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4.BULGULAR 4.1 Seranib-2’nin Hücre Canlılığına Etkisi

4.4 Ceranib-2’nin ASAH Gen Ekspresyonu Üzerine Etkisi

Como grupo social, a família Gentil detinha poder e prestígio, ocupando posição destacada no espaço social de Fortaleza já nas primeiras décadas do século passado, o que permitiu aos membros da família, especialmente àqueles a quem foram outorgados poderes de comando na hierarquia interna, mais especificamente os filhos mais velhos do coronel José Gentil, acesso aos círculos e locais utilizados pela elite dominante de Fortaleza, criando e fortalecendo elos intragrupais com uso de práticas de associação, como o casamento entre membros de famílias abastadas e a constituição de alianças com outros grupos, no campo empresarial. A pertença ao grupo social que gozava de prestígio e reconhecimento social, de acordo com muitos dos dados levantados, fundava-se notadamente no poder econômico e na capacidade que os Gentil tinham de exibi-lo geralmente com o uso ostensivo de bens socialmente raros e o culto à boa vida, por exemplo.

Para Bourdieu, as posições dos agentes numa determinada estrutura social são definidas pelo acúmulo de capital das diferentes espécies. Neste sentido, Bourdieu afirma:

A posição de um determinado agente no espaço social pode assim ser definida pela posição que ele ocupa nos diferentes campos, quer dizer, na distribuição dos poderes que atuam em cada um deles, seja, sobretudo, o capital econômico-nas suas diferentes espécies, o capital cultural e o capital social e também o capital simbólico, geralmente chamado de prestígio, reputação, fama, etc., que é a forma percebida e reconhecida como legítima das diferentes espécies de capital. (BOURDIEU, 1989, p.134)

A condição ostentada por banqueiros, proprietários de imóveis e comerciantes fazia dos membros da família Gentil, notadamente os líderes e dirigentes dos negócios, homens ricos e poderosos, de acordo com critérios estabelecidos socialmente. Além disso, os modos e costumes incorporados por eles, devido ao capital adquirido27no processo de socialização

27 Seguindo o hábito das famílias abastadas no Brasil (FAORO, 1998), de mandar seus sucessores e herdeiros estudar em centros desenvolvidos, onde poderiam adquirir hábitos, costumes e conhecimentos necessários à manutenção e legitimação de privilégios de status e dominação de classe, os filhos e netos do coronel José

a que foram submetidos, destacando-se o gosto pelas artes e esporte, eram suficientes para distingui-los, inclusive, de outros detentores de poder econômico. Em suma, verifica-se a construção de uma representação simbólica em torno da família Gentil, funcionando como fator de legitimação e aceitação social, de vital importância para a execução dos movimentos necessários de interesse no campo empresarial.

No seu estudo sobre o papel da família na sociedade cearense, Carvalho Filho lembra:

Ser de uma família, antes de ser um símbolo de poder econômico, quando se trata de famílias que possuem um real poder na sociedade local, é, principalmente, estar no lugar onde se é reconhecido, onde se trava, também, uma luta entre as classes e frações de classe por seu reconhecimento, ou para se impor pelo monopólio da violência ao conjunto da sociedade. Daí a importância de ter nascido numa família importante e boa em contraposição às famílias sem prestígio e, portanto, anônimas, sem capital simbólico capaz de lhe permitir inserir-se nas trocas de prestígios e favores, elementos imprescindíveis para ocupar uma posição na estrutura social. É por isso que na representação social que as pessoas fazem da família cearense o termo família assume muitas conotações. Existem as pessoas que são da família Távora, outras são da família Ferreira Gomes, Gentil, Fiúza, outros da família Bezerra, etc. Assim como há taxionomias em torno do nome da família, há também denominações do tipo: os que nascem em famílias de políticos, ou de comerciantes, militares, bacharéis, coronéis, cretinos e diplomatas. (CARVALHO FILHO, 2000, p 71).

O nível de prestígio social alcançado pelos principais líderes da família Gentil pode ser avaliado pelos depoimentos prestados por informantes, quando perguntados sobre tal. Um dos depoimentos afirma:

Era comum encontrarmos fila de pessoas para falar com seu Antônio Gentil no banco. Por dia, atendia quase quinze pessoas, a maioria pedindo empréstimos. Tinha até aqueles que davam expediente no salão principal, resolviam seus

Gentil, que eram destacados para exercer papéis de liderança à frente dos negócios da família, foram mandados para estudar na cidade do Rio de Janeiro, nos Estados Unidos e na Europa, caso de um dos filhos

negócios, pediam caneta e papel emprestados, depois iam embora. Era difícil o seu Antônio dizer um não. (Ex-funcionário da imobiliária, já aposentado).

O depoimento acima nos dá mostra do poder que é empalmado por aqueles que detêm supremacia econômica. Com efeito, diante da importância que o capital-dinheiro tem para o funcionamento (circulação) da economia, notadamente quando se tem em mente uma cidade como Fortaleza, cuja economia ainda se encontrava sob controle do capital mercantil na década de 1950, a capacidade de conceder um empréstimo, notadamente para alguém em dificuldades financeiras, significava manter uma íntima ligação com diversos setores sociais. Note-se ainda que o depoente sugere uma outra característica do diretor do banco: a sensibilidade que o impedia de dizer um não, diminuindo-lhe a carranca de banqueiro que aufere juros (mais-valia) de suas operações e realçando a existência de um homem pronto a prestar um favor para alguém em necessidade.

Merece observar-se que o prestígio e a confiança adquiridos pela família Gentil (no imaginário social uma autêntica família de ricos), até os anos de crise econômica, serviram de sustentáculo para as ações e êxitos no interior do campo imobiliário. Assim, considerando que a idéia da simbiose entre família e empresa marca a trajetória das atividades desenvolvidas, entendemos que esse grau de dependência mútua, por outro lado, terminou contribuindo para que as empresas familiares entrassem em crise econômico- financeira. Com efeito, a falta de percepção que o padrão cultural que norteava as ações empresariais do grupo familiar esgotava-se rapidamente diante do desenvolvimento capitalista, certamente foi um dos fatores impulsionadores da crise que envolveu a família e suas empresas. Entrevistando um descendente da família, hoje empresário do setor turístico, foi-nos dito que a falta de melhor capacidade gerencial, que culminava com a manutenção de costumes inaceitáveis como o empreguismo e o uso indevido dos recursos28, na opinião

do coronel que se formou em contabilidade na Alemanha.

28 Repetidamente, membros da família e pessoas próximas atribuem as dificuldades dos Gentil à prática recorrente de empregar familiares, inclusive alguns que sequer cumpriam expedientes. Além disso, alguns membros da família ficaram conhecidos por gastar enormes somas com jogo, bebidas e mulheres. Certamente o comportamento perdulário, esbanjador dos donos da imobiliária contribuiu para as dificuldades enfrentadas. No entanto, na nossa opinião, a incapacidade para perceber as mudanças econômicas em gestação nos anos 50, embrionárias do surgimento do capitalismo urbano no Ceará, é a chave para entendermos como grupos como a família Gentil, vivenciaram um rápido declínio econômico.

dele, foi a principal causa da perda do banco e a venda de parte considerável do patrimônio da imobiliária.