B Muhtevâ Özellikleri:
2.5 Dînî Konular ve Unsurlar:
Uma oficina, sobretudo quando envolve exercícios e práticas criativas, apresenta-se dentro de uma metodologia específica, diferente do programa escolar. Em geral, ela requer um espaço descontraído, uma dinâmica flexível e boa parcela de agilidade, tanto da parte de quem a ministra, como da parte de quem dela participa; todos devem estar prontos para resultados inesperados e surpreendentes, advindos do seu caráter prioritariamente informal.
Apesar disso, o programa de uma oficina deve se apoiar em um bom planejamento: conteúdos e métodos devem seguir uma ordem prevista de etapas, dentro de um cronograma não demasiado extenso — pois é característica de uma oficina não aprofundar nem se alongar em sua abordagem, mas justamente provocar o participante, estimulando sua curiosidade, reformulando conceitos, apontando caminhos para o aperfeiçoamento das habilidades requeridas. Numa oficina, devido ao caráter imediato, também entra em jogo, muito mais do que num curso, o envolvimento empático entre ministrante e ministrandos: esse fator pode ser responsável pelo seu fracasso ou triunfo. Em razão disso, embora bem planejada, ela deve
permitir flexibilidade no sentido de prever possíveis variações, um ou outro desvio, atalhos e pontuações. Assim, por parte do ministrante, espera-se uma atenção sensível tanto às reações emocionais quanto aos resultados práticos das ações comandadas pelas atividades aplicadas; do ministrando, deseja-se agilidade nas respostas, entrega espontânea e ousadia na experimentação, a fim de que se quebrem, pelo menos momentaneamente, seus paradigmas usuais, protocolos já automatizados, atingindo-se o máximo aproveitamento. É provável que tal jogo entre professor e alunos, entre cada aluno e os demais e entre o aluno consigo mesmo, só seja possível em um ambiente informal e lúdico, próprio de uma oficina.
Minha experiência como ministrante não é numerosa, mas inclui um variado contato com públicos e espaços. Em geral organizo oficinas conforme o interesse e a convite de escolas e de instituições culturais, públicas ou privadas, para dirigi-las a públicos de todas as idades; elas já foram oferecidas a interessados dos mais diferentes níveis socioculturais e em localidades da capital ou do interior do Estado do Rio Grande do Sul. Apesar de escritora, sou com muito mais frequência chamada a mediar processos relativos à criação plástica e visual. Apenas em seminários de cunho acadêmico6 e no Projeto CLIC7 tive a oportunidade de trabalhar com a manipulação criativa da linguagem verbal. Tenho atribuído o interesse maior pelas oficinas de práticas artísticas à carência de espaços disponíveis para a reflexão e a expressão dessas habilidades, especialmente no interior das instituições de ensino fundamental e médio, das quais se exige uma grade curricular preenchida ao máximo com outros conteúdos disciplinares (principalmente a partir do 6o ano). Em relação aos adultos, conto com a disponibilidade de estúdios ou ateliers públicos e privados, onde aqueles cujos
6 Durante a Feira do Livro de Porto Alegre de 2007, dentro do seminário “A Hora do Educador” (PPG da
Faculdade de Educação/UFRGS), ministrei uma oficina sobre recriações de contos populares europeus; em 2008, uma oficina semelhante dentro do programa de eventos da Semana de Letras organizada pela Faculdade de Letras da PUCRS. Também me dedico a organizar oficinas dentro do que se denomina ECV (Estudos Culturais Visuais), cujas atividades se proponham mais à leitura e interpretação intersemiótica, em que se aplicam um conjunto de estímulos variados (reproduções de obras de arte, música e, sobretudo, poesia). Eventos nesse modelo já tiveram lugar na Faculdade de Letras da PUC, no Instituto de Artes da UFRGS, em 2009, e na UNIFESP/Guarulhos, durante o I Congresso Internacional Texto-Imagem, em 2010, sob o nome O que você vê?
O que você lê? Acordes entre literatura e artes plásticas.
7 Nome do projeto vinculado ao Núcleo de Leitura Literária e Multimídia do Programa de Pós-Graduação da
Faculdade de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, coordenado pela Prof. Dr. Vera Teixeira de Aguiar, e que atuou de 1996 a 2010 no Campus Vila Nossa Senhora de Fátima, junto às crianças da comunidade, com idades entre 7 e 14 anos, através de oficinas abertas que interligam a literatura a outras linguagens, como teatro, música e artes plásticas. Participei do projeto como mediadora de oficinas durante os dois anos de mestrado e parte do doutorado, integrando a equipe que inclui alunos-bolsistas e voluntários da graduação e da pós-graduação. A partir de 2008, assumi a Galeria de Arte do CLIC, um espaço destinado à exposição didática de reproduções de obras de arte e a partir da qual fazia os planejamentos para a Oficina Literatura e Artes Plásticas.
talentos sobreviveram à fase crítica na juventude ou a uma educação fundamentada na cultura letrada refugiam-se e buscam aperfeiçoamento. De qualquer modo, o ensino das mais variadas formas de expressão poética e artística ainda se apresenta compartimentado em áreas de atuação (música, artes, produção textual, dança, teatro, etc.), quando seria talvez pertinente reavaliar a formatação dessas práticas, em virtude das crescentes formas plurimidiáticas, híbridas, acintosamente assumidas pelas artes e pela comunicação contemporâneas, demandando habilidades perceptivo-cognitivas e motoras variadas.
O planejamento8 desenvolvido para a oficina que constituiu a base para esta tese, procurou, de alguma forma, como já mencionei, agenciar e integrar pelo menos dois processos de cognição e de expressão criativa: os verbais e os visuais, a partir da apresentação e da leitura de uma obra literária narrativa em sua edição ilustrada. Através de uma metodologia que incluiu produções em ambas as linguagens, além de estímulos que vão da leitura reflexiva até a exibição de reproduções digitais de artes e fotografias relacionadas ao tema proposto, objetivou-se um trabalho final ao modo de um fanzine eletrônico, em que cada participante foi convidado a montar, no programa Power Point, um conjunto de quadros cuja sequência narrasse e ilustrasse um episódio inédito e convergente ao universo da obra original, e cujo protagonista fosse, à escolha, uma personagem do texto literário Peter Pan e Wendy, ou Peter Pan, do escritor escocês James Matthew Barrie.
Nesse capítulo irei narrar, analisando, sem abrir mão da espontaneidade e da emoção que permeiam e estabelecem o próprio conceito de oficina aqui proposto, aquilo que foi realizado e acontecido nos cinco dias do mês de setembro, durante os quais estive envolvida com meninos e meninas da 5ªsérie (correspondente ao atual 6o ano) da Escola Estadual Leopoldo Tietbohl. No relato dessa experiência, farei uma reflexão sobre as operações e agenciamentos a partir da leitura do livro, como máquina midiática que hibridiza em sua interface discursos verbais e visuais, dentro do estudo de caso de uma edição de Peter Pan, em tradução de Ana Maria Machado e ilustrado por Fernando Vicente para a Editora Moderna/Salamandra em 20069.
8 Preferi não apresentar aqui o planejamento da Oficina, metodologias, etapas, etc. de modo sistemático, pois ele
se assemelharia a um corpo estranho, invasor no discurso narrativo proposto para este capítulo. O planejamento surgirá à medida que os eventos vão se sucedendo, entremeado a eles, sujeito às naturais modificações do percurso. Contudo, ele segue em documento formal, bem como os modelos dos questionários aplicados, no anexo B.
9 Essa edição foi disponibilizada em parte por mim e em parte pela escola, que adquiriu cinco exemplares para