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4. BULGULAR

4.1. Üstfamilya: PAPILIONOIDEA Latreille, 1802

4.1.2. Familya: PIERIDAE Duponchel, [1835]

4.1.2.6. Cins: PIERIS Schrank, 1801

A análise da ocupação, para além de demonstrar os segmentos sociais que são representados em cada partido (Rodrigues, 2002), possibilita detectar os tipos de profissão que facilitam as carreiras políticas (Dogan, 1999). No caso brasileiro, em contraste com a política local – que comportaria uma diversidade maior de ocupações, ―desde as mais valorizadas em termos de prestígio e reconhecimento social e político (...) até aquelas que não exigem uma preparação acadêmica e não costumam ser associadas ao mundo da política‖ (Altmann, 2010, p. 137) –, a política nacional apresenta:

(...) presença residual de trabalhadores manuais, expressiva representação de proprietários e funcionários públicos, desproporcional presença de advogados e outros profissionais de formação superior, especialmente médicos. (Marenco do santos, 2000, p. 82)

O espaço político nacional, no esteio da profissionalização política, é, em certo sentido, reservado aos ―profissionais do campo‖ (Perissinotto e Miríade, 2009) ou - para utilizar a definição clássica weberiana - aos que ―vivem da política‖ (Weber, 1984). Isto é, ele é ―habitado‖ tanto pelos ditos ―políticos profissionais‖ quanto por indivíduos provenientes de ocupações que estão, por assim dizer, em uma ―zona‖ mais próxima da atividade política, possibilitando, inclusive, certos ―requisitos necessários‖ para o ingresso neste círculo. Citando um exemplo, esse seria o caso ―dos advogados e funcionários públicos, mais próximos do conhecimento jurídico e da familiaridade com as políticas públicas‖ (Marenco dos Santos, 2000, p.103). Perissinotto e Miríade (2009) argumentam nessa mesma linha:

(...) os funcionários públicos, pela intimidade com as questões do Estado, pelo nível razoavelmente alto de escolaridade, pela possibilidade de, em caso de derrota, terem a garantia de um emprego fixo e, por fim, pelo tempo livre de que dispõem para se dedicar à atividade política, são, em geral, presença garantida nos parlamentos. (Perissinotto e Miríade 2009, p. 306)

Ao traçar o perfil dos candidatos à Câmara dos Deputados, em todo o Brasil, nas eleições de 2006, Perissinotto e Miríade (2009) encontraram, no entanto, a ―sub- representação‖ dos funcionários públicos, ao lado dos assalariados urbanos e dos comerciantes, entre os eleitos. Isso, evidentemente, em comparação com seu peso relativo no conjunto dos candidatos. Por outro lado, corroborando a perspectiva acima exposta, os autores aferiram razoável ―representação‖ de advogados e empresários e, por fim, a ―sobrerrepresentação‖ de médicos, engenheiros e, principalmente, daqueles que declararam, junto à justiça eleitoral, ter a ―política‖ como atividade profissional principal93. Sobre esse dado, os autores afirmam que:

Isso sugere que o mais importante atributo para passar da condição de candidato à de eleito consiste em já ser ou já ter sido político. Assim, (...) já começamos a perceber que a inclusão de alguns candidatos entre os eleitos tem muito a ver com a sua inserção prévia na vida política. (Perissinotto e Miríade 2009, p. 306)

93 Esse dado é importante dado o caráter auto-declatório da ―ocupação‖ do candidato para o TRE.

Afinal, alguns políticos profissionais ―resistem em assim se classificar, seja por imperativo moral, seja por preferir o título/status de suas profissões de origem‖. (Noll e Leal, 2008, p.15)

Noll e Leal (2008) advertem, porém, para o risco reducionista das interpretações que tendem a superestimar o peso dos ―políticos profissionais‖ e, assim, a sentenciar que os que já pertencem ao ―campo político tem mais chance de se manter que quem é de fora tem de entrar‖ (Noll e Leal, 2008, p.15). Afinal, houve, em algum momento, a ―entrada‖ no campo político, o que os estudos de caráter sincrônico, como a aqui empreendido e o das autoras, ficam impossibilitados de detectar (Noll e Leal, 2008, p.15).

Tabela 12 - Ocupação dos candidatos a Deputado Federal no RS, nas eleições de 2010, em percentual

Ocupação

%

Político (Legislativo) * 17,7 Servidor Público 13,1 Outros** 11,0 Advogado 9,7

Trabalhadores Assalariados Urbanos 7,6

Estudante, Bolsista, Estagiário e Assemelhados 5,5 Outras profissões com formação superior 5,1 Aposentado (exceto servidor público) 3,8

Empresário 3,4

Trabalhadores da Educação 3,0

Comerciante 2,5

Médico 2,5

Dona de Casa 2,1

Atividades de Prestação de Serviços 1,7

Economia/Administração 1,7

Trabalhadores do Setor Rural 1,7

Militar Reformado 1,3

Polícia Civil e Polícia Militar 1,3

Artes/Desportos 0,8 Artesão 0,8 Comunicador 0,8 Engenheiro 0,8 Historiador 0,8 Escritor 0,4 Produtor Agropecuário 0,4

Professor (Ensino Superior) 0,4

Total 100,0

*9,8% são Deputados Federais, 5,1% Deputados Estaduais e 3,7% Vereadores. ** Tal como declarado à Justiça Eleitoral

Como se pode notar, houve um predomínio, na eleição à Câmara dos Deputados, dos ―profissionais do campo‖ (Perissinoto e Miríade, 2009). Dentre todas as categorias, destacaram-se, em primeiro lugar, aqueles se declararam ―políticos‖, com um percentual de 17,7%, seguidos pela categoria dos ―servidores públicos‖ (13,1%). Logo atrás ficou um dos importantes ―viveiros de ativismo político‖, conforme (Perissinoto e Miríade, p. 313, 2009), isto é, a categoria dos ―advogados‖, que obteve 9,7%. Configurou-se, em síntese, além da afirmação dos políticos profissionais, a relativa ―supremacia‖ das profissões mais próximas do ―campo‖.

Traçando um paralelo com o trabalho de Altmann (2010), encontrou-se, em comparação com a política local, uma diversidade menor de ocupações, com exceção, talvez, do percentual razoável de ―trabalhadores assalariados urbanos‖(7,6)%.Mesmo a categoria dos ―empresários‖, com boa presença na eleição para a Câmara dos Deputados em 2006, conforme Perissinoto e Miríade (2009), e a dos ―comerciantes‖ tiveram pouco destaque, obtendo, respectivamente, apenas 3,4% e 2,5% do total. O percentual de médicos também é ínfimo (2,5%).

Na próxima tabela apresentar-se-á a ocupação dos candidatos a deputado federal de acordo com os partidos que disputaram a eleição para Câmara dos Deputados em 2006 e que conformam o objeto da presente pesquisa.

Tabela 13 - Ocupação dos candidatos a Deputado Federal no RS, nas eleições de 2010, conforme o partido, em percentual

Ocupação PP PT PMDB DEM PSDB

Advogado 5,3% - 20,0% - 9,1%

Aposentado (exceto servidor público) 5,3% 5,0% 3,3% - 13,6%

Artes/Desportos - - - - -

Artesão - - - - 4,5%

Atividades de Prestação de Serviços - - - - 13,6%

Comerciante - - - 7,7% 4,5%

Comunicador - - 3,3% 7,7% -

Dona de Casa - - - - 4,5%

Economia/Administração 5,3% - - - -

Engenheiro - - - - 4,5%

Escritor - - - - -

Estudante, Bolsista, Estagiário e

Assemel. 5,3% 5,0% - 7,7% 4,5%

Historiador - 5,0% - - -

Médico - 5,0% 10,0% - -

Militar Reformado - - - 7,7% -

Outras profissões com formação

superior 10,5% - 3,3% - 9,1%

Outros - 10,0% 20,0% 15,4% 4,5%

Polícia Civil e Polícia Militar - - - 7,7% -

Político (Legislativo) 36,8% 45,0% 23,3% 23,1% 18,2%

Produtor Agropecuário - - 3,3% - -

Professor (Ensino Superior) - - - - -

Servidor Público 5,3% 10,0% 6,7% 7,7% -

Trabalhadores Assalariados Urbanos 10,5% - 3,3% 7,7% 4,5%

Trabalhadores da Educação - 5,0% - - -

Trabalhadores do Setor Rural - 10,0% - - -

Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Ocupação PDT PTB PSB PPS PCdoB PSOL

Servidor Público 3,6% 20,8% 8,7% 14,3% - 42,1%

Polícia Civil e Polícia Militar - - - 14,3% - 2,6% Outras profissões com

formação superior - 8,3% 4,3% 14,3% 15,4% 2,6% Trabalhadores Assalariados Urbanos 10,7% 12,5% 8,7% 14,3% 7,7% 7,9% Estudante, Bolsista, Estagiário e Assemel. 7,1% 4,2% - - - 15,8% Outros 14,3% 16,7% 8,7% - 7,7% 10,5% Advogado 10,7% 16,7% 8,7% 14,3% 15,4% 5,3% Economia/Administração 7,1% - - - - 2,6% Comerciante 7,1% - - 14,3% - 2,6% Político (Legislativo) 7,1% 8,3% 17,4% 14,3% 15,4% 2,6% Historiador - - - - - 2,6% Escritor - - - - 7,7% -

Aposentado (exceto servidor

público) 7,1% - - - 7,7% - Artes/Desportos - 4,2% - - 7,7% - Trabalhadores do Setor Rural - - 8,7% - - - Trabalhadores da Educação - 4,2% 13,0% - 15,4% - Médico 3,6% - 4,3% - - - Militar Reformado 3,6% - 4,3% - - -

Professor (Ensino Superior) - - 4,3% - - -

Engenheiro - - 4,3% - - -

No caso do PT, chama atenção o fato desse partido obter o maior percentual de candidatos que se declaram ―políticos‖ entre todos os partidos (45%). Esse dado – que indica um maior grau de ―profissionalização política‖ de seus candidatos, tal como já demonstrado por Perissinoto e Miríade (2009) – será reforçado posteriormente, quando se verificar tempo de filiação e experiência política entre os concorrentes apresentados na lista petista. O partido ainda mostra um percentual de 10% entre os ―funcionários públicos‖ e os ―trabalhadores do setor rural‖.

O PP também mostrou um alto percentual de políticos profissionais (35,8%). Os progressistas, no entanto, destacaram-se também quanto ao percentual de ―empresários‖ em sua lista (15,8%) – o maior entre todos os partidos, o que vai ao encontro dos achados de Perissinotto e Miríade (2009) – de ―Trabalhadores Assalariados Urbanos‖ (10,5%) e de candidatos com ―Outras profissões com formação superior‖ (10,5%).

O PMDB destaca-se, basicamente, em três categorias: ―políticos‖ (23,3%), ―advogados‖ (20%) e ―médicos‖ (10%), confirmando, quanto ao percentual de ―médicos‖, a pesquisa realizada por Perissinoto e Miríade (2009). O DEM mostra uma divisão equilibrada de seus percentuais entre diversas categorias de ocupação, destacando-se, como quase todos os partidos, no percentual de ―políticos‖ (23,1%).

O PSDB também mostra uma divisão equilibrada de seus candidatos entre algumas categorias, tais como ―Aposentado‖ (13,6%), ―atividades de prestação de serviços‖ (13,6%), ―advogados‖ (9,1%), ―Outras profissões com formação superior‖ (9,1%) e ―políticos‖ (18,2%). O PDT apresenta certa pulverização de candidatos

Empresário 7,1% - - - - - Artesão 3,6% - - - - - Comunicador - - - - - - Produtor Agropecuário - - - - - - Atividades de Prestação de Serviços - - - - - 2,6% Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Fonte: TRE/RS N: 237

entre diversas categorias, com destaque tanto para a inclusividade da lista - seja nos setores ―mais populares‖, como ―Dona de Casa‖ (7,1%), ―aposentado‖ (7,1%), seja nas categorias mais de ―elite‖, como ―empresários‖ e ―comerciantes‖, com 7,1% em ambas - quanto para o baixo percentual de candidatos do partido que se declararam ―políticos‖ (7,1%).

O PTB se destaca pela forte representação de ―servidores públicos‖ (20%), um percentual menor de ―advogados‖ (10,7%), mas, assim como o PDT, tem poucos ―políticos‖ na lista (8,3%). O PSB, apresentando percentuais equilibrados em várias categorias, tem maior destaque junto aos ―trabalhadores da educação‖ (13%) e aos ―políticos‖ (17,4%). O PPS apresenta equilíbrio perfeito entre os percentuais apresentados em diversas categorias, não obtendo destaque em nenhuma delas.

O PCdoB, por sua vez, se destaca pela divisão equilibrada dos seus candidatos entre 4 (quatro) categorias: ―Outras profissões com formação superior‖, ―advogados‖, ―políticos‖ e ―trabalhadores da Educação‖, com 15,4% em todas elas. O PSOL, finalmente, se mostra enquanto um partido do ―setor público‖ – o que será confirmado posteriormente quando se avaliar as redes associativas de seus candidatos – tendo o expressivo percentual de 42% de seus postulantes à Câmara como ―servidores públicos‖. Além disso, o partido apresenta um percentual de 15% de ―estudantes‖ em sua lista.

Por fim, o exame do percentual dos eleitos que se auto-declararam ―Políticos‖ permite uma comparação com as eleições para outros níveis da carreira legislativa. Noll e Leal (2008), mostraram que, dentre os eleitos para a Câmara de Vereadores de POA, em 2004, nada menos que 38,8% se auto-declararam ―políticos‖.

Na disputa para a Câmara dos Deputados, no Rio Grande do Sul, em 2010, esse percentual foi de 77,% (ou 24 dos 31 eleitos, especificamente). Os Advogados ficaram em ―segundo lugar‖, mas com apenas 6,5%. De resto, obtiveram apenas 1 (um) representante: Servidores Públicos, Trabalhadores Assalariados Urbanos, Artes/Desportos, Trabalhadores da Educação e os Médicos. Evidencia-se, como

esperado, que, nos ―degraus mais altos‖ das carreiras legislativas, o nível de profissionalização é maior.

4.2 Vínculos Político-Partidários e Inserção Social dos Candidatos

Benzer Belgeler