Mapa 2 O Caribe
A Jamaica é a terceira maior de uma cadeia de quatro ilhas chamadas de Grandes Antilhas que, por sua vez, limitam ao norte o Mar do Caribe, conforme se pode observar no mapa acima. A localização da ilha se situa entre 18º15’ N. e 77º33’ W. Em sua extensão de leste a oeste, ela mede 235 km (146 milhas), enquanto que sua largura varia de 35 a 82 km (22 a 51 milhas) e sua área total abrange 11,244 km² (4,411 sq. miles). Primariamente uma ilha de origem vulcânica, ela apresenta uma cadeia montanhosa cujo pico culminante em Blue
Montain atinge 2.225 m de altura. Ao seu redor existem praias de areia branca e mares de águas claras.
O clima no inverno apresenta a temperatura média de 60º F (16º C); no verão em torno de 90º F (31º C). As temperaturas na região montanhosa são mais frias de 5 a 10 graus durante todo o ano. Tipicamente uma ilha tropical, a Jamaica possui meses chuvosos em Maio, Junho, Setembro e Outubro. Furacões formados no Oceano Atlântico e movendo-se dentro do Caribe ou do Golfo do México ou permanecendo no seu curso no Atlântico ameaçam a Jamaica nas três direções. Somente um pequeno número atinge a ilha (o “olho” do furacão), mas as chuvas e os ventos de um furacão próximo podem causar muitos estragos e prejudicar a economia nacional. Quinze furacões atingiram diretamente a Jamaica no último século (Mordecai e Mordecai, 2001, p. 3).
Os índices pluviométricos atingem 5.080 mm nas montanhas do nordeste e 813 mm nas vizinhanças de Kingston. As terras aráveis representam 14% do território, com 6% da área destinada ao plantio permanente. Por sua vez, 24% das terras destinam-se ao pastoreio, enquanto 17% são cobertas por florestas e bosques. Suas principais plantas nativas são: o cedro, o mahogany, o palmito, o coqueiro e a pimenta (allspice). Durante o ano, as espécies tropicais e subtropicais como a poinciana vermelho vivo, o poui amarelo e a Blue lignum vitae (que é a flor símbolo da nação) produzem um espetáculo de cores nas florestas. A manga, a fruta-pão, a banana e a plantain22 foram introduzidas na ilha durante a colonização. A fauna natural é composta principalmente de pássaros como papagaios, cucos e beija-flores (alguns são chamados de Doctor Bird pelos jamaicanos e são considerados como a ave nacional). Sapos, crocodilos e lagartos são encontrados por toda a ilha. Tartarugas, arraias e peixes são encontrados nas águas claras do oceano perto da praia. Não existem grandes quadrúpedes e cobras venenosas na Jamaica.
A hidrografia da ilha possui aproximadamente cento e vinte rios, cujas nascentes encontram-se nas regiões montanhosas que cortam a ilha de leste a oeste. Por conseguinte, os rios correm para o norte ou para o sul. Devido ao relevo acidentado, formando muitas quedas
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d’água, a maioria dos rios jamaicanos não é navegável, exceto o Black River que é o maior rio jamaicano, com 73 km de extensão, sendo 28 km navegáveis.
As principais questões sobre o meio ambiente giram em torno do desmatamento, da poluição das águas costeiras por dejetos industriais, esgoto e derramamento de óleo; dos danos aos recifes de corais e da poluição atmosférica em Kingston, resultante das emissões dos veículos automotores.
Os primeiros registros de ocupação da ilha remontam aos séculos VII e VIII d.C., quando tribos Arawak (comedores de carne) ou Taino (como eles se autodenominavam) ocuparam a ilha vindos da Guiana, na América o Sul. Eles eram agricultores de baixa estatura que cultivavam mandioca ou cassava (como ela é conhecida na Jamaica), milho e batata doce. Os Taino também pescavam e caçavam. O nome “Jamaica” deriva da palavra Xamaica, no idioma Arawak, que provavelmente significa “terra de muitas fontes”.
A chegada dos europeus se deu na segunda viagem de Cristóvão Colombo, em 4 de maio de 1494, na Baía de Saint Ann. A primeira reação dos Taino aos europeus era de hostilidade. Contudo, em 1510, os espanhóis fundaram a cidade de Nueva Sevilla, no norte da ilha. A partir de então, a Jamaica servia para suprir as necessidades de Cuba e Hispaniola (atuais República Dominicana e Haiti) ou para regiões mais importantes das Américas Central e do Sul. As doenças trazidas pelos espanhóis, o tratamento cruel e a exploração desenfreada dizimaram, em pouco tempo, os Arawak.
Quando os ingleses chegaram, em 1655, os Arawak já estavam praticamente extintos e trabalhadores africanos trabalhavam na ilha como escravos. A dominação colonial britânica durou até 1962. Os ingleses introduziram a plantation açucareira baseada no trabalho escravo. Em 1º de agosto de 1838, aboliu-se a escravidão, mas os afro-descendentes livres continuaram sem direitos políticos, muitos deles se tornaram camponeses ou pequenos fazendeiros. A decadência da plantation e o desemprego após a emancipação dos ex-escravos, bem como sua marginalização política levaram à eclosão da Revolta de Morant Bay, em 1865, liderada por Paul Boogle (1822-1865). O medo racista obrigou a dissolução da Assembléia e do governo, passando a ilha a ser governada diretamente de Londres (Crown Colony Government – Governo Colonial da Coroa).
O Governo Colonial da Coroa, embora tenha permitido eleições e participação de um Conselho Legislativo, tinha poderes autocráticos e, a elegibilidade e o direito de voto eram ditados por certas qualificações baseadas na renda. A partir dos anos 1930, os modernos partidos políticos surgiram para guiar as massas em seus direitos trabalhistas em busca da independência política. Em novembro de 1944, uma nova Constituição aboliu o Governo Colonial da Coroa e instituiu o sufrágio universal. Apesar das lutas internas, os partidos políticos se empenhavam na independência política da ilha. No curto período de 1958 a 1961, foi criada a British West Indies Federadion (Federação das Índias Ocidentais Britânicas), englobando todas as possessões inglesas no Caribe. A dissolução se deu quando a Jamaica emitiu um referendo exigindo sua independência que veio ocorrer um ano depois.
Desde sua independência em 06 de agosto de 1962, a Jamaica constitui um Estado soberano incluído na Comunidade Britânica (Commonwealth). E, devido à sua localização geográfica e ao idioma inglês, ela ainda é considerada pertencente às British West Indies (Índias Ocidentais Britânicas). O governo é exercido por meio da democracia parlamentar, cuja sede encontra-se na capital Kingston. A divisão administrativa é composta por três
counties (condados): Cornwall County, Middlesex County e Survey County. Os condados se
subdividem em quatorze parishes ou paróquias. Cornwall County é formado pelas paróquias de Hanover, Saint Elizabeth, Saint James, Trelaway e Westmoreland; Middlesex County engloba as paróquias de Clarendon, Manchester, Saint Ann e Saint Catherine; e Survey County é sudividido em Kingston, Portland, Saint Andrew e Saint Thomas.
Mapa 3
Atual Divisão Político-Administrativa da Jamaica
O sistema legal jamaicano se baseia nas leis comuns britânicas. Os laços coloniais, portanto, não foram totalmente rompidos, uma vez que a rainha da Inglaterra, Elizabeth II (1926- ), é o chefe do Estado, sendo representada por um Governador Geral. Atualmente, este cargo é exercido por Sir Howard Felix Cook desde 1º de agosto de 1991.
O poder executivo é composto, além do Governador Geral, por um Primeiro Ministro, um Primeiro Ministro-Deputado, e um gabinete de ministros. Não há eleições diretas para o poder executivo, uma vez que a monarquia é hereditária. O Governador Geral é nomeado pelo monarca com a recomendação do Primeiro Ministro, enquanto esse último e o Primeiro Ministro-Deputado são apontados pelo Governador Geral, a partir dos membros do partido majoritário do poder legislativo. Atualmente, o cargo de Primeiro Ministro é exercido por Percival James Patterson (desde 30 de março de 1992) e o de Primeiro Ministro-Deputado é ocupado por Seymour Mullings (desde 1993).
O poder judiciário compreende uma Suprema Corte cujos juízes são nomeados pelo Governador Geral, com base no conselho do Primeiro ministro.
O poder legislativo, representado por um Parlamento bicameral, é composto pelo Senado e pela Casa dos Representativos. O Senado é composto por 21 membros, sendo treze assentos ocupados pelo partido da situação ou de maioria e oito ocupados pela oposição, nomeados pelo Governador Geral a partir das recomendações do Primeiro Ministro e do líder da oposição. A Casa dos Representativos é composta por sessenta deputados, eleitos por voto popular para um mandato de cinco anos.
A sua política interna é dominada desde a década de 1930 por dois partidos principais: o Partido Trabalhista Jamaicano (JLP ou Jamaican Labour Party) fundado por Alexander Bustamate e o Partido Nacional Popular (PNP ou People’s National Party) fundado por Norman Washington Manley. Até os anos cinqüenta, quase não havia grandes diferenças entre esses partidos a não ser que o PNP tinha uma tradição de esquerdismo e as facções mais inclinadas à direita estavam no JLP. Entre os líderes de ambos os partidos havia representantes de procedência social semelhante; os dois grupos procuravam compromissos similares em relação às diversas classes sociais, isto é, tinham suas bases associadas a sindicatos para controlar as massas. Na realidade, as diferenças eram mais de grau que de qualidade; por exemplo, no montante de impostos que deviam pagar as companhias que extraíam bauxita ou se a educação devia ser acessível a todo o povo (Figueroa, 1987, p. 46)23.
Os processos eleitorais na Jamaica estão longe de serem pacíficos, pistoleiros armados ligados a ambos os partidos JLP e PNP se enfrentam mutuamente, beirando a guerra civil. Para garantir a tranqüilidade do sufrágio, as últimas eleições tiveram o acompanhamento de uma comissão internacional liderada pelo ex-presidente, dos EUA Jimmy Carter (1924- ), Prêmio Nobel da Paz em 2002 e presidente do Carter Center, uma ONG voltada para os direitos humanos e que acompanha eleições em países em que o processo eleitoral democrático é ameaçado.
A economia jamaicana esteve, desde o início de sua colonização, baseada na exportação de produtos primários como a banana e a cana-de-açúcar. Após a década de 1950,
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Cf. também Jefferson Owen, “Some Aspects of the Post-War Economic Development in Jamaica”. In: Norman Girven e Jefferson Owen (eds.). Readings in the Political Economy of the Caribbean. Kingston: New World Group, 1971, p. 109-120.
com a descoberta das jazidas de bauxita, a mineração se tornou o principal setor da economia sendo explorado por empresas norte-americanas e canadenses. O turismo também teve seu incremento no mesmo período. Nas últimas décadas o setor de serviços conheceu um enorme crescimento. No interior do país ainda existem pequenas fazendas voltadas para a produção de alimentos, algumas delas pertencentes a uma pequena elite de camponeses afro-descendentes. Os dados seguintes sobre a economia jamaicana foram coletados no Statistical Institute of Jamaica (SIJ).
Comparada às economias da maioria das ilhas caribenhas, a economia jamaicana é bastante desenvolvida. Todavia, ela é bastante dependente da importação de bens de consumo e matérias-primas, apresentando uma balança comercial negativa. Em 2004, as exportações atingiram a marca de US$ 1,679 bilhões e as importações, US$ 3,624 bilhões. Naquele ano, o PIB jamaicano atingiu US$ 11, 13 bilhões, sendo que a taxa de crescimento foi de 1,9% e o PIB per capita US$ 4,100. A agricultura contribuiu com 6,1% do PIB, a indústria com 37,2% e o setor de serviços com 61,3%. A dívida externa, por sua vez, chegou à marca de US$ 5,9604 bilhões, enquanto a inflação anual atingiu 12,4% a.a. A taxa de desemprego correspondeu a 16%. A partir desses números, pode-se concluir que o desempenho econômico foi, no ano de 2004, medíocre.
Nos anos 1960, a Jamaica era a maior produtora mundial de bauxita com 7% da reserva mundial. Atualmente, ela se encontra em terceiro lugar, atrás da Austrália e do Brasil. A extração da bauxita representa 25% da receita governamental.
Ao seu turno, a agricultura emprega 21% da força de trabalho. Cerca de 160 mil pequenos fazendeiros cultivam 95 acres, a maioria com 1,5 acres, enquanto 55% das terras férteis pertencem a apenas 5% da população, resultando na alta concentração fundiária. Um terço das terras agricultáveis (203 milhas quadradas) é ocupado pela lavoura de cana que é a maior empregadora da mão-de-obra no campo. Contudo, verifica-se uma queda na produção açucareira de 501 toneladas em 1965 para 216 toneladas em 2000. Do mesmo modo, a banana apresenta quedas vertiginosas. De maior produtor de banana, no final do século XIX, a Jamaica produziu 28 mil toneladas em 1965 e apenas 4.250 toneladas em 2000. Outros produtos agrícolas importantes são: a pimenta, o café, o cacau e as flores ornamentais.
A indústria manufatureira emprega 19% da força de trabalho e representa 35,2% do PIB. As principais indústrias são do setor têxtil e bens de consumo. O setor de serviços emprega 41% da mão-de-obra, enquanto o turismo é responsável por 45% da entrada de capital e emprega diretamente 75 mil pessoas e mais 225 mil indiretamente, isto é, um quarto de todos os empregos. Em 2000, a Jamaica recebeu 1,8 milhões de visitantes e obteve a renda de US$ 1,3 bilhão com o turismo.
O baixo desempenho da economia jamaicana nos últimos anos também pode ser evidenciado na queda da taxa cambial em relação ao dólar norte-americano. De J$ 42.986 em 2000 ela passou para J$ 61.197 em 2004, disso resulta um alto custo de vida. Não obstante, um terço da população vive abaixo da linha de pobreza proposta pela ONU. As resultantes dessa situação são os diversos problemas e tensões sociais como a pobreza, a violência urbana e a marginalização da maioria da população jamaicana.
A população jamaicana apresentou uma estimativa de 2.731.823 habitantes em julho de 2005. A densidade demográfica é de 252 habitantes/km². A taxa de crescimento vem apresentando quedas desde 1995, sendo que a estimativa para o ano de 2005 é de 0,71%. Por sua vez, as taxa de natalidade é de 16,56/1000 habitantes, enquanto a taxa de mortalidade apresenta 5,37/1000 habitantes. A taxa de migração varia em torno de -4,07 migrantes/1000 habitantes. A expectativa de vida é de 76,29 anos. A taxa de mortalidade infantil é de 12,36/1000 nascimentos (Statistical Institute of Jamaica, 2005).
O povo da Jamaica emergiu de um processo histórico no qual pessoas de todos os continentes foram trazidas em uma hierarquia social bem definida. A maioria é de descendência africana, mas existem também comunidades indianas, chinesas, árabes e européias.
Tabela 1
Distribuição Étnica da População Jamaicana
Grupo Étnico % da população total
Negros 90,4 Indianos 1,3 Chineses 0,2 Brancos 0,2 Mestiços (mulatos) 7,3 Outras raças 0,1 Não especificadas 0,5 Total 100
Fonte: MORDECAI, Martin & MORDECAI, Pamela. Culture and Customs of Jamaica. Westport, CT: Greenwood Press, 2001, p. 4.
A tabelaacima demonstra que a maioria da população jamaicana é de descendência africana (90,4%), fazendo que a cultura nacional seja muito influenciada pelas heranças africanas. Embora apenas 0,2% da população sejam de origem européia, a influência cultural britânica é muito acentuada, seguida pelas tradições indianas trazidas pelas migrações de trabalhadores vindos da Índia na passagem do século XIX para o século XX.
Segundo Benedict Anderson as nações são comunidades políticas imaginadas que “sem considerar a desigualdade e exploração que atualmente prevalece em todas elas, a nação é sempre concebida como um companheirismo profundo e horizontal” (1989, p. 16). O moto “Out of many, one people” (Surgido de muitos, um povo) cunhado no processo de independência política e que ainda hoje sustenta a união das diversas etnias e classes sociais na construção da nação, ilustra bem esse fato e tem, evidentemente, uma função ideológica. Ele aparece inclusive no simbolismo das Armas Nacionais. Na verdade o design das Armas Nacionais da Jamaica remonta ao ano de 1661, elaborado pelo então Arcebispo de Canterbury William Sanderoft (Figura 1), adaptado em 1957 (Figura 2) e readaptado em 1962, após a independência (Figura 3).
O desenho original do Arcebispo de Canterbury (Figura 1) apresenta um índio e uma índia Arawak, de pé em cada lado do escudo, cada um carregando um objeto de acordo com o seu sexo, o índio, um arco e a índia, um cesto de frutas. A ironia reside no fato de que nesse período, os Arawak estavam praticamente extintos no trato com os espanhóis durante o século XVI. O escudo, ao seu turno, apresenta uma cruz vermelha ou Cruz de São Jorge, símbolo da
monarquia inglesa com cinco abacaxis dourados sobrepostos nela. Os abacaxis dourados representam a economia jamaicana e constituem um símbolo de hospitalidade. A cimeira é um crocodilo jamaicano montado no elmo real, com um longo manto vermelho. O simbolismo do crocodilo é muito complexo. Nas tradições judaico-cristãs ele é o símbolo do Leviatã24, um monstro aquático de poderes terríveis. Outros simbolismos são: proteção maternal, conexão com a Mãe Terra, proteção contra a manipulação, vingança por meio da paciência, iniciação, compreensão do clima, acesso ao conhecimento antigo, agressão e adaptabilidade. Por fim, a imagem do crocodilo está a representar a natureza selvagem da ilha a ser dominada, conquistada. Na parte inferior das armas existe uma faixa com a inscrição latina “Indus Uterque Serviet Uni” (Ambos os Índios Servirão Um), em uma clara alusão da submissão da ilha aos interesses coloniais da Coroa inglesa.
Figura 1
As Armas Nacionais da Jamaica, 1661-1957.
Nas armas adotadas em 1957 (Figura 2) houve poucas modificações, senão na estilização dos elementos da composição. As mais significativas foram o manto vermelho
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A descrição do “Leviatã” em Jó 41: 1-34 ajusta-se bem ao crocodilo, e o “mar” do versículo 31 talvez se refira a um rio como o Nilo ou outro corpo de água doce. Deve-se observar, contudo, que os crocodilos do Nilo (Crocodylus niloticus), encontram-se ao longo da costa marítima, e, às vezes, vão uma boa distância mar adentro (Testemunhas de Jeová, 1991, p. 693).
trocado por outro dourado; o elmo real tipicamente masculino alterado por outro que poderia ser usado tanto por um rei como por uma rainha, em virtude da ascensão de Elisabeth II ao trono inglês, em 1952.
Figura 2
As Armas Nacionais da Jamaica, 1957-1962.
Por fim, nas alterações efetuadas nas Armas Nacionais, por ocasião da independência política da Jamaica, em 1962 (Figura 3), preservou-se quase que completamente o design original, com poucas alterações estilísticas, a não ser nas cores das vestes do casal Arawak, alteradas para o verde e amarelo da nova bandeira jamaicana e a cor do manto que passou a ser cinza. A permanência quase intacta da composição das Armas Nacionais jamaicanas pode ser explicada pelo apego à tradição de uma elite minoritária de anglo-jamaicanos que detém o controle dos principais ramos da economia e, tenta reproduzir os refinados padrões britânicos de comportamento. Além disso, a Jamaica não se desligou por completo de sua antiga metrópole, integrando o Commonwealth ou Comunidade Britânica, e permanecendo o monarca britânico como Chefe de Estado. Contudo, a antiga inscrição latina foi substituída, conforme vimos acima pelo moto inglês “Out of Many, One People” (Surgido de muitos, um povo) com a função ideológica de união das diversas etnias que compõem o povo jamaicano.
Esse moto revela as influências do moto latino adotado pelos EUA no período da sua independência: “E pluribus unum” (De muitos, um).
Figura 3
As Armas Nacionais da Jamaica a partir de 1962.
Da mesma maneira, o hino nacional jamaicano, composto por Robert Lightbourne, Mapletoft Poulle e Rev. Dr. Hugh Sherlock, promove um discurso de pluralidade cultural e étnica, respeito mútuo, justiça, proteção aos mais fracos etc, conforme se pode constatar na sua letra abaixo transcrita:
Eternal Father bless our land Guard us with thy might hand Keep us free from evil powers, Be our light through countless hours. To our leaders Great Defender, Great true Wisdom from above Justice, Truth be ours forever Jamaica, land we love
Jamaica, Jamaica, Jamaica land we love. Teach us true respect for all.
Strengthen us the weak to cherish, Give us vision lest we perish,
Knowledge send us Heavenly Father, Grant true wisdom from above Justice, Truth be ours for ever, Jamaica, land we love
Jamaica, Jamaica, Jamaica, land we love25 (Hall, 1980, p. 1).
Como comunidades imaginadas, as nações tendem a formar tradições, usos e costumes que conformam uma suposta identidade de seus povos ou o “caráter nacional”. Tais hábitos e costumes foram definidos por Pierre Bordieu por meio da noção de habitus. Para Bordieu, o habitus constitui “o sistema dos esquemas interiorizados que permitem engendrar todos os pensamentos, as percepções e as ações característicos de uma cultura, e somente esses” (2004, p. 349). Na verdade o habitus constitui o ethos ou o modus operandi, isto é, as práticas sociais numa determinada estrutura. Nobert Elias ao tratar do caráter nacional afirma que
Trata-se de um problema de habitus por excelência. A idéia de que o indivíduo porte em si o habitus de um grupo e de que seja esse habitus o que ele individualiza em maior ou menor grau pode ser definida com um pouco mais de precisão. Em sociedades menos diferenciadas, como os grupos de caçadores-coletores da Idade da Pedra, talvez o habitus social tivesse uma camada única. Nas sociedades mais complexas, tem muitas. Algumas podem, por exemplo, ter as peculiaridades de um inglês de Liverpool ou de europeu alemão da Floresta Negra. É do número de planos interligados de sua sociedade que depende o número de camadas entrelaçadas no habitus social de uma pessoa. Entre elas, certa camada costuma ter especial proeminência. Trata-se da camada característica da filiação a determinado grupo social de