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II. BÖLÜM

3.4. AB Uyum paketleri, Yasal ve Anayasal Reformlar

3.4.4. Dördüncü Uyum Paketi

O conceito de polos de crescimento está intrinsicamente associado ao contexto desta Tese, uma vez que podemos caracterizar as três novas refinarias da região Nordeste como possíveis indústrias motrizes ou núcleos centrais na formação de polos. O surgimento de um polo de

desenvolvimento depende, entre outros fatores, da existência de uma indústria motriz que apresente fortes relaçies de encadeamento com uma gama diversificada de atividades.

Nesse sentido, vale a ponderação de que o setor de Refino de petróleo atualmente ainda é incipiente na maioria dos estados do Nordeste. Para corroborar esta afirmação, a Tabela 9 apresenta os índices puros de ligação (GHS) e os índices de Hirschman;Rasmussen (HR), calculados por Guilhoto et al. (2010), referentes ao setor de Refino de petróleo das nove UFs nordestinas. Esses índices são utilizados conjuntamente para avaliar o grau de encadeamento deste setor.

Tabela 9: Índices de ligação do setor de Refino de Petróleo nos estados do Nordeste ; 2004

Estados Indice puro (GHS) de ligação p trás Indice puro (GHS) de ligação p frente Indice HR de ligação p trás Indice HR de ligação p frente Valor Rank Valor Rank Valor Rank Valor Rank

Alagoas 0.001 107 0.003 96 1.342 5 1.117 26 Bahia 4.214 6 8.029 4 0.889 80 4.045 1 Ceará 3.145 11 1.387 22 1.158 15 1.756 6 Maranhão 0.001 102 0.003 94 0.817 100 1.032 30 Paraíba 0.015 89 0.003 95 0.859 90 0.943 39 Pernambuco 0.018 99 0.001 106 0.824 107 0.899 49 Piauí 0.018 84 0.003 93 0.848 91 1.097 23 Sergipe 24.983 1 1.199 20 1.248 9 1.153 21 Rio Grande do Norte 1.557 20 0.320 45 1.223 11 1.096 23 Fonte: Guilhoto et al. (2010). Adaptado pelo autor.

Percebe;se que, na maioria dos estados (AL, MA, PB, PE e PI), o segmento de refino é bastante incipiente, uma vez que os índices puros de ligação foram muito baixos. Ao contrário dos índices de HR, este índice também considera em seu cálculo o tamanho do setor na economia estadual medido pelo valor bruto da produção. Por outro lado, Bahia, Ceará e Sergipe apresentaram um importante segmento de refino em termos de encadeamento produtivo, sendo caracterizado como setor;chave (todos os índices acima de um) nos dois últimos estados. Vale salientar, todavia, que embora o estado de Sergipe não tenha refinaria de petróleo, o mesmo é um importante produtor de óleo bruto extraído, sobretudo, . O Rio Grande do Norte também se destaca neste segmento, mas com um baixo índice puro para frente, o que implica dizer, segundo Guilhoto et al. (1994, 2010), que o impacto da produção das demais atividades sobre este setor neste estado é baixo.

Com essa análise, pode;se argumentar que é de suma importância a existência de mecanismos que promovam o fortalecimento das relaçies de encadeamento intra e interregionalmente na

região Nordeste. Desse modo, isso passa a ser uma condição necessária para a formação de polos de crescimento a partir da construção das novas refinarias.

Ribeiro et al. (2013), por outro lado, a partir da matriz interregional de insumo;produto do Nordeste e estados (GUILHOTO et al., 2010) e de informaçies sobre os PIB regionais (2005; 2010), argumentaram que a região de Suape em Pernambuco, dada a construção da Refinaria de Abreu e Lima ; considerada pelos autores como indústria motriz ;, pode vir a se tornar um polo de crescimento, uma vez que nessa região foram identificadas as três características apontadas por Perroux (1967) sobre indústria motriz.

Entre 2007 e 2011, o Complexo de Suape atraiu diversas empresas e tem apresentado uma série de investimentos crescentes. Lá estão instaladas indústrias química, alimentícias e de bebidas, têxteis e unidades de construção e indústria naval. A Refinaria de Abreu e Lima é um dos mais recentes empreendimentos do Complexo (RIBEIRO et al., 2013). Seria de se esperar que acontecesse o mesmo com as mmicrorregiies de Rosário;MA e Fortaleza;CE, caso viesse a ocorrer a construção das refinarias Premium I e Premium II, respectivamente. Mais uma vez fica evidente a importância de unidades industriais desse porte em relação r atração de empresas para a mesma localidade ou, como denominou Parr (1999), para seu .

Particularmente, em relação ao problema de pesquisa desta Tese, este tópico é relevante uma vez que os investimentos em refino seriam realizados em três microrregiies da região Nordeste (Suape;PE, Rosário;MA e Fortaleza;CE). Para que outras áreas do Nordeste também fossem beneficiadas, principalmente na fase de operação dessas refinarias, entre outras coisas, seria preciso que houvesse a internalização regional do fornecimento de matérias;primas que seriam demandadas por essas novas unidades industriais. Desse modo, os efeitos de fluência identificados por Hirschman (1958) poderiam ser maximizados. Para esse autor, os investimentos devem ser alocados em áreas que já apresentem certo dinamismo econômico. Isto justificaria, em parte, a instalação das novas refinarias de Abreu e Lima e Premium II em Pernambuco e Ceará, respectivamente. Esses dois estados, juntos com a Bahia, apresentam segmentos mais dinâmicos e modernos na região Nordeste, como comentado no Capítulo 1 desta Tese18.

Entender as formas de transmissão dos efeitos causados pela instalação de polos de crescimento para áreas periféricas é necessário, principalmente no caso da região Nordeste,

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onde se encontram áreas bastante pobres. Com base nos estudos de Solow (1956) e Romer (1990), pode;se dizer que o progresso tecnológico é o principal motor do crescimento sustentável de longo prazo e a tecnologia se mostra como o mais importante canal de transmissão desse crescimento dos polos para regiies periféricas. A partir desses canais, o World Bank (2011) adicionou fluxos de conhecimento por meio do comércio, finanças e migração, assim como transferência direta de tecnologia agregada ao capital físico e conhecimento tecnológico agregado ao capital humano. Os Investimentos Estrangeiros Direto (IED) também têm o potencial de transferência de tecnologia, ainda que de forma indireta através da instalação de plantas, fábricas e equipamentos. Além disso, há um canal direto pelo qual é possível promover o treinamento da mão;de;obra local e processos de aprendizagem por parte dos fornecedores e prestadores de serviços.

A criação de polos de crescimento envolve o desenvolvimento de instituiçies que promovem o suporte e a viabilidade de crescimento do referido polo. Tais desenvolvimentos institucionais geram eficiência na organização e gestão das atividades econômicas, sociais e políticas. Os benefícios trazidos por essas açies aos polos servem como modelos a serem replicados pelas economias periféricas. Não obstante, um polo que apresente um melhor desenvolvimento institucional e, ao mesmo tempo, mantenha relaçies de comércio ou atividades de investimentos com economias periféricas tendem a estabelecer instituiçies similares na região de operaçies (OGUNLEYE, 2013).

A Figura 5 apresenta, de forma esquemática, esses canais de transmissão de crescimento de um polo para regiies periféricas. Os canais centrais são comércio, fluxos de capital (particularmente IED) e migração internacional (interregional). O comércio é considerado como um dos mais fortes canais porque ele proporciona uma relação entre a firma localizada na periferia com uma firma mais desenvolvida pertencente ao polo. Quanto maior a intensidade dessas relaçies, maior será o potencial de aprendizado e aquisição de tecnologia. Esses fatores, segundo Ogunleye (2013), se tornam ainda mais poderosos quando o que está sendo comercializado é um bem intermediário que tradicionalmente agrega algum grau de tecnologia.

Figura 5: Canais de transbordamento de crescimento via polo de crescimento

Fonte: World Bank (2011). Adaptado pelo autor.

O segundo canal pelo qual o polo conduz crescimento para regiies periféricas é o fluxo de capitais, principalmente IED. Dado a natureza desse investimento, uma empresa multinacional pertencente ao polo investindo em uma subsidiária localizada na periferia, poderá gerar transferência direta e indireta de tecnologia a partir desses investimentos. Mais uma vez, esses canais se tornam mais fortes quando as relaçies envolvem bens intermediários e serviços (MARKUSEN, 2004). Os fluxos de capitais de um polo de crescimento também vão ajudar a promover governança corporativa e instituiçies financeiras maduras nas economias periféricas. Além da difusão tecnológica, os transbordamentos dos IED podem ocorrer por meio da realocação de capital para a firma mais produtiva de um determinado setor ou para o setor mais produtivo da economia.

BENEFICIÁRIO DO CRESCIMENTO BENEFICIÁRIO DO CRESCIMENTO BENEFICIÁRIO DO CRESCIMENTO BENEFICIÁRIO DO CRESCIMENTO POLO DE CRESCIMENTO CANAL DIRETO CANAL FINANCEIRO CANAL COMÉRCIAL CANAL MIGRATÓRIO Inovação institucional Carteira de capital e IED Transferência tecnológica Rede migratória Emigração e transferência de conhecimento Transferência tecnológica Absorção de importação Fator tecnológico

Apesar das proposiçies teóricas sobre o mecanismo de IED, os achados empíricos na literatura não são conclusivos. Foram reportados desde grandes transbordamentos intra; indústria no caso de atividades de alta tecnologia (KELLER; YEAPLE, 2009; LARRAIN; LOPEZ;CALVA; RODRIGUEZ;CLARE, 2001), até pequenos transbordamentos intra; indústria no nível da firma (HASKEL; PEREIRA; SLAUGHTER, 2007; JAVORCIK, 2004).

A migração internacional (interregional) que considera a mobilidade de trabalho também atua como um canal de difusão de crescimento de um polo para a periferia (ver Figura 5). Isto acontece porque a migração de trabalho resulta em uma transferência pessoal de habilidades e tecnologia entre pessoas e trabalhadores. Segundo Hovhannisyan e Keller (2010), as firmas que empregam trabalhadores migrantes se beneficiam dos seus fluxos de conhecimento e informação, principalmente se os mesmos forem oriundos de polos de crescimento onde há maiores níveis de habilidades, conhecimento e tecnologia em relação rs áreas periféricas. De maneira similar, a migração de pessoas da periferia para o polo induz o aumento da transferência de conhecimento, das remessas de dinheiro e das relaçies de comércio entre o polo e a periferia (KERR; LINCOLN, 2010; KERR, 2008).

Desse modo, mecanismos como os expostos aqui devem ser considerados no momento da estruturação dos possíveis polos na região Nordeste. Não obstante, é de se esperar que investimentos estruturantes induzam o surgimento de economias de aglomeração, já que regiies mais dinâmicas e industrializadas propiciam maiores ganhos para produtores e consumidores. Além disso, na avaliação de impactos regionais desses investimentos no Nordeste, a mobilidade de fatores apontada no modelo de ligaçies verticais da NGE deve ser contemplada.

2.4 INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA, MODELOS DE SIMULAÇÃO E

Benzer Belgeler