• Sonuç bulunamadı

4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.4 Dördüncü Alt Probleme Yönelik Bulgular ve Yorumlar

Bastin, ao iniciar seu livro, apresenta uma observação importante em “Advertência ao leitor”. Afirma ele que

[...] pensamos em todos os trabalhos distintos da chamada escola alemã da

tradução “funcional” (skopos); em particular no livro fundamental de C. Nord,

traduzido logo após 1988 para o inglês com o título Text Analysis in Translation (Amsterdam: Rodopi, 1991). Essa corrente teórica, liderada por K. Reiss e H. Vermeer coloca que o que determina o trabalho do tradutor é a função destinada ao texto traduzido. Com tal colocação, se privilegia claramente o leitor da

tradução, o usuário do texto final. Foi exatamente o que colocamos neste seu

tempo algum, o termo adaptação, certamente por considerarem essa estratégia como parte integrante da tradução. (Itálicos nossos.)

Conclui o teórico que, uma vez que ele se centrou no conceito de adaptação, considerou que seria válido clarear, definir e reabilitar seu conteúdo. Essa explicação vem ao encontro de nossas considerações sobre o assunto, uma vez que a terminologia por nós utilizada também é adaptação.

O referido teórico trabalhava com a teoria da interpretação, visto que exercia a profissão de tradutor simultâneo. Com o intuito de aprofundar seus estudos sobre a adaptação no processo da tradução simultânea, ou interpretação, ele traz a visão de Piaget sobre a inteligência. Diz Bastin que no estudo do pensamento desenvolvido por Piaget, este desenvolve a existência de um esquema interpretativo intercalado entre o estímulo e a reação. Nesse sistema intermediário se manifesta a inteligência. Segundo Piaget

[...] a inteligência é fundamentalmente um sistema de operações vivas e ativas. É a adaptação mental mais elaborada, isto é, o instrumento indispensável para os intercâmbios entre o sujeito e o universo, quando seus circuitos vão mais além dos contatos imediatos e momentâneos para alcançar relações extensas e estáveis. (PIAGET, 1967, p. 13)

De acordo com Bastin, em sua observação entre o ser vivo e seu meio, Piaget distingue dois tipos de ação: a assimilação e a acomodação, ou seja, a ação do organismo sobre os objetos que o rodeiam e que rodeiam seu meio. Psicologicamente, a assimilação mental é a incorporação dos assuntos nos esquemas de conduta; tais esquemas não são mais do que o esboço das ações suscetíveis de se repetirem ativamente. Quanto à acomodação, a pressão dos assuntos termina sempre não em uma submissão passiva, mas em uma simples modificação da ação sobre eles (p. 14).

Bastin prossegue e aponta que a adaptação, que se presta a definir a inteligência, pode definir-se como um equilíbrio entre a assimilação e a acomodação, um equilíbrio de intercâmbios entre o sujeito e os assuntos. A inteligência é um ponto de chegada, e sua fonte se confunde com a adaptação biológica em si (p.13). De fato, a adaptação orgânica só assegura “[...] um equilíbrio imediato, e, por conseguinte, limitado, entre o ser vivo e o meio real” (p.15). Esse equilíbrio se prolonga pelas funções de conhecimento elementares, como a percepção, o hábito e a memória. Apenas a inteligência é capaz de efetuar qualquer desvio, muda mediante a ação e o pensamento, tende ao equilíbrio total, buscando assimilar o

conjunto do real. Ela constitui o estado de equilíbrio sobre o qual tendem todas as adaptações sucessivas de ordem sensório-motriz e cognitiva, assim como todos os intercâmbios assimiladores e acumuladores entre o organismo e o meio (p.17).

Essa teoria traz um suporte para compreender melhor o processo mental de “re- comunicar”, ao se pensar na coloquialmente chamada “tradução simultânea", ou “reescritura”, se a fonte a ser considerada for um texto escrito. A atividade mental funciona da mesma maneira, adaptando e atualizando o conhecimento, num primeiro momento, e reorganizando e dando um novo molde a esse conhecimento ao retransmiti-lo a alguém.65

Porém o grau de complicação da adaptação pode variar de acordo com a atividade empreendida pelo medianeiro. Minha experiência como adaptadora é um excelente exemplo. Ao querer ensinar Shakespeare em inglês para adolescentes com idade igual e / ou superior a 13 anos, era necessário um texto shakespeariano que fosse um intermediário entre o “original” e as adaptações existentes no mercado de livros, adaptações essas bem mais simplificadas. Foi escrito um novo texto, porém na mesma língua do texto fonte, o inglês. Portanto, havia a necessidade do conhecimento dessa língua para entender o original e reescrevê-lo, adaptá-lo para um público específico, porém na mesma língua. Foi um trabalho minucioso e difícil, mais complexo do que traduzir esse texto novo para o português, como foi feito posteriormente.

A exemplo do que nos apresenta Bastin, considerando a teoria de Piaget sobre como a inteligência se dá, e ao afirmar que a adaptação se presta a definir a inteligência, podemos afirmar que reescrituras de qualquer tipo funcionam da mesma maneira, uma vez que são produzidas sob o influxo da inteligência humana.

Definindo adaptação ou adaptações

65 Por outro lado, mas dentro desse contexto, Linda Hutcheon, em seu livro A Theory of Adaptation, p. 21, vai

mais além ao abordar as histórias famosas (os clássicos) e afirmar que as muitas adaptações desses clássicos, realizadas ao longo dos séculos, acabam por torná-las familiares por meio da repetição e da memória.

Ao estudar a origem do termo adaptação66, Bastin explica que adaptar vem do latim “aptare ad”, que significa “ajustar com alvo a”. Ao ler as oito páginas da Enciclopédia Universal dedicadas à adaptação, Bastin declara que os substantivos mais comuns são acomodação, assimilação e aclimatação, e que os verbos mais usados são acostumar-se, aclimatar-se e ajustar-se. Ou, em um âmbito mais amplo, outros termos podem aparecer: tradução livre, tradução oblíqua, imitação, transposição, acomodação, redistribuição, modificação, liberdade, arranjo, ajuste. Há também uma expressão que se pode aplicar a todas as acepções do verbete adaptação, que é a realização de um equilíbrio. Em todos os

casos, incluindo a tradução, parte-se da ruptura de um equilíbrio pré-existente que desencadeia mecanismos de adaptação com a meta de restabelecer o equilíbrio rompido. Há de se distinguir a diferença do resultado do processo, entre um “estado” de

adaptação e os “processos de modificação” adaptativa ou de adaptação pontual e global. Bastin define a adaptação como uma estratégia e a divide em dois tipos: a adaptação pontual, quando existe a necessidade de adaptar alguns pontos de difícil

66 Analisa-se nesta dissertação o termo adaptação, porém não podemos esquecer que é a partir da teoria da

evolução de Darwin que esse termo entra em cena e passa a ser apropriado por teóricos das mais diversas áreas. Piaget é influenciado pela teoria de Darwin ao desenvolver sua teoria da adaptação genética e da inteligência. Bastin faz uso da teoria desses dois teóricos para desenvolver sua própria teoria sobre a adaptação na linguagem. Sanders também menciona Darwin, e tanto ela como Cohn, em suas teorias de adaptação fílmica e teatral, respectivamente, fazem uso de termos pertencentes à área da botânica. Palavras mais gerais da área da biologia como metamorfose (termo empregado por Cohn), aclimatação (utilizada por Bastin), bem como ramificações, cortar (utilizada por Cohn e Sanders), haste (termo utilizado por Cohn), enxerto,

remodelamento, absorção, aparar, podar, amadurecer, árvore (Sanders) são alguns exemplos. Hutcheon

(2006, p. 31-32) também se interessa pela teoria de Darwin e considera sugestiva a analogia entre essa teoria e a da adaptação narrativa, em termos de uma história que se enquadra, e seu processo de mutação ou ajuste por meio da adaptação. Segundo ela, em resumo, “as histórias adaptam da mesma forma que são adaptadas”. Hutcheon menciona o livro de Richard Dawkins The Selfish Gene (New York and Oxford: Oxford University Press, 1976 / 1989), que sugere a existência de um paralelo cultural com a teoria darwinista: “a transmissão cultural é análoga à transmissão genética, no sentido, embora basicamente conservativo, que pode dar origem a uma forma de evolução” (p. 189). “A língua, as diversas modas, a tecnologia e as artes evoluem em um tempo histórico de tal forma que parecem uma evolução genética em alta velocidade, apesar de não ter nada a ver com ela” (p. 190). Entretanto, ele apresenta uma existência paralela entre o que ele chama de “memes” - unidades de transmissão cultural ou unidades de imitação – que, como os genes, são “replicadores” (pp. 191- 192). Mas, diferentemente da transmissão genética, quando os “memes” sãotransmitidos, eles sempre mudam, pois estão sujeitos à mutação contínua, e também a combinações (p. 195), em parte para se adaptarem à sobrevivência no “meme pool”. Diz Hutcheon que, “embora Dawkins esteja pensando em idéias quando escreve sobre “memes”, as histórias são também idéias que poderiam funcionar da mesma maneira. Algumas se mantêm na cultura ou se reproduzem (adaptações)”. “Outras têm maior estabilidade e penetrância no ambiente cultural”, como diria Dawkins (p. 193). Hutcheon finaliza ao dizer que as histórias realmente são

recontadas de modos diferentes em novos ambientes materiais e culturais; como genes, elas se adaptam a esses

novos ambientes devido à mutação – na prole de suas adaptações. E as mais ajustadas fazem mais do que sobreviver; elas florescem”. (Itálico nosso.)

compreensão, substituindo-os por outros, em outra língua, para que a compreensão se dê, pontualmente; e a adaptação global, quando o texto deve ser modificado como um todo, adaptado a um novo contexto. Segundo Bastin, a adaptação global geralmente se dá

quando existe a troca de gênero, ou quando há a ruptura do equilíbrio comunicacional (que se rompe antes de começar a tradução), e que acontece quando existe um novo destinatário, uma nova época e/ou uma nova visão.

Bastin define adaptação como o processo criador pelo qual um tradutor faz ajustes e adequações de sua expressão às condições e restrições que lhe são impostas ou que ele mesmo se impõe.

Benzer Belgeler