1.3. Türkçeye Yabancı Kelimelerin Giriş Süreçleri
1.3.2. Türkçedeki Batı Kaynaklı Kelimelerin Tarih İçindeki Seyri
1.3.2.3. Cumhuriyetten Sonra
396 PINZANI, Alessandro. Habermas. Porto Alegre: Artmed, 2009. p. 53. 397
Idem, Ibidem, p. 53.
167 Diversas discussões chegam até o presente acerca do status epistemológico das ciências sociais, inclusive, ao seu status científico. Apresentarei, brevemente, algumas dessas ideias, principalmente, relacionadas com o teórico social Anthony Giddens. O debate entre as principais concepções giram em torno do positivismo, do pós-positivismo e das questões ontológicas da teoria social. O objetivo principal desses autores pós-positivistas é poder fazer teoria social sem fixar princípios trans-históricos e ter em conta o contexto social e a diversidade através da história das ações humanas.
O que há de semelhante tanto nos positivistas, quanto nós pós-positivistas, é a crítica às metafísicas a-históricas que pretendiam explicar as ações na história através de um princípio unificador, que englobasse todas as ações humanas. Tal pretensão é comum em teorias que focam nas possibilidades abstratas das teorias, e na viabilidade de poder considerar apenas alguns princípios que teriam maior relevância para a explicação, sem levar em conta que esta importância referia-se a um período determinado de tempo, num evento historicamente constituído. As descontinuidades históricas, aquilo que não poderia ser explicado por tais teorias, são suprimidas em prol do princípio unificador, e tais teorias perpassam, inclusive, alguns filósofos, como explica Ira J. Cohen:
No entanto essas explicações dos fenômenos sociais envolvem geralmente deduções da necessidade ou inevitabilidade das circunstâncias e eventos históricos a partir dos mecanismos metafísicos que regulariam a vida social em geral. Em uma das primeiras condenações dessa estratégia, Augusto Comte – que não estava de modo algum isento dos deifeitos que identificava nas obras dos outros – caracterizou o espírito especulativo das teorias metafísicas como ’ao mesmo tempo ideal no seu curso, absoluto na sua concepção e arbitrário na sua aplicação’ (Comte, The Positivist Philosophy). Mais de um século depois, o pronunciamento de Comte reverbera nas obras de seus sucessores. Assim é que Robert Merton procura refrear um entusiasmo por esquemas conceituais mestres ao sugerir que eles tendem para os grandes sistemas filosóficos do passado que, apesar de sua variada sugestividade, permanecem cientificamente estéreis. (...) Atribuir ação ou conseqüência a forças ou qualidades metafísicas hipostatizadas é distorcer a formação de teorias substantivas e de investigação empíricas dos processos sociais. A diversidade que se evidencia nas diferentes sociedades e civilizações deve ser podada e modelada para preservar as idéias metafísicas fundamentais.399
Os filósofos pós-positivistas enfatizam a importância de princípios ontológicos ou metafísicos em suas teorias, principalmente, pelo ponto de partida pré-científico de toda a teoria. Assim, Popper, Thomas Kuhn e Imre Lakatos afirmam que modelos científicos começam com ideias metafísicas. Kuhn, em “A estrutura das revoluções científicas”, revela o papel das crenças metafísicas:
399
COHEN, Ira J. Teoria social hoje. Vários autores. Org. Anthony Giddens e Jonathan Turner. São Paulo: UNESP, 1999. pp. 398-399.
168 Contudo, esse elemento de arbitrariedade não indica que algum grupo possa praticar seu ofício sem um conjunto dado de crenças recebidas. E nem torna menos cheia de conseqüências a constelação particular com a qual o grupo está realmente comprometido num dado momento. A pesquisa eficaz raramente começa antes que uma comunidade científica pense ter aquirido respostas seguras para perguntas como as seguintes: Quais são as entidades fundamentais que compôem o universo? Como interagem essas entidades umas com as outras e com os sentidos? Que questões podem ser legitimamente feitas a respeito de tais entidades e que técnicas podem ser empregadas na busca de soluções? Ao menos nas cências plenamente desenvolvidas, respostas (ou substitutos integrais para as respostas) a questões como essas estão firmemente engastadas na iniciação profissional que prepara e autoriza o estudante para a prática científica.400
Entretanto, a diferença entre os estudos dos filósofos da ciência pós-empiristas e teorias hipostatizadas é o fato que o elemento sócio-histórico do cientista está sempre presente.401 Da mesma forma, Lakatos incorpora, no núcleo de um programa de pesquisa elementos metafísicos, que podem ser entendidos como elementos ontológicos “que especifica os tipos de entidades fundamentais num dado domínio e os modos como essas entidades interagem”.402 Em uma teoria científica, os elementos ontológicos são compreendidos como potenciais para serem realizados, e podem ser realizados de diferentes maneiras. Novamente, a diferença entre as teorias científicas dá-se na comprovação empírica desses potenciais ontológicos, ou seja, num dado momento, e na diversidade da contingência histórica: “assim, as explicações hipostatizadas da determinação trans-histórica das circunstâncias ou dos eventos não são necessárias nem desejáveis”. Uma variedade de diferentes teorias pode ser direcionada para um mesmo objeto de investigação.403
A crítica das teorias sociais pós-positivistas às teorias socias positivistas é o caráter de lei científica que os positivistas querem implantar nas hipóteses histórico-sociais das ciências humanas. A continuidade da insistência de leis trans-históricas da natureza aplicada às ciências humanas é uma característica inegável dos positivistas que pesquisam na área, conforme escreve o positivista em ciências sociais Jonathan Turner:
A teoria não deve simplesmente descrever estruturas vigentes, mas revelar a dinâmica subjacente a essas estruturas. Em lugar de ’teorias’ do capitalismo, burocracia, urbanização e outros eventos empíricos, precisamos de, respectivamente, teorias da produção, organização de tarefas, destruição espacial e processos genéricos semelhantes. Casos históricos e manifestações empíricas não são temas de
400
KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2005. p. 23.
401 Idem, Ibidem, p. 23.
402 COHEN, Ira J. Teoria social hoje. Vários autores. Org. Anthony Giddens e Jonathan Turner. São Paulo: UNESP,
1999. p. 401.
169 leis; são instâncias para avaliar a plausibilidade das leis. Por exemplo, as descrições de regularidades, nas economias capitalistas, são os dados (não a teoria) para avaliar as implicações de leis abstratas de produção.404
A tentativa de perscrutar “leis abstratas de produção” para descrever eventos históricos singulares parece uma herança da idade mitológica, de pensar que a ordem das coisas está governada por algum princípio de ordem divina ou natural. Eventos, como a criação da Liga das Nações ou da ONU, são casos únicos, que não podem ser compreendidos fora de um contexto histórico, e por mais que possam ser similares a eventos do passado, tais comparações acabam por serem estéreis. Aprender com as lições do passado parece ser muito diferente do que pensar em leis que governam os fatos humanos.
As teorias positivistas tanto das ciências naturais quanto das ciências sociais utilizam a crença no princípio da uniformidade da natureza, que pode ser entendido na forte convicção de que as coisas acontecem mediante um número de leis e padrões que regulam a natureza e as sociedades. O princípio da uniformidade é um padrão das teorias indutivistas para a construção de teorias, surgiu mesmo antes da própria ciência moderna, e está implícito ou explicitamente presente nas teorias positivas, que presumem regularidades universais, conforme anota Cohen:
A maioria dos teóricos sociais positivistas parece ter adotado o princípio de uniformidade por via de sua aceitação de diretrizes metodológicas desse tipo, mas alguns deles indicavam ou propunham uma percepção dessas implicações ontológicas dos métodos positivistas. Assim é que Walter Wallace, cujos trabalhos mais recentes o distinguem como um dos mais importantes teóricos positivistas da época atual, invoca a afirmação de Popper de que o princípio de uniformidade é uma crença metafísica e depois declara: assim como ’os astrofísicos supõem que os mesmos processos (sejam eles conhecidos ou não) que prevalecem aqui e agora na Terra prevalecem em todo o cosmos e através de todo o tempo passado e futuro ... assim também os sociólogos supõem que os mesmos processos (ainda aqui, quer sejam conhecidos ou não) prevalecem em todas as sociedades, passadas, presentes e futuras’(Wallace, 1983).405
Embora as controvérsias sobre a uniformidade de padrões na natureza seja algo sempre em discussão, o que resta é a pergunta das semelhanças e diferenças entre a natureza e a vida social. Para Anthony Giddens, essa diferença é nítida, e muito embora possam ser evidenciadas tendências, as sociedades são sempre criadas e recriadas pelas ações humanas em conjunto. Embora Giddens concentre-se no sujeito como um ser racional, o foco principal da teoria é a conduta social, ou seja, no desempenho e nos resultados das ações, e não tanto
404 TURNER, Jonathan H. Teoria social hoje. Vários autores.São Paulo: UNESP, 1999. p. 236 405
COHEN, Ira J. Teoria social hoje. Vários autores. Org. Anthony Giddens e Jonathan Turner. São Paulo: UNESP, 1999. p. 407.
170 nos significados e motivos que os agentes associam a seu comportamento, e assim são deixados em um segundo plano os aspectos discursivos das condutas:
Embora Giddens aceite que a conversação e a negocição de significado são características proeminentes das práticas sociais, sua concepção da ação humana transfere a atenção para um aspecto mais característico de toda conduta humana, o poder de intervir no curso dos acontecimentos ou no estado de coisas. Essa conexão entre ação e poder precede logicamente e permeia a explicação giddensiana das práticas sociais. De fato, o poder nesse sentido genérico é logicamente anterior a todas as questões referentes à subjetividade ou ao monitoramento da conduta. Isso porque a ação social, depende unicamente da capacidade dos atores de ’fazer uma diferença’ na produção de resultados definidos, quer pretendam ou não que esses resultados acorram, quer estejam ou não conscientes de que eles ocorrem. Visto que ’fazer uma diferença’ é transformar algum aspecto de um processo ou evento, a ação na teoria da estruturação é equiparada à capacidade transformativa.406
A diferença substantiva entre a natureza e a vida social é que os agentes sociais têm o controle sobre as suas ações em muitos aspectos determinantes. Por isso, é difícil presumir que a ordem social dar-se-á da mesma maneira que a ordem natural: “Em princípio, qualquer padrão de conduta social pode ser alterado pelos atores que estão envolvidos na sua produção”.407 Contudo, isso não exclui as regularidades nas condutas, mas essas regularidades não podem ser compreendidas num plano trans-histórico. O fato característico na teoria de Giddens é que uma ação não é nem completamente determinada, nem completamente livre. A liberdade é um fator, no entanto, de grande importância na gênese da produção social. Assim, uma teoria ontológica das questões sociais, proposta por Giddens, concede um alto grau à diversidade de eventos que podem existir através da história:
A altercação de Giddens de que as facilitações e as coações no exercício da ação irão variar consideravelmente em diferentes circunstâncias históricas significa uma relutância em estabelecer uma posição a priori no tocante a questões de liberdade e determinismo. Considerada sob essa luz, a afirmação de que, em princípio, os agentes são sempre capazes de ’agir de outra maneira’ representa apenas uma negação de um determinismo total da ação por forças às quais o agente deve responder automaticamente. Mas se a teoria da estruturação nega um determinismo radical, ela se opõe igualmente à liberdade desqualificada.408
As práticas, nessa concepção, estão em um “desempenho qualificado”, ou seja, é um procedimento que envolve métodos e técnicas que são executadas pelos agentes sociais. Esses métodos são os recursos que os agentes dispõem e estão, pelo menos, tacitamente conscientes desses recursos. Existe uma percepção nos processos da ação, um conhecimento mútuo que é
406 Idem, Ibidem, p. 409. 407
Idem, Ibidem, p. 410.
171 compartilhado por todos os que se envolvem em práticas sociais. O conhecimento mútuo está entrelaçado com os recursos técnicos disponíveis para determinada ação.
Para Cohen, a concepção estruturacionista de Giddens não pode determinar logicamente uma rejeição do princípio da uniformidade, contudo, o problema está em provar que tal uniformidade, de fato, existe nas práticas sociais, o que poderia frustrar até o mais incansável dos positivistas:
Transpor o princípio da uniformidade, da natureza para as práticas sociais exigiria postulados para o efeito de que: os atores sociais em todas as épocas históricas e em todas as civilizações sejam cognoscíveis no tocante aos procedimentos de ação similares; eles construam e apliquem da mesma forma os aspectos semânticos e normativos desses procedimentos; tenham acesso aos mesmos tipos de recursos. Essas proposições são difíceis de sustentar. Elas implicam muito mais coisas do que a afirmação de que em toda parte os seres humanos têm necessidades semelhantes. As necessidades (por exesmplo, alimento, abrigo, sexo, educação dos jovens) podem ser atendidas mediante uma variedade de diferentes práticas, e pode haver considerável variação no grau e no tipo de satisfação que resulta quando essas práticas são realizadas. O que esses postulados uniformistas realmente implicam é nada menos que a redução da diversidade histórica a formas fundamentais de conduta social na produção de vida social.409
Assim, Giddens desconsidera que uma teoria sistêmica como a de Talcott Parsons, com regras e recursos necessários, deve ser empregada na análise da conduta social historicamente constituída. A variação histórica deve estar sempre presente e, nesse sentido, aqueles que consideram a ontologia estruturalista podem sempre revisar os seus conceitos sobre os fatos sociais: “O único fato substantivo da teoria da estruturação que eles devem acatar é que todas as práticas e circunstâncias históricas estão sujeitas a mudança”.410
Além dessas constatações nas concepções metodológicas das ciências, é importante destacar também o elo intrínseco de todo o conhecimento com a sua prática. Para Gilpin, por exemplo, o realismo apenas está “diagnosing the illnesses of the human condition is not endorsing what he or she sees any more than a physician endorses the cancer found in a patient”411. Conforme Gilpin, os realistas não aprovam os métodos dos quais são temas os seus livros, apenas descrevem como constatações para toda a humanidade, ao descobrir este “câncer” no seio das relações internacionais. Todavia, a fé na completa neutralidade das teorias parece ser uma herança que os realistas receberam das teorias positivistas, na procura por uma uniformidade invariável através dos tempos. Todavia, como Jürgen Habermas afirmou em seus livros, Ciência e técnica como ideologia e Conhecimento Interesse, as
409 Idem, Ibidem p. 415. 410
Idem, Ibidem, p. 417.
172 teorias são sempre construídas em sociedade e para uma práxis, dentro de contextos significativos.