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1.6. Dîvânda Yer Alan Manzumelerin Konuları
A inclusão digital, na concepção de Cazeloto (2008, p. 125), “já denota uma hierarquização”, portanto, é “um artifício de engenharia social criado para estender ao maior número possível de cidadãos os eventuais benefícios que uma elite já desfruta integralmente, como parte natural de sua inserção na sociedade” (Idem). Na perspectiva crítica do autor, este aspecto recai sobre o atendimento e a oferta de condições de acesso às ferramentas tecnológicas para uma maioria de pessoas inseridas num contexto desassistidas socialmente pelas políticas públicas de inclusão digital. A partir dessas possibilidades, esses sujeitos desfrutarão de alguns benefícios que para uma minoria já ocorre naturalmente.
Para Silveira (2008, p. 44), é importante que haja discussão sobre “o valor, a aplicação e contextos dos usos”, que envolvem os usos tanto da inclusão digital quanto os da exclusão digital. Ressalta que a inclusão digital não pressupõe boas condições de acesso, desenvolvimento de habilidades e não garante a qualidade do êxito individual e coletivo nos processos formativos. O autor cita quatro importantes assimetrias para serem consideradas nos processos de inclusão digital, tanto de modo individual quanto coletivo: “1) o acesso à banda larga; 2) o conhecimento da língua inglesa; 3) a bagagem cultural e 4) a habilidade tecnológica e os saberes técnicos” (Ibidem, p. 57). Estes princípios citados pelo autor nem sempre são seguidos nos processos inclusivos que se apresentam enquanto éticos e igualitários.
Sobre a exclusão digital, o referido autor afirma que esta se relaciona com um processo de cunho social e econômico, criando o impedimento para que as pessoas participem
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de forma plena das esferas que compõem a sociedade. Por ser a sociedade um horizonte complexo, este termo “exclusão” toma um aspecto dimensional amplo em relação ao meio social, principalmente quando se refere ao “bloqueio do direito de uso autônomo da comunicação de rede” (SILVEIRA, 2008, p. 54). Assim, a exclusão social ocorre, segundo o autor, nos setores de consumo e de trabalho, bem como no setor público, como, por exemplo, no impedimento de acesso e do direito à gratuidade do ensino público.
Para reforçar a ideia de Silveira (2008), buscou-se em Cazeloto (2008) algumas considerações sobre a questão da exclusão digital. Salienta o autor que esta se acentua com a concentração do acesso aos recursos tecnológicos para uns, enquanto outros são impossibilitados do acesso e da garantia do direito à comunicação virtual em rede. O mencionado autor salienta que, se não forem tomadas algumas medidas para impedir que ocorra esse “abismo tecnológico” (Cazeloto, 2008 p. 17), em sua concepção, só aumentará a distância entre a riqueza e a pobreza das pessoas, consolidando o processo de injustiça social.
Silveira (2008, p. 64) considera que é necessário haver do poder público a garantia sobre “o direito à comunicação informacional”. Em sua opinião, isto já está emergindo de forma consensual, contudo,
o direito universal à comunicação em rede, como elemento essencial da cidadania na sociedade informacional, e a defesa da emancipação das comunidades neste contexto podem defendidas com o uso da ideia de uma inclusão digital subordinada. (idem, p. 64).
Este direito é considerado pelo autor, imprescindível à cidadania na “sociedade informacional” (op. cit., p. 62), precisa ser visto como um tipo de inclusão digital com autonomia – este é fator preponderante na emancipação das pessoas de um contexto comunitário. Opondo-se a esse tipo, o autor cita a inclusão digital subordinada e explica: subordinada “ao mercado, aos oligopólios, aos vendedores de produtos e licenças de
copyright, ao consumo de conteúdos exógenos, ao imaginário de submissão aos colonizadores
digitais” (ibidem, p. 64). Deste modo, compreendemos que, se a inclusão social está atrelada à autonomia na dimensão do direito à comunicação; a restrição e a subordinação do sujeito não se estabelecem apenas fisicamente, porém, de forma cultural.
Neste sentido, Cazeloto (2008) ressalta que os programas de inclusão digital ocorrem nos segmentos diversos da sociedade e se apresentam como uma nova forma de luta pela igualdade de opções e de participação efetiva das pessoas no mundo tecnológico. A defesa do autor é que os programas de inclusão digital, com objetivo de informatizar o povo,
53 também criam algumas estratégias de manuseio das máquinas e conhecimentos básicos para os menos favorecidos economicamente. Para isto, são criados alguns meios na intenção de inserir as pessoas no processo digital:
Acesso coletivo, subsídio para a compra privada, cursos profissionalizantes,
softwares de baixo custo e toda uma parafernália institucional e tecnológica
são meios utilizados para tentar fechar o abismo e permitir que o computador avance por todo o tecido social. (CAZELOTO, 2008, p. 18).
No entanto, estes meios citados pelo autor não têm atendido ao que se espera do papel da inclusão digital, principalmente no que diz respeito aos benefícios para o processo de aprendizagem, que compreendem a materialização da inserção ao manuseio eficiente dos equipamentos e a consciência do uso adequado e produtivo em favor da qualidade do ensino e da aprendizagem.
Também se deve desenvolver nos sujeitos a capacidade de interagir com outros e compartilhar decisões/informações que propiciem a lógica da informação de forma interativa. Mas, se as ações que promovem a inclusão digital intencionam apenas o avanço do uso do computador por todo o meio social, existe assim a possibilidade de vedar os olhos das pessoas para que não enxerguem a importância de atitudes éticas em favor de todos os sujeitos, visto que, é necessário fazer o percurso reflexivo sobre o uso da máquina quando isto se tranforma em necessidade – que, na visão do autor, está incorporada por todos que têm interesse na demanda causada pelo uso expressivo da tecnologia. Outro ponto faz sentido para a reflexão das pessoas, que é a justiça social, a qual oferece aos excluídos a possibilidade de resgate dos direitos numa perspectiva de emancipação dos sujeitos.
A questão principal do viés da inclusão digital é fazer uma avaliação sobre o processo de inserção das pessoas no mundo digital para identificar onde houve vantagens e desvantagens na relação entre inclusão digital e informatização (CAZELOTO, 2008), portanto, ressalta-se a relevância de uma discussão e teorização sobre o papel da inclusão digital nas sociedades contemporâneas. Para isto, é necessário também levar em consideração as transformações das sociedades no decorrer de algumas décadas mais recentes.
Comparando os programas de inclusão digial e os cursos de formação profissional de operários a outros oferecidos para qualificação industrial, Cazeloto (2008, pp. 61-62) postula que “os programas sociais de inclusão digital emergem em um ambiente distinto, ocupando, portanto, uma posição igualmente distinta na forma de reprodução do capital”. O autor acrescenta que não dá para entender esses programas sem analisar a reprodução
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capitalista. Partindo deste entendimento, é possível chegar à compreensão da pós- modernidade e das mudanças do cotidiano.
A inclusão digital, numa concepção de democracia e autonomia dos sujeitos, para ser efetivada, precisa estar inserida no processo de mudança que tem ocorrido no mundo de forma acelerada, pois, nenhuma mudança social ocorreu de forma mágica. O que tem ocorrido nos espaços educativos que têm como objetivo a inclusão digital é a oferta de cursos que instrumentalizam os alunos apenas para manusear as máquinas com rapidez, sem oportunizá- los, no entanto, à apropriação crítica sobre o uso da tecnologia, para, com isto, provocar mudança comportamental no indivíduo e em seu grupo social. Nesta perspectiva, julga-se necessária uma política de universalização do acesso ao mundo digital, a fim de que haja o desenvolvimento sustentável e contínuo com a melhoria da qualidade de vida, reduzindo, por sua vez, as desigualdades sociais e econômicas da população.
Esse distanciamento social pode ser diminuído com a forma interativa que ocorre através da comunicação por meio dos recursos tecnológicos entre as pessoas em espaços físicos distantes. De acordo com os postulados de Warschauer (2006, p. 47), as TIC estreitam estes laços inclusive em relação ao que se fala e ao que se escreve. Para o autor, “pela primeira vez na história da humanidade, as pessoas podem interagir rapidamente e a distância utilizando-se da escrita”. Por esse ângulo podemos compreender que algumas barreiras foram destruídas em relação à inclusão digital. Entretanto, o referido autor, destaca que,
À medida que mais formas de comunicação, estabelecimentos de redes sociais, organizações comunitárias, debates políticos de tomadas de decisões políticas são atraídos para a mídia online, mais as pessoas sem acesso à tecnologia serão excluídas das oportunidades de exercer a plena cidadania. (Ibidem, p.51).
Sobre as TIC no âmbito da educação, esse mesmo autor considera que a tecnologia ajuda os alunos a aprender, mas, desde que esta não seja o foco principal. Compreendemos que ele quis ressaltar que os recursos tecnológicos são meios para a melhoria da aprendizagem, mas não o fim. O computador e a internet auxiliam os alunos a chegarem às fontes com mais rapidez e interação. Neste entendimento, a relação das TIC com a educação, na perspectiva de Warschauer (2006), é considerada positiva, quando ocorre em programas de inclusão social para grupos considerados marginalizados.
Dentro desta perspectiva, as tecnologias no âmbito educativo possibilitam a articulação entre a prática do professor e as exigências da sociedade, pois em um mundo de intensas transformações cientificas e tecnológicas a escola e outros ambientes que promovem
55 o desenvolvimento de práticas de aprendizagens, funcionam com a mola das transformações sociais, porque exercem o papel fundamental de articular a interação entre o ensino e a construção do saber.
Nesse capítulo discutiu-se sobre a Inovação Pedagógica e o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC no âmbito da educação não formal, visando também apresentar algumas críticas e especificidades sobre a inclusão digital e da exclusão digital na visão dos autores elencados principalmente Cazeloto (2008). No próximo capítulo será apresentado o campo empírico por meio do qual percorremos nosso caminho metodológico.