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Conforme Manual de Diretrizes para Relatório de Sustentabilidade, versão 3.0 (GRI G3), um relatório de sustentabilidade baseado nas diretrizes de GRI servirá para a empresa divulgar seus resultados de determinado período, podendo ser utilizado entre outros propósitos, como um benchmarking, que é uma comparação de desempenho entre as organizações e também servirá como uma demonstração, ou seja, quando apresenta a forma como a organização influencia e é influenciada por expectativas de desenvolvimento sustentável (GRI 2006, p.3).

A GRI apresenta em seu Manual de Diretrizes para Relatório de Sustentabilidade que a finalidade de se elaborar relatórios de sustentabilidade é:

[...] a prática de medir, divulgar e prestar contas para stakeholders internos e externos do desenvolvimento organizacional visando ao desenvolvimento sustentável, que “relatório de sustentabilidade” é um termo amplo considerado sinônimo de outros relatórios cujo objetivo é descrever os impactos econômicos, ambientais e sociais (triple bottom line) de uma organização, como o relatório de responsabilidade social empresarial, o balanço social, etc. (GRI, 2006, p. 3).

A versão 3.0 das Diretrizes do Relatório de Sustentabilidade foi lançada em 2006 e atualizada em 2011 pela versão 3.1, continuou sendo chamada de terceira geração das diretrizes para relatório de sustentabilidade, porém com maior abrangência em alguns assuntos, tais como impacto da comunidade local e direitos humanos (GRI, 2013b).

Nas Diretrizes GRI G3 para Relatório de Sustentabilidade é apresentada uma divisão por indicadores de desempenho de sustentabilidade, organizados nas categorias econômica, ambiental e social. São nove indicadores de desempenho econômico, 30 indicadores de desempenho ambiental e 40 indicadores de desempenho social, sendo que os indicadores sociais ainda são subdivididos em práticas trabalhistas e trabalho decente, direitos humanos, sociedade e responsabilidade pelo produto (GRI, 2006).

Em maio de 2013, durante a conferência global da GRI em Amsterdã, foi lançada a versão 4.0 das Diretrizes para Relato de Sustentabilidade (GRI G4), uma sequência da versão 3.1, representando um novo desafio para as companhias que publicam balanços

socioambientais, que é a necessidade de focar no que é realmente relevante para o negócio, realizando a comunicação de seu desempenho social, econômico e ambiental, considerando como obrigatórios os temas materiais e com processos mais detalhados de definição de conteúdo (BALBY, 2013).

A empresa possuiu discricionariedade quanto à escolha de qual versão de Relatório de Sustentabilidade da GRI irá utilizar para a divulgação de suas informações econômicas, sociais e ambientais, sendo que a GRI continuará reconhecendo os relatórios que tem como base as diretrizes das versões 3.0 e 3.1 por até dois ciclos completos, ou seja, até 31 de dezembro de 2015. Após essa data, as empresas não terão mais discricionariedade e se divulgarem suas informações tendo como base as Diretrizes internacionais da GRI, devem utilizar a quarta versão. Para as empresas que irão realizar a divulgação pela primeira vez recomenda-se que inicie a divulgação já na nova versão (GRI, 2013b).

Nas Diretrizes GRI G4 para Relatório de Sustentabilidade a divisão dos indicadores de desempenho de sustentabilidade continua sendo organizado nas categorias econômica, ambiental e social, sendo nove indicadores de desempenho econômico, 34 indicadores de desempenho ambiental (quatro a mais em relação à versão anterior) e 48 indicadores de desempenho social (oito a mais em relação à versão anterior) subdivididos também em práticas trabalhistas e trabalho decente, direitos humanos, sociedade e responsabilidade pelo produto (GRI, 2013d).

Conforme publicação da GRI – Princípios para Relato e Conteúdo Padrão, o objetivo das Diretrizes GRI G4 é “ajudar relatores a elaborar relatórios de sustentabilidade relevantes, que incluam informações valiosas sobre as questões de sustentabilidade mais cruciais para a organização, bem como tornar o processo de sustentabilidade prática padrão” (GRI, 2013c, p.3).

Uma das características das Diretrizes GRI G4 é o enfoque maior na materialidade. Como no próprio objetivo é apresentado, há uma preocupação em auxiliar no preparo do relatório de sustentabilidade com temas que sejam realmente relevantes. Sendo assim, o relatório deve abordar temas que sejam importantes na organização, ou seja, as questões que reflitam impactos econômicos, ambientais e sociais significativos ou questões que possam influenciar as decisões dos stakeholders (GRI, 2013c; GRI, 2013d).

Uma novidade apresentada pela nova versão é a não existência de níveis de aplicação que nas versões anteriores era identificado como C, B ou A conforme a quantidade de indicadores divulgados pela empresa. Também não identifica com o sinal de mais (+) se as informações foram auditadas.

São oferecidas somente duas opções para que as empresas elaborem seu relatório de sustentabilidade “de acordo” com as diretrizes GRI G4, que são essencial e abrangente e se for realizada a auditoria externa deve ser mencionado no próprio índice do relatório (GRI, 2013c).

Desta forma, o Relatório de Sustentabilidade, que utilizar as Diretrizes da quarta geração da GRI, não possui mais atribuição do nível de aplicação, sendo que as empresas não precisam mais ter a preocupação de informar quantidades determinadas de indicadores, mesmos estes não sendo de impacto significativo em suas operações, para garantir determinado nível de aplicação.

Conforme os Princípios de Relato e Conteúdo Padrão (GRI, 2013c) tanto na opção essencial quanto na opção abrangente, deve ser dado enfoque no que é material, de forma a identificar os impactos econômicos, sociais e ambientais significativos ou que tenham forte influência nas avaliações e decisões de stakeholders.

A opção essencial é formada por elementos essenciais de um relatório de sustentabilidade e o abrangente, parte do essencial, devendo ser divulgadas informações adicionais a respeito da estratégia, da análise, da governança, da ética e da integridade da organização além de ter a obrigatoriedade de relatar todos os indicadores apontados na sua materialidade, diferentemente do essencial que deve relatar pelo menos um indicador relacionado à materialidade identificado (GRI, 2013c).

A materialidade é um dos princípios de definição do conteúdo do relatório para as empresas que pretendem divulgar suas informações econômicas, sociais e ambientais em conformidade com as diretrizes da GRI G4 (GRI, 2013d).

A utilização das diretrizes da GRI é uma forma de apresentação que nos últimos anos ganhou destaque entre as organizações, conquistando gradualmente um número cada vez maior de empresas.

Conforme estudos divulgados pela GRI, o Brasil encontra-se em terceiro lugar no mundo em número de empresas que publicam relatórios de sustentabilidade, sendo que em 2010, mais de 160 relatórios brasileiros baseados na estrutura da GRI foram registrados em sua lista de relatórios (GRI, 2013a).

Gláucia Terreo, coordenadora das atividades da GRI no Brasil, no 6° Fórum Internacional de Desenvolvimento Sustentável, realizado em Belo Horizonte em outubro de 2013, apresentou que atualmente mais de 200 empresas no país adotam a estrutura da GRI para divulgarem seus relatórios de sustentabilidade. No ano de 2000, a Natura se destacou como sendo a empresa pioneira na utilização das diretrizes GRI. Outras organizações também

seguiram o exemplo e publicaram seus relatórios seguindo a mesma estrutura, tais como

Samarco, Bunge, Vale e Usiminas (FÓRUM INTERNACIONAL DE

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, 2013).

Conforme o Manual de Implementação GRI G4 (GRI, 2013d), os princípios para definição do conteúdo do relatório, são: inclusão de stakeholders, contexto da sustentabilidade, materialidade e completude. Esses princípios servem para orientar na identificação do que será informado no relatório.

O princípio de inclusão de stakeholders está relacionado em conhecer e reconhecer as expectativas e interesses de seus mais diversos stakeholders, fornecendo respostas, no próprio relatório, de quais são as medidas adotadas para suprir essas expectativas e interesses.

O Manual de Implementação GRI G41 apresenta em seu glossário a seguinte definição para o termo stakeholder:

Stakeholders: Refere-se a entidade ou indivíduos que tendem a ser significativamente afetados pelas atividades, produtos e serviços da organização ou cujas ações tendem a afetar a capacidade da organização implementar suas estratégias e atingir seus objetivos com sucesso. O termo inclui organizações ou indivíduos cujos direitos nos termos da lei ou de convenções internacionais lhes conferem legitimidade de reivindicação perante a organização (GRI, 2013d, p. 258).

Também é apresentada uma divisão dos stakeholders, entre aqueles diretamente envolvidos na operação da empresa, tais como empregados, acionistas e fornecedores e aqueles que não são diretamente envolvidos nas operações da empresa, ou seja, possuem outro tipo de relacionamento, como por exemplo, a sociedade civil.

O contexto da sustentabilidade é traduzido pelo Manual como a apresentação de informações a respeito do desempenho da organização com base em conceitos amplos e não apenas individuais. É necessário descrever o que a empresa pretende realizar, quais as decisões tomadas agora e quais podem ser tomadas futuramente para algum problema ou tendência.

A materialidade envolve os temas que o relatório deve abordar, inclui questões de significativos impactos econômicos, ambientais e sociais para organização, ou questões que possam influenciar substancialmente as avaliações e decisões de stakeholders.

Já o princípio da completude garante que os temas materiais e seus limites estarão corretamente apresentados no relatório.

O Manual de Implementação GRI G4 apresenta também os princípios que asseguram a qualidade do relatório, que são o princípio do equilíbrio, da comparabilidade, da exatidão, da tempestividade, da clareza e da confiabilidade (GRI, 2013d).

Para a GRI (2013d) esses princípios servem para garantir qualidade das informações relatadas e possuem a função de auxiliar na transparência e qualidade das informações para seus stakeholders, fornecendo subsídios para a realização de avaliações e tomadas de decisões.

O princípio do equilíbrio assegura que o relatório apresente informações tanto positivas quanto negativas, permitindo assim uma avaliação equilibrada de desempenho geral da empresa; o princípio da comparabilidade assegura que as informações constantes no relatório devem ser comparadas ao longo do tempo e se possível que também forneça uma comparação com outras organizações; o princípio da exatidão assegura a precisão e detalhes das informações de modo que sejam suficientes para que os stakeholders consigam realizar suas avaliações de forma adequada; o princípio da tempestividade está relacionado com a regularidade da disponibilização do relatório aos stakeholders, de forma a disponibilizá-lo a tempo para que eles possam realizar suas análises e tomar suas decisões; o princípio da clareza se traduz na necessidade de disponibilização das informações de forma que seja compreensível e acessível a todos os seus stakeholders; e o princípio da confiabilidade assegura que as informações contidas no relatório devem ser confiáveis, com documentos internos e controles que possam ser utilizados em processo de verificação (GRI, 2013d).

O processo sugerido para definição dos temas materiais e limites apresentado no Manual de Implementação GRI G4, segue quatro etapas, identificadas na Figura 1, que são: identificação, priorização, validação e análise (GRI, 2013d).

Figura 1 – Definição de Aspectos materiais e limites Fonte: Manual de Implementação GRI (GRI, 2013d, p. 32).

As etapas são consideradas apenas orientações, porém a implementação dos princípios de definição do conteúdo do relatório são requisitos para que o relatório esteja “de acordo” com as diretrizes da GRI, além de garantir a transparência nos relatórios de sustentabilidade (GRI, 2013d).

Conforme orientações do Manual de Implementação GRI G4 (GRI, 2013d) a etapa de identificação é o momento em que a organização seleciona entre uma relação de temas potencialmente relevantes, aqueles de maior impacto em suas atividades, ou seja, aqueles que possuem relevante impacto econômico, ambiental e social com relação à atividade da organização, devendo levar em consideração os princípios contexto de sustentabilidade e inclusão de stakeholders.

A etapa da priorização ocorre quando a organização define quais os temas relevantes da primeira etapa que serão priorizados, divulgados e tratados no relatório. Essa etapa tem como base o princípio da materialidade e inclusão de stakeholders, sendo que a priorização se dará através da identificação da significância dos impactos econômicos, sociais e ambientais e a influência dos stakeholders nas avaliações e decisões (GRI, 2013d).

A etapa da validação tem como base os princípios da completude e inclusão de

stakeholders, sendo a etapa que finaliza a identificação dos temas relevantes que serão

relatados. Os temas materiais identificados precisam ser aprovados pela alta gestão da empresa (GRI, 2013d).

Já a última etapa é a da análise, que conforme o Manual de Implementação (GRI, 2013d), é realizada após a publicação do relatório, de modo contínuo, preparando os trabalhos para o próximo relatório. Os princípios aplicados nesta etapa são contexto da sustentabilidade e engajamento de stakeholders.

No Anexo A desta pesquisa consta o Resumo dos Conteúdos Padrão Gerais e no Anexo B o Resumo dos Conteúdos Padrão Específicos para Relatórios de Sustentabilidade GRI na versão 4.0.

Benzer Belgeler