A AAE de planos e programas é uma conduta obrigatória, em Portugal, desde a publicação do Decreto-Lei n.º 232/2007, de 15 de junho, que assim estabelece, no ordenamento jurídico nacional, os requisitos legais europeus consagrados na Diretiva 2001/42/CE, de 27 de Junho.
O enquadramento legal da AAE, em Portugal, é complementado pela sua contextualização ao caso específico dos instrumentos de gestão territorial, através da internalização no respectivo regime jurídico, definido em sua última republicação pelo Decreto-lei n.º 46/2009, de 20 de Fevereiro.
AAE do Programa de Desenvolvimento Rural (PDRC) de Portugal – Continente 2007-
2013
A realização da AAE do Programa de Desenvolvimento Rural - PDR de Portugal – Continente, para o período 2007-2013, foi elaborada pelo Instituto Superior Técnico no âmbito de um contrato com o Ministério da Agricultura, o Desenvolvimento Rural e das Pescas, por uma equipe multidisciplinar, em cumprimento aos requisitos do Decreto-lei n.º 232/2007, de 15 de junho, relativos à avaliação dos efeitos de determinados planos e programas no ambiente.
O Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2007-2013 estabelece um conjunto de medidas, e dentro de cada uma destas, as ações e sub-ações conducentes ao cumprimento dos objetivos estabelecidos pelo Plano Estratégico Nacional (PEN) de desenvolvimento rural 2007-2013.O PEN define três objetivos estratégicos voltados para o desenvolvimento rural, sendo eles: aumentar a competitividade dos setores agrícola e florestal; valorizar os espaços rurais e os recursos naturais de forma sustentável; revitalizar economicamente e socialmente as zonas rurais.
Assim, o objetivo desta AAE foi o de averiguar as situações de complementaridade, sinergia e conflito entre as Políticas Europeias, principalmente no que diz respeito às orientações das Estratégias de Lisboa e Gotemburgo e às relativas ao desenvolvimento rural e aos objetivos e medidas do PDR, como o grau de implementação dos objetivos ambientais definidos no Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) atual, durante o período de 2007-2013. Pretendeu-se ainda garantir que o programa fosse concebido de forma equilibrada e coerente, ou seja, que os objetivos e escolhas do PEN não se colocassem contraditórios às medidas do PDR.
O âmbito de intervenção do PDR incide na área territorial total correspondente a Portugal Continental, com uma área de 92.000 km², da qual 96,6% abarcam uma população de 10,5 milhões de habitantes. Conforme o relatório ambiental, as zonas elegíveis para efeitos do PDR não são apenas as zonas rurais, mas todo o território e o Continente, em que as culturas dominantes são as pastagens, prados e forragens, (59% da Superfície Agrícola Utilizada - SAU), cereais (11%), olival (9%), vinha (5%), frutas (4%) e hortícolas (2%).
A metodologia utilizada nesta AAE foi de acordo com a Diretiva 2001/42/CE, com as recomendações metodológicas do Office of the Deputy Prime Minister (ODPM, 2005) e do
Greening Regional Development Programmes-GRDP (2006), apresentando as seguintes
etapas:
(1) Determinação dos temas ambientais, objetivos e indicadores que devem ser considerados na AAE: os temas ambientais prioritários já tinham sido estabelecidos para o PDR (Biodiversidade e Paisagem, Água, Solos, Alterações Climáticas), no entanto, foi analisada a possibilidade de consideração de outros para contemplar todos os efeitos relevantes ao Programa e às categorias ambientais da Diretiva 2001/42/CE, e dessa análise foram obtidos os temas.
(2) Avaliação da situação atual, tendências e sua evolução provável caso o programa não seja implementado e identificação das causas de alteração nos serviços de ecossistemas, por meio também da avaliação das condições e tendências nos serviços de ecossistema
associados aos sistemas agrícolas e florestais e das pressões que estes sistemas causam sobre o meio ambiente.
A caracterização incluiu os seguintes itens: descrição global da biodiversidade com especial incidência na que tenha ligação à agricultura e floresta, incluindo sistemas de exploração agrícola com elevado valor natural; descrições quantitativas e qualitativas da água; o papel da agricultura no uso e poluição das águas; poluição do ar e as alterações climáticas e as suas ligações à agricultura; uso da bioenergia; descrição da qualidade dos solos (erosão pela água e pelo vento, matéria orgânica, contaminação) e proteção; produção biológica e extensão das áreas florestais e áreas protegidas.
(3) Realização de uma consulta do âmbito: foi disponibilizadauma versão preliminar da caracterização da situação de referência a diversas entidades públicas, para que estas pudessem se pronunciar quanto à inclusão de todos os temas ambientais e documentos reguladores na área de ambiente.
(4) Avaliação de objetivos e prioridades específicos de desenvolvimento: foram avaliados sinergias e conflitos entre os objetivos ambientais escolhidos, com base na revisão das disposições programáticas e legislativas, e as prioridades e objetivos de desenvolvimento propostas no PDR.
(5) Avaliação das medidas propostas e das atividades elegíveis: foram descritos os prováveis e significativos efeitos positivos ou negativos das medidas propostas sobre os objetivos e indicadores ambientais relevantes.
(6) Identificação de oportunidades para modificações às medidas propostas, no sentido de minimizar os efeitos adversos e maximizar os efeitos positivos.
(7) Avaliação dos efeitos cumulativos de todo o Programa: os efeitos cumulativos identificados foram utilizados para formular recomendações de ajustamentos no PDR.
(8) Avaliação dos critérios de seleção para as atividades ou projetos a serem implementados pelo Programa: foi avaliada a capacidade que os procedimentos previstos para seleção de atividades ou projetos no âmbito do PDR têm de analisar os efeitos significativos, positivos ou negativos.
(9) Avaliação do sistema de monitoramento para o Programa: analisou-se o sistema de monitoramento ambiental previsto no documento de programação, tendo sido recomendada a incorporação de novos indicadores, sugeridos pela avaliação.
(10) Compilação do Relatório Ambiental e sua submissão para consultas com as autoridades ambientais: foielaborado um resumo não técnico com as principais conclusões da AAE.
Efetuou-se ainda uma consulta pública, em que o relatório ambiental foi disponibilizado para leitura e comentário em toda a sua abrangência. Todos os comentários foram objeto de análise e de resposta. Em grande parte, a equipe de AAE concordou com os comentários, revisões e sugestões, as quais foram incorporadas no Relatório Ambiental Final.