Antes de pensar através do principal objeto da história da arte, ou seja, das obras em si, parece ser necessário fazer alguns breves apontamentos quanto a dois
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Seria criminoso tentar circular de forma estanque o que é um retrato. Por outro lado, algumas caraterísticas de sua produção parecem comuns, dando pistas para futuras definições e possibilitando que relações artísticas sejam estabelecidas no decorrer deste relatório.
De acordo com Shearer West no seu livro Portraiture (2004), Todoà et atoà est à inserido numa tensão entre quatro pontos: retratista, retratado, comanditário e sua finalidade expositiva. Todo o retrato é permeado pela vontade de memória e todo o retrato é um monumento. Segundo Jacques Le Goff (1996, p. ,à Oà
monumentum é um sinal do passado. Atendendo às suas origens filológicas, o
o u e toà àtudoàa uiloà ueàpodeàevo a àoàpassado,àpe petua àaà e o daç o . Ao pensar que todo retrato precisa de ser exteriorizado, devido à necessidade da sua celebração por parte de um ou mais indivíduos, temos em mente a sua materialidade. Permeado, portanto, por uma fisicalidade, todo o objeto da retratística está destinado a um fim, rápido ou não, mas seguro.
Desses pareceres, chegamos ao conceito de autorretrato, aparentemente mais simples de circular, devido à sua especificidade dentro do campo do retrato. Trata- se de uma ou mais imagens em que seu próprio executor inclui-se dentro da mesma.
A história do rosto é, então, a partir do século XVI, um paradoxo que se coloca entre o exprimir-se e o ocultar-se, entre o descobrir-se e o mascarar-se. Trata-se, pois, da história do emergir da expressão e do controle sobre ela, através das exigências religiosas e das normas sociais, políticas e estéticas. Esse funcionamento moral instalou-se no homem como um sinal da sua identidade individual e, dessa maneira, deu visibilidade ao homem natural e à relação entre a sua interioridade e exte io idade,à deixa doà … à antever o confronto entre o homem físico e o psi ol gi o. à álain Corbin 1986, p.2).
Médicos e artistas partilharam, na Antiguidade, o mesmo interesse pela anatomia mas sob diferentes perspetivas: os primeiros, na tentativa de desvendar os mistérios do corpo e da vida; os segundos, na busca da proporção, da beleza exata que permitia aproximar o mundo dos homens ao dos deuses.
Sendo praticamente impossível aceder aos originais, a leitura de fontes literárias, como os Placita Hippocratis et Platonis de Galeno, pode dar-nos, como sugere Erwin
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Panofsky, alguma informação sobre a antropometria clássica, ajudando-nos a o p ee de à elho àaàteo iaàg egaàdasàp opo ç es:à C isipo de Solis … àdefe deà que a beleza não reside nos elementos, mas na proporção harmoniosa entre as pa tesà … àe de tudo para com tudo. à ,àp. ,à onforme consta no cânone de Policleto (450 a.C.).
As proporções da cabeça, sendo a parte mais distintiva do corpo, receberam uma particular atenção, de tal modo que alguns autores chegaram a ditar um cânone exclusivo para ela. Mas a primeira dificuldade para enunciar os seus cânones está na ambiguidade de muitos dos pontos que estão na base das suas medições. Devido a esta dificuldade, muitos sistemas de proporção sobrepõem à cabeça módulos extraídos da mão com limites ósseos mais precisos.
Segundo João Maria Parramón (1993, p.42), o cânone não é mais do que uma Regra ou sistema que determina e relaciona as proporções da figura humana a partir de uma medição base chamada módulo. .
Leonardo da Vinci realizou uma série de estudos meticulosos sobre o rosto, tão minuciosas (com divisões em graus, pontos, minutos, mínimos e semimínimos) que chegou à obtenção de 24832 partes.
Estes estudos registam a natureza da pesquisa gráfica de Leonardo, na procura de cânone matemático para as suas proporções do rosto.
É significativo que nestes desenhos o homem ideal para o estudo das melhores proporções seja um homem adulto de idade madura.
Figura 2. Desenhos|estudos sobre as proporções do rosto de Leonardo da Vinci. (Fonte: Ramos, E. & Porfírio, M., Manual do desenho: Ensino secundário, 12.º ano)
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No rosto, situam-se quatro dos cinco órgãos dos sentidos: a visão, a audição, o paladar e o olfato.
Todos eles têm importantes funções na receção de estímulos externos que se traduzem numa valiosa informação para as relações do ser humano, com outros indivíduos e com o meio ambiente.
Como muitos outros órgãos, os dos sentidos são multifuncionais e além de serem estruturas desenhadas para ver, saborear, cheirar ou ouvir, os olhos, a boca, o nariz e, inclusivamente, as orelhas desempenham papéis importantes na expressão do rosto.
Interessa dizer que, embora o rosto possa ser analisado através de um esquema universal de leitura das relações entre os seus elementos, devemos reconhecer que existem numerosos detalhes para fases distintas. Cada rosto é a existência da pessoa numa totalidade diferenciada.
Diferentes tipos de cabeças, grupos etários e culturais variados, constituem uma infinita variedade de rostos individuais.
A cabeça e o rosto representam um modelo plástico de registo gráfico que permitem a um autor o desenvolvimento de estilos pessoais e de elevada função expressiva.
A cabeça é o resumo do corpo. Em muitos cânones de proporção, utiliza-se a cabeça como módulo.
O modelo da cabeça costuma ser tratado em três aspetos, expondo a sua construção, a sua dinâmica e a sua expressão. Quer dizer, mostrando a sua geometria e modulação, os seus movimentos, escorços e proporção tornam-se visíveis na primeira manifestação que exibe a sua construção com esquemas geométricos ou modulares.
Seguem-se os esquemas de representação das proporções dos elementos do rosto, sugeridos por Betty Edwards.
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Figura 3. Representação das proporções dos elementos do rosto, Betty Edwards.
(Fonte: Ramos, E. & Porfírio, M., Manual do desenho: Ensino secundário, 12.º ano)