2.6. Gelir Tablosu Hesapları
2.6.4. Satışların Maliyeti
A utilização do termo infraestrutura normalmente está interligada à noção do urbano, onde os sistemas viário, sanitário, energético, dentre outras obras construídas, passam a ser denominados de infraestrutura cinza. Contudo, o atual cenário urbano tem buscado cada vez mais estabelecer articulação com a infraestrutura verde, buscando assim a manutenção e preservação dos sistemas que suportam a vida natural, bem como a contribuição à qualidade de vida da população.
Segundo Laera (2005) a malha urbana encontra sobre as áreas verdes nela existentes um importante aliado no desenvolvimento de zonas de amortecimento, assim como também na obtenção de equilíbrio entre os espaços edificados e o meio natural.
É de fundamental importância que o planejamento de infraestrutura verde considere a infraestrutura cinza existente (edificações, ruas, calçadas) e promova um sistema articulado de paisagens distintas e diversas, onde os valores de serviços ambientais são agregados à qualidade de vida no ambiente urbano. Como exemplo desta articulação pode-se verificar que
estacionamentos, paredes, telhados, ruas e jardins estão aptos a oferecer serviços ecológicos como: a coleta e drenagem das águas pluviais, o controle de enchentes, a diminuição de ilhas de calor, o controle de erosões e deslizamentos de solo, a redução do consumo de energia, a filtragem do ar e das águas superficiais e a melhoria da saúde e qualidade de vida da população.
Existem diversas modos para promover a articulação entre infraestrutura cinza consolidada à infraestrutura verde. De acordo com Cormier e Pellegrino (2008) a aplicação de sistemas naturais à infraestrutura existente pode ser realizada mediante tipologias de espaços tratados paisagisticamente. O quadro 7 apresenta algumas tipologias que lidam principalmente com a questão de drenagem e qualidade da água.
QUADRO 7 – Tipologias da infraestrutura verde
Tipologia Características
Jardins de chuva
São depressões topográficas, já existentes ou produzidas, que recebem o escoamento da água pluvial proveniente de telhados e demais áreas impermeabilizadas.
O solo, bastante permeável, absorve a água, ao mesmo tempo em que microrganismos e bactérias nele presentes removem os poluentes trazidos pelo escoamento superficial. Sua capacidade limita-se em virtude das dimensões oferecidas pelo espaço, bem como às características geotécnicas encontradas. Entretanto, mesmo pequenos, os jardins de chuva ainda apresentam relevante eficiência frente à melhoria da qualidade da água, uma vez que o momento inicial das chuvas carrega grande quantidade de poluentes. A eficiência do jardim de chuva evidencia-se quando não houver água parada em sua superfície após algumas horas da chuva ocorrida.
Canteiros pluviais
Assemelha-se aos jardins de chuva que, em virtude da dimensão espacial reduzida, são pequenos e compactos.
Apresenta função de infiltração, como também apenas evaporação, evapotranspiração e transbordamento das águas.
Biovaleta ou Valetas de biorretenção vegetadas
Também são semelhantes aos jardins de chuva, entretanto, ocorrem por meio de depressões lineares que são preenchidas com vegetação, elementos filtrantes e solo. Estes componentes efetuam a infiltração e limpeza da água da chuva e aumentam seu tempo de retenção.
As biovaletas direcionam estas águas para jardins de chuva ou outros sistemas de detenção de água.
A exposição à luz do sol, ar e ação de microorganismos contribui para a decomposição dos poluentes retidos na vegetação.
Podem ser úteis para o tratamento do escoamento das águas de ruas e estacionamentos.
Lagoa pluvial
Apresenta função de bacias de retenção, onde se recebe o escoamento superficial das águas por meio de drenagens naturais ou artificiais.
Caracteriza-se por um estado alagado permanente.
Apresentam grande capacidade de armazenamento de água.
Também podem ser locais projetados para a recuperação da qualidade da água, além de integrarem espaços destinados ao lazer.
Lagoa seca ou bacia de detenção
Depressões vegetadas e permeáveis que recebem as águas pluviais, retardando o escoamento superficial, ao mesmo tempo em que contribuem para a infiltração da agua no solo. Em tempos secos podem ser usadas como locais de lazer, prática esportiva, dentre outras atividades.
Alagados construídos (wetlands)
Áreas construídas para receberem as águas pluviais de modo a promover a retenção e a filtragem dos poluentes. Os serviços ecossistêmicos oferecidos por estes alagados são: promoção da biodiversidade; capturam carbono; oferecem regulação térmica;
contribuem para a educação ambiental ao mesmo tempo em que se torna um local de lazer.
Teto e paredes verdes
Constitui-se em cobertura de vegetação, que é plantada em cima do solo tratado (compostos orgânicos e areia). Este é espalhado sobre uma superfície que é resistente à ação das raízes, ao mesmo tempo em que é impermeável e drenante.
Apresentam benefícios como: a absorção da água das chuvas; redução do efeito da ilha de calor; contribuição à eficiência energética das edificações; promoção de habitat para vida silvestre.
Podem ser:
Extensivos ou leves, onde apresentam uma seção estreita (5-15 cm) e plantas de pequeno porte (gramíneas).
Intensivos: há possibilidade de maior sobrecarga, e maior profundidade (20-60 cm). Podem receber plantas de maior porte (herbáceas, arbustos e pequenas árvores). Cisterna
Tipologia que tem como objetivo a coleta da água das chuvas para posterior reuso (irrigação, utilização doméstica, criações de animais).
Contribui com a redução do escoamento superficial das águas, ao mesmo tempo em que apresenta um enfoque sobre a utilização racional da água.
Grade verde Consiste em arranjos que condensam as demais tipologias apresentadas, e que constituem uma rede de intervenções para o meio ambiente urbano. Pavimento drenante Material utilizado para pavimentações, sendo que sua composição permite a drenagem das águas pluviais. Deve ser instalado em locais de trafego moderado a médio.
Bioengenharia
Faz uso de técnicas ecológicas de contenção de muros, taludes e encostas ao associar materiais inertes (pedras, madeiras, bambu, pneus) a vegetação.
Por meio da bioengenharia evita-se o assoreamento de corpos d’agua e deslizamento. Também oferecem serviços como: infiltração de águas pluviais; filtragem de sedimentos e poluição derivada do escoamento superficial da água; contribuição a biodiversidade; conforto térmico; estica naturalizada.
Interseções viárias
Correspondem a ilhas, com áreas permeáveis e vegetadas, que distribuem o trânsito. Contribuem com a coleta e absorção das águas pluviais; oferecem habitat a fauna e flora; melhoram o microclima; diminuem a velocidade do trânsito de veículos; contribuem com a segurança de ciclistas e pedestres.
Woonerf Rua interna destinada ao trânsito de ciclistas e pedestres, funcionando como uma
alternativa às ruas destinadas a veículos. Ruas verdes
Ruas arborizadas que integram o manejo das águas pluviais. Utilizadas preferencialmente por pedestres e ciclistas, impedindo o trânsito de veículos pesados. Funcionam como conectores entre fragmentos de vegetação, praças e parques; controlam o microclima; estimulam a locomoção de baixo impacto; promovem a educação ambiental; contribuem com a biodiversidade da fauna e flora.
Vias de uso múltiplo
Conciliam a circulação segura de diversos tipos modais de locomoção (ciclistas, veículos e pedestres). Seu planejamento deve ser compatibilizado com processos naturais ao conciliar a aplicação de tipologias para a drenagem das águas pluviais; promover a biodiversidade; regulação climática.
Corredores verdes (greenways)
Podem ser planejados para acompanhar a extensão de rios, ao mesmo tempo em que conectam fragmentos de ecossistemas isolados. Oferecem serviços ecossistêmicos essenciais ah sustentabilidade urbana como infiltração de agua regulação do clima; aumento da biodiversidade; circulação segura para pedestres e ciclistas; dentre outros. Fonte: CORMIER e PELLEGRINO (2008); HERZOG (2013). Elaborado pela autora, 2013.
Contudo, Hauer (2003) identifica que a gestão da infraestrutura cinza é amparada pela existência de instrumentos e políticas para implantação e manutenção, porém este apoio é insuficiente ao se tratar de sistemas de infraestrutura verde.
A articulação entre as infraestruturas verde e cinza pode ser aplicada em locais caracterizados como espaços livres, que correspondem a estruturas urbanas (parques, praças,
pátios e canteiros) que apresentam pouca área edificada. Segundo a autora, uma vez planejados, os elementos naturais (solo livre e cobertura vegetal) existentes oferecem contribuições ecológicas, sociais e estéticas (regulação térmica, fomento da biodiversidade, locais para atividades de lazer, recreação, esporte e contemplação). O planejamento destes espaços deve ser compatível com as demandas locais, como no caso de áreas de expansão urbana, onde a criação de corredores verdes urbanos se faz importante para preservação e conservação de remanescentes de vegetação nativa.
Desse modo, o sistema de infraestrutura verde urbana se articula à infraestrutura cinza (infraestrutura tradicional consolidada) oferecendo condições à melhora da permeabilidade do solo e, consequentemente a prevenção de inundações e deslizamentos; proteção e reprodução da biodiversidade (fauna e flora), regulação climática, atmosférica e sonora ao contribuir com a redução da temperatura local e dos índices de poluição e ruído. Ao mesmo tempo, promovem a integração com vazios urbanos, espaços públicos, zonas residenciais e comerciais.