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Cihanbeyli Böğrüdelik Köyü Sibirya Tatarlarının Sosyo – Kültürel Farklılıkları

2. ARAŞTIRMANIN KURAMSAL TEMELLERİ

3.8. Cihanbeyli Böğrüdelik Köyü Sibirya Tatarlarının Sosyo – Kültürel Farklılıkları

O teatro e a poesia foram os primeiros gêneros literários a que Guy de Maupassant se dedicou. Segundo informações obtidas em uma edição especial dedicada a Guy de Maupassant da revista francesa ( 1

5 , desde pelo menos 1868, ele já escrevia poemas narrativos, em geral voltados para a temática amorosa, não raro entremeados de diálogos e cuja forma é na maioria das vezes clássica, em versos alexandrinos.38 Uma

pequena parte desses poemas foi reunida no volume de estréia do autor, intitulado & " , de 1880, dedicado a Gustave Flaubert; outros ficaram dispersos.

A poesia de Maupassant recebeu o incentivo de Louis Bouilhet, poeta morto em 1869, também amigo de Flaubert. A redação nesse gênero seria abandonada por Maupassant, sobretudo a partir de 1880, quando começou a escrever e publicar seus contos com maior freqüência. Há também uma justificativa da mãe de Maupassant, Laure, de que ele teria deixado a poesia para se dedicar à prosa devido à morte do primeiro mestre e à influência literária, de maior peso, do segundo: “Se Bouilhet estivesse vivo, ele teria feito de Maupassant um poeta [...] Foi Flaubert que fez dele um romancista”.39

A pouca importância hoje atribuída a essa coletânea de poemas deve ser relativizada. Deixando de lado os juízos de valor, o mais significativo da leitura desses poemas, assim como de sua obra teatral, é notar, já nas

38LECLERC, Yvan. Chronologie. ( 1 5 , n° 310, Paris, mai 1993, p. 16&27. 39. TROYAT, Henri. ( . Paris: Flammarion, 1989, p. 31.

primeiras tentativas literárias de Maupassant, a presença de certas obsessões que se aprimorariam no registro maior que o consagrou, a prosa. Não se pretende aqui, portanto, analisar a poesia de Maupassant, mas sim mostrar esses elementos que seriam retrabalhados por ele em seus contos.

Observa&se freqüentemente em seus poemas, além da temática recorrente do amor ou da desilusão amorosa, tendo ao fundo uma paisagem

natural, o uso de palavras como F 40, o que insere nos

poemas uma situação de reviravolta, tal como ocorre na maioria de seus contos, que surpreendem o leitor com o inusitado. Nesses poemas, de um modo geral, a natureza é descrita com bastante lirismo, mas não é vista romanticamente. Em “Fin d’amour”41, por exemplo, enquanto o rapaz se

prepara para deixar de vez a sua amante que sofre com o fim do relacionamento, todos os animais estão aos pares, gozando o amor (“L’amour était partout comme une grande fête”, v. 59), de modo que a moça constata: “Amour! L’homme est trop bas pour jamais te comprendre!” (v. 113).

Podem&se ainda depreender os temas mais recorrentes nos poemas do volume, muitas vezes misturados em uma mesma peça: o amor sensual, às vezes até obsceno.42 Nestes, é freqüente o emprego do termo 6 para

definir a sensação amorosa; a despedida de um amor, terminado por uma das partes, como ocorre no já citado “Fin d’amour” e também no poema

40 Foi realizada uma contagem sem maiores pretensões e esses dois termos foram

encontrados em diversos poemas. Ver, por exemplo, os poemas: “Le mur” (v. 68 e 115), “Un coup de soleil” (v.12 e 18), “Une conquête” (v. 5, 76 e 114), “Envoi d’amour” (v. 24), “ Vénus rustique” (parte VI). MAUPASSANT, Guy de. & " + Disponível em [http://maupassant.free.fr/cadre.php?page=oeuvre] Acesso em 22 de fevereiro de 2008.

417 +

42 Cf. “Au bord de l’eau”, pelo qual Maupassant foi alvo de um processo no tribunal de

Étampes. A ? 56 de Flaubert, incluída na edição consultada, serviu à defesa desse processo que não foi adiante graças à carta. Cf. MONGLOND, + +, p. 83.

“Sonnet”; a passante que desperta o desejo do poeta, como em “Une conquête” e “Désirs”; as nuances do amor que culminam com a morte em “Un coup de soleil”, “Au bord de l’eau”, “La dernière escapade” e “Vénus rustique”; o medo do desconhecido, em “Terreur”; a ironia do amante contra o marido oficial, em “Sommation”; as conversas de rua ouvidas pelo eu&lírico, em “Propos de rues”.

A partir da leitura de seus poemas, já é possível notar o interesse de Maupassant pelos temas da sedução, do fantástico e da crítica à burguesia, temas estes que permeiam muitos de seus contos. Em seus poemas, a mulher retratada é, geralmente, a I , ou a amante, que atrai pela beleza, pelo perfume, mas que permanece incompreendida pelo poeta. O amor é quase sempre proibido socialmente, seja pela família dos jovens, seja pelo casamento.

Leitor de poetas contemporâneos como Victor Hugo, Edgar Allan Pöe, Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, conforme se observa nas crônicas e narrativas de viagem em que os citam, Maupassant abandonou a forma literária do poema sem, no entanto, deixar de lado a poeticidade em sua prosa. Tendo em vista que, em seus poemas, Maupassant já tratava das questões que ocupariam seus textos narrativos, não se pode ignorar essa parte de sua obra, à qual ele se dedicou durante os primeiros anos de sua trajetória. A busca de um efeito, para o qual a história converge, e a defesa dos princípios poéticos simbolistas subjazem às discussões estéticas do autor. Independente da forma literária escolhida, alguns de seus princípios literários provieram da reflexão sobre a poesia.

Assim como nos poemas, nas peças de teatro de Maupassant, a temática do amor infiel reaparece, aliada a uma irônica crítica social da burguesia.

J " , sua primeira peça em versos alexandrinos,

finalizada em 1874 e encenada pela primeira vez em 1879, apresenta&se sob a forma de um diálogo entre um conde e uma marquesa, ambos em idade avançada, um pouco deprimidos pelo tempo e pelas lembranças. No início dessa conversa, a marquesa, como diversas personagens dos contos de Maupassant, pede ao conde que lhe conte uma história vivenciada, de amor galante. Há aqui também, portanto, histórias em I . O conde conta&lhe então algumas histórias até surpreendê&la com uma que lhe diz respeito: sem que nenhum deles tivesse se dado conta, ele fora o seu primeiro amor quando ela tinha dezesseis anos e a deixou à espera por toda a juventude. O contraste da visão feminina e masculina do amor nas falas do conde e da marquesa sobre a mulher caracteriza um tipo de observação a que o autor voltaria em sua produção futura, muitas vezes avaliada simplesmente como machista e pessimista, mas que traduz uma leitura social da mulher parisiense da segunda metade do século XIX.

A segunda experiência teatral de Maupassant foi feita em colaboração

com outros colegas, em 1875. K 6 ( é uma peça

que foi ultimamente republicada.43 A edição das obras teatrais a que tive

acesso, porém, não traz K 6 nem 5 -

43 Em 1984, pela Encre, e em 2000, pela Flammarion, segundo a bibliografia do autor

presente no site http://maupassant.free.fr/, estabelecida pela especialista na obra do autor, Noëlle Benhamou.

(também chamada - - ), justificando que não ofereceriam interesse, uma vez que são tentativas da juventude do autor.44 Por outro lado, é possível que o caráter pornográfico de K 6

tenha impedido, ainda em 1910, essa publicação.

A intenção desse texto era a diversão do grupo e principalmente dos mestres Flaubert e Zola, a cuja primeira e única encenação assistiram, quando o próprio Maupassant representou uma prostituta.45 Como se vê, o

tom naturalista libidinoso interessava ao grupo ao qual Maupassant se ligara. Os temas ali discutidos seriam retomados, de outro modo, como será visto, mas já estabelecidos no rol do autor.

Ilustração 1

Capa da edição de 1945 da peça K 6 ( .46

44MAUPASSANT. " D + Paris: Louis Conard, 1910, p. 246. 45LECLERC, + ., p. 20.

46Imagem disponibilizada por Bernard Vassor, presidente da Associção . D

9 no site http://autourduperetanguy.blogspirit.com/media/00/00/1376675767.jpg Acesso em 28 de outubro de 2008.

Todos os dramas de Maupassant parecem dedicados à sátira social. 8 5 5 , de 1875, é uma comédia em verso que ironiza a figura do marido traído. Trata&se de uma peça dentro da outra em que um jovem vai até a casa de sua coadjuvante, Mme Destournelles, para ensaiar. O amor

platônico que o rapaz nutre por ela vem a ser anunciado ali, diante do dono da casa e marido, M. Destournelles. Entretanto, este pensa que a confissão faz parte do texto encenado, numa confusão entre representação e realidade. Nessa peça, portanto, o jogo feito com a metalinguagem cênica é o elemento de maior destaque. Com esse procedimento, o discurso inicial de resignação feminina ao casamento é abandonado pela esposa, uma vez que esta sai triunfante de cena, enganando o marido. A comédia em um ato não foi aceita para encenação na época, decepcionando Maupassant, que escreveu em uma carta ao amigo Robert Pinchon:

Décidément, les directeurs ne valent pas la peine qu’on travaille pour eux. Ils trouvent, il est vrai, nos pièces charmantes, mais ils ne les jouent pas, et pour moi, j’aimerais mieux qu’ils les trouvassent mauvaises et qu’ils les fassent représenter. C’est assez te dire que Raymond Deslandes juge

ma 5 5 trop fine pour le Vaudeville.47

A peça seguinte de Maupassant só seria escrita, e desta vez representada, em 1891. ( é uma espécie de drama burguês, uma tragicomédia familiar em três atos. Primeira peça em prosa, feita em co& autoria com Jacques&Normand, trata&se da adaptação por Maupassant de um conto de sua autoria, “L’Enfant”, do volume ' + Há em (

uma ação concentrada em um único dia, mas em dois planos – o lar de M. de Petitpré e o quarto da modelo e antiga amante de Jean de Martinel, a

Musotte. Essa ação, em traços gerais, segue o enredo do conto “L’enfant”: no dia do casamento, o noivo recebe uma carta que o obriga a abandonar a esposa, por algumas horas, a fim de trocar as últimas palavras com a antiga amante, modelo, com quem havia rompido e que está prestes a morrer, não sem antes lhe revelar o filho recém&nascido.

Ao se comparar o conto e a adaptação para o teatro, nota&se que são os traços distintivos entre estes que reforçam alguns dos elementos marcantes da poética do autor. A ironia contra a burguesia e o espírito livre de Léon – irmão da noiva Gilberte e amigo do noivo – personagem ausente em “L’enfant”, contribuem para o humor do texto. As personagens são bem caracterizadas, algumas chegam ao esboço de tipos do quadro familiar, como a tia mal&amada, o pai advogado e correto, que põe em discussão o tema do divórcio, controverso na época, e a modelo que morre por amor. O conto por sua vez, oferece outra esfera de detalhes, caros a essa forma literária em Maupassant, como o amor à primeira vista de Jacques Bourdillère – no papel do noivo –, na praia, ao ver sua futura noiva, Berthe Lannis, sair da água. No conto, a relação com a amante anterior não representa um relacionamento amigável, nem é esta tão digna quanto Musotte. A descrição da amante à beira da morte é mais brutalizada, diferindo da versão teatral, na qual a morte ocorre em cena, mas quase como um suspiro.

Os temas de intriga doméstica, freqüentes em grande parte dos contos de Maupassant, os tornam passíveis de adaptação. Há contos como “Au bord du lit”, que traduz em sua forma o - do drama, com as instruções para o diretor (nesse caso, a descrição do narrador sobre o tempo e o espaço)

destacadas do texto, em itálico. Esse diálogo de “Au bord du lit” é retomado

quase por inteiro na peça em prosa 5 , escrita em 1888 e

representada em 1893, na Comédie Française.48

Há nessa comédia de costumes a representação do casamento de aparências: marido e mulher mantêm de comum acordo relacionamentos extraconjugais, mas é conveniente mostrar para a sociedade, e financeiramente para ambos, a “paix du ménage”. Põe&se em pauta, novamente, uma discussão da época sobre o casamento e há uma ironia fina do autor sobre as conveniências burguesas. Nas palavras de Mme de Sallus, a

esposa que quase põe tais regras a perder, o casamento é um direito, um título de possessão adquirido pelo marido, “une association d’intérêts, un lien social”49, em que o amor e o afeto não têm lugar e, à exceção de matar a

esposa, o marido tudo pode. O que existe em comum entre o final do primeiro ato e o conto “Au bord du lit” é a proposta ardilosa da esposa para servir de amante do marido, em troca do dinheiro que ele daria à melhor de suas amantes. Essa situação, surpreendente para o marido, acaba de modo diferente em cada uma das obras: no conto, a mulher pega o dinheiro; na peça, ela se recusa a dormir com M. de Sallus e joga&lhe a quantia na cara. Ao se fazer a leitura do segundo ato, descobre&se, então que o interesse do marido da peça não era de restabelecer o contato com ela, mas de manter o matrimonial, deixando o caminho livre para a liberdade moral da

48MAUPASSANT. ' " + Paris: Gallimard, t. I, 1974, p. 1598. (Bibliothèque de

la Pléiade)

49MAUPASSANT, Guy de. 5 + Disponível em

esposa.50 No fim do drama, M. de Sallus sai para ver sua amante, enquanto

deixa o amante jantando com sua esposa.

A leitura dessas obras pouco comentadas propiciou uma melhor compreensão da trajetória artística do escritor. Elas também ofereceram um rico material para a discussão de temas polêmicos da estética maupassantiana, como o divórcio e a liberdade feminina, e de formas recorrentes, como a estrutura enquadrada e o cruzamento de diversos níveis diegéticos, sob os quais se oculta o autor, oferecendo maior grau de verossimilhança aos seus textos.

Benzer Belgeler