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O presente estudo inclui a organização de instrumentos de coletas de dados de três

naturezas: formulários escritos, entrevistas e protocolos verbais. Os dois primeiros

(formulários escritos e entrevistas) são do tipo self revelation, ou seja, coletados

imediatamente após a conclusão do evento, e os protocolos verbais são do tipo self report, em

que a documentação dos dados utilizados ocorre simultaneamente à realização do evento.

Além destes instrumentos de coleta de dados, também serão utilizadas quatro propostas de

atividades de compreensão leitora em língua espanhola. Estes exercícios, denominados como

testes, foram utilizados para provocar os informantes e, consequentemente, gerar os dados

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A diversidade de instrumentos de coleta de dados proporciona uma relativa

quantidade de dados para análise. Através desta diversidade informativa gerada, é possível ter

acesso aos processos cognitivos ativados, e também o pesquisador tem mais condições de

caracterizar as etapas processuais.

A organização de instrumentos envolvendo os três distintos tipos de instrumento

de coleta de dados permite uma adequação, tanto sobre as crenças e atitudes dos estudantes

sobre a atividade de compreensão leitora de textos em língua estrangeira, como também incita

reflexões relacionadas com o uso das estratégias para uma maior autonomia dos leitores.

Foram utilizados alguns instrumentos distintos para a produção e coleta de dados,

identificados como Formulário 1 (F1), Formulário 2 (F2), Teste 1 (T1), Teste 2 (T2), Teste 3

(T3) e Teste 4 (T4)10. Também se utilizam gravações orais em que um informante registra os percursos transcorridos como forma de documentar a atividade realizada. Estes instrumentos,

denominados como “protocolos verbais” gerados estão identificados pela sigla Pv e junto a esta abreviação estão acrescidos os números 1, 2 ou 3, para identificar a qual das 3

documentações verbais a passagem se refere. Para facilitar a apresentação desses materiais,

serão incluídas somente as siglas de cada um dos instrumentos quando forem mencionados.11 A decisão da inclusão dos protocolos verbais na pesquisa foi sustentada pelos

argumentos apresentados por Pressley e Afflerback (1995), que defendem que os dados

coletados e analisados por este procedimento destacam as nuances processuais e

significativamente relevantes que são adotadas pelos informantes. Segundo os autores, através

do protocolo verbal, é possível compreender as escolhas adotadas e os caminhos percorridos

pelos sujeitos de forma direta. Com o uso de outros instrumentos, tais como os formulários do

tipo “self revelation”, entre outros meios, estas reflexões só poderiam ser discutidas

10 Todos os testes e formulários utilizados encontram-se disponibilizados no anexo deste trabalho. 11 A transcrição dos protocolos verbais gravados encontram-se no anexo deste trabalho. Foi utilizado o

padrão de transcrição adotado pela Faculdade de Letras da UFRJ, disponível em

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indiretamente, uma vez que não se teria a certeza de a informação ter sido coletada no

momento da realização da atividade.

A gravação do primeiro Protocolo Verbal (Pv1) foi realizada no terceiro momento

de encontro e coleta de dados com os informantes. Pv2 foi feito no quarto encontro e Pv3 no

quinto e último dos momentos. Os três protocolos verbais documentados encontram-se

integralmente transcritos na parte referente aos anexos deste estudo (Anexos J, L e M).

O F1 (Anexo A) é um formulário para identificar as crenças dos sujeitos sobre a

atividade de leitura e o F2 (Anexo B) é um dos instrumentos utilizados para a documentação

dos procedimentos adotados ao longo da resolução das atividades propostas em T1 (Anexo

C), T2 (Anexo D), T3 (Anexo E) e T4 (Anexo 4). Os formulários (de F1 a F2) foram

organizados a partir de orientações contidas tanto em Pressley e Afflerbach (1995), como

também em Zhang e Wu (2009)12, e foram desenvolvidos para identificar o nível de consciência metacognitiva e reconhecer o uso de estratégias de leitura utilizadas por

estudantes de espanhol como língua estrangeira no momento da leitura de textos nesse

idioma. Para os testes (de T1 a T4) foram tomadas as reflexões desenvolvidas sobre a

abordagem pragmática (unidade 2), com o fim de concretizar as discussões teóricas

estabelecidas.

O formulário 1 (F1) foi construído a partir de uma orientação de escala Likert de

cinco pontos, adaptada à realidade da pesquisa (nunca, raramente, algumas vezes,

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Em todos os formulários propostos, os trabalhos de Pressley e Afflerbach (1995), de Zhang e Wu (2009) e de Joly et al. (2006) foram tomados como referência para a construção das assertivas mais adequadas para cada instrumento de coleta de dados. O primeiro dos materiais citados é uma obra desenvolvida para tratar, especificamente, o tema dos protocolos verbais na atividade de compreensão leitora. O segundo é o resultado de uma pesquisa com 28 itens descrevendo estratégias de leitura, denominado SORS (Survey of Reading Strategy, em inglês), em que o instrumento consiste na apresentação de propostas em três categorias: estratégia global, resolução de problemas e suporte, a fim de avaliar a consciência metacognitiva e a leitura estratégica de estudantes que estavam aprendendo Inglês como língua estrangeira (Zhang & Wu, 2009). Este trabalho apresenta uma escala para avaliação do processamento metacognitivo de leitura, denominado Enel-EM. Os autores conseguiram verificar a natureza das estratégias metacognitivas de leitura usadas por alunos do ensino médio de escolas públicas e particulares, e os formulários foram construídos tanto a partir da conceitualização teórica, como também de uma proposta de aplicação prática de um trabalho desenvolvido.

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frequentemente, sempre)13. Foram abordados temas referentes às crenças que os sujeitos teriam nas três fases da atividade de compreensão leitora: na pré-leitura, durante a leitura e na

pós-leitura. Os sujeitos deveriam pensar na atividade de compreensão leitora de forma

descontextualizada e, a partir daí, marcar a opção que melhor considerassem mais próximas

ao seu comportamento diante da situação proposta.

Para a construção deste instrumento de coleta de dados, foram consideradas 6

atividades cognitivas normalmente realizadas ao longo de uma atividade de leitura e 4 ações

complementares também procedidas por sujeitos durante a atividade de compreensão leitora.

As atividades cognitivas destacadas foram: (1) a manutenção da atenção; (2) a ativação da

memória e do conhecimento prévio; (3) a sistematização da informação; (4) o

desenvolvimento da reflexividade e o envolvimento com o texto; (5) as confirmações de

informações e (6) assimilação do conhecimento. As demais ações realizadas ao longo da

atividade de leitura, mas que não se configuram como atividades cognitivas, foram destacadas

no estudo da seguinte forma: (1) a observação dos materiais de transmissão de informações;

(2) a identificação do objetivo para a atividade; (3) a adoção de padrões procedimentais para o

processamento das informações e (4) a consulta de materiais de referência.

As questões colocadas em todos os formulários para serem identificadas quanto à

sua presença foram propostas para concretizar as reflexões referentes às estratégias

metacognitivas, cujo suporte teórico são as considerações estabelecidas por Portilho (2009),

apresentadas neste trabalho no capítulo 2, na seção dedicada às estratégias metacognitivas.

Depois de definidas as atividades, procedeu-se a correspondência direta com a

classificação taxonômica adotada pelo inventário organizado por Portilho (2009), utilizando-

13

Antes da conclusão da formulação do presente instrumento de coleta de dados, foram realizados dois testes

pilotos, e os sujeitos utilizados não foram incluídos neste estudo. Todos eles tinham um perfil próximo ao dos sujeitos investigados neste estudo. Este piloto foi produzido a fim de identificar a estrutura mais adequada para a construção dos testes, se seriam de três (nunca, alguma vezes, sempre) ou de cinco pontos e, após uma consulta através de uma declaração espontânea dos informantes, foi possível perceber que eles se sentiram mais confortáveis preenchendo o formulário com a escala de cinco pontos.

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se as divisões estabelecidas no capítulo 4 deste estudo. Das 40 situações propostas em F1, 24

se referem às situações relacionadas ao eixo macroestruturante de consciência, 15 ao de

controle e 1 à atividade de autopoiese.

No eixo macroestruturante de consciência, 1 atividade se refere à variável de

pessoa, 2 se referem a de tarefa e 21 a de estratégia. No eixo macroestruturante de controle, 6

se referem a planejamento, 7 à supervisão e 2 à avaliação. Em F1, apenas uma das assertivas

estabelece uma relação direta com a estratégia de autopoiese. As assertivas incluídas em F1

foram propostas baseadas em atividades cognitivas que poderiam ser realizadas ao longo de

uma atividade de compreensão leitora e classificadas de acordo com a organização adotada

anteriormente.

Tabela 1: Matriz de questionário da metacognição de F1

Atividade Cognitiva

Atividade metacognitiva

CONSCIÊNCIA CONTROLE AUTOPOIES

Pessoa Tarefa estratégia Planejamento Supervisão Avaliação Manutenção da atenção 10, 15, Ativação de conhecimento prévio e da memória 1 4 32, 33, 37 23 39 Sistematização da informação 3, 13, 34, 38 16 31 Desenvolvimento da Reflexividade e envolvimento com o texto

7, 9, 19, 22, 27, 28 18, 26 20, 24 11 Confirmação de Informações 6 36 8 Assimilação de Conhecimento 40 Variáveis complementares

Observação dos materiais d transmissão da Informação 2 Identificação de objetivo para atividade 5 35 Adoção de Procedimentos 25, 29, 12 17, 21, Consulta a materiais de referencia 30 14

Como forma de facilitar a apresentação dos dados descritos, a tabela acima se

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categoria metacognitiva descrita por Portilho (2009), estabelecendo as variáveis que serão

consideradas no momento da quantificação e classificação dos dados coletados. Os números

inseridos na tabela se referem a cada uma das 40 questões propostas aos informantes no

momento de coleta dos dados e que compõem F1. A colocação no espaço correspondente

identifica a classificação adotada neste estudo.

O formulário 2 (F2) é composto de 29 questões que também foram organizadas de

forma a identificar as atividades cognitivas e demais atividades empregadas ao longo da

atividade de compreensão leitora, na mesma proporção de F1, sendo todas as questões

agrupadas em 6 atividades cognitivas e 4 atividades complementares, todas de mesma

natureza das que foram destacadas em F1.

Nestes formulários, em favor de um número mais reduzido de assertivas

apresentadas, decidiu-se agrupar a atividade cognitiva de ativação da memória e de

conhecimento prévio em um mesmo bloco, por considerar o envolvimento natural existente

entre estas duas ações.

No momento da organização das questões, optou-se por uma redação não

coincidente com o formato estilístico adotado em F1, e também por um menor número de

assertivas, para tentar coletar, dos informantes, dados mais isentos e não diretamente

relacionados com a coleta anterior. Este formulário foi organizado dentro de uma escala

nominal com as opções “sim” ou “não” para identificar a realização de uma estratégia de

leitura.

O formulário 2 (F2) é o instrumento de coleta de dados adotado para documentar

todo o processo de resolução dos quatro testes realizados. A fim de provocar uma

autorreflexão dos informantes sobre os procedimentos adotados, no final do formulário 2

utilizado nas semanas 3, 4 e 5, foi incluída uma pergunta adicional que busca verificar se os

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textos distintos. O material coletado com estes questionários estão incluídos nos dados de

análise deste estudo e serão identificados como sendo resultado das entrevistas realizadas.

Quando da apresentação ou análise das informações, as passagens destacadas são

identificadas com a legenda “ENT-Tx-X”, que representa a natureza do dado (entrevista), o

número do teste que a informação está diretamente relacionada (T + número do teste) e o

número correspondente do informante, respectivamente. Com exceção do questionamento

inserido no final dos formulários utilizados na terceira, quarta e quinta semanas, todas as 29

assertivas incluídas são idênticas.

Em F2, 20 questões pertencem ao eixo macroestruturante de consciência, 8 de

controle e 1 se refere à atividade de autopoiese. Dentro do eixo de consciência, 1 assertiva se

refere à variável de pessoa, 8 se referem a de tarefa e 11 à de estratégia. No eixo de controle, 2

são referentes à variável de planejamento, 5 de supervisão e 1 de avaliação. Encontra-se ainda

uma atividade relacionada com a atividade de autopoiese inserida no formulário.

Tabela 2: Matriz de questionário da metacognição de F2

Atividade Cognitiva

Atividade metacognitiva

CONSCIÊNCIA CONTROLE AUTOPOIESE

Pessoa Tarefa Estratégia Planejamento Supervisão Avaliação

Manutenção da atenção 18 16 Ativação de conhecimento prévio e da memória 6 Sistematização da informação 4,7, 9 22 25 Desenvolvimento da Reflexividade e envolvimento com o texto

8, 11, 17, 23 10 13 Confirmação de informações 12, 27 Assimilação de conhecimento 29 Variáveis complementares Observação dos materiais

de transmissão da informação 3 Identificação de objetivo para atividade 1, 2, 5 Adoção de procedimentos 28, 14, 19, 20, 21 15 26 Consulta a materiais de referencia 24

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Os formulários (F1 e F2) servem como instrumento de coleta de informações das

atividades realizadas pelos sujeitos ao longo da atividade de leitura em língua espanhola.

Através deles, os sujeitos documentam os procedimentos ao longo da realização da atividade.

A distância temporal entre a realização de uma coleta de dados e outra foi de uma semana.

Todos os testes (de T1 a T4) tiveram como base o conceito de língua a partir da

perspectiva pragmática da enunciação, e buscaram problematizar alguns tópicos considerados

relevantes dentro daquela linha teórica. No momento da elaboração dos testes, os tópicos

elencados destacados foram: a construção do significado contextual, a percepção do Princípio

de Cooperação e a Teoria da Relevância, a identificação e o reconhecimento dos atos de fala,

a identificação da cortesia linguística e a referenciação dêitica. Como os temas tratados eram

muito complexos e densos, optou-se apenas por incluir a construção contextual do significado

em todos os testes e abordar os temas separadamente, para que pudessem ser explorados em

detalhes em cada proposta.

Desta forma, em T1, além do contexto, também se investiu especial atenção ao

Princípio de Cooperação e à Teoria da Relevância. Em T2, além do item geral abordado, que

era a problematização da recuperação do contexto de emissão das mensagens, também foram

destacados os atos de fala e a cortesia linguística. Em T3, a cortesia, especialmente voltada

para aspectos socioculturais, foi ressaltada. Em T4 foram trabalhados tanto aspectos gerais do

Princípio de Cooperação, como também a observação e reconhecimento da referenciação

dêitica de pessoa e de lugar, como também aspectos da dêixis social, conforme se pode

perceber na tabela abaixo.

Tabela 3: Categorias linguísticas utilizadas nos Testes

O significado contextual

Princípio de cooperação/Teoria da

Relevância

Atos de fala Cortesia linguística Dêixis T1 X X T2 X X X T3 X X T4 X X X

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Atentou-se também para a construção de propostas de atividades que envolvessem

diferentes tipologias e gêneros textuais, pois se acredita que esta variedade pode servir de

instrumento para identificar uma mudança comportamental dos sujeitos na utilização das

estratégias de leitura adotadas e na construção de reflexões sobre as mais diversas

apropriações significativas feitas pelos informantes durante a atividade de compreensão

leitora.

No processo de construção dos instrumentos de coleta de dados, seguindo a

orientação dada por Seliger e Shohamy (1989), foram preparados alguns testes pilotos, e

aplicados a outros investigados, com o fim de aprimorar os instrumentos de coleta utilizados

neste estudo. Nem todos os dados da pesquisa piloto foram utilizados neste estudo. Sua

aplicação serviu exclusivamente para aprimorar as questões propostas e minimizar os

problemas que, por ventura, pudessem ocorrer.

Benzer Belgeler