B. Usul Hukuku Açısından Değerlendirme
2. Ceza Kanunları Açısından Değerlendirme
A partir do que vimos ao passar pelo referencial teórico acerca de redes de apoio, podemos afirmar que o simples encaminhamento a um serviço público ou privado não se caracteriza como parceria, pois não está implícito neste um trabalho conjunto e articulado. Por sua vez, uma parceria isolada que realiza apenas um tipo de ação tampouco se configura em uma rede de apoio, pois não compreende diferentes profissionais, suportes e ações.
No que se refere aos encaminhamentos, podemos afirmar que estes podem vir a fazer parte de redes de apoio sempre que possuam continuidade de trabalho. Nesse sentido, encontramos na área da saúde o conceito de integralidade, que está embutido nos sistemas de referência e contrarreferência.
O documento “Gestão financeira do Sistema Único de Saúde: manual básico”, organizado pelo Ministério da Saúde, explica que:
As ações e serviços de saúde de menor grau de complexidade são colocadas à disposição do usuário em unidades de saúde localizadas próximas de seu domicílio. As ações especializadas ou de maior grau de complexidade são alcançadas por meio de mecanismos de referência, organizados pelos gestores nas três esferas de governo.
Por exemplo:
O usuário é atendido de forma descentralizada, no âmbito do município ou bairro em que reside. Na hipótese de precisar ser atendido com um problema de saúde mais complexo, ele é referenciado, isto é, encaminhado para o atendimento em uma instância do SUS mais elevada, especializada.
Quando o problema é mais simples, o cidadão pode ser contra-referenciado, isto é, conduzido para um atendimento em um nível mais primário. (BRASIL, 2003, p. 11).
Entre esses dois sistemas de encaminhamento, deve haver o que a Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), chama de “integralidade de assistência”, a qual é “[...] entendida como um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema.” (BRASIL, 1990, art. 7º, inciso II). Segundo Fratini, Saupe e Massaroli (2008), o termo integralidade tem sido utilizado em diferentes sentidos: como a articulação que deve existir entre os serviços de saúde; integração entre os setores público e privado; como proposta de modelo de atendimento; e
como uma diretriz na forma de gerir os serviços de saúde. Contudo, as autoras analisam que os conceitos de referência e contrarreferência
[...] ainda se encontram num estágio de pouco desenvolvimento, tanto em relação aos seus possíveis sentido teóricos quanto no que se refere à efetivação e divulgação de experiências exitosas ou não. (FRATINI; SAUPE; MASSAROLI, 2008, p. 66-67).
Assim como na saúde, podemos nos apropriar desses conceitos que compreendem a importância da interdisciplinaridade, integração, comunicação e diálogo (FRATINI; SAUPE; MASSAROLI, 2008), para compreender que encaminhamentos entre diferentes serviços, inclusive da educação, necessitam de articulações.
Vejamos então, no Esquema 4, as possibilidades de articulação em nível mesopolítico, do município de São Paulo, para a constituição de redes de apoio, compreendendo que cada ligação entre os serviços são encaminhamentos, respeitando o conceito de integralidade.
Esquema 4 – Possíveis articulações em nível mesopolítico e as inter-relações entre os suportes municipais paulistanos
Fonte: Produção da própria autora para este trabalho.
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Se, por um lado, ressaltamos a importância da falta de hierarquia entre profissionais que atuem colaborativamente, cada um disponibilizando seus conhecimentos e habilidades, por outro, ressaltamos que a hierarquia não pode ser transposta de todo. O Cefai – instituição fomentadora da política pública de educação especial no município, bem como articuladora e avaliadora – é responsável por “[...] estabelecer ações integradas em parceria [...]” (SÃO PAULO, 2004b) com as diferentes instituições e serviços disponíveis no município, bem como por “[...] acompanhar e avaliar o trabalho desenvolvido nas instituições de Educação Especial conveniadas à Secretaria Municipal de Educação” (SÃO PAULO, 2004b, art. 7º, inciso III), possuindo, portanto, uma posição hierárquica diferenciada.
O sistema de ensino, por meio da Res. 2/01 (BRASIL, 2001b), também tem estabelecidas ações de parceria sob sua responsabilidade. O art. 6º institui que a escola deve, seja para a identificação do alunado da educação especial, seja para a tomada de decisões acerca do atendimento desse público, contar com assessoramento não apenas do corpo docente e gestor de sua U.E. e do setor responsável pela educação especial do respectivo sistema de ensino, mas também da “[...] cooperação dos serviços de Saúde, Assistência Social, Trabalho, Justiça e Esporte, bem como do Ministério Público, quando necessário.” (BRASIL, 2001b, III, grifo nosso).
Em complementação, o art. 8º prevê que as escolas da rede regular devem prover, na organização de suas classes, “[...] serviços de apoio pedagógico especializado, realizado, nas classes comuns, mediante [...] atuação colaborativa de professor especializado em educação especial [...].” (BRASIL, 2001b, inciso IV, grifo nosso) e outros profissionais itinerantes. Nesse sentido, pode-se garantir a
[...] sustentabilidade do processo inclusivo, mediante aprendizagem cooperativa em sala de aula, trabalho de equipe na escola e constituição de redes de apoio, com a participação da família no processo educativo, bem como de outros agentes e recursos da comunidade. (BRASIL, 2001b, grifo nosso).
Podemos encontrar nesses excertos as relações ilustradas no Esquema 4, entre escola e:
Cefai – enquanto “setor responsável pela educação especial do respectivo sistema de ensino” e seus Paai, como os professores itinerantes visando “sustentabilidade do processo inclusivo”;
Saai – como “serviço pedagógico especializado” que deve atuar colaborativamente com a U.E.;
Trabalho, Justiça e Esporte, bem como do Ministério Público” do município;
Família – uma vez instituído que esta deve fazer parte da constituição de “redes de apoio”. Esse documento, contudo, não explicita o que são as redes de apoio citadas nesse inciso.
Além destes, tanto a escola quanto os outros suportes podem se inter-relacionar com vistas a um atendimento integral do público-alvo da educação especial, contando também, e de forma não menos importante, com os serviços das outras secretarias e com as instituições privadas conveniadas.
Neste subcapítulo evidenciamos o Cefai no seu papel ativo na constituição de redes de apoio à U.E. No próximo, nos debruçamos nas possibilidades de constituição de redes de apoio por meio do estabelecimento de articulações com os serviços de educação especial, de saúde e de assistência social.