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Belgede JASPERS TE SUÇ KAVRAMI (sayfa 64-67)

Nesta seção, vamos analisar os discursos constitutivos dos enunciados das ementas das disciplinas previamente selecionadas, segundo os critérios explicitados na

introdução deste trabalho. Essas disciplinas foram divididas em dois blocos, aqui também seguindo alguns critérios.

No primeiro bloco, selecionamos as disciplinas que trabalham o conteúdo gramatical específico – Língua Portuguesa I, Língua Portuguesa II, Língua Portuguesa III – como a morfologia, a sintaxe50; e as disciplinas intituladas Linguística e Sociolinguística que permaneceram em relação ao currículo anterior. No segundo bloco, as disciplinas que consideramos como as “inovações” da nova estrutura curricular. O que nós aqui chamamos de “inovações”, em princípio, são as disciplinas que apontam para um “desejo de inovar” o curso de Letras-português, a começar pelas nomenclaturas dessas disciplinas e pelas terminologias usadas em suas ementas. É pelo cunho de uma nova nomenclatura/terminologia, acreditamos, que a vontade de mudanças já se prenuncia, apontando para o “novo”, para as “inovações” em consonância com as novas propostas teóricas da área de conhecimento na qual está inserido o curso porque a terminologia que nomeia cada uma dessas disciplinas se constitui como enunciado, portanto, já é significativa porque é constituída de efeitos de sentido: os seus nomes denunciam o que elas são dentro do contexto do currículo e do curso de Letras. Afinal, essa terminologia foi uma escolha ideológica de determinados sujeitos de discurso inseridos num determinado contexto sócio-político-histórico e institucionalmente delimitado.

A) Primeiro Bloco

 Linguística (1P1 – Ling)51 - Ementa: Estudo do objeto e conceitos básicos da

linguística, tendo em vista a história das ideias linguísticas, tendências atuais, métodos e procedimentos de análise.

Na estrutura curricular anterior, é pertinente ressaltar, havia três disciplinas intituladas de Linguística, sendo uma pré-requisito para a outra respectivamente: Introdução aos Estudos Linguísticos, no primeiro período; Linguística I, no segundo período; Linguística II, no terceiro período. Com a reformulação, ficou apenas uma disciplina (Linguística) que condensou os conteúdos que eram distribuídos nessas três disciplinas.

Na sequência discursiva desse ementário, é possível perceber que se pretende dar uma visão panorâmica do ponto de vista conceitual, histórico e metodológico, tentando fazer

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Fonética e fonologia serão tratadas na disciplina Fonologia da Língua Portuguesa, que está no bloco 2 por razões que explicitaremos no momento oportuno.

51O primeiro número indica o bloco a que pertence, 1 ou 2; a letra “P” indica o período; o número subescrito

indica o período do curso em que a disciplina é oferecida na proposta da estrutura curricular. No primeiro bloco, constam 5 disciplinas; no segundo bloco, também constam 5 disciplinas. As abreviaturas nos servirão de código para nos referirmos às respectivas disciplinas.

um percurso histórico das ideias que fundamentaram a disciplina como ciência até as tendências teóricas atuais. O uso da expressão “estudo do objeto” já remete a uma concepção de que a Linguística é uma ciência, pois só é ciência se tiver um objeto de estudo, da mesma forma que a sequência discursiva “conceitos básicos da linguística” corrobora essa prerrogativa na medida em que é próprio da ciência desenvolver conceitos em relação ao seu objeto de estudo, assim como o desenvolvimento de uma teoria e de um vocabulário próprio para dar conta de tais conceitos. No entanto, é pertinente salientar o efeito de sentido provocado pelo uso do qualificador “básicos” determinando “conceitos” no sintagma nominal. Não é pretensão da disciplina, portanto, esgotar o cabedal de conceitos que são pertinentes à disciplina, mas apenas munir o iniciante das letras de alguns conceitos necessários para a sua caminhada que ora se inicia.

O discurso que aqui se revela nos diz que desde o primeiro momento do curso, no primeiro período, o aluno precisa estar em contato com o discurso da ciência, neste caso específico, com a ciência da linguagem e se “apossar” do seu “objeto de estudo” e de seus “conceitos básicos”, bem como também precisa estar a par de que ela se constituiu, no decorrer da história, pelas ideias que se sustentaram e se constituíram em verdades, pois a ciência se constrói sobre verdades, e com a Linguística não seria diferente. Afinal, como defende Foucault (2005), é a “verdade” advinda do saber da ciência que é institucionalmente aceita como o “verdadeiro” na sociedade de discurso.

A sequência discursiva também remete à necessidade de o aluno estar atualizado com as “tendências atuais”. Vemos aqui que não basta apenas conhecer o objeto de estudo, os conceitos, as ideias que a fundamentaram como ciência, é preciso saber que, com a “evolução” das ideias, outros jogos de verdade foram se constituindo historicamente e outras verdades foram se estabelecendo porque outros saberes as estabeleceram favorecidas pelo momento histórico-ideológico. Justamente por ser ciência, e como toda ciência, a Linguística possui um método ou “métodos e procedimentos de análise”. Assim, aqui já há um embrião que se quer fomentar no aluno: é preciso fazer ciência na academia, pois o saber acadêmico se constrói a partir do saber da ciência, do domínio do objeto, dos conceitos e métodos e procedimentos próprios da área de conhecimento na qual o sujeito-aluno está inserido.

 Língua Portuguesa I52

(1P2 – LP1)- Ementa: Morfossintaxe: estudo do período com

foco no sujeito. Classes de palavras envolvidas, termos nominais, pronominais e oracionais.

52 A estrutura curricular anterior era composta de seis (6) disciplinas intituladas de Língua Portuguesa. LP I era

Essa disciplina é um dos casos em que se conservou a nomenclatura, mas se efetivou uma mudança de conteúdo de ensino e de terminologia no texto do ementário. O conteúdo de ensino dessa disciplina na estrutura curricular “antiga” era Fonética e Fonologia53.

O “novo” no enunciado da ementa é a presença da palavra “morfossintaxe” e o efeito de sentido que isso provoca. Essa terminologia, que funde “morfologia” com “sintaxe”, aponta para uma vontade de verdade sobre o ensino do conteúdo gramatical de LP que atende à realidade do momento histórico-ideológico: o efeito de sentido é que o ensino de morfologia e de sintaxe não mais podem ser estanques, em separados, mas, sim, trabalhados em conjunto. Esse discurso se contrapõe – como o novo, como um contradiscurso – a outro discurso: o discurso da tradição normativo-gramatical e o seu modo de ensinar por divisão das áreas que compõem a gramática (Fonética/Fonologia, Morfologia e Sintaxe) e das suas categorias gramaticais numa ordem gradativa: da Fonética/Fonologia para a Sintaxe; do fonema para as classes de palavras e dessa para a frase.

Nesse discurso, percebemos que há um atravessamento de outro discurso que diz que a língua é um todo e que o ensino de língua, como tradicionalmente se faz (ainda!) é equivocado: ensinar as partes da gramática de forma isolada uma da outra. Tradicionalmente se começa pela fonética e fonologia, passa-se à morfologia e, por fim, estuda-se a sintaxe. É assim que a Gramática da Língua Portuguesa está distribuída, como atesta a Moderna Gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara, obra referência entre os compêndios de gramática e referência na academia, nos cursos de Letras. Apesar de a obra trazer alguns pontos diferenciados, ela segue a divisão tradicional. No entanto, o autor faz a seguinte observação: “A parte central da gramática pura é a morfossintaxe, também com menos rigor estudada como dois domínios relativamente autônomos: a morfologia (estudo das palavras e suas “formas”) e a sintaxe (estudo das combinações materiais ou funções sintáticas)” (BECHARA, 2009, p. 54).

Da mesma forma, a Gramática da Língua Portuguesa, de Celso Cunha, também é referência entre compêndios e na academia, mas ela apresenta um diferencial. A sua divisão não segue o modelo tradicional à risca, pois no capítulo intitulado “Morfo-sintaxe” ele não só traz a relação das classes gramaticais mas também as funções sintáticas que elas podem exercer no contexto, no uso, o que caracterizaria de fato e justificaria o uso do termo

53 Na estrutura curricular “nova”, o referido conteúdo passou a ser ministrado na disciplina “Fonologia da Língua

“morfossintaxe”. Dando certo respaldo a essa proposta terminológica e justificando a adoção dessa terminologia, Bechara faz a seguinte asserção:

Ocorre que, a rigor, tudo na língua se refere sempre a combinações de

“formas”, ainda que seja combinação com zero ou ausência de “forma”;

assim, toda essa pura gramática é na realidade sintaxe, já que a própria

oração não deixa de ser uma “forma” (na lição tradicional, ela não pertence à

morfologia). (BECHARA, 2009, p. 54)

Esse discurso de Bechara já pode ser encontrado em gramáticas pedagógicas destinadas ao EB. Para corroborar nossas palavras, vejamos o que se diz em uma gramática pedagógica54 onde já ressoa o discurso dessa “nova” concepção de ensino de gramática e se coaduna com o discurso empregado na obra de Cunha, ou seja, segue o modelo empregado por esse sujeito-autor-gramático55:

Foi considerando essa profunda interpenetração entre os fatos morfológicos e sintáticos que se pensou em acrescentar a cada capítulo de Morfologia um apêndice em que se estuda a morfossintaxe da classe em questão. Dessa forma os fenômenos morfológicos ficam mais bem explicados, além de serem claramente expostas as relações entre as diversas classes vocabulares. (NICOLA; INFANTE, 1999, p. 68)

No trecho acima, os autores fazem uma crítica ao modo tradicional de se estudar/ensinar a gramática normativa, ou seja, eles se mostram em consonância com um discurso que crítica a forma como tradicionalmente se estuda/ensina a gramática normativa. Esse discurso que ressoa interdiscursivamente é o que preceitua o discurso linguístico no tangente a uma proposta de ensino de língua/linguagem menos estanque e mais dinâmica com a ênfase no uso da língua/linguagem em contexto. Além disso, o estudo a partir de um foco na morfossintaxe atenderia à vontade de verdade do saber dos sujeitos-linguistas que defendem

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Em França (2009) constatamos que nas gramáticas pedagógicas, a começar pelos seus títulos, os autores- gramáticos procuram estar em consonância com a formação discursiva do discurso que denominamos de

“científico-linguístico”, trazendo para suas obras o respaldo da ciência para tutelar o seu dizer. A “Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa”, de José de Nicola e Ulisses Infante, foi uma das obras por nós analisada. A nossa argumentação se deu sobre a palavra “contemporânea” presente no título cujo efeito de sentido nos diz

que se trata de uma gramática atualizada, que trata da língua hodierna e atende a um ensino de LP moderno. Esse estudo da gramática a partir de uma perspectiva da “morfossintaxe” atenderia aos anseios dos linguistas críticos do ensino tradicional de LP.

55A terminologia “sujeito-gramático”, “sujeito-linguista”, “sujeito-autor-gramático” e “sujeito-autor-linguista”

que o estudo da língua, ou o ensino da gramática, não tem necessariamente que seguir a ordem inexorável estabelecida pela tradição gramatical.

No discurso dos sujeitos-gramáticos, há uma clara demonstração de aquiescência ao saber-poder dos sujeitos-linguistas quando aceita a vontade de verdade destes e adota tal orientação em sua obra. Para estar em consonância com os jogos de verdade do discurso científico-linguístico, é preciso negar a verdade do discurso normativo-gramatical da tradição a que se opõe.

Em síntese, vemos que na reformulação da ementa de LP1, adotou-se a vontade de verdade do discurso científico-linguístico de que se deve seguir uma perspectiva morfossintática de ensino/estudo da língua e esta deve ser a base de formação dos alunos do curso Letras-português que forem formados dentro do novo currículo. Dentro da perspectiva de ensino apontada pela ementa da disciplina, a morfologia não deve estar dissociada da sintaxe, pelo contrário, é a partir da sintaxe que se deve dar o foco de estudo e, consequentemente, de ensino das classes gramaticais, como salientaram os autores-gramáticos referidos, e como é corroborado nos enunciados “estudo do período com foco no sujeito” e “Classes de palavras envolvidas, termos nominais, pronominais e oracionais”. A ênfase aqui é no “sujeito” e nas “classes gramaticais” que podem ocupar a posição de função do sujeito da oração dentro do período, ou seja, ao enfatizar que o estudo do período deve ter como foco o “sujeito”, o efeito de sentido desse enunciado restringe o estudo em LP1 ao primeiro termo do período e desconsidera o segundo, o predicado.

Um outro ponto que nos chama a atenção, é o emprego da terminologia. O termo empegado foi “período” e não “oração” quando, tradicionalmente, a gramática normativa, com base na Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), usa o último termo para designar o constituinte imediato formado por “sujeito” e “predicado”. O uso do primeiro nos aponta um discurso de mudança, de inovação na abordagem da matéria: o sujeito e o predicado são constituintes imediatos do período.

 Língua Portuguesa II56

(1P3 – LP2) - Ementa: Estrutura morfossintática da palavra

léxica. Estudo do período com foco no predicado: classes de palavras envolvidas, termos nominais, pronominais e oracionais.

Parte do que foi observado para LP1 serve para LP2. A ideia aqui segue na mesma esteira de raciocínio, contudo, é possível observar que “Estrutura morfossintática da palavra

56 O conteúdo de LP II era morfologia, começando, como de praxe, pela estrutura e pelos processos de formação

léxica” já provoca um efeito de sentido que nos remete a uma subversão. Aquilo que antes era estudado em LP1 como “estrutura e processos de formação das palavras” passa a ter uma nova terminologia e sob uma nova perspectiva: numa abordagem “morfossintática”. A questão aqui posta é que o professor que irá trabalhar com essa disciplina deve ter domínio teórico e referências bibliográficas suficientes para atender ao que se pretende nesse discurso. Mas como um simulacro, há um discurso que ressoa: para quem foi formado dentro dos jogos de verdade do discurso normativo-gramatical de um curso de Letras tradicionalmente “histórico-filológico”, como apontou Ilari (1997), precisa fazer uma revisão de conceitos para se atualizar com as “propostas teóricas inovadoras” da Linguística.

Uma outra vontade de verdade que se cria desse discurso, que propõe uma fuga ao estudo tradicional da “estrutura da palavra”, é que não há uma subordinação tácita na ordem de abordagem dos conteúdos como um requisito necessário para entender determinado conteúdo gramatical. O estudo tradicional do conteúdo, “estrutura da palavra”, normalmente, é abordado antes que se inicie o estudo das classes de palavras, como um pré-requisito estabelecido, cujo discurso inferido é: “para entender o próximo assunto é preciso entender este primeiro, sem ele não é possível plena compreensão do que virá adiante.” Traduzindo: “para entender as classes de palavras, é preciso primeiro entender a estrutura e os processos de formação de palavras”.

A nossa inferência pode ser corroborada pelo texto da Resolução 09/93 CONEP57 no item Organização e Estrutura Curricular. Nesse item se diz que “Na estrutura e organização do currículo as disciplinas são classificadas segundo a sua natureza […]”, em obrigatórias, optativas e eletivas.Em relação às disciplinas obrigatórias, são “comuns a todos os alunos do curso, devendo as mesmas serem cursadas na sequência estabelecida no currículo padrão”, isso porque o currículo padrão corresponde “[…] ao conjunto de disciplinas obrigatórias do curso, distribuídas por períodos letivos, obedecendo a uma sequência lógica de conteúdos.” (UFS, 1993, p. 10-11[grifos nossos])

Em LP2 o foco é o estudo do predicado e das classes de palavras que podem ocupar esse espaço no período, desconsiderando o sujeito, já estudado em LP1.

 Língua Portuguesa III58

(1P4 – LP3) - Ementa: Processos sintáticos complexos:

coordenação e subordinação. Mecanismos sintático-semânticos no período complexo.

57 Essa Resolução é anterior à 56/2007. 58

O conteúdo de LP III também era morfologia e abrangia o estudo das demais classes de palavras. O conteúdo de sintaxe ficava por conta de LP IV. Em LP V o foco era no português do Brasil e o conteúdo de LP VI era semântica.

A terminologia aqui também, em princípio, se mostra “inovadora”. O que antes eram chamados de “períodos compostos por coordenação” e “por subordinação” no ementário da disciplina Língua Portuguesa IV, seguindo a NGB, e, portanto, o que consta nas gramáticas normativas (GN), agora passa a se chamar “Processos sintáticos complexos: coordenação e subordinação”. Essa mudança de terminologia implica uma mudança na forma de tratar e abordar o referido assunto, há uma outra vontade de verdade que se sobrepôs à verdade então vigente, a da NGB e das GN: a terminologia até então empregada já não atende mais aos anseios ou corresponde à realidade dos novos estudos linguísticos sobre a gramática na sua relação com o texto: “período composto” já não diz com a mesma propriedade o que diz “processos sintáticos complexos”59

. O emprego dessa terminologia ainda não se encontra de forma ampla nas GN, assim, provavelmente ela pode soar pouco familiar, num primeiro momento, aos sujeitos-alunos de Letras e aos sujeitos-professores de LP que já atuam no EB. Essa terminologia pode soar estranha para quem só viu e ouviu até então termos como “período composto por coordenação e por subordinação”.

Essa sequência discursiva nos aponta que a terminologia da GN não é o bastante para dar a dimensão do que de fato é o período. Não se trata simplesmente de um “período composto”, mas de um “período complexo” e esse termo provoca o seguinte efeito de sentido: em um período podem existir muito mais do que duas orações coordenadas ou subordinadas, porque remetendo ao significado da palavra complexo (“Que abrange ou encerra muitos elementos ou partes”), vemos que ao se adotar a concepção de língua e linguagem a partir da proposta funcionalista, como interação, portanto, no processo interativo entre dois sujeitos as práticas de linguagem se dão por meio de textos com construções sintáticas complexas. Ou seja, a análise das relações sintáticas deve se dar, como defendemos, no contexto do texto empírico e não por meio de construções frasais fictícias ou de fragmentos isolados retirados de obras literárias para figurar como exemplos perfeitos daquilo que se afirma nas definições da GN.

A sequência discursiva seguinte “Mecanismos sintático-semânticos no período complexo” nos remete a um efeito de sentido norteado por uma verdade que advém da Linguística Textual (LT). Aquilo que é tratado na GN como meras conjunções coordenativas e subordinativas, que identificam se se trata de orações coordenadas ou subordinadas e as classificam de acordo com a conjunção empregada, para a LT se trata de mecanismos de coesão e coerência dos textos. Mas a relevância está na forma como eles amarram, conectam

59 O uso dessa terminologia encontramos apenas nas obras de Bechara (2009) e Perini (2004). Este último, na

(por isso são chamados conectivos) as partes que compõem um texto e na relação de sentidos que esses mecanismos podem estabelecer no(s) texto(s).

A vontade de verdade que aqui se põe a partir dos enunciados dessa ementa é que o estudo/ensino da sintaxe do período deve levar em conta: primeiro, que ele é mais “complexo” do que uma simples classificação em “composto”, entendido como uma sequência linear de orações que se sucedem; segundo, que ele deve ser trabalhado sob uma abordagem que valorize não só os aspectos sintáticos mas também o semântico. Em outras palavras, a estrutura é tão relevante quanto o sentido e essa verdade é defendida nos jogos de verdade do espaço discursivo linguístico, mas especificamente no espaço discursivo da Linguística Textual.

Na análise linguística (AL), como vimos no capítulo 2, é que entra o estudo da gramática na sua relação com o texto, o que implica uma abordagem que não se restringe apenas à gramática normativa. No entanto, quando se fala em “modismo” e “má compreensão” da proposta da Linguística, é porque os professores passaram a usar textos apenas como pretexto para ensinar a gramática normativa, deixando em segundo plano a leitura e a escrita e a análise linguística confundida com as regras do bem falar e escrever,

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