As iniciativas governamentais e as políticas públicas são fundamentais para impulsionar o desenvolvimento, conduzir processos públicos e regulamentar as mudanças em vários segmentos da sociedade. O movimento em prol do acesso aberto, transparência das informações públicas e abertura de dados abertos são aspectos relacionados ao atual escopo político-normativo brasileiro.
No Brasil, o entendimento para a abertura de dados governamentais tem como um dos princípios a promoção de um Governo Aberto que afirma:
Os órgãos públicos precisam promover ativamente a abertura do governo. As diretrizes de um governo aberto estimulam a criação de processos e procedimentos governamentais mais transparentes. A mudança de uma cultura de sigilo, que muitas vezes está incorporada ao setor público, para uma cultura de abertura é essencial para a promoção do direito à informação (BRASIL, 2013, p. 8).
O termo open data que ganhou popularidade no movimento de transparência e governo aberto mundialmente, será conduzido conceitualmente nesta seção como sendo os dados que referem-se as informações geradas por todos os órgãos públicos oriundos de
atividades administrativas governamentais. E por, Dados Abertos Governamentais é definido que: “são a publicação e disseminação do setor público na Web, compartilhadas em formato bruto e aberto, compreensíveis, logicamente, de modo a permitir sua reutilização em aplicações digitais desenvolvidas pela sociedade” (CGI.br, 2015, on-line).
Para que os dados ou conjunto de dados atendam ao princípio do governo aberto, é necessário estarem imbuídos de características que os tornem abertos e acessíveis. As características que representam este princípio partem de três premissas: disponibilidade e acesso; reutilização e redistribuição; e, participação universal.
Essas características estão associadas às três leis do direito preconizada por David Eaves6: “se o dado não pode ser encontrado ou indexado na web, ele não existe; se não estiver aberto e disponível em formato compreensível por máquina, ele não pode ser reaproveitado; Se algum dispositivo legal não permitir sua reaplicação, ele não é útil” (EAVES, 2009, on-
line). A essência das três leis de Eaves está na premissa: os dados precisam ser encontrados,
acessíveis, úteis, interoperáveis, legalizados, abertos, compartilhados e reproduzidos.
O governo tem a responsabilidade e competência para direcionar uma “política de dados abertos tanto por causa da quantidade e da centralidade dos dados que coleta quanto pelo fato de que tais dados são públicos [...] e estão gerando valor, e há potencial para muito mais” (BRASIL, 2011, p. 20), além de que, o acesso aos dados públicos é um direito garantido no artigo 5º da Constituição Federal brasileira.
A partir da promulgação da LAI no âmbito governamental em 2011, o Decreto sem número, de 15 de setembro de 2011, instituiu o Plano de Ação Nacional sobre Governo Aberto em consonância com o art. 84, inciso VI, alínea “a” da Constituição Federal. É destinado à promoção de ações e medidas que visem ao incremento da transparência e do acesso à informação pública, à melhoria na prestação de serviços públicos e ao fortalecimento da integridade pública, que serão pautadas, entre outras, por diretrizes. “A LAI representa uma mudança de paradigma em matéria de transparência pública, pois define que o acesso é a regra e o sigilo, a exceção” (BRASIL, 2013, p. 12).
A Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão criou a Instrução Normativa no. 4, de 13 de abril de 2012, que instituiu a Infraestrutura Nacional de Dados Abertos – INDA, com base no art. 31 do Decreto no 7.675, de 20 de janeiro de 2012, tendo em vista o disposto no Decreto no 7.579, de 11 de outubro de 2011, e considerando a Parceria para Governo Aberto, celebrada em setembro de 2011 entre o
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David Eaves é um estudioso de políticas públicas e ativista para o governo aberto. Preconizou a Three Laws of Open Government Data.
Brasil e sete outros países, cuja co-liderança compete ao Brasil nos anos de 2011 e 2012, bem como o Decreto s/n, de 15 de setembro de 2011, sobre o Plano de Ação Nacional sobre Governo Aberto, o qual estabelece o compromisso do governo de implantar a Infraestrutura Nacional de Dados Abertos.
A instrução normativa regulamenta a política para garantir e facilitar o acesso pelos cidadãos, pela sociedade e, em especial, pelas diversas instâncias do setor público aos dados e informações produzidas ou custodiadas pelo Poder Executivo federal, dentro do escopo do Governo Aberto. Estabelece em seu escopo a definição, estrutura, gestão e as atribuições do comitê gestor.
Essas regulamentações legais impulsionaram a abertura efetiva dos dados governamentais, a sistematização e a transparência das práticas e resultados da gestão pública no Brasil. Estudos estão sendo realizados e apontam para benefícios que favorecem diversas áreas no âmbito do governo.
Na área política e social, as regulamentações conduzem para a transparência, responsabilização e confiança no governo, pela melhoria dos serviços e apoio na tomada de decisão no âmbito da gestão pública. A área econômica, visa o incentivo à inovação, ao crescimento econômico, a competitividade e acesso ao conhecimento coletivo. E nas áreas operacionais e técnicas do próprio governo, favorece a melhoria no relacionamento com usuários dos serviços e redução do volume de interações, reuso de dados, melhoria nos processos administrativos, sustentabilidade dos dados, possibilidade de combinação de dados, fortalecendo a visibilidade de resultados da gestão pública. Para tornar, produzir e publicar dados abertos é necessário preliminarmente, analisar aspectos relacionados com custos e mudanças culturais, institucionais, organizacionais e técnicas (SÃO PAULO, 2016).
O Plano de Ação Nacional sobre Governo Aberto contempla iniciativas, ações, projetos, programas e políticas públicas voltados para os dados e informações do Governo Aberto brasileiro. Em 2011, o Brasil firmou parceria com a Open Government Partnership (OGP) para o desenvolvimento de ações do Governo Aberto. Concomitante foi lançado o primeiro Plano de Ação do Brasil para Governo Aberto sob a responsabilidade da Controladoria-Geral da União.
A Controladoria-Geral da União “foi o órgão responsável por liderar a inserção do Brasil na OGP, articulando-se com diversos órgãos públicos e com setores da sociedade civil para construir o Plano de Ação Brasileiro” (BRASIL, 2016, on-line). Os compromissos firmados no plano brasileiro foram pensados para refletir diretrizes, desafios e princípios orientadores para os dados abertos no âmbito de um Governo Aberto.
A iniciativa do Plano de Dados Abertos é um exemplo de política pública que visa o definição de padrões, procedimentos para a publicação e escolha de futuras publicações e o fortalecimento da consciência e confiança dos intermediários nos dados abertos. Pode conter ainda informações sobre as realizações do órgão sobre o tema ou mesmo destacar os benefícios dos dados abertos para o governo, empresas e cidadãos (BRASIL, 2016).
Como instrumento de apoio ao Plano de Dados Abertos e as regulamentações legais, foi idealizado em 2011, o Portal Brasileiro de Dados Abertos. O Portal Brasileiro de Dados Abertos foi criado a partir da Lei de Acesso à Informação (LAI), como recurso disponibilizado pelo governo para que todos possam encontrar e utilizar dados abertos e informações públicas do governo brasileiro. O portal tem por objetivo disponibilizar todo e qualquer tipo de dado, por exemplo: dados da saúde suplementar, do sistema de transporte, de segurança pública, indicadores de educação, gastos governamentais, processo eleitoral, etc. A finalidade é promover a interlocução entre cidadãos e o governo para pensar a melhor utilização dos dados em prol de uma sociedade melhor (BRASIL, 2015).
Ainda no âmbito da Administração Pública Federal foi promulgada a política de publicação e compartilhamento de dados do Ministério da Educação (MEC) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A política possui como pressupostos os princípios do Governo Aberto e Transparência Pública. Percebe-se que o Governo Federal vem avançando lentamente para consolidar as políticas de compartilhamento e abertura das publicações e dados governamentais no cenário nacional.
Na esfera estadual o destaque é para o Governo de São Paulo, que na vertente do Governo Aberto possui o Portal Governo Aberto SP, regulamentado pelo Decreto Estadual nº 58.052, de 16 de maio de 2012.
O portal do Governo Aberto SP é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, de disponibilização, através da internet, de documentos, informações e dados governamentais de domínio público para a livre utilização pela sociedade, garantindo à mesma, acesso aos dados primários, de forma que possam ser reutilizados produzindo novas informações e aplicações digitais para a sociedade (SÃO PAULO, 2012, on-line).
Muitas outras inciativas estão em andamento no âmbito governamental. A política mandatória no sentido de tornar os dados abertos e a informação pública no âmbito governamental é uma realidade em construção e está sendo conduzida e norteada por princípios basilares do Governo Aberto, legislações específicas e iniciativas oriundas de instituições governamentais e organizações não governamentais.