e aspectos ‘não-ditos’, próprios de qualquer organização.
Finalmente, cabe destacar que havia reuniões freqüentes - mensais ou quinzenais – de posicionamento sobre o andamento das atividades efetuadas e os novos passos do projeto, principalmente no que tangia ao processo de elaboração do PDP; objetivo maior deste agente conveniado no pólo e do convênio, propriamente dito.
O papel deste autor, enquanto agente conveniado e pesquisador - não um mero expectador - consistiu, portanto, em:
(i) Facilitar e apressar o processamento dos dados relativos à preferência.
(ii) Animar a discussão de modo a evitar as influências indesejadas de pessoas que queiram monopolizar o processo de priorização ou de decisão.
(iii) Permitir uma discussão de tipo ‘igualitário’. Evitar a influência exagerada de membros dos níveis hierárquicos superiores (THIOLLENT, 1997, p. 79).
Os resultados e percepções dessa experiência, assim como as recomendações deste autor ao arranjo, serão descritos a seguir.