1.3. KİTABIN KURGUSU VE KURGUYA EŞLİK EDEN
2.1.3. CEM SULTAN’IN RUHSAL VE FİZİKSEL KİŞİLİĞİ
Seria possível tornar público as pesquisas realizadas pelo pessoal científico do Museu Paraense? E difundir os novos estudos sobre História Natural e a Etnografia amazônica no final do século XIX? Como fazer
propaganda do que se tinha e era produzido no Museu para outras Instituições de ensino e pesquisa no Pará, Brasil demais países? Na historiografia institucional do Museu o Boletim do Museu Paraense de História Natural e
Etnografia responde enfaticamente estas perguntas. Publicado pela primeira
vez em setembro de 1894 com tiragem de 1.000 exemplares, o periódico tinha como fim “tornar rapidamente conhecidos certos estudos e resultados sobre assuntos de História Natural e Etnologia”, o que significava um “real adiantamento dos conhecimentos humanos”, além de serem apropriados a “acelerar a exploração metódica da Amazônia em especial e da América em geral”. O Boletim serviria também de “meio de publicação sobre questões da história, marcha e desenvolvimento do Museu” (REGULAMENTO..., 1894 p.26).
Distribuído gratuitamente ou sob permuta de literaturas de outros Institutos ou sociedades, aos cuidados do Diretor, o Boletim consolidou o novo projeto científico do Museu Paraense e buscou seu merecido lugar entre outras obras de História Natural, por suas contribuições aos estudos da fauna, da flora e da etnografia amazônica17. No Pará, a distribuição dos periódicos foi abundante, principalmente no seu primeiro número. De acordo com Goeldi (1896) os integrantes dos círculos oficiais e civis da sociedade paraense, cônsules residentes no Estado, professorado e estabelecimentos de ensino público foram contemplados com exemplares do Boletim. Contudo, a distribuição em massa não foi suficiente para a obra ser considerada pretensiosa ou mesmo com fins grandiosos:
“Qual é o nosso programa? Seriamente trabalhar no desenvolvimento das Ciências Naturais e da etnologia do Pará e da Amazônia em particular, do Brasil e do continente americano em geral. Perguntarão de que modo pensamos sair-nos de semelhante tarefa, publicamos trabalhos originais, realizados aqui por nós e por colegas, que estão em contato conosco. Estudaremos igualmente o que tem sido feito de bom antes de nós, em relação ao campo de trabalho
17 Goeldi (1895, p.227) enumera em seu relatório sete Instituições que fizeram ofertas à
biblioteca sob permuta: A Sociedade de Ciências Naturais em Frankfurt, a Biblioteca da Universidade de Stranburgo, a Biblioteca da Universidade de Müchen, todas da Alemanha; a Sociedade Zoológica de França em Paris; O Museu de La Plata em Buenos Ayres, Argentina; a
Division of Mammalogy and Ornithology em Washington, Estados Unidos e o Museu Nacional
assim circunscrito, fiscalizando o que se vai fazer fora, longe daqui, em outras partes do mundo, por naturalistas com quem ainda não travamos relações. Descobrindo uma ou outra coisa mais antiga de incontestável valor e que talvez não tenha achado a devida vulgarização entre nós, trataremos de tirar do pó do esquecimento, procurando ser justo com todos e prestar-lhes uma modesta homenagem, embora póstuma em tantos casos. Trataremos de reunir, condensar e coligir material esparso no tempo e na literatura de outros povos, sempre com o fim e intento de fazer aproximar a época em que será possível um balanço mais ou menos exato dos conhecimentos atuais sobre a Amazônia e delimitar a soma do que já é conhecido da que fica ainda por se investigar. Procuraremos preencher lacunas e chamar para elas a atenção pública”. (BOLETIM DO MUSEU PARAENSE, 1894 p.I-III)
Portanto, o objetivo do Boletim em desenvolver as Ciências Naturais e a Etnologia paraense foi consonante à finalidade geral do Museu Paraense: fossem por meio da publicação de trabalhos originais de seus cientistas e amigos, fossem pelo estudo e difusão de outras literaturas referentes à Amazônia e as possíveis lacunas deixadas por eles.
Não houve inicialmente o compromisso com a periodicidade das publicações do Boletim, o qual deveria ser impresso de acordo com o tempo disponível das atividades do estabelecimento e o aparecimento de outros materiais de pesquisa (REGULAMENTO...1894, p.III),. Todavia, a expectativa do êxito da nova publicação era notável. Para isso, o periódico foi impresso em português e, não em outro idioma mais conhecido no meio científico da época, porque ele deveria ser identificado como “produto brasileiro” e, por isso, a língua materna representava a sua “roupa nacional”, seguindo a tendência dos russos, alemães e suecos que também começavam publicar seus estudos em seus idiomas.
Escrito na maior parte por Goeldi e Hüber, Diretor e Vice do Museu respectivamente, o Boletim do Museu Paraense mesclou textos administrativos tal como relatórios anuais das suas atividades, correspondências oficiais, necrológicos, regimento e regulamentos; com textos científicos sobre Botânica, Etnologia, Zoologia, Geologia, biografias, relatório de atividades e excursões científicas. Característica também presente na Revista do Museu Paulista, porém diferente dos Arquivos do Museu Nacional, em que textos da esfera administrativa foram ausentes (LOPES, 1997 p.298). Quanto aos textos ditos
“científicos” sobressaíram os escritos sobre Zoologia e Botânica, em relação aos artigos de Geologia, Arqueologia e Antropologia o que mostrou desde o início a inclinação do Museu nortista para os ramos da História Natural relacionados aos estudos da fauna e da flora Amazônica18.
Apesar da preferência exigida ao pessoal científico do Museu Paraense para que publicassem seus trabalhos no Boletim, isso não aconteceu de fato, pois grande parte de seus Pesquisadores tiveram suas pesquisas editadas primeiramente em revistas estrangeiras e poucos foram os estudiosos de fora da Instituição que tiveram seus trabalhos publicados no Boletim do Museu Paraense (SANJAD, 2005). Por essa razão, alguns dos textos presentes nos fascículos do periódico foram reproduções de impressos de outras revistas internacionais. Apesar do acontecimento, os artigos publicados no estrangeiro não foram suficientes para ofuscar o reconhecimento do periódico paraense.
O Boletim também foi relacionado à difusão do Estado do Pará para fora do País. A produção paraense, como assinalou Sodré (1897, p.35), chegou e fez propaganda do que se pesquisava no norte do Brasil, servindo aos interesses da ciência em geral e especialmente no velho mundo, onde este tipo de conhecimento era cultivado, onde as artes haviam sido estimadas, onde as liberdades foram garantidas e os direitos amparados pelas leis. Desta forma, a ciência apresentada nos países de além-mar foi considerada distinta quanto à produção científica nacional, mas esta última buscou incessantemente ser reconhecida nas grandes potências científicas da época e o fez se utilizando de estratégias como o Boletim.
A partir de então, o Museu Paraense lançou a sua parte na ciência e no certame internacional, se destacando por sua localização na imponente floresta amazônica, prestadora dos mais diversos objetos de estudo aos naturalistas do mundo todo. Sua imagem institucional se tornou cada vez mais exposta, ficando longe de ser mero expectador passivo ao dar contribuições às pesquisas sobre História Natural.
De acordo com Carvalho (1901, p.65), Governador do Estado, durante o
18 Para um maior aprofundamento a respeito das publicações do Boletim do Museu Paraense e
seus referentes assuntos consultar os trabalhos de Gualtieri (2005), Lopes (1997), Crispino (2006) e Sanjad (2005).
período, de 1897 à 1900, foram publicados cinco fascículos do Boletim e os dois primeiros números das Memórias do Museu Goeldi - obra mais ampla e apresentava conjuntamente ilustrações dos estudos realizados pelos pequisadores da Instituição19. Além das “Memórias”, outras revistas foram
encetadas no Museu Paraense e mereceram destaque na época, são elas: o
Álbum das Aves Amazônicas (1900, 1902 e 1906), escrita por Goeldi, e o Arboretum Amazonicum (1900 e 1906) de autoria de Jacques Hüber; todas
elas ampliadas como as “Memórias”, e designadas por Carvalho de “novo padrão de glória para o Pará” e “mensageiras do nosso progresso”, pelo fato de fazerem propaganda da produção científica do Estado para as cinco partes do mundo:
As publicações do Museu vão para as cinco partes do mundo, como mensageiras do nosso progresso. O Museu representa indubitavelmente o meio mais valioso e eficaz de propaganda sobre todo o universo em prol dos créditos culturais do Pará, sendo pela imprensa da capital da União e dos Estados meridionais do Brasil unanimemente apontado como estabelecimento modelo e titulo de glória nacional. (CARVALHO, 1901 P.65).
Ainda que o Museu Paraense tivesse inicialmente uma aparente ressalva quanto à impressão de outros números do Boletim, o Instituto mereceu destaque em relação a outros Museus brasileiros do mesmo período (LOPES, 1997)20. Não é bem certa a diferença entre o Boletim do Museu Paraense e as outras obras da publicadas pela Instituição, pois a primeira revista também apresentou ilustrações e ampliação nos números subseqüentes – algo apresentado, por exemplo, como exclusividade para as
19As Memórias do Museu Paraense de História Natural e Etnografia começaram a ser
publicadas a partir de 1900 em livros seriados; idealizada no regulamento de 1894, ou seja, três antes de ser escrita. Lopes (1997) identifica quatro volumes das Memórias: os dois primeiros números publicados em 1900, sendo um sobre escavações arqueológicas e outro com pesquisas geológicas e botânicas; e os terceiro e quarto números intitulados Estudos
Sobre o Desenvolvimento da Armação dos Veados Galheiros do Brasil e Os Mosquitos do Pará.
20Há a possibilidade de que os responsáveis pela publicação do Boletim do Museu Paraense
tenham prometido outras revistas cientificas com o intuito de preencher as lacunas deixadas pela primeira publicação, visto seu pouco tempo de existência, e a dúvida quanto a impressão de outros números posteriormente. No entanto, para maiores conclusões seria necessário analisar as várias mídias impressas pelo Museu e compará-las, a fim de saber ao certo quais as disparidades e semelhanças entre elas.
“memórias”.
Mais tarde tanto o Boletim do Museu, quanto as outras revistas produzidas pelo pessoal cientifico do Museu Paraense estiveram não só nas bibliotecas paraenses, mas também nas de outros Museus do Brasil e do mundo. Pois, durante a coordenação de Goeldi correram, lado a lado, os Boletins, as Memórias, os Álbuns e o Arboretum, todas obras do Instituto.
Se de um lado o Museu Paraense tentou se mostrar para os cinco cantos do mundo, do outro ele procurou difundir para o próprio Pará suas obras, fazendo o processo interno de difusão da História Natural. Por isso, trato a sua tentativa de fomentar a criação de obras nacionais em Ciências Naturais de maneira interligada a objetivos locais, como a criação da biblioteca própria do Museu. Desta maneira a elaboração e confecção de literaturas específicas sobre as áreas de interesse da Instituição responderam a indagação de Sodré (1894, p.17) de “como há de se determinar objetos de História Natural sem obras sistemáticas?”. Destaco também nesta mesma linha as lições sobre as ciências da natureza, mais precisamente sob o modo de colecionar objetos da natureza para o acervo do Museu Paraense, contidas num folheto explicativo que foi distribuído a diversos escalões da sociedade de Belém e do interior do Estado.