3. CO-DOUBLE GRAFLARIN TENSÖR ÇARPIMLARININ ZAGREB
3.4. Co-double Grafların Tensör Çarpım Grafının Zagreb İndeksi
De acordo com Castells (2005), assim como acontece com todas as formas de produção historicamente distintas, a economia informacional é caracterizada por cultura e instituições específicas.
A cultura não se constitui de um conjunto de valores e crenças relacionados a uma sociedade. Seu desenvolvimento caracteriza-se pela economia informacional global que surgiu em contextos culturais/nacionais específicos (América do Norte, Japão, América Latina, etc.), exercendo influência em todos os países. A diversidade de contextos culturais dos quais emerge a economia informacional não impossibilita a existência de uma matriz comum de formas de organização nos processos produtivos, de consumo e distribuição. Sem esses sistemas organizacionais, a transformação tecnológica, as políticas estatais e as estratégias empresariais poderiam aliar-se em um novo sistema econômico.
Castells (2005) acentua que as culturas revelam-se fundamentalmente por “meio de sua inserção nas instituições24 e organizações25. A cultura que importa
24 Por instituições Castells (2005, p. 209) compreende as organizações investidas de
autoridade necessária para desempenhar tarefas específicas em nome da sociedade como um todo.
25 Por organizações, Castells (2005, p. 209) entende os sistemas específicos de meios
para a constituição e o desenvolvimento de um determinado sistema econômico é aquela que se concretiza nas lógicas organizacionais”.26
Para Castells (2005, p. 210), o surgimento da economia informacional global se caracteriza “pelo desenvolvimento de uma nova lógica organizacional que está relacionada com o processo atual de transformação tecnológica, mas não depende dele”. A base histórica da economia informacional constitui-se da convergência e da interação entre o novo paradigma tecnológico e uma nova lógica organizacional.
Mas, apesar dessa lógica organizacional manifestar-se sob diferentes formas em vários contextos culturais e institucionais, Castells (2005) destaca os seguintes pontos comuns. Primeiramente, que no contexto da globalização, a partir da metade da década de 70, ocorreu uma importante divisão, talvez industrial, tanto na organização da produção quanto nos mercados.
Em segundo lugar, que as transformações organizacionais em geral vieram antes que a difusão da tecnologia da informação.
Em terceiro lugar, que o objetivo das transformações organizacionais era fazer frente à incerteza resultante das mudanças ocorridas no ambiente econômico, institucional e na tecnologia da empresa para que aumentasse a flexibilidade em produção, gerenciamento e marketing.
Em quarto lugar, que a adoção do modelo da produção enxuta por parte das organizações visava a economia da mão-de-obra por meio da automação de trabalho.
Por último, que a administração dos conhecimentos e informações são indispensáveis para que as organizações se estabeleçam numa economia informacional em âmbito global.
Castells (2005) indica que é a transição da produção em massa para a produção flexível, ou do fordismo ao “pós-fordismo”, que caracteriza o progresso que uma empresa está fazendo. O fordismo caracterizava-se pela grande empresa estruturada nos princípios de integração vertical e na divisão social e técnica institucionalizada de trabalho.
26 Por lógicas organizacionais entende-se um princípio legitimador elaborado em uma
série de práticas sociais derivativas. Em outras palavras, lógicas organizacionais são as bases ideacionais para as relações das autoridades institucionalizadas. (CASTELLS, 2005, p. 209)
E o “sistema produto flexível surgiu para fazer frente à rigidez conseqüente do ritmo da transformação tecnológica que “tornou obsoletos os equipamentos de produção com objetivo único”. (CASTELLS, 2005, p. 212). Despontaram novos métodos de gerenciamento, pois as empresas mudaram suas estruturas organizacionais. A empresa é capaz de se inovar se consegue aumentar as fontes de todas as formas de conhecimentos, estimulando a participação intensa de todos os trabalhadores no processo de inovação, de modo que não guardem seus conhecimentos tácitos apenas para benefício próprio. (CASTELLS, 2005, p. 217)
Atualmente, diz o autor, duas outras formas de flexibilidade organizacional na experiência internacional se fazem presentes: “o modelo de redes multidirecionais postos em prática por empresas de pequeno e médio porte e o modelo de licenciamento e subcontratação de produção sob o controle de uma grande empresa”. (CASTELLS, 2005, p. 218). Sua especialização está em realizar conexões entre empresas.
Castells (2005) observa que a principal transformação pode ser assinalada como a alteração de burocracias verticais para a empresa horizontal. A empresa horizontal apresenta como tendências principais: organização no que diz respeito ao processo, não à tarefa; hierarquia horizontal; gerenciamento em equipe; medida do desempenho pela satisfação do cliente; recompensa com base no desempenho da equipe; maximização dos contatos com fornecedores e clientes; informação, treinamento e retreinamento de funcionários em todos os níveis. Em outras palavras, “a empresa horizontal é uma rede dinâmica e estrategicamente planejada de unidades autoprogramadas e autocomandadas com base na descentralização, participação e coordenação”. (CASTELLS, 2005, p. 223)
Para Dias Neto (2005), a contemporaneidade requer organizações extremamente flexíveis e adaptáveis, que ofereçam bens e serviços de alta qualidade, otimizando o aproveitamento dos recursos orçamentários disponíveis. Demanda instituições que prestem contas aos seus clientes, que ofereçam escolha entre serviços não-padronizados, que liderem por persuasão e incentivos, e não por comando; que dêem aos seus empregados um sentido de controle ou até mesmo de propriedade. Determina instituições que transmitam poder aos cidadãos ao invés de simplesmente servi-los.
As organizações bem-sucedidas são aquelas que adotam a economia informacional, que tem como características:
capacidade de gerar conhecimentos e processar informações com eficiência; adaptar-se à geometria variável da economia global; ser flexível o suficiente para transformar seus meios tão rapidamente quanto mudam os objetivos sob o impacto da rápida transformação cultural, tecnológica e institucional; e inovar, já que a inovação torna-se a principal arma competitiva. (CASTELLS, 2005, p.233)
Castells (2005) evidencia que, sob diferentes sistemas organizacionais e por intermédio de expressões culturais diversas, as novas formas organizacionais da economia informacional dispõem-se em redes que são os componentes fundamentais das organizações. E têm a competência de formar-se e expandir-se por todas as avenidas e becos da economia global, pois o novo paradigma tecnológico lhe concede o poder da informação.
2.5 REDES ASSOCIATIVAS: LAÇOS MEDIÁTICOS ENTRE O ESTADO E A SOCIEDADE
Tradicionalmente, como refere Vieira (2001), há três tipos de associações com desenhos formais distintos:
a) associações não-conflitivas, tais como as recreativas, as de ajuda mútua e as religiosas. São associações que por sua natureza não tematizam problemas, não estabelecendo, assim, um campo ético- cultural.
b) associações conflitivas com o campo sistêmico, destacando-se os sindicatos, as associações profissionais, educacionais, de saúde, comunitárias, entre outros. São associações que se institucionalizam em campos predefinidos de ação, burocratizando-se com temas fixos do passado.
c) novo associativismo que, ao mesmo tempo, se apresenta com desenhos solidários, democráticos e identitários, tais como o movimento de mulheres, de negros, dos indígenas, ecológicos, de direitos humanos. Esse novo associativismo configura-se como um campo ético-político-cultural que aponta para uma esfera pública democrática.
Este tipo de associativismo não demanda diretamente o Estado, mas influencia o sistema político e econômico quando coloca questões temáticas ao Estado e ao mercado, não ficando restrito ao mundo societário.
Por outro lado, Vieira (2005) assinala que além dos três tipos de estruturas de representação, haveria atualmente um quarto tipo: as redes associativas, conectando o Estado e os atores da sociedade, incluindo os atores populares. O autor observa que na América Latina a representação popular e a representação política em geral têm assumido cada vez mais a forma de redes associativas.
Uma das principais implicações dessa tendência ao Estado policêntrico e às múltiplas e mutantes redes associativas é que a redistribuição e a participação não serão mais obra de alguma única liderança popular central, mas de inúmeros indivíduos e organizações operando em diferentes espaços e arenas. Segundo Vieira (2001), não haverá, assim, uma estratégia do setor popular para enfrentar os impactos das políticas neoliberais, mas coalizões sociais, sindicatos progressistas, movimentos sociais, cada um em seu caminho, cada qual demandando recursos, aliados e assistência de uma ampla gama de profissionais (VIEIRA, 2001).
O autor enfatiza que a existência de espaços públicos independentes das instituições do governo, do sistema partidário e das estruturas do Estado é um requisito fundamental da democracia contemporânea. Na medida que são intermediações entre o poder político e as redes da vida cotidiana, esses espaços públicos requerem, simultaneamente, os mecanismos da representação e da participação. Representação e participação são fundamentais para a existência da democracia nas sociedades complexas e os espaços públicos são pontos de conexão entre as instituições políticas e as demandas coletivas, entre as funções de governo e a representação de conflitos.
Dias Neto (2005) destaca que, paralelamente a um profundo redimensionamento do papel do Estado, exige-se uma reinvenção do governo. Este é desafiado a atuar em um ambiente externo heterogêneo, dinâmico e imprevisível, sendo necessários processos decisórios flexíveis, ágeis e descentralizados e sistemas mais sólidos de coordenação e cooperação com organizações não-governamentais, empresariais, profissionais ou científicas.
Conceitos como interdependência, rede (network) e acoplamento integram as reflexões sobre estratégias governamentais, indicando possibilidades diversas de organização e direcionamento das competências estatais, em contraposição à rigidez burocrática. (DIAS NETO, 2005)
Para o autor, o conceito de interdependência significa que quanto mais complexo e dinâmico for o ambiente em que uma organização atua, maior a sua dependência de recursos e conhecimento externos para o exercício eficaz de suas funções. O conceito de rede define a atuação cooperativa de organizações que se agregam em sistemas de parcerias, em busca de propósitos comuns, movidos pela lógica da reciprocidade e não da competição. E o conceito de acoplamento interorganizacional indica a conexão entre as redes, o grau de extensão, coesão e formalidade das parcerias entre as organizações.
Em suma, acentua Dias Neto (2005), o Estado e/ou mercado não podem mais se apropriar do planejamento e da prática das ações sociopolíticas de interesse público excluindo a sociedade. Tanto o estatismo quanto o neoliberalismo subjugam a sociedade ao segundo plano. O estatismo impõe ao mercado e à sociedade civil a lógica do Estado. O neoliberalismo impõe ao Estado e à sociedade civil a lógica do mercado. Ambos desconsideram a existência de uma terceira instância surgida no pós-liberalismo, caracterizada pelo movimento de cidadãos no qual se tem um Estado socialmente controlado e um mercado socialmente orientado. A sociedade, então, torna-se uma esfera social- pública, formada a partir de idéias próprias e independentes do Estado e do mercado. Essa nova esfera é não-estatal e não-mercantil, pois escapa ao domínio do Estado e à lógica de lucro do mercado.
Esta é a perspectiva do paradigma da sociedade civil, com visão sociocêntrica, que busca parceria e uma integração construtiva e sinérgica’ entre as três instâncias - Estado, mercado e sociedade civil -, em que os interesses públicos sejam discutidos e negociados. No entanto, isso só será alcançado se o Estado e o mercado passarem a ser controlados e orientados pela sociedade. (VIEIRA, 2001, p. 79 e 80, grifos do autor)
O termo solidariedade recebeu a atenção de Durkheim no século XIX, que a definiu como uma sociedade contraditória. A palavra recebeu novo significado no âmbito marxista. Na conclamação de Marx e Engels (1978) recebeu o sentido de emancipação. No sentido socialista, a solidariedade resulta do interesse de
cada um dos membros pertencentes a uma classe de responsabilizar-se pelo destino dos demais.
Para Costa (2006) a expressão solidariedade é ambígua no discurso político, confundindo-se com filantropia ou amor ao próximo. Na esfera do Estado tornou-se seguro social na prática do Estado-Providência. Diante das mudanças que atingiu o Estado-Providência, a sociedade está em busca de outra forma de solidariedade que se constrói por uma pluralidade de atores sociais, como consciência moral, mas isso não é o bastante. Para compensar a falta a inadequabilidade do Estado-Previdência surge a sociedade providência que pratica a solidariedade por meio de amigos, famílias, por meio de trocas não- mercantis de bens e serviços.
Santos (1999) comenta que a sociedade-providência é concreta em
contraste com a do Estado, que é abstrata. Tem por base o investimento emocional em compromissos não obrigatórios.
Atualmente, como explica Costa (2006), as redes se constituem como o mais importante modo de coordenar relações sociais sob o capitalismo, como forma de construir a solidariedade entre os membros da sociedade. As redes de solidariedade apóiam-se em conceitos de laços, ligando nódulos em um sistema social, ou seja, laços que unem pessoas, grupos e organizações, tendo em vista o enfrentamento da falta de eficiência nos serviços públicos.
As redes criam territórios de ações coletivos, uma comunidade virtual cujos membros não agem de forma autônoma, mas trocam relações e se inserem em sistemas que tenham continuidade de relações sociais, as redes sociais. O que se troca dentro e fora das Organizações tem sentido para aqueles que estão envolvidos nesse circuito. Basta lembrar o estudo comparativo realizado por Mauss (2003, p. 190) em áreas da Polinésia e Melanésia, Noroeste americano. Com base em textos etnográficos, constatou que entre eles não ocorrem “simples troca de bens, de riquezas e de produtos num mercado estabelecido entre os indivíduos”. As principais características são as seguintes: As trocas ocorrem entre coletividades que se obrigam mutuamente; as pessoas que realizam o contrato são pessoas morais (famílias, tribos, clãs), diretamente ou por meio de seus representantes. E o que eles trocam vai além de bens e riquezas, bem imóveis e móveis ou coisas economicamente úteis. Acima de tudo eles trocam
Amabilidades, banquetes, ritos, serviços militares, mulheres, crianças, danças, festas, feiras, dos quais o mercado é apenas um dos momentos, e nos quais a circulação de riquezas não é senão um dos termos de um contrato bem mais geral e bem mais permanente. Enfim, essas prestações e contraprestações se estabelecem de uma forma sobretudo voluntária, por meio de regalos, presentes, embora elas sejam no fundo rigorosamente obrigatórias, sobre pena de guerra privada ou pública. (MAUSS, 2003, p.191).
A esse sistema de trocas o autor denomina sistema das prestações totais, que implica principalmente três momentos: a obrigação de dar, de receber e de retribuir. Por exemplo, um clã não tem liberdade para não negociar, para não deixar de partilhar a refeição que viu preparar. “Recusar dar, assim como recusar receber, equivale a declarar guerra; é recusar a aliança e a comunhão”. (MAUSS, 2003, p. 202). A retribuição não pode ser imediata. É preciso de um tempo necessário que tem sentido para eles para a sua realização.
Nessas relações existem direitos e deveres de consumir e de retribuir, mas essa união de direitos e deveres torna-se menos contraditória se existir a observação de que, antes de tudo, existem vínculos espirituais entre as coisas e os indivíduos.
Esses povos têm um sistema de troca muito desenvolvido e substituem, por meio de dádivas feitas e retribuídas, o sistema de compra e venda. Dar, receber e retribuir são mecanismos de produção da sociedade. Os fenômenos de trocas não são privados de mercados econômicos, pois “o mercado é um fenômeno humano (...), mas cujo regime de trocas é diferente do nosso”. Essa moral e essa economia “estão subjacentes na sociedade atual e se constitui de uma das rochas humanas sobre as quais são construídas nossas sociedades”. (MAUSS, 2003, p. 188-189)
A teoria da dádiva de Marcel Mauss foi retomada recentemente por intelectuais franceses que deram origem ao Movimento Antiutilitarista nas Ciências Sociais (M.A.U.S.S), em 1981. Eles enfatizam o princípio do paradoxo da teoria da dádiva que está subjacente à teoria das redes sociais. Segundo Costa (2006), o princípio proporciona a superação da dicotomia entre obrigação e liberdade, interesse e desinteresse, por se encontrarem desenvolvidos na ação coletiva, de modo específico por meio das redes sociais. Esses valores, que não são contraditórios, são parte do círculo de troca de bens materiais e simbólicos e expressam a realidade social complexa.
2.6 AS ORGANIZAÇÕES CIVIS TRANSFORMAM-SE NO LADO FORMAL DA