4. Cultural Heritage & Conservation Planning
4.6. Conservation Planning
Neste método o aquecimento da massa de lodo é promovido pela ocorrência de atividade biológica. Para tanto, é fundamental que condições favoráveis para manutenção da atividade biológica sejam mantidas, principalmente injeção e distribuição de oxigênio em proporções adequadas. Vale mencionar que para que a oxigenação seja efetiva na massa de lodo, espaços de ar livres devem existir e, para promover a existência destes espaços, material estruturante deve ser utilizado, como, por exemplo, madeira triturada. As tecnologias mais importantes que podem ser classificadas como método biológico são a compostagem e a
biossecagem, discutidas a seguir. Embora a compostagem não visa à máxima remoção de água, pode também ser considerada como etapa de secagem, dado o teor de sólidos final do composto (acima de 40% de ST).
Compostagem
Uma tecnologia comumente utilizada para lidar com resíduos orgânicos é a compostagem biológica, que estabiliza a matéria orgânica em matéria húmica livre de odor mensurável e patógenos, e pode ser beneficamente aplicada no solo (MOTE e GRIFFIS, 1982). A compostagem pode ser definida como uma bioxidação aeróbia exotérmica de um substrato orgânico heterogêneo, no estado sólido, caracterizado pela produção de CO2, água,
liberação de substâncias minerais e formação de matéria orgânica estável (FERNANDES e
SILVA, 1999). Durante este processo, bactérias, actiomicetos e fungos (bolores e levedura) oxidam ácidos graxos de cadeia longa e curta, produtos de papel e outros poluentes, e produz calor levando à redução dos resíduos devido à conversão microbiana e evaporação da água (TUOMELA et al., 2000). Protozoários ajudam a consumir bactérias e fungos, enquanto rotíferos controlam o crescimento de bactérias e protozoários, minimizando, portanto, os riscos relacionados à saúde e associados a patógenos (HAUG, 1993). A compostagem visa à máxima conversão da matéria orgânica. Para isso, água é adicionada ao processo quando a fração orgânica atinge baixo teor de umidade a fim de preservar um percentual de umidade ótimo para que seja mantida a atividade biológica e, consequentemente, a máxima conversão biológica.
Por se tratar de um processo biológico, os fatores mais importantes que influem na degradação da matéria orgânica são a aeração, os nutrientes e a umidade. A temperatura
também é um fator importante, principalmente no que diz respeito à rapidez do processo de
biodegração e à eliminação de patógenos, porém é resultado da atividade biológica. Os nutrientes, principalmente carbono e nitrogênio, são fundamentais ao crescimento bacteriano.
O carbono é a principal fonte de energia e o nitrogênio é necessário para a síntese celular.
Fósforo e enxofre também são importantes, porém seu papel no processo é menos conhecido.
Os micro-organismos têm necessidade dos mesmos micronutrientes requeridos pelas plantas (Cu, Ni, Mo, Fe, Mg, Zn e Na), que são utilizados nas reações enzimáticas, mas os detalhes
deste processo são pouco conhecidos (FERNANDES e SILVA, 1999).
O processo de compostagem pode ser simplificadamente representado conforme ilustrado na Figura 3.22.
Figura 3.22 – Esquema simplificado do processo de compostagem. Fonte: Fernandes e Silva (1999).
No início do processo há um forte crescimento dos microrganismos mesofílicos. Com
a elevação gradativa da temperatura, resultante do processo de biodegradação, a população de mesofílicos diminui e os microrganismos termofílicos proliferam com mais intensidade. A população termofílica é extremamente ativa, provocando intensa e rápida degradação da matéria orgânica e maior elevação da temperatura, o que elimina os microrganismos patogênicos (Figura 3.23). Quando o substrato orgânico for em sua maior parte transformado, a temperatura diminui, a população termofílica se restringe, a atividade biológica global se reduz de maneira significativa e os mesofílicos se instalam novamente. Nesta fase, a maioria das moléculas facilmente biodegradáveis foram transformadas, o composto apresenta odor agradável e já teve início o processo de humificação, típico da segunda etapa do processo,
denominada maturação. Estas duas fases distintas do processo de compostagem são bastante
diferentes entre si. Na fase de degradação rápida, também chamada de bioestabilização, há intensa atividade microbiológica e rápida transformação da matéria orgânica. Portanto, há
grande consumo de O2 pelos microrganismos, elevação da temperatura e mudanças visíveis
agressivo. Mesmo com tantos sinais de transformação o composto não está pronto para ser utilizado. Ele só está apto a ser disposto no solo após a fase seguinte, chamada de maturação. Na fase de maturação a atividade biológica é pequena, portanto, a necessidade de aeração
também diminui. O processo ocorre à temperatura ambiente e com predominância de
transformações de ordem química: polimerização de moléculas orgânicas estáveis no processo
conhecido como humificação (FERNANDES e SILVA, 1999).
Figura 3.23 – Exemplo genérico da evolução da temperatura de uma leira em compostagem. Fonte: Fernandes e Silva (1999).
Estes conceitos são importantes, pois eles se refletem na própria concepção das usinas
de compostagem. Como na fase de biodegradação rápida ocorre uma redução de volume do
material compostado, consequentemente a área necessária para a fase de maturação é menor.
Durante a maturação alguns testes simples permitem definir o grau de maturação do composto
e, portanto, a liberação para seu uso. Ele pode então, se houver interesse, ser peneirado e acondicionado adequadamente para ser mais facilmente vendido e transportado. Mas, para que o processo de compostagem se desenvolva de maneira satisfatória, é necessário que alguns parâmetros fisico-químicos sejam respeitados permitindo que os microrganismos
encontrem condições favoráveis para se desenvolverem e transformarem a matéria orgânica
Biossecagem
A biossecagem ou biodrying é uma tecnologia baseada em um processo semelhante ao da compostagem, mas com o objetivo de remover a água de material orgânico, como, por exemplo, lodo de esgoto. A diferença entre compostagem e biossecagem é que esta última não visa alcançar a mineralização completa dos resíduos preservando a umidade para a atividade microbiana ideal. Em vez disso, o calor metabólico é usado para remover a água da massa de resíduo no mais baixo tempo de residência possível e mínima biodegradação, preservando assim o poder calorífico do resíduo. Assim como na compostagem do lodo de esgoto, na biossecagem é necessária a utilização de material estruturante a fim de aumentar os espaços livres na massa e favorecer a passagem e contato do oxigênio com os micro-organismos que, por processo de fermentação aeróbia, degradam a matéria orgânica, liberando calor para o meio externo (WINKLER et al., 2013).
Por se tratar do tema de maior importância no desenvolvimento desta tese, a revisão bibliográfica deste tema será abordada no item “3.5. Biossecagem”, com o objetivo de conferir maior evidência ao assunto e permitir melhor discussão e descrição das contribuições e pesquisas desenvolvidas até o momento, com base na literatura consultada.