3. TAKIM TEZGÂHLARI VE CNC 29
3.10. CNC Kontrol Paneli ve Kullanılması 44
O FGDLI talvez possa ser considerado o primeiro efetivo fundo garantidor brasileiro, pois tal como destaca Venson (1994, p. 42) ele “proporcionava todas as bases para a sistematização de um fundo ou seguro de créditos no Brasil”. Tal mecanismo foi criado pela Resolução n˚ 3 do Conselho de Administração do antigo Banco Nacional de Habitação – BNH e sua administração estava a cargo do próprio BNH, sendo transferida à Caixa Econômica Federal – CEF em 1986 e em seguida para o BCB (SILVA, 2008, p. 111). Seu objetivo era conferir proteção aos investidores das Sociedades de Créditos Imobiliários – SCI e das Associações de Poupança e Empréstimos – APE, isso é, dar garantia aos depósitos em cadernetas de poupança, tendo em vista a alta probabilidade de insolvência dessas instituições.
O funding do FGDLI foi feito com um capital inicial colocado pelo BNH somado a contribuições mensais fixas das SCI e APE.
Contudo, dois problemas se verificaram na operação deste fundo: sua cobertura era insuficiente – para se ter uma ideia, em 1995 (antes do advento do FGC) sua cobertura era restrita ao limite de 5 mil reais (COSTA, 2001, p. 13) – e sua atuação caiu em descrédito em razão da utilização arbitrária e discriminada da Reservas Monetárias que praticamente eliminara o conceito de risco (VENSON, 1994, p. 43).
Quando se criou o FGC em 1995, foi autorizado o repasse a ele dos recursos do FGDLI para auxiliar o fundo recém-criado (e, portanto, pouco capitalizado) a lidar com uma
157 crise bancária corrente. Entretanto, tais recursos foram congelados (e assim permaneceram até 2005) em razão de liminar concedida na Ação Direta de Inconstitucionalidade - ADI 1.398 proposta pelo Partido dos Trabalhadores – PT, oposição à época. Sendo válido lembrar que essa ADI teve seu julgamento obstado e protelado até que uma ementa constitucional alterou o art. 192 da CF/88 e fez com que a ADI perdesse seu objeto (PEREIRA JÚNIOR, 2009, p. 533).
5.8.4 Decreto 91.159 de 1985
Assim que Francisco Dorneles assumiu o Ministério da Fazenda no Governo Sarney, o Decreto 91.159/85 criou uma comissão de estudos sobre as instituições financeiras e a responsabilidade dos agentes nos mercados monetários e de capitais. Tal comissão foi composta por eminentes juristas como José Luiz Bulhões Pedreira, Alfredo Lamy Filho, Fábio Konder Comparato, Jorge Hilário Gouvêa Vieira e César Vieira de Rezende, além de ter contado com a participação de diversos especialistas advindos de diversas áreas.
Dentre as atribuições dessa comissão constava a de dispor sobre “atribuições e instrumentos das autoridades administrativas para prevenir e solucionar situações de liquidez e insolvência de instituições financeiras” (art. 1, inciso III). Para satisfazer isso, idealizou-se, dentre outras disposições, a criação de um garantidor de depósitos. Assim, essa comissão elaborou um extenso anteprojeto de lei que visava regular o sistema financeiro brasileiro, o qual foi publicado em um segmento especial da Gazeta Mercantil no dia 17/01/1986.
De acordo com o projeto apresentado, seria criado o ISIF – Instituto Segurador de Créditos contra Instituições Financeiras. Tal instituição operaria um seguro de depósitos obrigatório aplicado aos créditos das instituições financeiras privadas e públicas não federais, excluindo-se as cooperativas de crédito, os bancos de desenvolvimento e as caixas econômicas. O seguro iria cobrir 100% dos depósitos por pessoa (física ou jurídica) contra a determinada organização financeira até determinado montante e apenas 80% acima disso. O custeio do seguro seria feito com as contribuições da Reserva Monetária, além de contribuições em percentual fixo das instituições seguradas. Já o capital inicial do ISIF seria composto em 75% por contribuições das organizações seguradas e 25% pelo BCB. A administração do ISIF seria mista (membros das instituições financeiras, mas também outros indicados pelo BCB), sendo que ele teria poderes para atuar como liquidante das instituições
158 financeiras, bem como para fornecer assistência financeira preventiva a essas. Além disso, era previsto que o ISIF poderia tomar recursos emprestados do BACEN em caso de necessidade.
Para a elaboração desse projeto foram ouvidos diversos especialistas, bem como alguns membros do FDIC (fundo garantidor americano) vieram ao Brasil palestrar sobre o tema.
Este é um marco importante na história dos garantidores de depósitos no Brasil, pois pela primeira vez houve a formação de um grupo especializado que se debruçou sobre o tema. Efeitos advindos dessa experiência teriam impacto futuro na formulação do FGC, conforme se verá adiante. Contudo, o anteprojeto não vingou e o ISIF nunca foi instituído.
5.8.5 Voto DIBAN 86/023 - 1986
Fruto do trabalho realizado por uma nova comissão de estudos, desta vez criada pelo voto DIBAN 86/09, o voto DIBAN 86/023 foi encaminhado ao CMN como voto BCB 098/86 e forneceu os subsídios necessários à formulação da resolução n˚ 1.099 do CMN que autorizou o BCB a celebrar contrato com pessoa jurídica sem fins lucrativos, visando a garantia de depósitos e até mesmo a fornecer a essa os recursos necessários para tal garantia (BUCCHI, 1994, p. 97).
Para além dessa sua influência, o voto previa um projeto de Instituto Garantidor de Créditos. Tal seria responsável por administrar um seguro de depósitos a prazo que seria obrigatório a todas as instituições financeiras e empresas de arrendamento mercantil, nacionais e internacionais, em funcionamento no país. As contribuições seriam em percentual fixo relativo ao total de depósitos segurados e seria realizada trimestralmente. Caso os recursos do Instituto fossem insuficientes, era previsto um adiantamento por parte do BCB de recursos originários das Reservas Monetárias. No caso das Reservas não serem suficientes, o BCB poderia adiantar recursos do seu próprio orçamento. Os depósitos em cadernetas de poupança continuariam a ser cobertos pelo FGDLI e os depósitos à vista continuariam a ser cobertos exclusivamente pelas Reservas Monetárias. Tratava-se, portanto, de uma solução parcial, mas que mantinha os depósitos à vista sob a incerteza da garantia não explícita das Reservas Monetárias.
É importante notar que entrevistas com atores envolvidos nesse estudo e nos estudos seguintes levados a cabo pelo BCB demonstram que a experiência internacional, sobretudo a
159 do FDIC, foi muito observada no estudo das possibilidades de composição do eventual garantidor brasileiro. Ainda que isso não demonstre uma trajetória de dependência explícita, a existência de experiências anteriores de outros países com a questão ajudou a pautar os entendimentos e sugestões do BCB.
5.8.6 Decreto-lei 2.395 de 1987
O Decreto-lei 2.395 de 21/12/1987 funcionou como uma carta branca ao CMN para que esse autorizasse a criação de mecanismo de garantia para depósitos e aplicações de organizações financeiras. O referido normativo inclusive previa que após a instituição desse mecanismo as operações de crédito passariam a ser isentas da incidência de IOF.
Apesar de ser uma tentativa aparentemente atraente, vez que vedava a incidência do IOF, tal dispositivo nunca foi utilizado e foi revogado pelo Decreto-lei 2.471 de 01/09/1988.
5.8.7 Sugestão ACREFI - 1988
A Associação das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento – ACREFI apresentou ao BACEN em maio de 1988 diversas sugestões visando o aprimoramento do Sistema Financeiro Nacional – SFN. Dentre elas importa para o presente trabalho a sugestão da criação de um Fundo de Garantia de Liquidez das Letras de Câmbio. Segundo Bucchi (1994, p. 99), as características desse fundo vinham sendo debatidas com técnicos do BCB desde 1984, e a proposição indicava a implantação de um fundo exclusivo para as operações passivas das empresas de crédito, financiamento e investimento, o qual poderia vir a ser futuramente incorporado por um fundo geral a ser criado posteriormente.
As características mais relevantes de tal fundo eram:
a. sua já descrita exclusividade;
b. funding privado, a ser cobrado em percentuais fixos;
c. importâncias repassadas ao fundo configurariam despesas nas declarações de Imposto de Renda;
d. adesão compulsória;
160 f. os recursos seriam preferencialmente dirigidos a aquisições de letras de
câmbio;
g. o fundo poderia intervir nos seus membros a fim de recuperar importâncias dispendidas e;
h. caso a liquidação de algum associado fosse decretada pelo BCB, o fundo seria designado liquidante (BUCCHI, 1994, p. 99).
De toda a sorte, também essa sugestão resto infrutífera.
5.8.8 Comissão DIBAN/DEJUR (1988)
Conforme relata Bucchi (1994, p. 100), entre janeiro e outubro de 1988, a Diretoria da Área Bancária do BCB teve diversas reuniões com membros do Departamento Jurídico e com representantes de diversos segmentos do SFN visando uma fórmula consensual para a implantação de um garantidor de depósitos. Pouco antes da promulgação da CF/88 a Comissão apresentou uma proposta definitiva.
Novamente aqui se optou pela formação de um Instituto Garantidor de Créditos com personalidade jurídica de direito privado e visando garantir créditos contra bancos comerciais nacionais, estrangeiros, públicos (federais ou não), bancos de investimento, de desenvolvimento, empresas de crédito, financiamento e investimento e das caixas econômicas (bancos cooperativos e cooperativas de crédito não foram contemplados). A cobertura seria total até determinado montante e de 80% acima disso. Depósitos a vista e a prazo seriam contemplados, mas as cadernetas de poupança foram deixadas de lado (ainda a cargo do FGDLI). O funding seria privado e feito por meio de subscrições iniciais e contribuições periódicas de percentual fixo, mas caso os recursos do instituto fossem insuficientes, era previsto um adiantamento por parte do BCB de recursos originários das Reservas Monetárias. No caso das Reservas não serem suficientes, o BCB poderia adiantar recursos do seu próprio orçamento. O Estatuto do fundo deveria ser aprovado pelo BCB, bem como futuras alterações (BUCCHI, 1994, p. 101).
Como havia a previsão da utilização de recursos públicos no fundo, o advento da CF/88 - com a redação original do art. 192, que vedava em seu inciso VI o uso de recursos públicos na criação de um garantidor - frustrou esse projeto.
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5.8.9 Constituição Federal de 1988
Com o advento da CF/88 em 05/10/1988, a previsão da instituição de um garantidor de depósitos ganhou status constitucional, bem como alguns contornos. A redação original do art. 192 previa:
“Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, será regulado em lei complementar, que disporá, inclusive, sobre:
…
VI - a criação de fundo ou seguro, com o objetivo de proteger a economia popular, garantindo créditos, aplicações e depósitos até determinado valor, vedada a participação de recursos da União;”
Assim, ficavam automaticamente impossibilitados projetos que previssem a participação de recursos da União (tais como aqueles que previam auxílio das agora extintas Reservas Monetárias), bem como era imposta a utilização de Lei Complementar para sua regulamentação. A forma de fundo ou seguro foi imposta para esse garantidor, sendo imposta também uma cobertura limitada. Abriam-se, assim, as portas para um enxurrada de projetos de lei complementar sobre o tema.
5.8.10 1˚ Simpósio Internacional sobre Garantia de Créditos, Aplicações e Depósitos - 1989
Esse evento contou com a participação de especialistas de diversos países, representando diferentes tipos de garantidores.
A ocorrência desse evento no Brasil (LERY et alli, 1989) e nessa época, ilustra um quadro claro desde o Decreto 91.159/85: o tempo do advento de um garantidor de créditos no Brasil estava se aproximando. O assunto era uma ideia em constante debate e aparentemente era apenas uma questão de pouco tempo para que fosse concretizada. Mas antes, havia de se debater os projetos de lei complementar.
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