3. ARAŞTIRMA BULGULARI VE TARTIŞMA
3.3. Örneklerin SEM Analizleri
3.3.1. Cu-Zn-Al Alaşımında SEM Đncelemeleri
Os três anos seguintes foram pautados por uma nítida consciencialização da necessidade de desenvolvimento profissional, não só através da formação, mas também por intermédio da pesquisa e da adopção de uma postura e insistência no diálogo com outros colegas, ainda que com alguma resistência por parte dos pares. A participação em várias actividades da escola contribuiu igualmente para o enriquecimento profissional. Imbernón afirma que
A formação é um elemento importante do desenvolvimento profissional, mas não é o único e talvez não o decisivo. Portanto, uma aproximação ao conceito de desenvolvimento profissional do professor pode ser toda a tentativa sistémica de melhorar a prática laboral, as crenças e os conhecimentos profissionais, com o propósito de aumentar a qualidade docente, investigadora e de gestão (Imbernón, 2002: 19).
Nesta baliza temporal, que coincidiu com uma certa estabilidade profissional, uma vez que passámos para o quadro de professores efectivos da Região, assumimos, talvez fruto do empenho evidenciado no primeiro ano de exercício de funções na Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, alguns cargos de relevo - coordenação de Escola do projecto PISA, coordenação da Equipa Multidisciplinar, coordenação do Programa Comenius e co-coordenação do Clube Europeu. Corresponde esta fase a um momento de ambição pessoal, de desenvolvimento profissional assente nos conhecimentos adquiridos pela participação em várias actividades, de eminente grau de motivação e dinamismo, de vontade de fazer a diferença e de trabalhar em prol dos alunos. Desta forma, ganha sentido o que Abraham (1984) revela que o jovem professor, com 6 a 10 anos de serviço, entende que os primeiros anos da sua carreira correspondem ao auge, a um período em que participou com emoção em múltiplas actividades e aventuras com os seus discentes, onde a energia, o regozijo e a estimulação condizem com as mesmas características dos alunos.
Neste período voltámos a leccionar 7.º e 8º ano de escolaridade, uma vez que a selecção dos horários, na maioria das escolas nacionais, é feita de acordo com o tempo de serviço docente. Dado que o grupo disciplinar de então tinha muitos professores com mais de 25 anos de serviço, a prioridade na escolha do horário cabia a estes docentes. Daqui concluímos que a distribuição do trabalho de docência não obedece à
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continuidade pedagógica, não é feita tendo em conta as necessidades dos alunos, mas sim da conveniência dos professores.
No que concerne aos conteúdos disciplinares, registamos apenas uma novidade, ou seja, abordagem do conto de autor “A Estrela”, de Virgílio Ferreira.
Vergílio Ferreira utilizou vários modos e géneros literários para se expressar – o diário, o conto, o ensaio e o romance – mas foi sobretudo como romancista e ensaísta que se notabilizou. Escritor – filósofo, começou a sua produção literária na década de quarenta do século XX. Podemos dividir a sua obra em duas fases. No início, Vergílio Ferreira foi movido pela dialéctica neo-realista, pelo ideário marxista, numa denúncia das assimetrias sociais do Portugal de 30 e 40 do século passado. Fazem parte deste período O caminho fica longe (1943), Onde tudo foi morrendo (1944) e Vagão Jota (1946).
Mais tarde, encontrou a sua matriz nas correntes existencialistas disseminadas, em Portugal, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, tendo sofrido influências de Heidegger, Unamuno, Kierkegaard, Malraux, Jaspers, Sartre, Pascal, Raul Brandão, entre outros. Mudança (1949), Manhã Submersa (1954) e, em particular, Aparição (1959) exprimem reflexões de índole metafísica, humanista e existencialista. Neste sentido, Lourenço aduzia que
faz parte que se considere Vergílio Ferreira numa perspectiva ideológica, como autor de ruptura e tentativa de superação e reformulação do ideário neo-realista; numa perspectiva metafísica, como romancista do existencial no sentido que ao termo foi dado pela temática chamada existencialista; e, finalmente, numa perspectiva simbólica, como romancista de uma espécie de niilismo criador ou, talvez melhor, do humanismo trágico ou tragédia humanista (Lourenço, 1982: 332).
A sua produção literária veicula uma permanente preocupação em interrogar a condição humana no intuito de descobrir uma orientação para o seu tempo, uma meditação sobre o sentido da vida, nascimento, morte, solidão, silêncio, numa dicotomia entre o mundo físico e o transcendente, numa expressão do humanismo e do seu interior. Está em sintonia com o pensamento filosófico existencialista, cujo objectivo primacial é reflectir e questionar o homem e a vida em todas as suas vertentes, o seu destino, com o intento de apontar um verdadeiro sentido para a existência.
Subsidiário aos romances, o escritor publica em 1976 a colectânea Contos, que inclui, num único volume, textos dispersos por revistas e jornais, bem como as composições insertas em A Face Sangrenta e em Apenas Homens. Os contos de Ferreira
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acabam por ser um laboratório de romances, através dos quais o escritor ensaia os romances ou, por outro lado, volta aos mesmos para rematar ou transmitir algo mais. Nesta linha, Rodrigues adianta que
não há como evitar a associação do conto “Estrela” ao romance Estrela Polar, adjuvada esta semelhança de títulos pelo facto de o conto ter sido escrito no mesmo ano em que o autor publicou o romance – de resto, o conto em análise, apesar de apresentar uma situação ficcional diferente daquela que é desenvolvida pelo romance em causa, como que insiste na mesma tonalidade metafísica que subjaz ao romance; a procura do absoluto simbolizado pela estrela (polar) que tanto Pedro como Adalberto perseguem e que escapa a um e a outro (Rodrigues, 2002: 143).
Neste conto descreve-se o fascínio que Pedro, personagem principal, nutre pela estrela, a mais resplandecente, facto que o induz a roubá-la. A diegese começa envolta em sedução, em suspense, através da frase introdutória “Um dia, à meia-noite, ele viu- a” (Ferreira, 1999: 5) facto que mantém o leitor preso à narração. No silêncio da noite, enfrentando medos e indecisões, mas munido da teimosia própria das crianças, movido pelo sonho desmesurado, o protagonista decide subir ao alto da igreja para furtar, do cume de uma montanha elevadíssima, a estrela mais brilhante.
Porém, um ancião, que passava parte da noite acordado, deu conta da ausência do astro cintilante e comunicou o sucedido ao Cigarra que, por sua vez, o fez saber a toda a aldeia provocando a ira de toda a população.
O desenvolvimento da intriga segue os preceitos dos contos maravilhosos, com uma estrutura bem delimitada, condensada, numa acção fechada, onde o racional dá lugar, muitas vezes, ao ininteligível, ao enigmático, próprio da linguagem das crianças, num espaço também concentrado, presumivelmente num cenário rural. A situação inicial é assinalada pela descoberta e enlevo pela estrela; o desenvolvimento é marcado pelo facto de Pedro se deixar vergar ao desejo de roubar a estrela, cometendo uma infracção que provoca a desordem na aldeia, da qual se desconhece o nome, o que o levará, no desfecho, à punição, ao pagamento pela falta cometida, a do sonho excessivo. Depois de descoberta a verdade, o pai do protagonista impõe-lhe a reposição da estrela no lugar primitivo. Todavia, ao devolvê-la perante toda a população, à meia-noite, Pedro cai da torre e morre. Nasce, assim, a lenda do menino e da estrela, que se perpetuou na memória de todos até ao presente.
Não se vislumbra aqui uma moralidade expressa, mas sim um convite aos leitores a inferirem uma mensagem… Pedro morreu porque o seu sonho era demasiado grande, os sonhos também se concretizam quando se acredita, uma falta grave origina um
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castigo severo; a incapacidade dos adultos sonharem levou-os a condenarem Pedro… A estrela surge, também, associada, de acordo com os diversos momentos da acção, a conotações díspares, ou seja, simboliza a beleza, o ideal, a quimera, a morte, o crescimento, a demanda da própria identidade, a coragem e a vitória sobre o medo.
Estamos perante um narrador omnisciente que conhece tudo o que diz respeito às personagens e aos acontecimentos, reconhecendo-se a presença da focalização interna, já que o narrador adopta o ponto de vista de Pedro. É também um narrador subjectivo, dado que, na explanação dos factos regista-se uma posição marcadamente afectiva e emocional em relação ao protagonista. Num apontamento semelhante à tradição oral do conto popular, esta relação sentimental é narrada com recurso à linguagem coloquial, à espontaneidade, ao discurso indirecto livre e às marcas orais próprias da infância que emprega com a personagem principal, dando relevo ao esforço, à tenacidade e ao dramatismo que percorre Pedro para conseguir concretizar o seu sonho. Esta particularidade permitiu o estudo dos registos de língua.