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CHAPTER 2. GECEKONDU AND URBANIZATION

2.1. Gecekondu and Urbanization in İzmir and Turkey

2.1.2. Gecekondu and Urbanization in İzmir

2.1.2.3. City and Urbanization in İzmir

Nos primórdios da civilização, o homem supria suas necessidades básicas por meio da caça e da pesca, sem interferir negativamente com o meio ambiente. No entanto, com o aumento da população e a consequente escassez de alimentos, o homem passou a cultivar o solo, dando origem à agricultura e consequentemente, à geração de resíduos, que inicialmente eram constituídos basicamente de restos de vegetais e excrementos humanos e de animais (RODRIGUES, 2010).

Com o advento da Revolução Industrial e a consequente produção de bens de consumo em grande escala e aumento da industrialização, a geração de resíduos tornou-se cada vez maior e mais diversificado, ocasionando maiores prejuízos ao meio ambiente uma vez que a taxa de resíduos gerados é maior que a taxa de degradação destes (RODRIGUES, 2010).

De acordo com Matos (2005), a produção de resíduos agrícolas é extremamente variável, dependendo de fatores, tais como, a espécie cultivada, o fim a que se destinam condições de fertilidade do solo, condições climáticas, dentre outros. Além disso, a geração de resíduos agroindustriais é sazonal, e por isso, diz-se que existe alta instabilidade do volume produzido. As estimativas da geração de resíduos orgânicos oriundos das agroindústrias associadas à agricultura brasileira representaram em torno de 290.838.411t em 2009. Os resíduos que mais contribuíram com estes valores foram os de cana-de-açúcar (671.394.957t), soja (57.345.382t), milho (50.745.996t), mandioca (23.786.281t), laranja (16.944.529t), uva (614.574t) e castanha de caju (110.253t). O uso energético desses resíduos poderia representar

um potencial energético instalado de até 23 GW/ano (Giga-Watt-Hora/ano), o que equivale a 201.471 GWh/ano (BRASL, 2011).

A Legislação Brasileira através do Decreto nº 4.074, de 4 de janeiro de 2002, conceitua resíduo como “toda substância ou mistura de substâncias remanescentes ou existentes em alimentos ou no meio ambiente, decorrente do uso ou não de agrotóxicos e afins, inclusive qualquer derivado específico, tais como produtos de conversão e de degradação, metabólitos, produtos de reação e impurezas, considerados toxicológica e ambientalmente importantes” (BRASIL, β00βc).

O agronegócio vem sendo, desde o processo de modernização e industrialização da produção agropecuária, objeto de diversas pesquisas e debates. A partir de 1980, a geração, a adaptação, a transferência e a adoção de inovações tecnológicas possibilitaram ganhos de produtividade expressivos (GASQUES e BASTOS, 2003). A agroindústria faz parte do agronegócio, sendo basicamente o setor que transforma ou processa matérias-primas agropecuárias em produtos elaborados, agregando valor ao produto. Dentre as diversas definições para o termo agroindústria, Lauschner (1995), define como “a unidade produtora que transforma o produto agropecuário natural ou manufaturado para a sua utilização intermediária ou final”.

Os significativos avanços no desempenho do agronegócio implicaram na geração de resíduos nas atividades agropecuária e agroindustrial. Pesquisas científicas apontam, a partir da década de 1980, para o agravamento de problemas ambientais globais, como a destruição da camada de ozônio, o efeito estufa e o comprometimento da biodiversidade, além dos impactos locais provenientes da geração de resíduos líquidos e sólidos. Estes problemas demandaram a rediscussão do modelo de desenvolvimento que se mostrava limitados por seus efeitos sobre a sustentabilidade (ROSA et al, 2011).

Os resíduos agroindustriais são gerados no processamento de alimentos, fibras, couro, madeira, produção de açúcar, produção de álcool etc. Os resíduos agroindustriais podem ser sólidos ou líquidos. Os resíduos agroindustriais líquidos podem ser o resultado da lavagem do produto, escaldamento, cozimento, pasteurização, resfriamento e lavagem do equipamento de processamento e das instalações. Os resíduos agroindustriais sólidos são constituídos pelas sobras de processo e descartes de matadouros e indústrias do processamento de carnes (vísceras e carcaça de animais), frutas e hortaliças (bagaço, tortas, refugo e restos), indústria da celulose e papel (resíduos da madeira, curtume (aparas de couro e lodo do processo e tratamento de águas residuais) e lixo proveniente de embalagens, além de lixo gerado no pátio, refeitório e escritório da agroindústria). Resíduos sólidos orgânicos provocam

fermentação, com formação de ácidos orgânicos e geração de odores desagradáveis e diminuição do oxigênio dissolvido em águas superficiais; além de ser fonte nutritiva para proliferação de microorganismos e macrovetores, tais como moscas, ratos, baratas etc (MATOS, 2005; RODRIGUES, 2010).

A geração de resíduos está associada ao desperdício de matéria-prima, às perdas entre a produção e o consumo. Estima-se que, em média, 35% da safra de grãos, de frutas e de hortaliças colhidas no Brasil sejam desperdiçados no caminho entre a lavoura e o consumidor. Isso significa que mais de 10 milhões de toneladas de alimentos poderiam estar na mesa dos 54 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza (IPEA, 2009). Resíduos podem representar perda de nutrientes, além de aumentar o potencial poluidor associado à disposição inadequada que, além da poluição de solos e de corpos hídricos quando da lixiviação de compostos, acarreta problemas de saúde pública (CARIOCA e ARORA, 2000).

Em todo o mundo e principalmente no Brasil, que possui sua economia fortemente baseada no agronegócio, são geradas grandes quantidades de resíduos pelas indústrias processadoras de alimentos, que apesar de serem considerados sérios problemas ambientais, podem servir em muitos dos casos, como fontes ricas de compostos bioativos, incluindo substâncias antioxidantes e antimicrobianas. Assim estes resíduos podem ser considerados fontes potenciais desses compostos naturais, de modo que, ao serem aproveitados, resultam em maiores ganhos econômicos, diminuindo simultaneamente, o impacto do descarte destes ao ambiente (MAKRIS, BOSKOU e ANDRIKOPOULOS, 2007).

Atenção especial tem sido voltada à minimização ou reuso de resíduos e ao estabelecimento de novos usos de produtos e subprodutos agroindustriais. De forma geral, os resíduos da agroindústria de processamento de produtos de origem vegetal apresentam em suas composições diferentes constituintes, que abrem muitas oportunidades de agregação de valor nutricional e econômico.

4.1 Resíduos agrícolas de uva

Em geral, os resíduos agrícolas de processamento de produtos de origem vegetal (frutas, cereais, leguminosas, oleaginosas), apresentam em suas composições diferentes constituintes. Os resíduos agrícolas da uva são compostos principalmente por subprodutos sólidos, como o engaço, o bagaço e por material filtrado dos líquidos. O engaço é formado pela armação do cacho da uva que suporta o fruto e representa de 3% a 7% do peso total do cacho. Dentre seus constituintes estão a água, celulose, taninos e minerais. O bagaço da uva é

um subproduto constituído pela casca ou película, as sementes e os restos da polpa da uva, sendo o resultado do esmagamento do grão através de um processo de separação do suco ou mosto (sumo de uva fresca antes da fermentação). Em condições normais, o bagaço equivale a 12% a 15%; podendo chegar à 20% do peso da uva (ISHIMOTO, 2008; FERREIRA, 2010; YU e AHMEDNA, 2013).

O bagaço, constituído de água, glicídios, lipídeos, vitaminas e minerais, possui também compostos com propriedades biológicas importantes, tais como fibras e compostos fenólicos, dependendo do tipo de bagaço, a natureza das castas de que provêm, as condições climáticas e de cultivo (ROCHENBACH, 2008; OLDONI, 2010).

4.2 Valorização de resíduos da agricultura

Existem inúmeros resíduos da agricultura (principalmente cascas, sementes, talos aparas e engaços) que têm potencial para a alimentação humana, devido às suas excelentes características nutritivas e à suas propriedades funcionais; contribuindo também para um menor desperdício e maior rentabilidade industrial (SILVA et al., 2014).

Segundo Pelizer, Pontieri e Moraes (2007), os resíduos podem conter muitas substâncias de alto valor agregado e se for aplicado uma tecnologia adequada, este material pode ser convertido em produtos comerciais ou matérias-primas para processos secundários. Inúmeros estudos utilizando resíduos industriais do processamento de alimentos têm sido realizados com objetivo de aproveitamento destes, minimizando-se o impacto ambiental na região onde estas indústrias estão situadas e agregando-se valor aos produtos do mercado.

Ferrari et al. (2004) realizaram um estudo para caracterizar e verificar um melhor aproveitamento das sementes excedentes do processamento do suco do maracujá na alimentação humana. Segundo os autores, cascas e sementes de maracujá, provenientes do processo de corte e extração da fruta para obtenção do suco, são ainda, atualmente, em grande parte descartada. Como este descarte representa inúmeras toneladas, agregar valor a estes subprodutos é de interesse econômico, científico e tecnológico.

Borges et al. (2004) desenvolveram um estudo sobre a viabilidade da utilização de resíduos das indústrias de conserva de abacaxi da região de Pelotas –RS para a produção de suco. O processamento do suco-base foi feito a partir da obtenção das cascas, centros e aparas da fruta e consistiu das etapas de branqueamento, prensagem e filtragem. Conclui-se que é viável a elaboração de suco de abacaxi a partir de resíduos de sua industrialização.

Kobori e Jorge (2005) realizaram um estudo, cuja finalidade foi caracterizar os óleos extraídos das sementes de laranja, maracujá, tomate e goiaba, como aproveitamento de resíduos industriais. As análises realizadas indicaram que esses óleos possuem características físico-químicas semelhantes a alguns óleos comestíveis, podendo ser uma nova fonte de óleos para o consumo humano.

Reda et al. (2005) fizeram a caracterização dos óleos essenciais de limão rosa e de limão siciliano, considerados resíduos industriais e concluíram que têm propriedades semelhantes aos dos óleos comestíveis com boa perspectiva de utilização na produção de alimentos.