• Sonuç bulunamadı

A presente pesquisa está baseada, como a própria natureza da pesquisa educacional impõe, numa abordagem qualitativa (MINAYO, 1998). Isso não exclui a possibilidade de quantificação dos dados, mas procura demarcar a relação entre o conhecimento e a realidade circundante, enxergando a pesquisa de forma sistêmica.

Tendo em vista que os fenômenos a serem apreendidos por esta pesquisa se situam num dado momento histórico e são influenciados pelos campos econômico, político e social de forma mais ampla, buscamos desenvolver uma leitura em que a crítica da realidade seja multidirecional, e não apenas no fenômeno educacional em si (DORZIAT, 2009).

Marcamos, assim, nosso fundamento epistemológico, baseados no pensamento de Morin (1997, p. 26) que não vê o conhecimento de forma estática. Diz ele:

[...] Se antes as ciências se baseavam na experiência, na observação e na razão, ou seja, no procedimento empírico racional para chegar a um fundamento científico capaz de ser o espelho da realidade e do mundo [...] hoje, somos obrigados a nos situar, reconhecer-nos a nós mesmos para falar da sociedade da qual fazemos parte.

Portanto, o ato de produzir conhecimentos deve se constituir um exercício de reflexão que busque caminhar na direção de uma construção de conhecimento que não esteja embasado num pensamento simplificador. É necessário, como afirma Morin (op. cit. p. 30), pensar complexo, entendendo que “o conhecimento navega em um mar de incertezas, por entre arquipélagos de certezas”.

Optamos pela abordagem qualitativa, com ênfase na abordagem etnográfica, pois, pretendemos perceber como o interprete de Língua de Sinais tem atuado nas salas inclusivas, atentando para as relações que se estabelecem nesse contexto, comparando sua atuação com os princípios norteadores da política inclusiva e a legislação que legitima sua profissão.

Recorremos à abordagem etnográfica, porque, segundo Moreira (2008), “[...] a etnografia é um método e o ponto de partida é a interação entre o pesquisador e seus objetos de estudo... e o objetivo de quem realiza a pesquisa etnográfica é compartilhar as experiências dos indivíduos da forma mais natural possível [...].” E este foi nosso intuito na qualidade de intérprete e atuante na comunidade surda.

Segundo André (1997), “Na década de 1980, a abordagem etnográfica ganhou muita popularidade, tornando-se quase um modismo na área de educação. Nos programas de pós- graduação do Brasil, surgiram muitas dissertações, teses e pesquisas de docentes, que se voltavam para a descrição das atividades de sala de aula, para as relações construídas no dia- a-dia da experiência escolar e para o estudo das representações dos atores escolares”

A partir da afirmação da autora, ao elencar que tipo de questões as pesquisas etnográficas levantavam, tivemos claramente definido que um estudo voltado para a observação e interpretação das relações existentes no ambiente escolar, em especial as relações entre os intérpretes e os sujeitos envolvidos na sala de aula, comportam uma reflexão a partir de um trabalho etnográfico, considerado que esta abordagem, como afirma Moreira (2008, p. 85), “exige o envolvimento direto, prolongado e intenso do pesquisador nas atividades do grupo a ser pesquisado”.

Certamente, nossa escolha pela abordagem etnográfica reflete o nosso propósito em realizar a pesquisa, o qual era analisar, descrever e interpretar uma faceta ou segmento da vida social de um grupo, relacionando com a educação e com a nossa atuação profissional. Nesse caso especifico os Intérpretes de Língua de Sinais (ILS) que atuam nas escolas inclusivas. Portanto, tendo por base a pesquisa etnográfica, organizamos a análise dos dados, oriundos das entrevistas, das conversas em momentos informais e das observações tanto em sala de aula, como em outros espaços das escolas, na perspectiva da análise de conteúdo fundamentada em Bardin (2010). Buscamos assim perceber as relações que se constituem a partir das ações dos ILS e suas formas de interagir com os sujeitos presentes no contexto da sala de aula especificamente os alunos surdos, suas concepções e como vive o processo inclusivo na sala de aula regular, como sujeito ativo e co-participante no processo educativo pedagógico doa alunos surdos.

Para nossa entrada no campo de pesquisa (cinco Escolas Estaduais de Ensino Fundamental II e Médio), realizamos os procedimentos necessários na pesquisa etnográfica, quais sejam: apresentar a proposta de pesquisa ao grupo para a obtenção do consentimento e do envolvimento; e apresentar a possibilidade de o pesquisador poder atuar como um observador privilegiado do grupo, não participando das atividades ou podendo participar ativamente como membro em todas as atividades do grupo (MOREIRA, 2008).

André 1997 (s/d) afirma que “quando os estudiosos das questões educacionais recorreram à abordagem etnográfica, eles buscavam uma forma de retratar o que se passa no dia-a-dia das escolas, isto é, buscavam revelar a complexa rede de interações que constitui a experiência escolar diária, mostrar como se estrutura o processo de produção de conhecimento em sala de aula e a inter-relação entre as dimensões cultural, institucional e instrucional da prática pedagógica”.

Tal afirmação corrobora com nossas perspectivas investigativas, que estão atentas a complexa e freqüente relação diária em sala de aula, envolvendo o ILS, e como essa experiência tem se configurado em termos de relações entre os sujeitos (alunos surdos) que dependem desse profissional para ter acessibilidade a todas as informações em sala de aula e no ambiente escolar.

Nossa posição, enquanto pesquisadoras, também é respaldada na abordagem etnográfica, porque, como afirma André 1997 (s/d) “[...]importante contribuição da etnografia para a pesquisa das situações escolares decorre da atitude aberta e flexível que deve manter o pesquisador durante a coleta e a análise dos dados, o que lhe permite detectar ângulos novos do problema estudado”. Acrescentamos ainda como pressuposto que embasou nossa escolha pela pesquisa etnográfica, certamente, é devido ao fato, de tal abordagem “explorar o comportamento holisticamente em um contexto social de costumes, valores e estilos de comunicação” (MOREIRA, 2008, p. 89.)

Benzer Belgeler